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Conversamos com os colecionadores Fábio Szwarcwald e Gabriela Moraes sobre o bom momento da arte no Brasil

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Para quem faz, para quem vê ou para quem coleciona, paixão na arte é fundamental.

por Diane Lima
Foto de capa com obra do Antônio Dias

 

Já faz algum tempo que estamos esperando por ter esse encontro que ficamos muito felizes agora de dividir com vocês. Tudo isso porque desde o início do NoBrasil que estamos, de São Paulo, fomentando a possibilidade de trocar uma ideia com esses dois experts e apaixonados por arte: o Fábio Szwarcwald e a Gabriela Moraes.

Nessa nossa missão de inspirar, empoderar e conectar a comunidade criativa brasileira, sempre nos interessou saber qual, de fato, seria a visão do mercado de arte sobre a perspectiva de um colecionador e de uma galerista, gente que dialoga entre cores e números, requisitos e desejos e no caso deles, colecionam ainda em torno de 300 obras.

E quando perguntamos ao Fábio que nos recebeu em sua casa aqui no Rio, sobre a quantas andam o mercado de arte no Brasil, a resposta não poderia ser mais otimista:  “vejo que é um momento positivo por termos hoje, sobretudo, uma gama de artistas de muita qualidade”, disse-nos cheio de empolgação.

arthur lescher3Arthur Lescher. Galeria Nara Roesler.

Ele que começou a colecionar há 12 anos atrás, quando adquiriu, dentre outras obras, uma da PaulaGabriela, dupla a qual a Gabriela, na época, fazia parte, diz achar que vivemos um período histórico muito oportuno para colecionar: “ninguém na minha família colecionava então foi uma coisa muito particular porque não se falava de colecionismo no Brasil nesse tempo, tinha muito menos exposição da arte na mídia e muito menos espaços de uma forma geral. Hoje, você tem a todo momento matérias sobre artistas, galerias, exposições e informações sobre leilões, o que torna o mundo da arte ainda mais próximo das pessoas. Por outro lado, acho que eu realmente consegui pegar uma época boa de comprar porque já que não tinha tanta demanda,  acabei  fazendo boas aquisições e tendo bons trabalhos.”

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As imagens acima são do projeto Simbiose na Arte do Fábio junto ao curador Franklin Espath Pedroso. Indo para a quinta edição, o objetivo  é estimular a criação de novas coleções e dar visibilidade a jovens artistas que já estão despontando no mercado. Nas fotos obras de Ana Holck, Fernando Vélazquez, Maria Lynch,  Regina Parra, Tatiana Grinberg, Fernando de la Rocque, Carla Chaim, Carolina Ponte e Walmor Corrêa.

Já a Gabriela que iniciou-se no mundo artístico como performer quando de 1998 a 2008 formou a dupla PaulaGabriela, diz sempre ser levada pelo desafio. Ela que passou também pelo mercado da moda como sócia da marca Andrea Marques até assumir no ano passado a Galeria Nara Roesler em sua nova unidade aqui no Rio de Janeiro, contou-nos como foi encarar a nova empreitada diante das experiências criativas que vem acarretando ao longo dos anos: “eu acho que depois que um artista tem uma carreira no Brasil e consegue sobreviver nesse caos, ele pode fazer qualquer coisa. Nesses anos eu venho me descobrindo e pensando sempre em fazer uma coisa que eu nunca fiz na vida, então, quando a Paula se mudou para Fernando de Noronha e passei a trabalhar na marca Andrea Marques,  foi ótimo porque virei empresária e descobri que eu sabia fazer aquilo. Paralelo a isso tudo, a gente já colecionava e eu já era cliente da Nara Roesler. Quando a Nara veio abrir no Rio, eu super me empolguei, meu nome foi cotado e eles me convidaram para trabalhar na galeria. E esse foi o meu grande desafio de 2014: vender obra de arte.”

Dessa paixão que foi nutrida e tornou-se referência no país, nasceu ainda um olhar clínico e realista sobre essa etapa tão importante da cadeia do fazer criativo, que é o quando ela sai das mãos do artista e toma corpo ganhando um novo discurso no olhar do espectador ou daqueles que desejam ter a obra em casa e que, de algum modo, reconhecendo a importância do discurso do artista, resolvem por zelar por um patrimônio que em alguns anos, será parte fundamental da nossa história: “eu vi que essa paixão pela arte me trazia um novo horizonte e uma nova perspectiva de vida, principalmente porque você começa a olhar a vida pelo ângulo que o artista está vendo, como ele está sentido”, completou Fábio que declarou ainda que a beleza é um ponto fundamental e decisiva no momento da aquisição: “a plasticidade é uma coisa que levo muito em conta e não só o conceito…. nesse sentido, e também no organizacional, acho que o mercado vem evoluindo muito nos últimos anos. Hoje a gente já tem duas feiras de arte internacionais que são bem importantes e acho que isso, sem dúvida nenhuma, fez com que o mercado de arte desse um salto tanto qualitativo quanto quantitativo… acho que as feiras foram uma alavanca de propulsão para a arte brasileira não só no mercado nacional como também no internacional.  Quando as pessoas percebem que tem galerias internacionais de renome vindo para cá, mostrando trabalhos de artistas importantes, gente consumido e comprando, você cria mais confiança para que o colecionador estrangeiro adquira obras brasileiras também, porque ele vê que tem um mercado, tem uma demanda e tem, de certa maneira, um fluxo de compra  e venda. Afinal de contas, ninguém quer comprar algo em um mercado que você veja que não tenha tanta perspectiva de crescimento……”

“Hoje a gente já tem duas feiras de arte internacionais que são bem importantes e acho que isso sem dúvida nenhuma, fez com que o mercado de arte desse um salto tanto qualitativo quanto quantitativo… acho que as feiras foram uma alavanca de propulsão para a arte brasileira não só no mercado nacional como também no internacional.”

isaac julienIssac Julien – Galeria Nara Roesler.
Virginia de MedeirosVirgínia de Medeiros – Galeria Nara Roesler.
Vik munizVik Muniz- Galeria Nara Roesler.

Representando artistas como Vik Muniz, Issac Julien e a baiana Virgínia de Medeiros em quem diz enxergar uma arte potente, Gabriela, que é gaúcha, acredita que a nossa condição enquanto brasileiros é fator fundamental para a forma como a arte do Brasil vem desenhando-se: “acho que o mercado de arte no Brasil é uma coisa super nova, que a nossa historia da arte é super poderosa mas que infelizmente, ela é muito subvalorizada em termos globais. Ainda assim, nos 10 últimos anos, eu vejo que o mercado foi crescendo, nossos artistas começando a serem valorizados lá fora, nossas obras entrando em leilões internacionais e as pessoas tendo um olhar mais voltado para o Brasil. Acho que cresceu bastante e que tem muito mais para crescer, não só com o colecionismo mas com mais investimentos em museus sobretudo adotadas por grandes instituições.”

“O mercado foi crescendo,
nossos artistas sendo valorizados lá fora,
nossas obras entrando em leilões internacionais
e as pessoas tendo um olhar mais voltado para o Brasil.”
 Brígida BaltarBrígida Baltar

Para nós que não somos especialistas em compra e venda de arte, sempre ficou uma dúvida,  que acredito que você também tenha, sobre quais os parâmetros que fazem um artista alcançar números estratosféricos como as obras de Beatriz Milhazes, Adriana Varejão e Antônio Dias. Quais os fatores que influenciam e até onde isso depende somente do talento?  Até onde esmero e trabalho, como nos lembra o Charles Watson seria sinônimo de sucesso financeiro? Seria a arte algo como uma bolsa de valores? O Fábio responde:

“na verdade arte é um mercado muito mais atemporal, porque você não sabe quando que um artista vai conseguir ascender a preços mais caros e a coleções mais importantes…. tem, por exemplo, muita gente que no passado cresceu muito mas, depois caiu, então você tem um grau de incerteza muito grande quanto a esse mercado… comparar a uma bolsa de valores é difícil, porque na bolsa existem subsídios técnicos que fazem você precificar bem se algo está caro ou algo está barato… na arte você só tem informações quantitativas como sobre quem são os colecionadores que começaram a comprar ou que galeria que representa ele ou quantas exposições ele fez ao longo do ano, se teve algum trabalho em leilões importantes e se saíram bem…. então, é um mercado que não dá para considerar como um ativo monetário, porque você não sabe o que vai acontecer com a carreira do cara, de repente ele pode ir muito bem, muito bem, muito bem e no meio o cara esquece de ser artista, se desilude e todo aquele legado dele passa a ter um valor muito menor que se ele continuasse a trabalhar. Nesse sentido, para o artista, o mercado é sempre muito perverso, porque ele sabe que ele só tem condição de sobreviver se ele vender…. por isso, acho que o artista tem hoje uma visão muito mais clara do mercado do que no passado, ele sabe que ele tem que ser muito mais profissional, muito mais organizado, bem conectado, participar de várias exposições, circular, estar em contato com boas galerias, fazer seu networking em eventos e acima de tudo, pensar no médio ou no longo prazo e não só no aqui e agora.”

“Beatriz Milhazes, Adriana Varejão, Antônio Dias, Waltercio Caldas, Palatnik. Hoje você tem aí uma quantidade de artistas vivos com valores bem interessantes o que há 15 anos seria impossível. O quadro mais importante do Brasil foi o Abaporú, vendido em 2000 por 1 milhão de dólares. Hoje ele deve estar valendo algo em média de 60 milhões. Então você vê que o mercado deu um salto muito rápido, em 14 anos que não é nada, você vê artistas saírem da casa dos 3 mil dólares para 400/500 mil. Nada se valorizou como isso”.

Rodeado de artistas por todos os lados, o casal nos contou ainda sobre suas apostas, entre elas, nomes que já fazem parte da coleção como o Finok, a Érika Verzutti, a Lucia Koch,  Marina Rheingantz, a Ana Eliza Igreja, o Bruno Dunley, Otavio Shipper e a Mariana Palma, apenas para citar alguns.

Para aqueles que vivem a arte em sua completude, cercado por incertezas e angústias e para quem, com sensibilidade, consegue perceber o trabalho e a dedicação empregada, o papo nos fez ter certeza o quanto complexo são esses diferentes pontos de vista sobre o mercado mas, sobretudo, o quanto independente de onde se estar, se situa ou quem é, a paixão é imprescindível para que ela movimente, gire, contamine e aconteça.

Gratidão a Gabriela e ao Fábio por abrir a casa para o NoBrasil e também por serem importantes fomentadores da arte brasileira, encorajando diariamente para que muitos artistas surjam e  aconteçam.

capaOscar Oiwa- Galeria Nara Roesler.
4Carlito Carvalhosa – Galeria Nara Roesler.
laura vinci3Laura Vinci – Galeria Nara Roesler.
palatinik capaPalatnik- Galeria Nara Roesler.
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