Category: Pulsa

Cartografias Periféricas

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A arte como um dispositivo da construção de um mapeamento da cidade. A relação periferia-centro e dicotomias sociais e a intercessão cidade-artista.

Imagens feitas com o iPhone SE
Por Clébson Oscar

Primeiramente, uma caminhada

Nossa percepção de cidade é limita aos espaços e as rotas que traçamos diariamente: bairro em que mora, bairro onde estuda/trabalha, bairro que frequenta para lazer e outras atividades habituais; na maioria das vezes só conhecemos entre três a cinco bairros, e não por suas totalidades. A cidade é constantemente modificada por movimentos sutis, como o vai e vem de pessoas, fachadas que mudam de cor, e pelos movimentos complexos, das subidas de novos prédios, novos viadutos, construções que cobrem a paisagem e alteram o entorno, situações que alteram drasticamente a dinâmica dos espaços e dos fluxos cotidianos. Sendo assim, a nossa percepção dos espaços se perde dentre tantas alterações diárias, e pelas novas configurações que surgem e incidem sobre eles.

Alguns trabalhos surgem desse apontamento, em vários níveis relacionais, a cidade/rua, o corpo como morada, casa/cidade, são espaços criados em mutação que aderem criativamente entre si, gerando faíscas narrativas e novos modos de habitação e intervenção. De fato, o que nós conhecemos de nossa própria cidade não chega a 20%, e é preciso propor uma investigação não somente dos porquês disso, mas também maneiras de se reconectar e se impregnar a cidade.

Prática: pegue o mapa de seu bairro, trace linhas por cima das ruas que você já passou, use cores diferentes (ex: verde, vermelho, azul, etc.) para apontar as ruas que você já passou entre 3 e 5 vezes no último ano, as ruas que você já passou entre 5 e 10 vezes, e as de mais de 10 vezes, e deixe em branco as ruas que você passou menos de três vezes ou mesmo nem chegou a caminhar nesse último ano.
Resultado: conheço, ou seja, tenho mais conhecimento de espaço/ruas e de alguma forma tenho experimentado e percorrido muito mais o Centro de Fortaleza do que o bairro (Pici) em que moro desde que nasci. Embora seja uma constatação a partir de um recorte especifico de um ano, é no mínimo de se questionar.

“Mapa do Pici e rotas traçadas”

É muito comum ver trabalhos em que se propõe a realizar uma imersão pela favela, como prática corpórea e sensorial acerca dos espaços de convivência, mas é preciso se atentar a certos equívocos: já presenciei deriva de imersão sendo feita de dentro de um carro, com as ruas estreitas do bairro sendo vista através do vidro. Como se propõe a imergir pelo espaço se existe uma janela de vidro e uma carcaça de ferro separando-o do próprio espaço? Que tipo de relação com a cidade é essa que está atrelada muito mais a um distanciamento do que envolvimento?

São as sobreposições espaciais entre: qual o lugar da favela e o lugar da arte? São campos sociais incompatíveis? É complicadíssimo dar a favela apenas o lugar de ser um campo de estudo para trabalhos artísticos/acadêmicos, principalmente quando tais trabalhos são realizados não por moradores da própria favela e sim por pessoas externas e alheias aos contextos íntimos da favela. A visão de uma pessoa que vive a favela a todo instante, e aqui o verbo viver entra com o seu sentido mais intrínseco possível, é totalmente diversa daquele que só conhece a favela através das teorias sociológicas e do abstracionismo das suas próprias proposições artísticas. É preciso entender o lugar da vivência e o lugar da fala.

A favela precisa é de emancipação: cultural, social e política.

Essa investigação da cidade e dos espaços que a compõem não pode se transformar num safari, em que o olhar estrangeiro e exotizador incide sob os espaços e meios, como é o olhar de parte da arte acadêmica sob a favela (olhar esse que facilmente pode se desdobrar num olhar colonizador que se sobrepõe ao do colonizado, no caso, a favela). Aqui deve se propor uma busca continua e diária por envolvimento com a cidade, se juntar a ela, em gestos e ações. Sentir a cidade significa estar solto para caminhadas e revoadas.

CAPA“LUTAR, do artista Emol”

Essa investigação da cidade e dos espaços que a compõem não pode se transformar num safari, em que o olhar estrangeiro e exotizador incide sob os espaços e meios, como é o olhar de parte da arte acadêmica sob a favela (olhar esse que facilmente pode se desdobrar num olhar colonizador que se sobrepõe ao do colonizado, no caso, a favela). Aqui deve se propor uma busca continua e diária por envolvimento com a cidade, se juntar a ela, em gestos e ações. Sentir a cidade significa estar solto para caminhadas e revoadas.

Para se conhecer uma/sua cidade, é preciso se entrelaçar a ela, se provocando a encontros efêmeros (ou não). Entendendo que a cidade é composta não somente das tantas dicotomias entre as regiões centrais e as margens, mas também das conjunturas espaciais que fazem com que essas regiões sejam atravessadas umas pelas outras.

É preciso reconstruir, criar territórios, afetos. Novas paginações duma cartografia urbana, numa procura pelos atores e agentes dessa produção calcada em experimentar a cidade e os espaços.

Aqui se colocam proposições estéticas e políticas que reinserem a experiência da alteridade do espectador em espaços urbanos que, sendo agradável ou não, remete à existência de outros lugares da cidade. Fluxos e ritmos, deslocamentos, insistências urbanas, errâncias, corpografia de exploração. A política como pensamento artístico acerca da cidade, e/ou o pensamento artístico como ato político sobre a cidade.

Das práticas, das intervenções

Numa prática interventiva que reinsere o deslocamento do espectador como estrangeiro em sua própria cidade, o Livro de Rua, projeto encabeçado pelos artistas Eden Loro e Sivirino de Caju, propõe uma cartografia da cidade, um desejo de comunicar-se com a cidade possibilitando encontros. A intervenção se constitui como um livro aberto que tem suas páginas pintadas e espalhadas por vários muros da cidade de Fortaleza, são poemas sucintos e desenhos, que propõe um percurso por pelo menos 40 bairros de todas as regiões da cidade. Para ler e sentir o livro por completo é preciso se deslocar do seu lugar comum e percorrer trajetos que o levarão a lugares desconhecidos da cidade, numa espécie de deriva, em que se estará imerso em descobertas dos espaços.

É interessante de se pensar que praticamente todas as páginas do Livro de Rua passaram por algum tipo de intervenção externa, um gesto semelhante ao que fazemos quando lemos um livro de papel e marcamos algum trecho ou parágrafo do texto, ou quando se escreve uma dedicatória no início. E que nesse caso, de um livro de concreto, que está exposto à chuva, ao sol, aos ventos, ao pó de asfalto, a maresia e às balas perdidas. Um livro que pode acabar tendo um de duas páginas rasgadas, ou melhor dizer, apagadas por outras intervenções ou por alguma propaganda comercial.

livro de rua (1)“Livro de Rua, páginas 99 e 100, Av. Humberto Monte, Fortaleza.”
livro de rua (2)“Mapa de todas as páginas do Livro de Rua.”

Em um forte momento de questionamento forte sobre cidade, o Massa Crítica é um movimento de ciclistas existente em várias cidades do Brasil e do mundo, que surge como forma de propagar uso da bicicleta como um meio de transporte, se utilizando do cicloativismo para levantar discursões acerca de mobilidade urbana e direito ao uso dos espaços da cidade. O grupo, intitulado como um coletivo do qual um não fala por todos, realizou diversas ações interventivas em Fortaleza como as ciclofaixas cidadãs, em que são pintadas no asfalto faixas brancas sinalizando o espaço para a bicicleta, sempre realizadas em vias de trânsito intenso e de grande ocorrência de acidentes envolvendo ciclistas. Uma outra ação do grupo, essa de significados mais agudos, é a intitulada “bicicleta fantasma” (em inglês, ghost bike), em que uma bicicleta velha é pintada de branco e presa próxima ao local em que algum ciclista tenha sido morto por veículo motorizado, seja em ato acidental ou não. Alguns pontos de Fortaleza receberam esse tipo de ação, que visa tanto denunciar a violência do trânsito da cidade, como também a necessidade de compartilhamentos dos espaços, além de prestar uma homenagem às vítimas.

massa crítica em 2014“Intervenções do Massa Crítica, imagens reprodução internet.”

E por último, o projeto Parque ampliado do Pajeú é uma pesquisa da artista Cecilia Andrade, que busca uma religação com o riacho Pajeú em Fortaleza, relacionando-se com esse lugar para além de suas características físicas explorando as possibilidades de ampliação do espaço pelas mídias móveis. O riacho foi encoberto por concreto e asfalto no processo de modernização da cidade, canalizados, em drenagem subterrânea ou mesmo enterrado, tendo apenas alguns trechos em canais ao céu aberto ou passando por entre propriedades privadas.

A ação “Excursão com audioguia pelo parque ampliado do Pajeú” utiliza o potencial das mídias locativas para criar camadas ao real, nela os participantes levavam no celular um aplicativo que indicava pontos por onde o riacho passava levando-os a uma excursão pelas ruas do centro histórico. Ao chegar em tais pontos, audioguias eram acionados e uma voz narrava acontecimentos e documentos históricos sobre o riacho. Uma caminhada de investigação acerca do riacho, em que os participantes estariam numa busca subjetiva por narrativas que os levariam a encontrar os resquícios do Pajeú, algumas vezes o áudio leva o participante a encontrá-lo, noutras, ele poderá apenas imaginar por onde anda o Pajeú.

“Excursão Pajeú – Cecília Andrade”

A ação tenta fazer um resgate da memória, da história e dos afetos da cidade, que cada vez mais são esmagados e enterrados pelos processos de modernização e desenvolvimento. A excursão permanece viva, e embora o percurso tenha sido realizado em grupo, qualquer pessoa que esteja na cidade pode participar dessa experiência cartográfica, no site da artista é possível ler um artigo que fala acerca da ação explicando como instalar o aplicativo em seu dispositivo móvel e participar dessa vivência.

Por último, uma rota.
Páginas dos grupos e artistas citados no texto:
Ciclanas: https://www.facebook.com/ciclanas/
Massa Crítica Fortaleza: https://pt-br.facebook.com/MassaCriticaFortaleza
Ciclovida: https://www.ciclovida.org.br/
Cecília Andrade: https://eraumavezumrio.wordpress.com
Eden Loro: https://www.ilustra.org/user/eden-loro/

 

IMG_1969 PBCLÉBSON OSCAR- ARTISTA VISUAL, DESENVOLVE TRABALHOS EM INSTALAÇÃO, VÍDEO, FOTOGRAFIA ANALÓGICA E INTERVENÇÃO URBANA, DA QUAL TAMBÉM DESENVOLVE UMA PESQUISA SOBRE O TEMA. GRADUANDO EM CINEMA E AUDIOVISUAL PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ E PELA VILA DAS ARTES. É ROTEIRISTA E REALIZADOR, TENDO DIRIGIDO DOIS CURTAS METRAGENS QUE ESTÃO CIRCULANDO POR FESTIVAIS E MOSTRAS DE CINEMA, ALÉM DE TRABALHAR COM ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO E MONTAGEM EM CINEMA.

 

 

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O filme “Clausura” e a experiência de criação da diretora Mariana França.

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“O resultado é o que se vê: um primeiro corte sensível de uma obra que não se pode sintetizar. “CLAUSURA” é um meio para enxergar o eu e o outro.”

Por Alessandra Gama

A depressão é um tema bastante sensível, por suas múltiplas faces e intensidades. Abordá-la, ainda é um desafio do nosso tempo, tanto para as pessoas que convivem com outras, diagnosticadas, sobretudo, para as que são diretamente afetadas. O filme “Clausura”, de Mariana França e Gildo Antonio, vencedor do prêmio Primeiro Olhar, põe em relevo as experiências de desterritorialização e reterritorialização afetiva e social, causadas pela depressão na vida de artistas.

Como lidam com a doença? Como ela se relaciona com as suas obras e como realizam o processo criativo em meio às fases de crise?

O tema é inspirado na história de Mariana França, que além de diretora deste curta-metragem, também é atriz, produtora cultural e paciente diagnosticada com depressão desde 2014. O filme é uma busca sobre se autoconhecer após períodos de crises. As suas experiências esbarram diretamente nas situações enfrentadas pelos entrevistados: Ivam Cabral (ator, roteirista e idealizador da Companhia de Teatro Os Satyros), Tina Gomes (fotógrafa) e Márcia Abos (jornalista e bailarina).

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Mariana iniciou a sua trajetória artística no teatro aos nove anos, em busca de ser “encaixada” em algum círculo, já que a escola como o seu principal lugar de convivência social, lhe excluía das possibilidades de ser e existir como pessoa. Ela se sentiu muitas vezes, uma criança à margem, sendo alvo das piadas racistas, entre a turma de colegas da época. Quem se tornou Mariana, hoje?

“Mariana França é alguém que busca no outro se conhecer melhor. Desde pequena sinto que a vida esqueceu de me dar um manual para lidar com tantas inquietações, que muitas vezes acho que só eu vivo. Mas é no encontro com o outro que a gente descobre que todos fazem o seu melhor, para entender este mecanismo que baseia a nossa existência.”

Com aprendizados em diferentes escolas artísticas como o teatro, o circo e o audiovisual, Mariana, recria, através destas múltiplas linguagens, os mecanismos de reencontro e encantamento com a complexa magia da vida. Como manifesto poético o filme rompe os silenciamentos da depressão. Os planos aproximados da câmera documentam em detalhes, a semântica dos olhares, os gestos das mãos e pés, corpos entregues como pinturas, mas também reticentes, em fricção com si próprios. O olhar documentário do filme implicado na subjetividade da realizadora, transita pelos modos reflexivo, performático e poético, a dizer para nós, espectadores, histórias sobre as idas e vindas em crises depressivas, vividas pelos artistas e como eles as utilizam como matérias de expressão e sentido de suas existências.

“O documentário me fez justamente perceber quais eram os meus mecanismos de criação. O “Clausura” surgiu num momento de uma profunda tristeza, no sentimento de total perda de várias bases importantes pra mim (amigos, família, trabalho, relacionamento). Mas foi uma exceção a todas as coisas que fiz. Pra mim, é difícil criar na profunda tristeza, ou no caso, numa crise depressiva. Entretanto, não importa o que necessite que seja criado, produzido, é preciso uma provocação, a que te faça mergulhar de cabeça naquilo.”

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“Ser mulher negra e dirigindo uma documentário já é por si só um ato de resistência. O audiovisual ainda possui um cenário machista, mas que aos poucos estamos tendo seu lugar devido. A equipe do “Clausura” é rodeado por Manas guerreiras e que desempenham as mais diversas funções (Cecília Santana, produtora, Carol Arbex, Carolin Yukari e Jolene Tracci, câmeras, Alice Crepaldi, som, Mayara Paulelli, Motion Design).”

Mariana França.

A arte torna-se a potência descoberta por Mariana, atravessando as suas fragilidades como ponte para um trabalho de criação, que a leva para dimensões mais inteiras de si, ou mais consciente dos lugares de fragmentação dos sentimentos humanos. Por fim, a arte como lentes de percepção crítica sobre fluxos intensos e constantes da sua subjetividade, como as questões que envolvem a representação objetificada das mulheres negras, por exemplo.

Como uma obra aberta, reflexiva e de linguagem moderna, Mariana França e Gildo Antonio assinam a codireção do documentário e contam essa história a partir de três olhares:  o olhar interrogativo de Mariana para com os entrevistados; o olhar curioso sobre quem é a personagem de Mariana, dirigido por Gildo Antonio; e o olhar que vê a toda equipe e aponta as transformações descobertas durante toda a produção do filme.

Com produção pelo Centro Audiovisual de São Bernardo do Campo e realização da Transver Filmes, o “Clausura” está circulando entre festivais nacionais e internacionais de cinema e foi premiado pela 17a. edição do Encontros de Cinema de Viana do Castelo, ocorrido em maio deste ano, em Portugal. #VoaClausura !

“O resultado é o que se vê: um primeiro corte sensível de uma obra que não se pode sintetizar. “Clausura” é um meio para enxergar o eu e o outro.”


12003154_958864104178511_4096693306721974599_nALESSANDRA GAMA – É coeditora NoBrasil. Mestre em Educação (UFSCar) e Doutoranda em Performances Culturais (UFG), pesquisa questões étnico-identitárias no cinema documentário brasileiro. É também  realizadora, gestora e produtora cultural.
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Confira a lista de filmes selecionados no Silicon Valley African Film Festival – Spotlight Brazil

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Dos 33 inscritos, 05 foram selecionados para participar do Spotlight Brazil em outubro na Califórnia. Saiba +

Fruto de uma colaboração que conecta a diáspora africana do Brasil, EUA e mais de 15 países africanos, o NoBrasil apresenta pela primeira vez uma parceria com o Festival de Cinema Africano do Vale do Silício (SVAFF – Silicon Valley African Film Festival), que acontece de 14 a 16 outubro, em Mountain View no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Chegando na sua sétima edição unindo comunidades, culturas e continentes, este ano o festival criado pelo nigeriano Chike C. Nwoffiah faz um chamado especial para xs cineastas brasileirxs cujas obras reflitam imagens, narrativas e histórias que tragam como inspiração os trânsitos da cultura afro-brasileira. Como resultado da parceria, criou-se no Festival o Spotlight Brazil, espaço destinado à produção de filmes brasileiros.

Dos 33 inscritos, 05 foram selecionados. Confira a lista e agradecemos a todxs por participar!

 

Das raízes às pontas

From the Roots to the Tips (Portuguese / English subtitles)
20 minutes / 2015
Documentary Short
Director: Flora Egécia
Country: Brazil
Despite the country’s image of accepting all types of people, racism is a daily occurrence in Brazil that affects black peoples.”From the Roots to the Tips,” speaks of the acceptance of curly hair as a statement of black identity in the country.

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Òrun Àiyé

12 minutes / 2015
Animation
Director: Jamile Coelho / Cintia Maria
Country: Brazil
Òrun Àiyé shows the trajectory of Oxalá in its mission to create the world.

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Kbela 

15 minutes / 2016

Documentary Short

Director: Yasmin Thayná

Country: Brazil

A sensitive look at the experience of racism suffered by black women in Brazil. Beautifully photographed and packed with symbolism, song and movement, Kbela invokes the ancestral powers and beauty of Mama Africa as expressed in the natural hair of the black woman. It invites us on a transformational journey of self discovery, self-representation and empowerment.

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Port of Little Africa 

77 minutes / 2014
Documentary Feature
Director: Claudia Mattos
Country: Brazil
The origins of Rio de Janeiro’s Port Area, nicknamed Little Africa. A place of strong African cultural heritage, where samba, football, many important social and workers rebellions, Rio’s bohemian lifestyle and the city’s first favela were born. Little Africa taught Rio how to be carioca.

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Snack Time

15 minutes / 2015
Narrative Short
Director: Claudia Mattos
Country: Brazil
If it wasn’t for the free lunch at the public school, the brothers Joalisson, Joedson and Jowilson would starve the entire day, because their single mother is unemployed and the family is in a big financial problem. But she doesn’t want the neighbors to know they have no food at home. Every afternoon she obliges the boys to stand at the front window pretending they’re having snack time. How long will this humbug go on?

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Atos de criação, auto-ressignificação: performando o imaginário mulher

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É o tema da palestra que vamos ministrar hoje no ciclo de seminários Entre Fronteiras Artísticas que acontece na Oficina Cultural Oswald Andrade como parte das ações da peça Dramas de Princesa, que investiga a situação da mulher diante dos mitos dominadores criados pela sociedade do espetáculo.

A partir de 1º de setembro, a ciadasatrizes encena Dramas de Princesas, texto de Elfriede Jelinek, escritora austríaca vencedora do Prêmio Nobel, que investiga a situação da mulher diante dos mitos dominadores criados pela sociedade do espetáculo. As apresentações ocorrem na Oficina Cultural Oswald de Andrade, às quintas, sextas e sábados às 20h,  até 1º de outubro com entrada gratuita.

Dando vida a 05 narrativas através de 05 instalações com impecável cenografia, a peça protagoniza os estereótipos, o pensamento misógino, os fantasmas femininos célebres que ganham voz, discursando sobre sua contraditória posição entre fama e apagamento, poder e impotência, status e vitimização. Essas “princesas” entram em embate com a Morte (quase sempre representada por um homem) e com a própria dificuldade de simplesmente ser mulher na sociedade.

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Na primeira história, Branca de Neve se depara com o caçador, que representará um papel bastante diferente daquele do conto de fadas; na seguinte, Bela Adormecida acorda de seu profundo sono e precisa lidar com seu destino: o suposto príncipe que a beijou para quebrar o feitiço agora tem direito sobre ela.

Rosumanda é a protagonista da terceira cena, que narra a tentativa da personagem-título de retomar o trono de Chipre, seu por direito, mas usurpado pelo governador Fulvio, que tenta seduzi-la; em seguida, Jackie Kennedy compartilha com a plateia as agruras de não conseguir se livrar da lembrança de todos mortos da família. Por fim, no último ato, as poetas Sylvia Plath e Ingeborg Bachmann enfrentam uma parede invisível, mas impossível de ultrapassar.

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Como parte de um ciclo de conversas que debate as fronteiras artísticas, o pensamento crítico e os processos de criação, vamos participar hoje às 16h da palestra Atos de criação, auto-ressignificação: performando o imaginário-mulher.

Uma peça que apresenta toda a potência do teatro como lugar possível para se performar o conhecimento e ressignificar os valores sobre investidos nos corpos e na imagem da mulher.

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Explode Residency

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Dia 29 de agosto vamos fazer parte da programação da Residência Explode num bate-papo com os artistas Daniel Lima e o haitiano Pierre-Michel, Jean. Saiba +

 

Dia 29 de agosto faremos parte da programação da Explode Residency, uma residência internacional que buscará instaurar um espaço de experimentação e debate em torno de corpos que escutam, dançam, resistem, manifestam-se e tornam-se visíveis, a partir da experiência e exposição a diferentes tipos de sons e músicas, advindos, principalmente, das periferias.

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Numa imersão de onze dias (entre 23 de agosto e 02 de setembro de 2016) em uma casa na zona leste de São Paulo, localizada na Vila Nova York, a Explode reunirá uma comunidade de artistas, músicxs, dançarinxs, agentes culturais e pesquisadores, conduzidos por uma experiência de escuta pelos integrantes do grupo norte americano Ultra-red. Vamos bater um papo com os artistas Daniel Lima e com o haitiano Pierre-Michel, Jean.

Este evento é parte da plataforma Explode!, que pesquisa e experimenta noções de gênero, sonoridades, visualidades e cultura de periferia. EXPLODE! Residency é uma curadoria de Claudio Bueno e Joao Simoes, em colaboração com Queer City, um projeto de Lanchonete e Musagetes.

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Entrevista ao Repórter SP na TV Brasil

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Confiram!

 

Agradecemos ao convite para participar ao vivo do Repórter SP, programa da TV Brasil. Na entrevista nossa diretora criativa Diane Lima, fala sobre o NoBrasil, o AfroT e sobre a Conexão Brasil com o 7th Festival de Cinema Africano do Vale do Silício (SVAFF) que tem inscrições abertas até dia 01 de agosto! Inscrevam-se!

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A gente transbordando…

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Juntas NoBrasil que pulsa!

Fotos: Mandyh Castro

A gente vai caminhando, fruindo conexões, expandindo nosso corpo-político pulsando conectar as experiências de quem está transformando criativamente a cultura do país. Em nossas andanças e processos de 2015 a gente se conectou com a comTurbante Ale Gama, uma das imersas na primeira edição do AfroT. Agora ela está com a gente, ocupando a Co-Editoria e a Mentoria de Projetos da casa.

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Nossa Diretora Criativa Diane Lima + Ale Gama, na Roda Leituras in|Visíveis do IBAÔ

Ale é Mestre em Educação (UFSCar), especialista em Inventário de Patrimônio Cultural pela Universidade de Lisboa. Com uma atuação transdisciplinar, ela busca intersecções entre expressividades artísticas (+) criação estética e seus fluxos identitários (=) como modos de produção criativa, via descolonização cultural. Dia 7/7 recebeu o Diploma de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Campinas (SP), sua cidade natal, onde foi uma das co-fundadoras e coordenadora de projetos do Ponto de Cultura e Memória IBAÔ.

13592659_787566694678890_4400379578086952832_nAle Gama recebe o diploma de Mérito Cultural do Vereador Gustavo Petta na Câmara Municipal de Campinas

Celebramos a nossa primeira co-criação  na campanha ‪#‎nãosomoscriaçãodeumhomem |‬ ‪#‎nãoviemosdacosteladeadão‬ e de lá pra cá, seguimos juntas!

Nossa casa vai transbordando com super mulheres! E nós? Seguimos super juntxs, indo à fundo no Brasil!

 

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Leituras inVisíveis (II)

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Criamos contra-narrativas e tessituras de afeto como respostas de cura aos traumas coloniais

Fotos de Mandyh Castro

Como pressentíamos, uma noite de presenças intensas. Mais um encontro de potências, co-inspiração e (re)construção da nossa reexistência – sem que – para existir, peçamos licença.

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“Eu não sou o seu antônimo.” Diane Lima

 

“Sou escritora. Minha estética e ética são politicamente posicionadas, assim como eu. Eu poderia ter nascido nos Estados Unidos, na Colômbia ou no Caribe. Eu me considero uma africana que nasceu no Brasil. Não me afirmo mulher negra, não preciso! A sociedade faz isso por mim.”

Cidinha Da Silva

 

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_ágora Fab Livre – Repensar o fazer na cultura contemporânea

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Vamos participar da mesa Feminismo Negro e Cultural Digital que vai contar com a presença da nossa diretora criativa Diane Lima, da cineasta Vivi Ferreira e da filósofa Djamila Ribeiro. Saiba + e participe!

 

Estamos bem felizes de participar do _ágora Fab Livre numa mesa que vai discutir Feminismo Negro X Cultural Digital e conta com a participação de nossa diretora criativa Diane Lima, da cineasta Vivi Ferreira e da filósofa Djamila Ribeiro. A mediação será Iza A Barbara e mais informações vocês encontram abaixo. Nos vemos lá!

 

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Leituras inVisíveis

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Roda de diálogo sobre as (in)visibilidades das práticas artísticas e culturais negras

Via IBAÔ

Temos provocado e intensificado os debates sobre a (in)visibilização da presença negra em diversos setores da sociedade, dessa forma, ressoado muitas vozes, presenças e narrativas, que a estrutura hegemônica escondeu durante todos os séculos da nossa existência.

As artes, a literatura e outras práticas negras que produzem cultura serão nossos temas de diálogo. Uma roda de presenças intensas, como forma de reflexão e provocação de contra-narrativas e contra-histórias, em resposta às urgências sociais, estéticas e políticas do nosso tempo.

Para nossa roda, é com imensa felicidade que teremos as falas inspiradoras de Diane Lima e Cidinha Da Silva.

Diane Lima é Curadora e Diretoria Criativa do NoBrasil, uma plataforma com foco na cultura brasileira, que se preocupa em discutir, desenvolver e difundir a diversidade brasileira de forma ética, estética e estratégica conectando pessoas e marcas, co-criando ações e experiências colaborativas. É também mediadora da mesa “Diálogos Ausentes”, encontros mensais sobre a produção e a presença de artistas negros em diferentes áreas de expressão, realizados pelo Itaú Cultural (SP).

Cidinha da Silva é escritora e historiadora, autora dos livros “Racismo no Brasil e afetos correlatos”, “Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil”, “Cada Tridente em seu lugar”, “Os Nove Pentes D’África”, entre outros, além de blogueira e colunista dos portais Diário do Centro do Mundo, Fórum, Geledés, e do seu blog pessoal. Recentemente lançou seu nono livro “Sobre-Viventes!”, que tivemos a honra de receber em nossa casa.

Convidamos artistas, realizadorxs, formadorxs, semeadorxs culturais e todas as pessoas interessadas neste tema a estar conosco nesta roda pra lá de poderosa!

Rua Ema, 170 – Nóbrega – Campinas, SP | 19h30

A convite do Ponto de Cultura e Memória IBAÔ estaremos na roda Leituras inVisíveis, confira!

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