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Escravos de Jó + Receita para dar o troco + Quem ama a ama preta? no Ateliê397

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A artista Aline Mota convida Aryani Marciano, Janaína Barros e Wagner Leite Viana no encerramento da residência artística do Ateliê397 neste sábado na Vila Madalena.

Foto de capa de Aryani Marciano

Neste sábado 07 de maio acontece no Ateliê397  o encerramento da primeira edição do projeto Estamos (muito) abertos, uma imersão de dois meses na qual artistas selecionados numa chamada pública, estiveram envolvidos em seus processos mediados por acompanhamentos críticos, apresentação de portfólio e visitações públicas ocupando o galpão na Vila Madalena numa experiência híbrida de ateliê compartilhado e residência artística. Dentre os 86 inscritos (56 pré-selecionados) chegou-se aos 4 artistas residentes entre eles a artista Aline Mota,  que também foi uma das 20 participantes no AfroTranscendence 2015 e que vem desenvolvendo sua pesquisa em torno de temas como memória, identidade e novas formas de aprendizado coletivo. Para o encerramento do Estamos (muito) abertos, Aline apresenta Escravos de Jó,  um objeto de mediação em formato de publicação que abre diálogos construindo e desconstruindo novas narrativas a partir da cantiga Escravos de Jó: “uma experiência reveladora da potência existente no trabalho de um artista que se quer agente e que através do seu trabalho, nos possibilita uma conversa com um objeto que nos coloca a pensar jeitos outros de performar o conhecimento e descolonizar até aquilo que se molda de forma mais inocente e cristalizado nos arquivos da memória”, completa Diane Lima, curadora do AfroTranscendence que esteve presente em uma das sessões abertas  promovidas pela artista, na qual recebeu outros artistas e pensadores de diferentes linguagens para abrir um espaço de diálogo e colaboração com a obra.

Ampliando e criando outros agenciamentos, Escravos de Jó ganha ressonância com mais duas performances: Receita para dar o troco  dos artistas-pesquisadores Janaína Barros e Wagner Leite Viana e Quem ama a ama preta? de Aryani Marciano, também umas das participantes do AfroTranscendence 2015.  Em Receita para dar o troco, Janaina e Wagner também traçam um paralelo levantando a questão sobre a possibilidade de descolonizar o pensamento sobretudo através da palavra como local onde se instituem relações de poder: “Acrescentar sobre as fabulações em torno dos corpos e dos afetos. Para duvidar se os lugares das assimetrias ou das subalternidades estão dados previamente. Será servida uma fatia de bolo, interrogando o público para perceber como as trocas efetivam e instauram lugares de reinvenção.”

Já Aryani Marciano irá apresentar em Quem ama a ama preta? o que ela define como “um canto de Aryani Marciano e de mulheres pretas além dela, anteriores e contemporâneas”. Uma dose de blues, rap e maracatu sobre raça, gênero e seus reflexos nos relacionamentos amorosos em que a artista citando Grada Kilomba nos coloca a pensar sobre a boca, reflexão que nos conecta com o texto A Cura também inspirado na obra Plantation Memories da mesma autora e que pode ser visto-lido aqui:

“A boca é um órgão muito especial, ela simboliza a fala e anunciação. No âmbito do racismo ela se torna o órgão da opressão por excelência, pois é o órgão que denuncia as verdades desagradáveis e precisa, portanto, ser severamente confinada, controlada e colonizada”.

Três apresentações imperdíveis de quatro artistas que nos convidam a entrar com o corpo todo no corpo da obra abrindo uma janela sobre formas outras de criar memória e ver o mundo.

Nos vemos lá.

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