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Entrevistamos o Jorge Pacheco da Plug que nos esclarece passado, presente e futuro da inovação no Brasil.

por Diane Lima

Inovação. Talvez tenha sido essa uma das palavras mais faladas nos ambientes em que coabitam criativos, investidores e profissionais da tecnologia e do mundo digital. Mas o que de fato pensam os profissionais que estão liderando e discutindo a cultura do empreender e da inovação NoBrasil?

Foi para falar um pouco sobre Inovação passado, presente e futuro que fomos conhecer a acolhedora Plug, o maior coworking do Brasil e também ecossistema para desenvolvimento e mentoria de negócios. A ideia que surgiu em 2012 da união e da vontade de três amigos em criar espaços interessantes para trabalhar, vem sendo uma das grandes células responsáveis pela disseminação da cultura da criação colaborativa, ajudando projetos que vão de tecnologia ao design de moda como o Meia Bandeirada,  Gomide e a Intensify.me a baterem asas.

No entanto, em tempos onde começa a existir o que alguns críticos já chamam de um certo esvaziamento no conceito de inovação, NoBrasil se lança num debate sincero e muito confortante com o Jorge Pacheco, um dos seus fundadores, para esclarecer alguns pontos sobre a febre tentando entender porque afinal de contas, se fala mais do que se inova.

Vem que tem.

548419_201212410006572_266056448_n Detalhe decoração da Plug

 

NOBR: As vezes temos a impressão de que nos deparamos mais com projetos que tentam se enquadrar na “tag” inovação do que realmente criando processos e ações que pensam formas de inovar. Como se deu todo esse movimento aqui NoBrasil e como você percebe esse momento?

De fato nos últimos 2, 3 anos falou-se muito em inovação como nunca se havia falado tanto, principalmente inovação ligada a cultura digital. O que acontece é que foi um tipo de informação que chegou para um mercado que ainda não estava totalmente preparado, principalmente no quesito informação, em que replicou-se modelos que já existiam em outro lugares. Hoje o que vejo é a inovação cada dia mais caminhando no sentido prático, não achar que ela é essa coisa distante feita em um laboratório por uma empresa que investiu milhões. O nosso desafio é pensar que ela pode estar nas pequenas coisas, coisas que fazem a diferença de forma objetiva, no nosso dia-a-dia”.

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NOBR: Então inovar para você seria…?

Um jeito de criar uma forma diferente de fazer alguma coisa de uma maneira que essa diferença, possa ser mensurável. A inovação sem impacto para mim não existe, ela está completamente ligada a transformação, seja no negócio ou no dia-a-dia. Nesse sentido, percebo que processos de inovação estão cada vez mais acontecendo nas pequenas coisas, em micro territórios, surgindo numa rua, numa cidade, numa comunidade e depois se estendendo e tomando uma maior proporção e é esse nesse caminho que eu acho que as coisas vão caminhar nos próximos anos: pessoas cada vez mais pensando em simplesmente resolver problemas do cotidiano, seja nas suas comunidades ou empresas, na busca por soluções para resolver problemas em seus processos.

NOBR: E na sua opinião, o que ainda está faltando?

Mais investimento em uma série de setores principalmente em educação porque é engraçado que as vezes as pessoas falam: ‘ha, mas o Brasil não tem nenhum prêmio Nobel, de Ciências, os Estados Unidos, a Europa tem um monte’ …mas na verdade se você for comparar o que esses países investiram e investem em pesquisa e desenvolvimento, a soma de verbas para incentivo nas universidades são recursos altíssimos que promovem descobertas e resolvem questões. A gente tem um processo de inovação que é característico do Brasil, que é a criatividade de quem precisa, de quem está com a barriga vazia e precisa se virar mas é preciso lembrar portanto que falar de inovação também é falar de empreendedorismo e o Brasil nunca teve uma uma cultura empreendedora. Aqui  a criança é educada a tirar boas notas para passar num vestibular, para em seguida conseguir passar num concurso público ou entrar em uma grande multinacional…..na minha época de escola ou faculdade por exemplo, ninguém nunca falou em empreender, eu fui um dos únicos.

NOBR: Quais os aprendizados que o mercado reuniu nesses últimos dois anos? O que tivemos de lição?

Acho que de um modo geral, está muito mais fácil empreender….toda essa mística do Silicon Valley,  jovens ficando milionários muito cedo, tudo isso encorajou demais as pessoas. Nesse tempo, teve uma enxurrada de investimentos e fundos no Brasil  com valores muito altos e modelos que eram cópias de coisas que deram certo lá fora e que não foram tão bem aqui assim. O mercado de fato tomou um baque porque muita gente perdeu dinheiro e muitos investidores recuaram e saíram do Brasil. Então, considero que essa euforia serviu como um grande aprendizado para o mercado como um todo e para a construção de um ecossistema mais maduro e mais profissional.  Mas sinto que ainda é necessário um programa de governo que seja de fato centrado no empreendedor, segmento que tem um potencial de geração de renda enorme para o país. No entanto, algumas iniciativas ainda sofrem com problemas de gestão já que muitos profissionais a frente delas, são pessoas da própria máquina que nem sempre tem um entendimento especializado sobre o assunto. Por outro lado é um momento positivo, tem muita gente boa fazendo muita coisa legal. Pessoas que estão de fato, tentando consolidar questões por exemplo ligadas a marcos legais como bons escritórios de advocacia que possa nos orientar sobre entraves vindos também da nossa própria legislação, dentre outras coisas. Apesar de tudo, acho que não podemos perder de vista a vontade de mudar, fazer e criar sem esperar por iniciativas públicos. Hoje través da tecnologia já é possível fazer muita coisa sem tem que esperar e isso é muito importante.

Hoje a Plug hospeda mais de 15 agências de segmentos criativos além de apoiar projetos que geram contribuições positivas para o meio ambiente e a sociedade, oferecendo o uso do auditório para eventos e mesas para trabalho sem custo. Como um desses lugares que dá vontade de ficar ficando, o nosso recado é que vale a pena conhecer. Obrigado ao Jorge pela disponibilidade e tanta atenção em nos receber.

Família NoBrasil agradece.

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