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A LITERATURA LÉSBICA E A INTERNET

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Necessário deixar claro que o compromisso com a escrita na internet não é uma falta de opção, muito pelo contrário. É exatamente a grande opção. Posto, logo existo.

Imagens criadas com o iPhone SE
por Diedra Roiz

 

Na contramão, à margem da “mídia oficial”, a internet atualmente se apresenta como o mais democrático acesso às pluralidades. Neste sentido, é mais um espaço – poderosíssimo por sinal – de representação.

Em contraponto a uma sociedade que estigmatiza, silencia e que só viabiliza a existência de lésbicas dentro de determinados padrões, a literatura lésbica na internet dá voz e possibilita espaços de identificação, compreensão e construção de si e da vinculação com as outras, através de narrativas (ficcionais ou não) que discorrem sobre vivências (cotidianas ou não) de mulheres que vivem as suas afetividades ou sexualidades centradas em outras mulheres.

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Inúmeros sites e blogs oferecem livre acesso e livre expressão, aliando visibilidade e interatividade e se consolidando como espaços de autoafirmação de uma suposta “identidade lésbica”, que busca romper a clandestinidade através da apropriação das redes de comunicação digitais e sua possibilidade de publicização discursiva através de canais midiáticos “alternativos”.

A literatura na internet persegue a mais bela das prioridades: as trocas de experiência em um espaço público que viabiliza o acesso aos discursos e às obras sem censura ou distinção, dando voz àquelas para quem a “literatura legitimada” é por muitas vezes inatingível.

Necessário deixar claro que o compromisso com a escrita na internet não é uma falta de opção, muito pelo contrário. É exatamente a grande opção.

POSTO, LOGO EXISTO

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Entretanto, ao mesmo tempo em que a internet proporciona uma forma prazerosa, lúdica e libertária de escrita, deve ser encarada de maneira responsável e sensata, uma vez que é um canal de comunicação excessivamente direto e explícito.

O diálogo que se estabelece é intenso e instantâneo. Ninguém vai perder seu tempo lendo, comentando e acompanhando se não se identificar imediatamente com o conteúdo.

De acordo com Gisele Marchiori Nussbaumer, a internet permeia tanto a necessidade de alguns se esconderem atrás da tela, quanto a de se fazerem visíveis através dela, às vezes para poderem revelar aspectos de suas vidas que nem sempre são vivenciados em plenitude, o que é bastante comum quando se trata do universo lésbico.

No caso da literatura lésbica, especificamente, a internet serve não só para traduzir, dar voz e tornar visível diversas realidades – e dificuldades – de mulheres que vivem as suas afetividades ou sexualidades centradas em outras mulheres, mas também para possibilitar o diálogo, através da identificação ou até mesmo do estranhamento com as narrativas.

A escrita na internet é um instrumento revolucionário e como tal devemos usá-lo. A internet – como espaço provocativo e propositivo – é uma ferramenta potente na luta de empoderamento e visibilidade.


DIEDRA ROIZEscritora, diretora teatral e atriz. Tem oito livros publicados: os romances O SUAVE TOM DO ABISMO – Reflexão (2016), O SUAVE TOM DO ABISMO – Absorção (2015), O LIVRO SECRETO DAS MENTIRAS e MEDOS (2009), LEGADO DE PAIXÃO (2014), AMOR ÀS AVESSAS (2015) e LUAS DE MARIAS (2016 – em parceria com Wind Rose), a coletânea de contos BOLEROS DE PAPEL (2011) e o livro de poesias AMA/DOR/A (2014). Carioca com tendências gaúchas morando em Florianópolis – Santa Catarina, casada (com a escritora gaúcha Wind Rose), praticante do budismo de Nichiren Daishonin. Todos os textos que publicou na internet estão reunidos no site: www.diedraroiz.com/
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