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Escola Entrópica do Tomie Ohtake lança novos cursos e desorientações para alunos interessados em enfrentar-se com a arte

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A conversa de Ignição do semestre acontece na próxima segunda-feira, dia 2 em SP e é gratuita.

A Escola Entrópica empresta da termodinâmica, da química, da física e da geologia noções de transformação irrefreável. A entropia é tomada como mote para pensar espaços de ensino, nesse caso ligados à arte. O programa dessa escola – composto por cursos eletivos, laboratórios e grupos de estudo – parte do pressuposto de que não há um ponto ideal a ser alcançado, mas sim dinâmicas de erosão de certezas, aumento de temperatura de processos, dispêndio concentrado e contínuo de energia.

Pensar o processo criativo por ele mesmo. Criar novos modos de existência e refletir sobre nossas escolhas…..sobre o que nos afeta e por conseguinte, o que afeta a partir de nós o outro quando damos um passo a fazer uma entrega, seja ela de pensamento ou realização. Perder, para se encontrar discutindo e tencionando parte do que significa criar sendo contemporâneos…. Por elaborar um discurso rente ao caminho que acreditamos necessário pensar o processo (in)-formativo de criação seja na arte ou no design contemporâneo, não poderíamos deixar de compartilhar o programa de 2015 do projeto experimental da Escola Entrópica do Instituto Tomie Ohtake que chegou via nós via a curadora Olivia Ardui e também em descoberta ontem na Red Bull Station no encontro do grupo de estudos com curadoria do Fernando Velazquez.

Veja a programação e se perca:

Foto de capa do artista-pesquisador  Vitor César .

 

CONVERSA DE IGNIÇÃO – Regina Silveira e o ensino de arte contemporânea

A Escola Entrópica propõe uma conversa aberta sobre os diversos contextos de ensino de arte contemporânea em que Regina Silveira participou como aprendiz e professora ao longo de sua trajetória. Desde a formação acadêmica, no Rio Grande do Sul, até os anos em que a artista atuou como professora da Universidade de São Paulo, passando pela viagem de estudo à Espanha, a consolidação do programa de arte da Universidade de Porto Rico, o programa contemporâneo da FAAP nos anos 1970 e 1980, e o experimental e independente Centro de Estudos Aster (1978-1981). O que podemos aprender com essas formas de ensinar arte? Regina Silveira é artista e participou de inúmeras mostras individuais e coletivas em todo o mundo, incluindo as bienais de São Paulo de 1981, 1983 e 1998.
Data: 2 março
Horário: segunda-feira, das 19h às 21h
Vagas: 50 – Valor: gratuito – Distribuição de vagas: ordem de inscrição e chegada

PRIMEIRO ESTRATO – Formação de Artistas – Grupos de estudo e produção de arte contemporânea

Pedro França, Paulo Miyada
Duração: 4 meses (16 encontros)
Período: 11 março a 24 junho
Horário: quartas-feiras, das 18h às 23h
Vagas: 15
Valor: R$ 400,00 inscrição+3 parcelas R$400,00
Distribuição de vagas: por entrevista

Galciani Neves, Vitor Cesar
Duração: 4 meses (16 encontros)
Período: 12 março a 2 julho Horário: quintas-feiras, das 19h às 23h
Vagas: 15 Valor: R$350,00 inscrição+3 parcelas R$350,00
Distribuição de vagas: por entrevista com portfólio dia 5 de março a partir das 19h

Por meio de exercícios desenvolvidos durante a semana e discussões concentradas nos encontros, os grupos coordenados por um artista e um pesquisador de arte contemporânea promovem o aprofundamento nos processos criativos dos artistas participantes. Os exercícios são provocativos e elaborados conforme o envolvimento dos alunos. Por isso, a densidade das conversas e do semestre depende em grande parte da dedicação dos participantes em pesquisar, produzir e refletir sobre seus processos.

Paulo Miyada é curador e pesquisador, coordena o Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake e desenvolve projetos independentes.

Pedro França é artista e professor, participou de mostras no Centro Cultural São Paulo, no Paço das Artes,
nas galerias Central e Millan, entre outros.

Galciani Neves é curadora, professora e pesquisadora. Mestre e doutora pela PUC-SP, atualmente leciona na FAAP e na Universidade Federal do Ceará. Coordenadora do Núcleo de Atendimento ao Público da Ação Educativa do Instituto Tomie Ohtake.

Vitor Cesar desenvolve prática artistica por diferentes modos de visibilidade baseados na dimensão política da vida cotidiana; também trabalha com projetos gráficos.

SEGUNDO ESTRATO HISTÓRIA DA ARTE E REFLEXÃO CRÍTICA – Entradas na arte contemporânea: a propósito e além de Édouard Manet – Pedro França

Duração: 3 meses (13 encontros)
Período: 9 março a 15 junho
Horário: segundas-feiras, das 19h às 21h30
Vagas: 30
Valor: R$300,00 inscrição+2 parcelas R$300,00
Distribuição de vagas: por ordem de inscrição

Para discutir a produção contemporânea, cada encontro terá como ponto de partida a obra do pintor francês Édouard Manet (1832-1883), considerado “o primeiro modernista” por boa parte da crítica da primeira metade sec. XX e objeto de interesse de inúmeros artistas, cineastas e pesquisadores desde os anos 60 e particularmente a partir dos anos 80. Serão abordados alguns dos aspectos de sua produção relevantes em nosso tempo: A relação da obra com o
espectador (com Duchamp, Dan Graham e a arte conceitual); A pintura como manipulação de estilos (com a pintura do passado; com a pintura contemporânea); A imagem técnica (com Andy Warhol, Jeff Wall, David Claerbout, Michael Snow); A resposta à instituição do capitalismo no sec. XIX (com
Godard e os Situacionistas). O curso incluirá a participação de convidados e uma visita ao acervo do Masp, onde se encontram quatro de suas obras).

Mola: Grupo de estudo de arte contemporânea, foco em arte e tecnologia – Lucas Bambozzi, Fernando Velázquez
Duração: 3 meses (12 encontros)
Período: 16 março a 8 junho
Horário: segundas-feiras, das 20h às 23h
Vagas: 15
Valor: R$400,00 inscrição+2 parcelas R$400,00
Distribuição de vagas: por ordem de inscrição

Refletindo as aulas de Michael Archer no California Institute of the Arts, em que os participantes apresentam a sua produção, ou uma obra/processo, e propõem uma discussão aberta, a dinâmica deste curso associa a análise coletiva de textos a práticas criativas, pontuada por palestra-debates com convidados. Como elemento de confluência, será estimulada a troca de experiências sobre assuntos práticos do dia-a-dia do fazer artístico. O foco reside na relação entre arte, ciência e tecnologia, termos geralmente paradoxais e permeados de inquietações. As questões provenientes desse campo serão enfrentadas em conjunto e o programa de aulas se adaptará a questões e demandas do grupo.

Lucas Bambozzi é artista e pesquisador em novas mídias com exibições em mais de 40 países. É professor no curso de artes visuais da Faap.

Fernando Velázquez é artista multidisciplinar, Mestre em Moda, Arte e Cultura pelo Senac-SP, explora a convergência entre arte e tecnologia.

Oficina circular: conversas sobre a arte e suas imagens – Daniel Senise
Duração: 5 encontros
Período: 6, 7, 13, 14 e 20 abril
Horário: segundas e terças-feiras, das 14h às 17h
Vagas: 15 Valor: R$400,00 inscrição
Distribuição de vagas: portfólio

O artista carioca Daniel Senise coordenará 5 encontros em busca de perguntas, problemas, desdobramentos e potenciais compartilhados entre os trabalhos de desenho, pintura, gravura, escultura e instalação apresentados pelos participantes. O exercício visa aprofundar as práticas de cada aluno, trocar referências e, sobretudo, estabelecer dinâmicas de conversação produtiva para o desenvolvimento de seus trabalhos.

Daniel Senise foi aluno na Escola de Artes Visuais do Parque Lage por dois anos e, em seguida, foi professor na mesma escola entre 1985 e 1993. Expôs em diversos museus e instituições internacionais e brasileiras, tendo participado das Bienais de São Paulo de 1985, 1989, 1998 e 2010.

Arte como ofensa – Olivia Ardui
Duração: 3 encontros
Período: 6, 13 e 27 abril
Horário: segundas-feiras, das 19h às 22h
Vagas: 20
Valor: R$300,00 inscrição
Distribuição de vagas: por ordem de inscrição

Os encontros se concentram na análise de obras que tensionam os limites do politicamente correto, o respeito por diferentes valores e cultos, assim como as
reações provocadas por obras interpretadas como ofensivas para determinados grupos sociais. A partir de exemplos concretos, será discutido como tais estratégias de choque trazem à tona questões relevantes sobre o uso, o impacto e o poder das imagens. No primeiro módulo se refletirá sobre a blasfêmia no campo da arte: obras interpretadas como difamação de figuras sacras e ataques a princípios religiosos. No segundo, serão discutidos exemplos em que a reprodução e manipulação de obras de grandes ícones da cultura consistem em atos de deboche contraditos. Também analisaremos como obras podem tanto disparar como integrar a violência da recepção das imagens em atos de destruição e iconoclasmo. Dentre os exemplos estarão obras de Andres Serrano, Marcel Duchamp, Ai Weiwei e ainda alguns trabalhos expostos na 31a Bienal de São Paulo.

Olivia Ardui é curadora e pesquisadora, pós-graduada em História da Arte pela Universidade Católica de Louvain e, atualmente, integra o Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake.

O artista como mediador – Relações simbióticas e/ou parasíticas entre estruturas artísticas e institucionais – Ana Paula Cohen
Duração: 2 meses (8 encontros)
Período: 12 maio a 30 junho
Horário: terças-feiras, das 19h às 22h
Vagas: 20
Valor: R$200,00 inscrição+1 parcela R$200,00
Distribuição de vagas: por ordem de inscrição

O curso parte da apresentação e leitura crítica de práticas artísticas que propõem novos sistemas de articulação de projetos e ideias em diferentes tempos e espaços, criando instrumentos específicos de mediação entre o discurso artístico e/ou curatorial e o público interessado. As aulas consistem na apresentação de artistas em sua complexidade – incluindo filmes, imagens, textos dos artistas, exposições, conferências e livros –, e pretendem tecer relações entre tais
produções e as formas de trazê-las a público. Entre o museu e a biblioteca, Esfera pública e privada e Espécies de espaços são alguns dos eixos conceituais, que serão acompanhados de breve bibliografia. Os tópicos/artistas incluem: Lygia Clark, Yael Bartana, Erick Beltrán, Mabe Bethônico, Renata Lucas, Christine Borland, Goldin+Senneby, Carsten Höller, Cildo Meireles, Matt Mullican, Philippe Parreno e Lara Almarcegui.

Ana Paula Cohen é curadora independente, editora e crítica de arte. Foi professora visitante no mestrado do California College of the Arts (San Francisco) e curadora no Center for Curatorial Studies, Bard College, NY e na 28ª Bienal de São Paulo.

TERCEIRO ESTRATO – MEDIAÇÃO E PESQUISA – Arte como prática social. Participação, colaboração e acontecimento na arte – Valquíria Prates
Duração: 1 mês (4 encontros)
Período: 9 a 30 abril
Horário: quintas-feiras, das 9h às 12h
Vagas: 20
Valor: R$200,00 inscrição
Distribuição de vagas: por ordem de inscrição

Inspirado na pesquisa Living as Form, de Nato Thompson, o curso discutirá situações em que é pressuposta a participação do público em acontecimentos e
propostas artísticos, explorando as diversas articulações possíveis entre as pessoas e a arte. Serão apresentadas ideias sobre participação (Claire Bishop e Nina Simon), arte relacional (Nicolas Bourriaud), arte socialmente engajada (Nato Thompson) e o advento de uma estética comunitária (Reinaldo Laddaga). Em tensão com os conceitos abordados, serão apresentadas obras de Helio Oiticica, Joseph Beuys, Mammalian Diving Reflex, Michel Groisman, Mujeres Creando, Guerrilla Girls, Maria Margarita Gimenez, Frederico Morais, Tania Bruguera, Jeremy Deller, Tino Sehgal, Janet Cardiff e outros.

Valquíria Prates é educadora, escritora, curadora, mestre em educação e doutora na área de mediação pela UNESP.

Objetos, Espaços e Campo Expandido – Laboratórios de práticas tridimensionais – Beto Shwafaty

Duração: 4 meses (16 encontros)
Período: 10 março a 30 junho
Horário: terças-feiras, das 18h30 às 21h30
Vagas: 20
Valor: R$200,00 inscrição+3 parcelas R$200,00
Distribuição de vagas: enviar portfólio (formato A4,
5 a 10 imagens com descrições e CV, pode ser em pdf)

Desde as vanguardas modernas do séc. XX, passando pelos movimentos de contracultura e pelas hibridizações disciplinares pós-modernas, a escultura vem
instaurando uma infinidade de possibilidades, processos, inflexões e situações. Este curso propõe a exploração prática dos alunos no campo da criação escultórica, abordando de forma prática algumas linhas de trabalho que levaram a escultura a ampliar-se de sua condição objetual para outros campos de ação e produção. Será utilizado também material teórico de apoio (textos, ensaios e filmes) como forma de introdução teórica aos assuntos e exercícios práticos a serem abordados. O laboratório é voltado para aqueles que desejam vivenciar e desenvolver uma prática voltada ao campo tridimensional das artes visuais, campo esse que também engloba hoje relações com a arquitetura, o design e a museografia/curadoria. Entre os temas abordados estão o readymade, construtivismo russo, site specific e esferas e contextos públicos.

Beto Shwafaty é artista conceitual e pesquisador. Além de mostras no Brasil, Alemanha, Holanda, França e outros países, participou do Panorama da Arte Brasileira do MAM e da Bienal do Mercosul em 2013.

Crônica: gênero livre – Fabrício Corsaletti
Duração: 2 meses (8 encontros)
Período: 3 março a 28 abril
Horário: terças-feiras, das 19h às 21h
Vagas: 20
Valor: R$350,00 inscrição+1 parcela R$350,00
Distribuição de vagas: por ordem de inscrição

A partir de crônicas de autores consagrados do século XIX e XX, como Machado de Assis e Rubem Braga, e de autores contemporâneos, como Reinaldo Moraes e Antonio Prata, o curso discute os limites fluidos deste gênero híbrido, comparando-o ao conto, à reportagem jornalística, à poesia e ao ensaio. Haverá aulas expositivas (nem por isso menos abertas para o diálogo) e aulas em que os próprios alunos farão análises de textos. O último encontro será reservado para trocas de impressões a respeito da crônica que cada aluno será convidado a produzir ao longo do curso. A flexibilidade da crônica faz dela recurso e campo de interesse para os mais diversos tipos de escritores (no sentido amplo da palavra), por isso, pode ser lugar de convergência e troca entre interessados em literatura, arte, jornalismo e outros campos.

Fabrício Corsaletti é escritor, suas publicação incluem as poesias de Estudos para o
seu corpo (2007), os contos de King Kong e cervejas (2008), a novela Golpe de ar (2009) e as crônicas de Ela me dá capim e eu zurro (2014).

QUARTO ESTRATO – CIÊNCIA PARA INQUIETOS – Estudos do Corpo: atravessamentos indisciplinares entre arte, ciência, filosofia e as politicas da vida – Christine Greiner
Duração: 3 dias
Período: 1, 2 e 3 junho
Horário: segunda, terça e quarta-feira, das 14h às 17h
Vagas: 20
Valor: R$300,00 inscrição
Distribuição de vagas: por ordem de inscrição

O curso apresentará questões que têm desestabilizado as leituras tradicionais do corpo no Ocidente, sobretudo nas ultimas três décadas. O primeiro encontro tratará da revolução das ciências cognitivas e o nascimento da neurofilosofia; o segundo do corpo como fundamento da biopolítica; e o terceiro da centralidade do corpo nos debates entre ficção e realidade. No desenvolvimento dessa aula serão abordados tópicos centrais para o pensamento contemporâneo, tais como a memória como cartografia inventiva, a noção de dispositivo de poder e as zonas de indistinção entre arte e mídia.
A abordagem “indisciplinada” deverá oferecer provocações e desafios ao pensamento que se direciona à arte, assim como o que parte dela para enfrentar os impasses políticos do presente.

Christine Greiner é professora do Departamento de Linguagens do Corpo da PUC-SP, onde ensina no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica e no curso de graduação em Artes do Corpo.

Saiba mais > aqui 

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