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Ele quer te provar que é possível construir qualquer coisa, inclusive a sua própria bike

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A Fabricação digital pode empoderar pessoas. É o que acredita e vai te mostrar Pedro Terra.

A Fabricação Digital pode empoderar pessoas para que elas mesmas resolvam os problemas do cotidiano.  Ë o que acredita Pedro Terra, criador de embarcações, móveis e projetos que ligando um computador a uma máquina podem fazer qualquer coisa. Através de uma motivação instintiva que tem tudo a ver com não querer pagar por coisas caras quando se sabe o valor que as coisas tem, que ele,  levado a descobrir como fazê-las, se jogou na construção de seu próprio barco, deslanchando a partir de então, sua pesquisa por processos de fabricação digital como cortes computadorizados, prototipagem através da CNC Router e projetos open source.

Calma, a gente explica tudo. 

A partir da entrevista que fizemos com Pedro, que está estudando empreendedorismo no campo de pesquisa da Nasa em Mountain View, Estados Unidos, reunimos em um combo, todos os destaques do que positivamente o crescimento da fabricação digital pode proporcionar, explicando ainda o que é cada ‘coisa’. Também, os projetos mais bacanas que ele vem desenvolvendo em  seu estúdio, o Pedro Terra Lab a exemplo do Bike de Quinta. Para nós, fica a sensação mais uma vez de como é bom conversar com gente que faz e utiliza dos recursos que existem para criar soluções para o coletivo. Apesar da pulga atrás da orelha sobre os desdobramentos do processo de fabricação digital em perspectivas mais “abrasileiradas”, levando em consideração as nossas problemáticas sociais e o próprio contexto econômico do país, a história do Pedro serve como inspiração sobre como é possível velejar por mares antes nunca navegados quando se tem foco e determinação. E ainda, construindo seu próprio barco. Veja o que ele tem pra dizer sobre isso e faça você mesmo sua bike.  

 

Fabricar digitalmente + empreender positivamente ÷ todo mundo =  transformação e impacto social

 

Seja criando máquinas ou produtos, a fabricação digital somada ao empreendedorismo social quando levada ao maior número possível de pessoas,  pode desencadear um processo de transformação e empoderamento do indivíduo sem limites, pois permite que possamos competir e entrar na indústria da manufatura que hoje concentra-se em um nicho fechado, caro e para poucos.

Nessa tentativa de construir produtos relevantes extraindo o máximo que a tecnologia pode oferecer que surgiu a Bike de Quinta, encontro semanal organizado através do estúdio do Pedro em parceria com o Garagem FAB LAB para o desenvolvimento de bicicletas open source, que significa quando você cria alguma coisa e compartilha o projeto “aberto” permitindo que qualquer um baixe, use as plantas de graça e aprimore, pagando licença apenas se o uso for comercial. O projeto que é ainda um manifesto político sobre como é organizado o sistema de transporte em São Paulo, levou em consideração o grande número de interessados na bicicleta como transporte alternativo. Na primeira chamada e um surpreendente número de interessados, eles chegaram em duas ideias:

Bike Paramétrica

O foco desse projeto é criar um modelo paramétrico de quadro de bicicleta que poderá ser facilmente ajustado para atender o gosto do usuário na hora da fabricação. O corte das peças é feito em uma CNC Router.

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Bike DIY (DIY do inglês Do It Yourself que significa Faça Você Mesmo)
O objetivo deste projeto é conseguir criar uma bicicleta apenas com materiais baratos e de fácil acesso em todo mundo. Basicamente qualquer um com acesso a uma casa de materiais de construção, deverá ser capaz de construí-la. A idéia para a fabricação é que ela não use fabricação digital, mas sim, apenas manuais de fácil acesso.
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Saiba mais sobre os encontros para construir essas bikes indo até aqui e sobre os Fab Labs na sua cidade aqui

 

Máquinas – comunidade = 0

 

A bike de quinta vem ainda para provar uma outra questão: em um projeto open source mais importante que as máquinas, são as pessoas. Sem esse sentimento de coletividade existente em um grupo com os mesmos interesses, fica complicado ter a força criativa necessária para implantar as melhorias e aperfeiçoamentos que um projeto de alta complexidade exige. Levando em consideração que um projeto de design requer muitas vezes o esforço de muitas competências, não se trata portanto de atividade de uma pessoa só tendo então a internet, um papel decisivo para promover a participação social através da construção de relações a partir de grupos de afinidade. Se um designer não pode entender de tudo, um engenheiro, um jardineiro e um mecânico também não. Mas todos juntos podem construir grandes coisas. Em outras palavras: eles precisam de você para construí-la.

Financiamento coletivo + teste de mercado = redução de produtos inúteis

 

As máquinas representam o empoderamento do indivíduo. Por um custo muito mais baixo é possível prototipar o produto e testar,  fabricando uma peça sem a necessidade de ter contato com uma fábrica. Diferente da fabricação tradicional que é necessário ter muito volume para baixar o custo, basta criar um molde e experimentar a performance do produto colocando-o no mercado para ver se as pessoas tem interesse através inclusive do próprio crowdfunding (financiamento coletivo), que já é em si um próprio teste de mercado. Quando você consegue juntar o dinheiro para fazer o projeto acontecer é porque de fato existe uma relevância: você terá compradores.

Facilidade para empreender = transparência + reflexão sobre o que se consome

 

Se torna mais fácil empreender. Em um projeto de movelaria por exemplo, desenvolve-se apenas o protótipo e disponibiliza-o em algum site para comercialização.  A própria venda gera o investimento para o próximo. Em certos casos é possível ainda, como na criação de luminárias em impressoras 3D, deixar os arquivos a disposição: a pessoa interessada consegue prever com mais transparência quanto é o custo de produção e o tempo que vai levar para execução antes mesmo de imprimir, gerando através de uma gestão compartilhada no processo do fazer, um momento de reflexão do ato de consumir além de uma transparência no “como isso foi feito”  e seus valores.

Máquinas X máquinas = máquina ao quadrado

 

Além de produtos do cotidiano, o grande barato é mesmo criar máquinas através dessas máquinas. Democratizando a informação e a tecnologia, é possível reduzir os custos e também os materiais pela metade, proporcionando que no futuro, qualquer um seja capaz de construir uma fábrica. Essa ideia já vem sendo colocada em prática pelo Pedro através do The Open Factory, um projeto que através de sistema open source e a partir da CNC Router, a máquina-mãe que eles estão construindo, é capaz de construir outras máquinas. Uma nova revolução industrial.

 

Vá Fundo sobre fabricação digital:

http://www.theopenfactory.org 

http://www.garagemfablab.com/

http://fablabbrasil.org/

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