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Eles lembram a você para que serve a praça pois quem continua nela, nunca esqueceu

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O Som na Rural é político, vivo e ao vivo, “gente na vera, se amostrando e rindo na rua” fazendo do Recife palco

A gente não queria ficar falando, falando, dizendo que Recife é assim ou é assado, como um estrangeiro que fica do outro lado do rio achando mentiras e criando verdades ou comprando um possível estereótipo fruto da imagem construída por uma política cultural que na maioria das vezes não dá cabo da metade dos reais valores de quem realmente vive a cidade mas, uma coisa é preciso ser dita: quando se começa a entrar fundo nesse Recife, é incontrolável a vontade de querer bater lá e se perder na mistura de um povo mangue, rock, tecno, frevo, beat, capibaribe, repente, eletrônico que num ecossistema independente e muito sangue no olho, vem alavancando e conseguindo manter essa metrópole como uma das mais efervescentes capitais culturais do Brasil. Em outras palavras, NoBrasil paga muito pau para o Recife e considere essa uma declaração de amor.

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 E o motivo de tanta paixão é único: em que lugar você já ouviu falar de um programa de TV que, passado seu prazo de veiculação em rede nacional, continuou nas ruas fazendo acontecer junto com movimentos sociais e artistas, reivindicando a ocupação dos espaços urbanos e convidando as pessoas a levantar do sofá e ir para as ruas participar? Pois, independente do ineditismo da coisa, se você já ouviu falar ou não, em Recife existe um programa vivo e ao vivo, que com ou sem câmeras, criou uma audiência real, “de gente na vera, se amostrando e rindo no meio da rua”: o Som na Rural.

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 Projeto capitaneado por Roger de Renor e por Nilton Pereira, vem arrastando centenas de pessoas pelas praças do Recife, desburocratizando a ideia de eventos em lugares fechados e provocando a reflexão sobre as intervenções urbanísticas por parte do poder público, discussões que tiveram seu ponto alto em acontecimentos como a proibição da Rural na Aurora pela prefeitura e o Ocupe Estelita: “levamos música, poesia, dança, teatro e, em parceria com o grupo Direitos Urbanos e o FOPECOM, realizamos campanhas, debates e difusão sobre ocupação urbana e democratização da comunicação. Com essas atividades, a prefeitura tentou proibir nossa ocupação na Rua Aurora, estopim para detonar o debate que gerou uma verdadeira comoção popular com o público pulando de 200 para 3.000 pessoas na semana seguinte”, explicou Nilton em conversa com o NoBrasil.

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 Passado o episódio e com todos as autorizações em perfeita ordem, a rural autoemotiva como é chamada, continua com sua missão de promover assuntos sérios, ainda que brincando: “agora estamos ocupando a praça do Diário, tradicional polo de frevo de outros carnavais, conhecido como o quartel general do frevo, mas que nos carnavais de hoje é privatizado pela Rede Globo que cerca a praça e monta camarotes para os globais, privatizam a praça por mais de quarenta dias para usar umas oito horas no máximo. Então, criamos a Reintegração de Posse da Praça do Diário para o povo do Recife, pretendemos fazer eventos durante todo o ano até chegar o carnaval”. Nessa missão estão artistas solidários da velha e nova geração e de diversas expressões e estilos que, diferente de muitos de outros mercados que jamais sairiam em defesa de uma ação política a preço de perder o “cachêzinho” do carnaval, estão devolvendo à cidade aquilo que ela lhes ofertou como material conceitual, criativo e pensante. Entre eles, Otto, Mombojó, Karina Buhr, Sagaranna, DJ Dolores, Luis Paixão, Banda Eddie, Catarina Dee Jah, Orquestra Santa Massa, Bonsucesso, Anjo Gabriel, Maquiladora, Juvenil Silva, Bongá, Aninha, Nação Xambá, Coco do Miudinho, Associação Metropolitana de Hip Hop, Graxa, Silvério Pessoa, Iuri Queiroga, Criolo, Lirinha, Banda Palafita, Jr. Areia e João do Cello, Rogerman, Ortinho, Fábio Trummer, Isaar, Maciel Melo,  Orquestra Contemporânea de Olinda, rapper Tiger e todos os outros que aqui falhamos em não citar. Além disso, o programa que era transmitido pela TV Brasil e circulou por municípios, periferias e comunidades, já tem projeto aprovado para voltar a TV e em breve, darão um giro pelo sudeste.

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 Talvez seja essa a atmosfera que usa a cultura como arma que nos encanta. Gente que pensa a frente e que utiliza o seu maior trunfo e expertise para impactar positivamente a cidade, para fazer o papel do gestor público e modificar a realidade através da criatividade indo de encontro a qualquer processo que tente elitizar, maquiar ou privatizar o espaço urbano. Que “apesar de viver numa província e ter suas raízes fincadas no tradicionalismo,  tem essa sede cosmopolita, do experimentalismo e do novo” como nos lembra em entrevista à Rural o DJ Dolores citando ainda a célebre frase do Gilberto Freire que lhe inspirou no disco Contraditórios de 2002 e que, para nós, decifra o que não nos arriscamos definir: ““Confesso-me o mais contraditório dos homens. Os claustros me atraem, mas o céu aberto é que me encanta.”   Uma homenagem do NoBrasil a todos os Chamagnatus granulatus sapiens ou caranguejos cerebrais  que fazem o Som na Rural e transformam essa cidade em um palco cada dia mais vibrante.  

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