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De vermelho e azul seja no Pérola ou em Parintins

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Conheça quem são os artistas que todos os anos migram de Parintins à São Paulo para construir o carnaval da Pérola Negra.

por Diane Lima

Todos os anos nos deparamos com os monumentos das alegorias dos carnavais de estados como Rio e São Paulo mas nunca nos damos conta em ir fundo para saber quem são as pessoas por trás daquilo tudo. De onde vieram, onde moram, quais seus sonhos, o que fazem? Por isso, que dando continuidade ao nosso especial de Carnaval, NoBrasil esteve no barracão da Escola de Samba Pérola Negra junto com a fotógrafa e integrante da escola Letícia Lovo, para conhecer “os verdadeiros artistas”, como são carinhosamente chamados os profissionais de Parintins, gente responsável pelas alegorias, engenharias e com certeza, pelas belezas que farão com que o Pérola deixo o grupo de acesso rumo ao tão esperado grupo especial.

Como num movimento migratório, esses parintinenses deixam as suas casas para construir um dos maiores espetáculos da terra, relação que segundo Joe integrante da equipe,  foi construída a partir do preciosismo do trabalho do mestre do boi seu Jair Mendes, uma lenda viva e referência no Festival Folclórico de Parintins onde disputam os famosos Caprichoso e Garantido: “o relato é que desde que ele veio, as pessoas ficaram encantadas com o trabalho que a gente faz lá e desde então, a cada ano vem mais e mais gente pra cá sempre evoluindo”.

Joe que tem apenas 22 anos e vem de uma família onde mãe, tios, e irmãos, todos tem um dom para a arte e a técnica, fala sobre as suas impressões e desejos para o futuro: “antigamente quando eu comecei a cortar isopor, minha mãe tinha maior raiva porque eu sujava todo o quintal. Depois que ela viu que eu tinha futuro, começou a incentivar por isso eu tenho muito orgulho da minha família porque somos seis filhos e o menor de 12 anos já estuda isso. Quando eu vou daqui  levo material para ele já incentivando…..gosto do meu trabalho, a gente acaba conhecendo a cultura dos outros locais. Termina o festival e a gente já começa a viajar. Também, tenho o sonho de retomar a faculdade de artes plásticas que tranquei…acho que lá  não temos os ensinamentos que tem  no dia a dia mesmo, mas sei que é importante, como nosso trabalho é manual, artesanal, é mais um caminho para sermos valorizados.”

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Toninho, responsável da equipe e também nascido e criado em Parintins, começou a trabalhar há 10 anos nas festas e festivais de Manaus e Macapá completando esse ano 07 anos de Pérola Negra. Tocando uma equipe onde cada um tem múltiplos talentos e que é composta ainda pelo Eckner, Antonio, Arthur e Bernadino, desenvolve as estruturas metálicas, os movimentos das esculturas e toda a parte mecânica que faz com que as alegorias ganhem vida: “aprendi na família, com meu tio Nei. Antigamente eu não tinha vontade de aprender mas depois que começou a surgir as dificuldades, comecei a me apegar e a querer aprender melhorando a forma de trabalhar a cada ano”. Com 30 anos bem vividos de carnaval em que ensina e aprende diariamente, ele acha que a área é boa para o trabalho e que só depende do talento da pessoa: “a gente fica de 5 a 6 meses aqui em São Paulo e quando volta já é para começar a criar a festa do Boi que acontece em Junho em que passamos mais três meses trabalhando. Depois também ainda não acaba.  Trabalhamos em outras festas ao redor de Manaus como em Manacapuru, Novo Airão, Sairé e a Festa da Tribo.

IMG_8040Toninho, Joe, Antônio, Arthur, Eckner e Berdadino.

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Nesse carnaval que se constrói de Norte a Sul do país, o Antônio nos deixou uma observação: “são os encontros das cores dessas duas regiões do país dentro do Carnaval, porque as cores da Pérola são também as cores dos Bois de Parintins.  Somos vermelho e azul em todos os cantos do Brasil”.

De vermelho e azul, seja em São Paulo ou Paritins, NoBrasil agradece mais uma vez a família Pérola Negra pelo carinho em nos receber abrindo suas portas para que conheçamos como se encontra tamanha diversidade, alegria e sabedoria numa festa só.

Agradecemos também a Letícia Lovo, por nos acompanhar nessa missão registrando essas imagens com tanta dedicação.

É o NoBrasil em Parintins no Pérola Negra.

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3“Para fazer a pastelagem é preciso misturar a resina, água e o papel que depois é aplicado ao isopor para que a pintura segure melhor. Com a  pastelagem pronta fica melhor para pegar a tinta, trabalho que requer muita paciência”  contou-nos  Eckener Lima.

 

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