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Economia Criativa: John Howkins NoBrasil na Belas Artes

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Amanhã estaremos na Belas Artes de São Paulo com o especialista mundial em Economia Criativa John Howkins. Saiba +

por Diane Lima 

“Tenho três princípios básicos que guiam meu pensamento sobre Economia Criativa. O primeiro é que todo mundo é criativo. É o que chamo de princípio da universalidade. O segundo é que criatividade precisa de liberdade, para que possamos sair da vida interior, para a exterior, para a sociedade. E o terceiro, é que essa liberdade tem de ser exercitada em mercados comerciais, que envolvem a economia criativa.”

John Howkins.

A pós-modernidade e sua estrutura complexa, fluída e dinâmica vem definitivamente mudando a forma como gerimos e projetamos ideias, produtos, experiências e serviços. Fenômenos como a globalização e seus efeitos nas relações locais X globais somados a metabolização das informações e a disseminação de tecnologias, trouxeram a tona uma produção industrial de bens de consumo massificados, ao mesmo tempo em que assinala uma mudança nas atividades produtivas que passam a incorporar os atributos intangíveis como valor principal, levando, consequentemente, a necessidade de agentes decodificadores dessas múltiplas informações.

Nesse novo cenário o valor cultural, a criatividade, o conteúdo e o conhecimento se tornam o novo combustível nas trocas das relações simbólicas dos bens de consumo pós-industriais onde, para além das relações de competitividade de mercado, agem preenchendo o desejo da manifestação das individualidades que para o autor McCracken  “são usadas para expressar categorias e princípios culturais, cultivar ideias, criar e sustentar estilos de vida, construir noções de si e criar (e sobreviver a) mudanças sociais’’. Com uma ênfase nunca antes vista, a condição do intangível e a produção de conteúdos simbólicos se posicionam como papel fundamental no desenvolvimento dos estados e das nações na economia mundial, que passam a adotar a criatividade como caminho possível para criar novas estruturas e modelos organizacionais, agregando valor e gerando direitos autorais: “Uma prova disso é o fato de que o hardware está se tornando cada vez mais barato, ao passo que o software, mais caro. (…) Nosso interesse existencial desloca-se, a olhos vistos, das coisas para as informações. (…) O novo homem não é mais uma pessoa de ações concretas, mas sim um performer: Homo Ludens, e não Homo Faber. Não se trata mais de ações, e sim de sensações. O novo homem não quer ter ou fazer, ele quer vivenciar. Ele deseja experimentar, conhecer e, sobretudo, desfrutar. (Flusser, 2007, p. 55,58)

Do salto marcado por dissonâncias e convergências sobre os conceitos da Indústria Cultural surgido em 1947 e da Indústria Criativa da Austrália e Reino Unido dos anos 90, assistimos nesse momento e nos últimos dois anos, sobretudo em nosso país, a coroação do papel da cultura enquanto desenvolvimento estratégico, com a estruturação de uma nova política de desenvolvimento econômico adotada nacionalmente através do termo Economia Criativa e que foi cunhado pela primeira vez, através do especialista no assunto John Howkins em seu livro The Creative Economy – How People Can Make Money From Ideas.

E é com ele que NoBrasil vai estar amanhã na Belas Artes de São Paulo para uma palestra em que termos como ecologia criativa, economia da cultura, cidades criativas e empreendedorismo certamente serão tratados. Como plataforma de experimentos curatoriais que busca sobretudo, fomentar a cultura criativa como um caminho possível ao desenvolvimento, para nós uma oportunidade discutir o tema com um especialista para que a sua visão, possa colaborar com a nossa proposição em busca do fomento de novos modelos. Já que o evento será fechado apenas para convidados, prometemos desde já, cobertura completa via twitter e instagram.

Vem que tem.

Colagem: Parangolés do Hélio Oiticica + artistas desconhecidos via tumblr.
Indicação de leitura: FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia do design e da comunicação.
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