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As mulheres da terra: práticas femininas no Noroeste paulista

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Em As Mulheres da Terra especial deste mês, Marilia Botelho conta sua jornada de conhecimento no universo das práticas tradicionais das mulheres da região a partir do legado da sua avó.

Imagens e vídeos criados com o iPhone SE
Prólogo
“Minha avó materna nasceu no primeiro dia da Primavera.
Ela me ensinou, através da observação, a cuidar das plantas, fazer xaropes, geleias e chás.
Mulher à frente da sua época, minha avó se formou farmacêutica pela Universidade Fluminense, mas praticou seu ofício apoiada nas práticas tradicionais das curandeiras de seu tempo. Nascida longe, no litoral carioca, ela veio parar no Noroeste Paulista por um acaso do destino – seguia uma irmã que se casara com um morador da região. Aqui viveu boa parte de sua vida e encontrou neste solo sua morada final.
Dela eu herdei o nome e alguns conhecimentos que o tempo não me deixou esquecer: reconhecer a erva quebra-pedra pelas ruas, fazer muda das roseiras,  tomar xarope de guaco no tempo seco, benzer com galho de arruda e se purificar com sal grosso.
Gratidão, vó Marilia!
Gratidão a todas as ancestrais!”

 

foto-1-capim-margosoAs flores do “capim margoso”, seu florescimento é sinal da farta presença de nutrientes no solo.

 

O Noroeste, suas mulheres e sua força

Sol escaldante, terra vermelha, vento seco e estiagem na maior parte do ano contrastam com a água que abunda dos córregos e faz as divisas das cidades como oásis em meio ao deserto rubro e fértil. Assim é o Noroeste Paulista, lugar em que parece existir um sol por habitante e onde pouco havia há cinquenta anos, além da natureza exuberante, em que a cor do solo contrastava com a dos ipês floridos na vegetação.

Para muitas culturas, a terra é um símbolo da fertilidade associada ao feminino; assim como a terra, as mulheres tem em seu útero a capacidade de gerar, nutrir e dar vida. As mulheres da minha terra parecem ter uma força vital nativa deste lugar fértil, corpos endurecidos pelos meses da estiagem e os olhos fundos de buscar nuvens no céu. São a terra e também o sol incandescente que iluminam as famílias, a força motriz dos seus, que orbitam como satélites em volta do astro-mãe. Aqui, as forças destes dois elementos se fundem nas que concebem, cultivam e provém as vidas.  

Como de costume anteriormente, as mulheres eram mantenedoras do lar, detentoras dos conhecimentos da natureza; de verão a verão, conheciam a chegada das chuvas pelo cheiro trazido pelo vento; calculavam a duração da seca pela umidade do ar; estimavam a época da colheita pelas estações do ano. Sabiam sobre a preparação de remédios para os mais variados fins – de bálsamos curativos a emplastros de ervas, caldos e unguentos que punham de pé os enfermos. Eram conhecedoras dos ciclos da vida, sabendo auxiliar nos nascimentos como parteiras e ajudantes; e também manejavam a morte, preparando os corpos para os velórios e enterros. A tecnologia não alcançava o extremo oeste do estado de São Paulo; não havia outra opção senão por fé na reza e confiança nas mãos das que conheciam na prática os segredos da vida e da morte.

Sônia Bortolli, natural de Santa Fé do Sul, benzedeira e líderança comunitária na região. Aprendeu o ofício do benzimento com sua avó, Dolores Gimenez, que lhe ensinou as rezas com a promessa de que Sônia só iniciasse as práticas após o seu falecimento

 

Antes dos médicos e enfermeiros chegarem aqui, existiam as curandeiras e erveiras, conhecedoras das propriedades curativas dos elementos. Antes dos antibióticos, anti-inflamatórios, das anestesias, havia os xaropes, as simpatias, as benzeduras. A farmácia era o quintal repleto de plantas ou a mata, que não ficava tão longe assim. O laboratório era o fogão a lenha: sob fogo baixo, cozinhavam-se lentamente as especiarias que davam vida às poções, garrafadas e beberagens, ou aos doces de frutas colhidas direto do pé.

foto-2-pila%cc%83oPilão, instrumento de macerar ervas para o preparo de remédios variados

 

Os encargos das mulheres daqui não eram muito diferentes de qualquer lugar afastado das metrópoles: além do manejo com a agricultura, manutenção da casa e criação dos filhos, cabia a elas também os cuidados com as gestantes, os idosos e enfermos. O ofício de curandeira, parteira e benzedeira era comum e bastante respeitado – elas se formavam de maneira prática, observando as mulheres mais velhas que faziam os remédios, ensinavam as rezas e o partejar; aos poucos, iam se tornando elas mesmas as parteiras e rezadeiras, passando adiante seus conhecimentos para as mulheres da família: filhas, irmãs, vizinhas e comadres. Nesse universo intimista havia poucos homens, sendo predominante a presença dos que viviam na órbita do lar.

foto-3-ma%cc%83os-de-dona-anto%cc%82niaMãos de Dona Antônia

Mas as coisas mudaram muito desde a chegada do progresso nesta região. As estradas trouxeram mais gente, as vilas viraram municípios, a população da zona rural migrou para a cidade, os hospitais chegaram e os nascimentos passaram a acontecer pelas mãos dos médicos; os mortos não mais eram velados em casa e preparados pelas mulheres da família. Nesse contexto de progresso tecnológico, mudaram também as mulheres e suas práticas. Adequadas à modernidade, agora as mulheres já não praticam mais como antigamente o partejar e as artes da curandeiria – prática, inclusive, descrita pelo código penal como criminosa, associada ao charlatanismo. Entretanto, por aqui é difícil encontrar uma mulher que não tenha uma receita caseira para tratar as moléstias, ou então uma benzedeira de reza boa que indique para os mais variados tipos de males. No fundo, a impressão que deixam é que são todas curandeiras, praticando um velho ofício do qual já nem se lembram mais o nome.

Raquel Discini de Campos, docente e historiadora, escreve sobre as mudanças ocorridas a partir da metade do século passado nessa região, conhecida como o “sertão paulista”:

“Conforme crença compartilhada, era necessário civilizar o sertão. Mas, antes disso, era necessário civilizar a mulher paulista, a verdadeira construtora daquele lugar porque era o baluarte da família dos modernos bandeirantes.” *


A noção de civilização trouxe consigo a consciência de uma nova mulher, uma mulher desconectada com seus ciclos e a natureza, gerações de mulheres que não aprenderam a escutar as histórias das avós, a pesquisar as ervas e a manipulação dos elementos naturais. Se, por um lado, a chegada da tecnologia trouxe avanços inumeráveis, por outro, também foi responsável pela quase total extinção das atividades femininas executadas ao longo de séculos e perpassadas de maneira oral de mãe para filha. O que interessa nestas linhas, então, é investigar e registrar os vestígios das tradições femininas que sobrevivem na oralidade e nas práticas cotidianas intrínsecas na população.

Cada mulher retratada nestas narrativas carrega consigo a força da própria trajetória, as amarguras dos sofrimentos passados e as bençãos das alegrias vividas. É preciso valorizar seus relatos através da documentação de suas narrativas; indo além ainda, temos de testar suas receitas e aprender com seus partos e suas rezas. Escrever as histórias das tradições destas mulheres é também escrever sobre a história da ocupação desta região. O passado do Noroeste Paulista ainda é fresco na memória de muitas que habitam estas terras, gente que preserva os costumes antigos, que ainda conhecem as histórias e lendas contadas pelas anciãs e guardam consigo as receitas de uma época em que a oralidade era a principal fonte de manutenção dos saberes.

 


*citação: CAMPOS, R. D. A princesa do sertão na modernidade republicana, 2004.

 

 


MARILIA BOTELHO SOARES DUTRA FERNANDES
É natural de Palmeira d’Oeste, SP. Formada em Letras pela UNESP, em Rio Preto, é escritora, jornalista, compositora e produtora cultural no Noroeste Paulista. A natureza, as mulheres e o clima de sua região são fontes de inspiração em sua escrita.
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Cinema Negro: totem sempre vem de longe

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A força do processo de ressignificação do imaginário coletivo sobre a população negra, bem como do desvelamento da experiência de ser negra(o) no universo, está fincada no fato de que a “memória coletiva” é o principal troféu totémico da existência do ser negro.

por Viviane Ferreira
Imagem destaque: Alma no Olho – Zózimo Bulbul

 

A compreensão do “totem” como um símbolo que mantém a memória e justifica especificidades da existência  de uma coletividade, nos parece apropriada para relacionar o poder simbólico do cinema e a sua influência na coletividade que ele é destinado. A disputa totêmica, ou simbólica, é tão antiga quanto o primeiro movimento de translação terrestre: a cada 24h de rotação termina-se uma  e inicia-se outra batalha cotidiana para definir-se os símbolos que fincarão referências totêmicas ao planeta que ostenta a consciência como principal especificidade da espécie que o habita.

Toda construção imagética está à serviço da guerra simbólica que promete totens referenciais como troféu, a cada batalha travada, para definir qual será a coletividade que ocupará o posto de estrela central no imaginário social. É da observação da cadência “bélica”, da construção imagética conduzida por Hollywood, que nos idos 1910 surge, nos Estados Unidos, o movimento “Race Picture” – liderado por profissionais negros da indústria audiovisual estadunidense – com o fim de realizar filmes concebidos, financiados e produzidos por/para comunidade negra dos EUA, por meio de ações colaborativas. Constituindo o “Race Picture” como marco histórico que simboliza o surgimento do “cinema negro”.

imagePublicidade do The Homesteader (1919) enfatizando o elenco negro.

Assim como o movimento de rotação transforma o planeta terra a cada 24h, o cinema negro é transformado e transforma a cada contexto em que está inserido. Nos anos 1950, países africanos, à exemplo de Burkina Faso, enxergam no cinema negro uma ferramenta capaz de contribuir com a construção e disseminação de discursos pró lutas pela independência, dando origem ao FESPACO – Festival Panafricano de Cinema e TV de Ouagadougou reconhecido, atualmente, como o principal palco mundial do cinema negro. Já no Brasil, o filme Alma no Olho (1973), do cineasta Zózimo Bulbul, marca o inicio dos ciclos produtivos categorizados como cinema negro. Inspirado na experiência do FESPACO, Zózimo Bulbul, avança em 2007 e funda o “Encontro de Cinema Negro Brasil, África, América Latina e Caribe ”, reduto nacional dos cineastas negros em solo brasileiro.

zozimo_adeliaZózimo Bulbul e Adélia Sampaio

De acordo com ZENUM (2014), é do imperativo de implantar uma produção cultural capaz de “revelar o que nem sempre é visível e dar origem a novas representações” (DIAKHATÉ, 2011:85), que surge o cinema negro. Nesta concepção encontramos guarida para a compreensão do “movimento de translação” que, a cada ano, nos revela novas facetas da produção cinematográfica negra seja por meio da realização dos filmes: Cinzas (2015) de Larissa Fulana de Tal, Kbela (2015) de Yasmin Thainá, O Dia que Ele Decidiu Sair (2015) de Thamires Vieira, O Dia de Jerusa (2014) de Viviane Ferreira, Caixa D’agua Qui-Lombo é Esse? (2012)  de Everlane  Morais,  Aquém das Nuvens de Renata Martins (2012), Cores e Botas de Juliana Vicente (2008); ou por meio da atribuição de luz à produção cinematográfica de Adélia Sampaio – primeira mulher brasileira negra a dirigir um longa metragem – buscando a subjetividade de seu pertencimento racial em obras como Amor Maldito (1984).

A força do processo de ressignificação do imaginário coletivo sobre a população negra, bem como do desvelamento da experiência de ser negra(o)  no universo, está fincada no fato de que a “memória coletiva” é o principal troféu totémico da existência do ser negro. Em virtude disso, para o cinema negro o totem sempre vem de longe, sua estrela central é repleta de luz, vai de Luiza à Luiza, de Mahin à Bairros a ancestralidade é imperativa, e ativa um modo de fazer cinematográfico que parte de Zózimo e Adélia  alterando o ângulo do eixo de rotação da construção imagética  da subjetividade negra no audiovisual.


vivianeViviane Ferreira é cineasta e advogada com atuação voltada para direitos autorais, direito cultural e direito público. Com um olhar cinematográfico referenciado no cinema de Zózimo Bulbul, assina a direção dos documentários: Dê sua ideia, debata; Festa da Mãe Negra; Marcha Noturna e Peregrinação. Na ficção inicia com o curta experimental “Mumbi 7 Cenas pós Burkina” estrelado por Maria Gal. E chega ao Festival de Cannes -2014 com o curta-metragem “O dia de Jerusa” estrelado por Léa Garcia e Débora Marçal. Preside a Associação Mulheres de Odun e é Sócia-fundadora da empresa Odun Formação & Produção.

 

 

 

O que é Cinema Negro?
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Interview curator Diane Lima – IAM Africa Art Magazine

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IAM Magazine is the first artistic platform that celebrates women in the fields of visual arts, fashion, design and architecture in Africa, as well as the first artistic space focusing on women as an artistic subject.

 

“IAM… a Woman of Art: during the month of March, IAM highlights 8 women active in the arts, fashion and design. After Emilie Regnier, Eve De Medeiros, and Majida Khattari, Nana Oforiatta-Ayim, Farah Khelil, and Laurence Kanza, we had the pleasure to engage with Diane lima, Curator and Creative Director of NoBrasil.

Diane Lima is a Brazilian woman from Bahia, where lives the biggest Black community out of Africa. She is the founding curator ofNoBrasil a research and curatorial platform which connects people who are creatively changing the culture of the country to empower and inspire agents of transformation. At NoBrasil, Lima is interested in creative projects that explore all aspects of Brazilian diversity, from social to cultural and geopolitics.””

To read the full article, click here.

“Curatorship for me is about caring and sharing. I want to be a curator who breaks the brazilian colonial system that keep in the same circle of people the power and opportunities an that leaves most people in the borders, without recognition. What I do is build other narratives being, as black woman, subject of my own history.”

 

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Assista ao 2° episódio da série AfroTranscendence com o Mestre TC

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Nesse segundo episódio da nossa série, Mestre TC fala sobre a militância, tecnologia na cosmovisão africana, disputa de terra e a comunicação como dispositivo colonizador da mente.

 

Grande articulador da cultura digital, fundador da Casa de Cultura Tainã e da Rede Mocambos, uma rede que através do uso de softwares livres, já viabilizou o contato entre diversas comunidades quilombolas por meio de tecnologias da comunicação, Mestre TC é o segundo convidado da série AfroTranscendence, material audio-visual que vem para compartilhar a experiência de aprendizado coletivo do programa de imersão em processos criativos AfroTranscendence, que aconteceu em outubro de 2015 no Red Bull Station, em São Paulo.

Nesse momento tenso que vive o nosso país, onde o poder midiático se soma à estrutura política na eminência de um golpe à democracia, Mestre TC nos coloca a refletir sobre como podemos então pensar novos modos de existência que nos possibilite levar uma vida mais do nosso jeito.

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“Então quando a gente discute terra, a gente está discutindo território, quando a gente fala de comunicação, a gente tá falando também de sentidos e isso a gente tem que reaprender, se a gente quiser de fato fazer um mundo mais do nosso jeito.”

 

Dirigida por Yasmin Thayná e escrita por Diane Lima, a série será lançada quinzenalmente e você pode acompanhar aqui, nos canais do NoBrasil e do AfroTranscendence. Para ver o episódio número 1 com o artista Daniel Lima, é só clicar aqui

Websérie AfroTranscendence:

Dirigida por Yasmin Thayná
Escrita por Diane Lima
Produção: Hanayrá Negreiros
Direção de fotografia: Raphael Medeiros
Som: Avelino Regicida
Montagem: Renato Vallone
Still: Alile Dara Onawale

 

Vá Fundo.

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AfroTranscendence – Precisamos Falar de Nós

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Assista e saiba mais sobre a experiência da imersão AfroT. English subtitles.

 

Foram mais de 24 horas de registros em video que se transformaram agora em 1 minuto e meio para dar conta de uma missão impossível: resumir o tanto de emoção, aprendizado e afeto que vivemos durante os 3 dias de AfroTranscendence 2015. O lançamento desse vídeo chega ainda em um momento muito especial. Ver o ‪#‎AfroT‬ sendo considerado uma iniciativa “inovadora” no campo da educação o que está nos levando a caminho do Vale do Silício para participar de um encontro de inovação e investimentos com líderes da diáspora africana de todo o mundo. Queremos agradecer demais a você que se inscreveu, vibrou, compartilhou; ao Red Bull Station por ter aberto as portas, aos 21 imersos, aos mais de 15 mentores, à nossa produtora Hanayrá Negreiros, à diretora Yasmin Thayná e a equipe de feras que fez possível esse video acontecer.

Para a sua direção, pensamos que não haveria outra forma de criá-lo se não partindo da ideia do ritmo: “era preciso criar a atmosfera e o tempo que vivemos ali naquela ancestralidade do futuro. Então, o desafio foi conseguir traduzir a frequência entre a imanência e a transcendência e isso só foi possível com música. Convidamos o produtor musical e também diretor criativo Mahal Pita, para criar uma trilha que desse conta de falar para aqueles olhos que não viram, o sentimento e a energia do que é a experiência AfroTranscedence”, explica a diretora criativa do NoBrasil, Diane Lima.

A edição e a montagem foi feita por Nando Cordeiro, nosso super designer que suou para encontrar também, o tempo das imagens em uma semana de trabalho intenso. As imagens são de Alile Dara Onawale, Bianca Baderna e Raphael Medeiros.

Que venha 2016!

‪#‎AfroT2016‬ ‪#‎precisamosfalardenós‬

Direção: Diane Lima
Trilha: Mahal Pita
Edição: Nando Cordeiro
Imagens: Alile Dara Onawale, Bianca Baderna e Raphael Medeiros

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Palestras de Mãe Beth de Oxum, Paulo Nazareth e exibição do filme Kbela são algumas das atividades gratuitas do AfroTranscendence. Inscrições abertas!

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Saiba +

 

Já estão abertas as inscrições para as atividades abertas do AfroTranscendence, programa de imersão em processos criativos com foco na promoção da cultura afro-brasileira que vai acontecer nos dias 08, 09 e 10 de outubro no Red Bull Station, centro de São Paulo. A primeira etapa do projeto que encerrou as inscrições no dia 21 de setembro, selecionou de 215 inscritos, 20 pessoas de todo o Brasil que irão passar por um programa intensivo de atividades composto por palestras, workshops, laboratórios e experiências artísticas.

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Nesse segundo momento, é chegada a hora daqueles que não concorreram a imersão ou não foram contemplados, participarem das atividades abertas. São palestras e exibições de filmes que já encontram-se com inscrições disponíveis através do site e traz nomes como o do PHD em História da Cultura Negra Jaime Sodré que terá uma fala mediada por sua filha, a Makota Jamile Sodré; a pesquisadora e autora do conceito terceira diáspora Goli Guerreiro; o cineasta Vincent Moon, o artista Paulo Nazareth, a líder símbolo da cultura pernambucana Mãe Beth de Oxum, além de Ezio Rosa do tumblr Bicha Nagô, do pesquisador e músico Salloma Salomão e da cineasta Yasmin Thayná que apresenta o filme Kbela pela primeira vez em São Paulo.

Com realização do NoBrasil, AfroTranscendence é uma iniciativa inédita na produção da cultura contemporânea afro-brasileira que pensa a potência criativa como forma de fazer política cruzando memória, ancestralidade e tecnologias.

Dá uma olhada na programação, acesse o site para conhecer cada um dos palestrantes e corra pois as vagas já estão se esgotando!

Programação-Palestras

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AfroTranscendence recebe reedição da obra sonora Africadeus de Naná Vasconcelos

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Em formato LIVRO+CD e produzido pelo Harmonipan Studio, Africadeus: O repercutir da Música Negra será distribuído entre os 21 selecionados da Imersão AfroTranscendence. Saiba +

 

Estamos muito felizes com a notícia de receber do Harmonipan Studio, um estúdio criativo de curadoria que promove diálogos internacionais entre a música e outras artes, 25 exemplares da reedição da Obra Sonora Africadeus: O repercutir da Música Negra, projeto que contemplado no edital Funarte Arte Negra 2013, tem como objetivo refletir sobre a ressignificação dos elementos que fazem parte da cultura afro-brasileira potencializando a difusão da história da nossa música através da obra de Naná Vasconcelos.

Portanto Africadeus sob o ponto de vista de Naná Vasconcelos: “é, o resultado que a África é a espinha dorsal da nossa cultura. Antes eu falava Africadeus era um deus, agora já posso falar mais simples que é a espinha dorsal da nosso cultura. Africadeus representa a espinha dorsal da nossa cultura que é a África”.

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Em formato LIVRO + CD e com cunho educativo, Africadeus vem sendo distribuido gratuitamente nas 05 regiões do país tendo como foco Instituições Educativas e Culturais entre as quais destacam-se escolas públicas, pontos de cultura e associações de movimento negro, quilombos e terreiros chegando ao AfroTranscendence como um potente material de inspiração para os 21 selecionados da Imersão.

Impecável em sua feitura, o livro foi organizado por duas mulheres negras ambas de Santo Antônio de Jesus, Recôncavo Sul da Bahia: a professora e pesquisadora Manuela Santana Nascimento que escreveu o texto introdutório de Africadeus e Juci Reis, artista e produtora cultural, responsável pela produção, pesquisa, entrevista e formatação do livro.

Uma honra para gente ser um dos projetos contemplados nessa distribuição que traz a obra de um dos melhores percussionistas do mundo e mestre na arte do berimbau. Um salve a Juci Reis pela conexão, a todo Harmonipan Studio pela iniciativa e por marcar presença no AfroT através do ritmo.

LIVRO

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AfroTranscendence divulga resultado da seleção do programa de imersão

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No total foram 215 inscritos de todo o Brasil que concorreram a 20 vagas. AfroTranscendence acontece nos dias 08, 09 e 10 de outubro na Red Bull Station em São Paulo.

Gente de todos os cantos do país. Uma diversidade impressionante de práticas, atividades, linguagens, vontades e interesses representadas em 215 histórias. Trajetórias em busca de participar, trocar e aprender.

De abril até agora, de todas as etapas de feitura do AfroTranscendence, sem dúvida alguma essa seleção nos rendeu alguns dos momentos mais difíceis. Difíceis por ter que optar por escolhas em um processo que nunca se quis competitivo mas que pela estrutura, precisou ser seletivo e que trouxe ainda a compreensão do que 215 inscritos para 20 vagas quis dizer. Em tradução livre, quis dizer que SOMOS MUITOS, produzindo, realizando, mobilizando, sonhando e desejosos por mais iniciativas que promovam a valorização da educação e da cultura afro-brasileira. Mostrou a nossa força de conexão em tempos de internet e a nossa sede de conhecimento: nossa busca por reconhecimento. Por isso tudo, precisamos dizer que não existem não contemplados, reprovados ou desclassificados. Todos os projetos foram vistos, revistos e parabenizados. Ideias que só de existir já fazem a diferença. Iniciativas que continuam a transformar onde quer que estejam e que não param. Não param pois resistem, persistem e não se deixam imobilizar. Geram novos comportamentos, alimentam novas iniciativas  e fazem com que outras coisas desde agora já floresçam.

Com um olhar centrado em quem está se propondo e se abrindo para novas experimentações e práticas, montamos um grupo diverso para que os encontros sejam abraços sem nada para entregar nas mãos e tal como esse que acolhe nos fez tomar uma decisão: selecionar 20 + 1. Um + 1 que foi contemplado por um nome que pode ser qualquer um, mas que sobretudo, representa a nossa vontade de ter vocês conosco e compartilhar com cada 1 o que de mais rico está inscrito na memória do corpo do nosso povo: em nossa casa, em nossa mesa, em nossa roda sempre haverá de caber +1.

Aos 21 selecionados, um seja bem-vindo. Aos demais, abre agora uma outra oportunidade e nós queremos muito vê-los e conhecê-los.

As inscrições para as demais atividades já encontram-se abertas e as vagas são limitadas.

Voa.

Inscreva-se aqui >> http://nobrasil.co/afrotranscendence 

seleção

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Inovação, Sustentabilidade e Potencial Humano: Florianópolis recebe uma comunidade de líderes criativos e empreendedores em busca de transformação

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Camp1DER oferece conhecimento e sabedoria interdisciplinares, junto com atividades ao ar livre, curadoria de conteúdos e o equilíbrio integral entre corpo e alma.

Imagens: Enzo Almeida

 

Alinhar corpo, mente e conhecimento. Reativar sabedorias e acessar a nossa consciência e potencial humano para transformar. Reunir pessoas e fomentar o sentimento e o sentido da palavra comunidade para juntos, criarmos uma realidade que reflita o que de fato acreditamos. São esses alguns princípios que tivemos o prazer de ter contato e saber um pouco mais ontem com o time que está por trás do Camp 1DER, a versão beta e primeira iniciativa no Brasil do Instituto 1DER que tem como missão cultivar Educação, Arte e Comunidades ao redor do mundo por meio de programas educacionais avançados e oportunidades únicas de engajamento.

Promovendo uma equação que pode ser traduzida como uma verdadeira alquimia de talentos, o Camp1DER irá reunir líderes criativos, empreendedores e gente interessada em promover transformação social fazendo de Florianópolis um novo oásis da inovação no Brasil. E o que mais nos chamou atenção foi sem dúvida, o alinhamento entre natureza, conhecimento humano e criatividade, pilares que estão bem próximos com o que o NoBrasil acredita ser fundamental para promover o que chamamos de micro-revoluções e que coincidentemente, está inserido de alguma maneira como parte de uma ação-imersiva que iremos ministrar aqui em SP e que breve, daremos mais detalhes.

Se acreditamos que somos espelho da sociedade e que nossos atos influenciam diariamente na realidade que tanto criticamos, precisamos atingir um nivel de consciência e sabedoria que começando de dentro para fora, colabore com essa imensa cadeia de positividade e mudança coletiva que tanto se fala nos dias de hoje. Além disso, é crucial que pensemos ainda como podemos aplicar dom, talento, expertise, tecnologias e toda uma rede de contatos utilizando a palavra inovação não como um rótulo e adjetivo mas como uma palavra que acima de tudo requer de fato uma ação.

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Esse é inclusive, um dos grandes desafios e ambições do 1DER: servir como uma plataforma catalisadora para trazer ao Brasil as mentes mais inovadoras e transformadoras do mundo, bem como seus  líderes e empreendedores. Para essa iniciativa que NoBrasil fica muito contente de participar (sim! estaremos em Floripa!) e que acontecerá de 19 a 25 de Março, no Engenho Eco Park três atividades principais estão sendo programadas:

Camp1DER | HEALTH & WELLNESS WEEK é um programa íntimo e interativo que reúne poderes de cura, profissionais criativos e apaixonados além de agentes da mudança em torno de conversas otimistas e fundamentadas: “Estamos convidando os participantes a conectar idéias, projetos e métodos para cura de forma holística de modo a transformar vidas, locais de trabalho e sistemas sociais”.

Já o Social Impact Week  vai reunir um seleto grupo de transformadores sociais, empreendedores, inovadores de diversos campos provenientes do Brasil e de outros países para expandir suas capacidades individuais e coletivas. As experiências e conhecimentos dos participantes vão da criação de aplicativos à implantação de soluções tecnológicas, do desenvolvimento de metodologias e plataformas participativas à implantação de fórmulas de investimento de impacto para viabilizar espaços colaborativos e experiências “Maker”.

E por último o famoso encontro do Burning Man Brasil em que embaixadores, “burners” e entusiastas estarão reunidos para compartilhar ideais e construir uma comunidade colaborativa do Burning Man no Brasil. Ótima oportunidade para quem quer conhecer mais do festival que com certeza, é muito mais do que uma festa.

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Para a sua estreia oficial que acontecerá ainda um pouco mais para frente (a desse ano é ainda uma versão beta), a 1DER que se posiciona como uma espécie de instituto pop-up e está trabalhando junto com iniciativas tais como o Sapiens Parque e a Fundação CERTI traz ainda algumas novidades como a ideia de digital detox, o conceito de Unconference, que apresenta um modelo mais informal em que os próprios participantes ajudam a definir a programação conectando-se através de discussões mais abertas e colaborativas; os BootCamps, que trará a participação de escolas reconhecidas como a Singularity University e o Unreasonable Institute e as próprias Conferências, que vão reunir reconhecidos conferencistas mundiais e brasileiros em painéis de temas de relevância estratégica para produzir impacto social nos campos da Inovação, Sustentabilidade e Potencial Humano.

Enquanto não chegamos por lá, a gente deixa como forma de inspiração esse tanto de novas possibilidades além de algumas imagens incríveis de Florianópolis todas mérito do fotógrafo Enzo Almeida, alguém que vale a pena muito conhecer mais sobre o trabalho  > aqui

Saiba mais acessando http://www.camp1der.org/ e fica de olho aqui pelo NoBrasil que faremos uma cobertura completa dos nossos dias em Floripa!

Até mais.

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