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PUBLICAÇÕES DE LITERATURA LÉSBICA

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“A reinvenção do conceito de cidadania emerge do fato de esta ser pensada de uma forma excludente, sustentando-se num paradigma universal, masculino e heterossexual, silenciando vozes que se afastam desta normatividade.

Imagens criadas com o iPhone SE
por Diedra Roiz

 

“A reinvenção do conceito de cidadania emerge do fato de esta ser pensada de uma forma excludente, sustentando-se num paradigma universal, masculino e heterossexual, silenciando vozes que se afastam desta normatividade. A cultura diz o que ela é e não é, excluindo o outro, o diferente, o que não pode ser incorporado na ordem do mesmo.”

 

Afirmação de Carmo Marques e Conceição Nogueira que Salma T. Muchail complementa:

“É um mecanismo de normalização do eu, isto é, a tecnologia do eu padronizado pela normatização em parâmetros fixos de normalidade social, sendo os adequados a este parâmetro aqueles que podem ser visíveis e dizíveis.”

Na literatura isto não é diferente.

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A mulher tem adquirido um espaço notório, mas ainda não possui um papel tão relevante dentro do universo literário brasileiro. Mulheres lésbicas menos ainda.

Claro que as dificuldades do mercado editorial existem para todos os escritores, a partir do momento em que um livro é considerado um bem de consumo e, como tal, está sujeito às determinações do mercado.

Entretanto, a literatura lésbica enfrenta dificuldades ainda maiores, por se vincular a uma temática específica e a um público específico, mas também por ser considerada por muitos como “literatura menor”, “meramente erótica ou pornográfica”.

img_1412Sequer vou entrar no mérito da importância e necessidade das cenas de sexo na literatura lésbica como forma de registrar e demarcar práticas sexuais ainda consideradas ilícitas e “desconhecidas” e expor um ponto de vista sobre o sexo que foge completamente do falocentrismo da heteronormatividade compulsória. Isso é indiscutível.

“O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas é aquilo pelo qual e com o qual se luta, é o próprio poder de que procuramos assenhorear-nos.” (MICHEL FOUCAULT)

Como praticamente não existe interesse por parte das grandes editoras neste segmento literário, as publicações de literatura lésbica são, em sua maioria, pequenas tiragens realizadas por autoras independentes ou pequenas editoras.

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É a resistência em forma de livro.

“É político trabalhar com o recurso que você tem. Cada forma de ser independente é uma forma de resistência a esse universo que quer transformar o livro num produto como outro qualquer. A gente sabe que o livro não é um produto como outro qualquer, ele é um produto muito mais complexo do que a sua materialidade, mas a sua complexidade também passa pela sua materialidade.” (Alice Bicalho)

Vale citar e divulgar algumas destas editoras guerreiras que, contra tudo e todos, continuam ativas, publicando literatura lésbica e resistindo:

Editora Vira Letra: http://www.editoraviraletra.com.br/

Palavras, Expressões e Letras: http://www.editorapel.com.br/

Hoo Editora: http://www.hooeditora.com.br/

Grupo HPM: http://grupohpm.lgbt/categoria-produto/livros/

Metanoia Editora: http://metanoiaeditora.com/

“Por que sou levada a escrever?

Porque a escrita me salva da complacência que me amedronta. Porque não tenho escolha.

Porque devo manter vivo o espírito de minha revolta e a mim mesma também. Porque o mundo que crio na escrita compensa o que o mundo real não me dá. No escrever coloco ordem no mundo, coloco nele uma alça para poder segurá-lo. Escrevo porque a vida não aplaca meus apetites e minha fome.

Para me tornar mais íntima comigo mesma e consigo. Para me descobrir, preservar-me, construir-me, alcançar autonomia. Para desfazer os mitos de que sou uma profetisa louca ou uma pobre alma sofredora. Para me convencer de que tenho valor e que o que tenho para dizer não é um monte de merda. Para mostrar que eu posso e que eu escreverei, sem me importar com as advertências contrárias.

Escreverei sobre o não dito, sem me importar com o suspiro de ultraje do censor e da audiência.” (Gloria Anzaldúa)


DIEDRA ROIZ- Escritora, diretora teatral e atriz. Tem oito livros publicados: os romances O SUAVE TOM DO ABISMO – Reflexão (2016), O SUAVE TOM DO ABISMO – Absorção (2015), O LIVRO SECRETO DAS MENTIRAS e MEDOS (2009), LEGADO DE PAIXÃO (2014), AMOR ÀS AVESSAS (2015) e LUAS DE MARIAS (2016 – em parceria com Wind Rose), a coletânea de contos BOLEROS DE PAPEL (2011) e o livro de poesias AMA/DOR/A (2014). Carioca com tendências gaúchas morando em Florianópolis – Santa Catarina, casada (com a escritora gaúcha Wind Rose), praticante do budismo de Nichiren Daishonin. Todos os textos que publicou na internet estão reunidos no site: www.diedraroiz.com/
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