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Saiba mais sobre o encontro que realizamos com o Project Tribe na Farm

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Se como mulheres, negras e criativas, pensamos como podemos através da nossa imagem, empoderar e inspirar tantas outras, qual seria a melhor forma de propormos transformações semelhantes através de uma marca?

Acreditamos que é um desafio do nosso tempo utilizar dom e talento para proporcionar transformações que possam impactar positivamente a vida das pessoas que estão ao nosso redor e da nossa comunidade. E essa vem sendo a missão de nós do NoBrasil e do Project Tribe, plataformas que a convite da Farm, realizaram na última sexta-feira, um encontro-debate com algumas profissionais negras das mais diversas áreas aqui no Rio de Janeiro.

Na reunião, que aconteceu das 09h às 12:30h, uma questão predominou como ponto central da discussão: se como mulheres, negras e criativas, pensamos diariamente sobre qual é o nosso papel no mundo e como podemos através da nossa imagem, empoderar e inspirar tantas outras, qual seria a melhor forma de propormos transformações semelhantes em uma escala de alcance maior através do conjunto de valores que uma marca pode oferecer e influenciar?

Além disso, sabendo da realidade do mercado quanto trata-se da nossa representatividade e participação em todos os setores da sociedade, quais seriam as nossas possibilidades de negociação? Acreditar que com abertura e diálogo poderíamos plantar uma semente verdadeira e cultivar transformações, ou nos fecharmos? Nessa oportunidade de contribuirmos com o que já se desenha como um marco na história da moda brasileira e capítulo importante na moda afro-brasileira, nós exerceríamos as nossas competências profissionais em uma ação que discutiria algo de fundamental importância como mulheres negras ou não?

Nós, optamos pelo diálogo.

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Cientes da fundamental importância que a moda exerce quando se trata de delimitar espaços de poder através da imagem, decidimos que não haveria momento mais propício do que o convite realizado pela marca e que chegou para o NoBrasil através da Luna, para olhos nos olhos, expressar e discutir algo que a gente vem questionando enquanto plataforma criativa desde o nosso nascimento: qual é a nossa responsabilidade enquanto criadores de significados simbólicos e o nosso compromisso quando materializamos em imagens através da arte e do design contemporâneo, os nossos pensamentos?

Questões que foram debatidas no encontro que aconteceu da fábrica da Farm e que contou com a presença da sócia-fundadora e diretora criativa da marca, Kátia Barros, do Gerente de Marketing André Carvalhal, da coordenadora de conteúdo Mariana Ferrari, de Lorena Simões da Comunicação além de um grupo formado por 16 mulheres entre pesquisadoras, jornalistas, designers, atrizes, comunicólogas e afro-empreendedoras de diferentes faixa-etárias.

Sobre esse quase um mês de trabalho com a marca, queríamos agora além de compartilhar com vocês as nossas dúvidas e angústias, dividir também algumas das nossas inspirações citadas por nós no encontro, como a frase que dita pela designer e pesquisadora Carol Barreto na matéria que realizamos aqui NoBrasil no dia da consciência negra, convidou a todos a uma reflexão:

“Ao passo que a gente vai elaborando determinadas análises, que as pessoas vão entendendo que a aparência é o principal espaço e suporte de expressão, de identidade, de pertencimento dos marcadores sociais e da diferença. Sendo assim, a quem eu aluguei ou vendi a propriedade da minha própria imagem como mulher?”

Se a nossa missão é inspirar, empoderar e conectar a comunidade criativa brasileira para que possamos ser todos agentes da transformação, como ocupar esses espaços que hoje reivindicamos? É possível ocupá-los sem a nossa presença? O que significa afinal de contas ocupar espaços, se não a necessidade de sobretudo, negociá-los?

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Mesmo sabendo que nada disso se trata do ideal e sim de uma construção, estamos extremamente felizes de agora dizer que fizemos a nossa parte. Apesar de talvez dividirmos opiniões, não há outro sentimento se não orgulho e contentamento com o que conseguimos naquela manhã principalmente por ter sido essa reunião, fruto de uma movimentação que nos fez mais fortes enquanto comunidade e que se iniciou através dessa coisa genial chamada internet. Nessa nossa forma de fazer uma política criativa, fomos inspirados também pelo grupo A Presença Negra, uma das mais importantes ações de arte contemporânea em atividade hoje no Brasil e que ocupando espaços de arte, faz arte acima de tudo como forma de fazer política.

Sendo assim, por todas as mulheres que dedicaram sua presença naquela manhã, por todo o nó na garganta, por cada choro engolido ao ouvirmos as 17 histórias de violência e superação e ainda por cada lágrima derramada, o nosso máximo respeito. Criamos as pontes, abrimos o diálogo e o sentimento é de missão cumprida.

Lembrando ainda que a ausência de registro oficial fotográfico ou de video, se dá pela escolha da própria Farm em conjunto com o NoBrasil e o Project Tribe, em não querer transformar o momento em uma estratégia festiva como parte de uma ação promocional da coleção Black Retrô. Nossa intenção foi simplesmente aproveitar o lançamento da coleção para proporcionar uma reflexão, transformando o encontro em um ato para ouvir. O convite foi estendido ainda a mulheres de mais três estados entre Bahia, Pernambuco e São Paulo em que pesquisadoras, militantes e designers que não puderam comparecer, tinham ainda a opção de indicar uma outra pessoa que estivesse no Rio e pudesse participar.

Para finalizar, queremos agradecer a todas e todos dizendo que concordamos que existam outras formas de ocupar espaços e fazê-lo mas que o que nos deixa mais satisfeitas é o fato de termos a consciência que contribuímos para que a discussão evoluísse para um novo movimento: o de pensar Como?

E tudo isso é só o começo.

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