Category: Método

A CURA

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O texto e a video-performance criada para a abertura dos Diálogos Ausentes no Itaú Cultural, fala sobre a curadoria como prática de invisibilização das práticas artísticos-culturais afro-brasileiras e como possibilidade de cura do nosso trauma colonial.

por Diane Lima 

A Cura é uma versão poética de um artigo em andamento parte da pesquisa que desenvolvo dentro do programa de mestrado de Comunicação e Semiótica na PUC-SP. O texto, que virou video-performance e foi produzido pela equipe de audio-visual do Itaú Cultural, transformou-se então em um convite à reflexão e uma ferramenta de mediação que vem para exercitar dispositivos outros que nos ajude na tarefa de criar-pensar-testar e potencializar, experiências de aprendizado coletivo. A princípio, uma tradução bruta, um se jogar no abismo, uma ponte tímida entre mundos que traz a epistemologia da palavra Cura em dois sentidos: cura, no sentido de curadoria e a curadoria como prática de invisibilização das práticas artísticos-culturais afro-brasileiras e curar como caminho de cura de um trauma colonial que surge no momento em que me autorizo curadora.

Dito isso, compartilho o texto e a video-performance que foi apresentada na abertura dos Diálogos Ausentes e que teve como primeira convidada a artista Rosana Paulino fazendo um panorama da presença negra nas artes visuais. A Cura em específico, está inserido dentro da gravação da palestra no minuto 12 mas vale a pena, muito a pena, assistir até o final.

 

A CURA

 

Como falar das ausências, se eu não podia falar?
Forças resistentes passeiam
Movimentam a boca
Boca, há muito controlada por ferro
Sou livre sem máscara
Vozes ecoam
Suspiro

 

Quem cura, cura o que?
Discurso.
Um genocídio da memória
Enuncio:
Onde está a cura para o meu trauma?
Quem, me invizibilza?
Sou parte de um projeto colonizador.
E por isso, parto de mim
Me desnudo.
Desenho a minha própria cor e forma.
Meu gesto, meu movimento
Reescrevo,
Me conto,
E curo o seu olhar sobre mim.

 

Nesses diálogos ausentes, sou presença
Fratura no que seu projeto criou
Desestabilizo e me experimento
Me lanço
Não espero mais pelo que não sou
Não sou mas o seus olhos em mim
Minha arte é da desconstrução
Afeto
Nesse espaço-tempo sou dispositivo
Crio uma contra-história
E falo a minha própria língua

 

É curando que eu me curo.

 

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Co-criação no combate à violência contra a mulher no II Diálogo Nacional sobre Violência Doméstica

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Saiba + como foi a nossa participação no evento no Rio de janeiro que reuniu líderes, movimentos de mulheres, ativistas e agentes criativos em busca de soluções estratégicas e em rede na luta democrática pelo direito das mulheres.

Foto de capa do designer Sergi Delgado

O Instituto Avon e o ELAS Fundo de Investimento Social promoveram entre os dias 11 e 13 de abril, no Rio de Janeiro o II Diálogo Nacional sobre Violência Doméstica, um encontro nacional de organizações dedicadas a desenvolver projetos em resposta à violência doméstica e que tiveram o apoio do Fundo Fale Sem Medo. Dos 658 projetos recebidos no último edital público, foram selecionadas 33 propostas de 17 estados de todas as regiões do país, que vão receber, ao todo, R$ 2 milhões em doações.

Além de trocarem experiências, as organizações passaram por um processo de formação em comunicação e desenvolvimento de ações conjuntas, num amplo diálogo com jornalistas, publicitários, defensores públicos, representantes dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e especialistas no tema da violência doméstica. Na fala da nossa diretora criativa Diane Lima, que integrou o diálogo Comunicação, Inovação social e estratégias de engajamento e impacto, vieram provocações sobre a ideia de colaboratividade e co-criação abordando a importância da pesquisa e da memória para potencializar estratégias nos processos de criação para o combate da violência doméstica.

Aperta o play e assiste!
O nosso muito obrigada ao Fundo Elas e ao Instituto Avon.

 Caso esteja tendo problemas com o link, clique aqui

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AfroTranscendence – Precisamos Falar de Nós

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Assista e saiba mais sobre a experiência da imersão AfroT. English subtitles.

 

Foram mais de 24 horas de registros em video que se transformaram agora em 1 minuto e meio para dar conta de uma missão impossível: resumir o tanto de emoção, aprendizado e afeto que vivemos durante os 3 dias de AfroTranscendence 2015. O lançamento desse vídeo chega ainda em um momento muito especial. Ver o ‪#‎AfroT‬ sendo considerado uma iniciativa “inovadora” no campo da educação o que está nos levando a caminho do Vale do Silício para participar de um encontro de inovação e investimentos com líderes da diáspora africana de todo o mundo. Queremos agradecer demais a você que se inscreveu, vibrou, compartilhou; ao Red Bull Station por ter aberto as portas, aos 21 imersos, aos mais de 15 mentores, à nossa produtora Hanayrá Negreiros, à diretora Yasmin Thayná e a equipe de feras que fez possível esse video acontecer.

Para a sua direção, pensamos que não haveria outra forma de criá-lo se não partindo da ideia do ritmo: “era preciso criar a atmosfera e o tempo que vivemos ali naquela ancestralidade do futuro. Então, o desafio foi conseguir traduzir a frequência entre a imanência e a transcendência e isso só foi possível com música. Convidamos o produtor musical e também diretor criativo Mahal Pita, para criar uma trilha que desse conta de falar para aqueles olhos que não viram, o sentimento e a energia do que é a experiência AfroTranscedence”, explica a diretora criativa do NoBrasil, Diane Lima.

A edição e a montagem foi feita por Nando Cordeiro, nosso super designer que suou para encontrar também, o tempo das imagens em uma semana de trabalho intenso. As imagens são de Alile Dara Onawale, Bianca Baderna e Raphael Medeiros.

Que venha 2016!

‪#‎AfroT2016‬ ‪#‎precisamosfalardenós‬

Direção: Diane Lima
Trilha: Mahal Pita
Edição: Nando Cordeiro
Imagens: Alile Dara Onawale, Bianca Baderna e Raphael Medeiros

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NoBrasil abre inscrições para AfroTranscendence: programa de imersão em processos criativos com foco na cultura afro-brasileira

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O prazo de seleção é até dia 21.09 e as atividades gratuitas irão ocorrer no Red Bull Station, centro de São Paulo. Saiba mais e inscreva-se!

Foram quase 05 meses de preparação, pesquisa e muita ansiedade para que agora pudéssemos compartilhar com vocês AfroTranscendence, um programa de imersão em processos criativos para promover a cultura afro-brasileira contemporânea. Ele vai acontecer nos dias 08, 09 e 10 de outubro no Red Bull Station, centro de São Paulo.

Entendendo o processo criativo como um espaço potente para se fazer micro-políticas, AfroTranscendence nasce com o objetivo de estimular a troca de conhecimento entre pessoas vindas das mais diferentes práticas e formas de expressões incentivando-as a criar novas conexões, possibilidades e olhares em seus processos de criação tendo como inspiração a união entre saberes tradicionais e contemporâneos das culturas negras espalhadas pelo mundo.

Existem duas formas de participar: inscrevendo-se para a imersão com prazo de seleção até dia 21.09 ou inscrevendo-se nas atividades abertas como as palestras, painéis, video-conferências e exibição de filmes.

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A imersão

Para a imersão serão selecionadas 20 pessoas que durante 3 dias, irão participar de um programa intensivo e gratuito de atividades compostas por palestras, laboratórios, workshops e vivências artísticas que serão divididas em 3 eixos centrais: Saberes, Práticas e Experiências. Tendo a construção de um espaço-tempo de transformação como recorte curatorial, o programa põe em relação as tecnologias e saberes da cultura afro-brasileira com questões fundamentais ligadas as práticas do fazer contemporâneo: memória e ancestralidade, interdisciplinaridade e articulação em rede, local X global, diáspora wi-fi, além de discussões ligadas ao uso de mídias digitais, do espaço urbano e de formas colaborativas do fazer.

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Curadoria

Com curadoria da Diretora Criativa do NoBrasil Diane Lima, AfroT traz um time de mentores composto por diversos especialistas, agentes e pesquisadores em cultura afro-brasileira e estudos pan-africanos que utilizarão de conhecimentos e metodologias experimentais e propositivas para inspirar e exercitar nos 20 selecionados novas formas de olhar e criar:  “Vivemos sem dúvida um momento especial e talvez nunca antes visto para nós povos afrodescendentes e AfroT tem como fonte de inspiração todo esse movimento que conectado e empregando energia criativa em busca de transformação, vem partilhando sentimentos em rede, hackeando o olhar de quem nos olha e fazendo desse nosso corpo político um dispositivo descolonizador do pensamento. E como seria exercitar a potência criativa tendo como inspiração a cultura afro-brasileira e seus trânsitos com as culturas negras espalhadas pelo mundo? Como criar exercícios em direção a liberdade que através da nossa ancestralidade e em diálogo com tecnologias, criarão novas memórias que narrarão hoje quem seremos no futuro do amanhã? Acreditamos que o processo criativo é um espaço de decisão, escolha e poder e AfroTranscendence é fruto dessas inquietações. Um momento onde não estaremos preocupados com resultado mas apenas em exercitar e aprender. Imersos durante 3 dias no Red Bull Station, poderemos nos encontrar, questionar, sacudir, experienciar, recombinar, superar, Transcender”, diz Diane.

Para ter mais detalhes, basta acessar a página http://nobrasil.co/afrotranscendence, tirar as dúvidas sobre o programa, baixar o edital de seleção e se inscrever.

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Muitas caras, muitas expressões

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De Manaus, Keila Serruya é um reflexo provocador do que significa ser muitas em muitas linguagens levando para as ruas a pluralidade de um estado formado por um Brasil inteiro.

por Diane Lima

 

Faz muitos meses que estamos para ter esse papo com a Keila Serruya mas, como acredito que tudo vem na hora certa, entendi que era esse mesmo o momento mais propício para acontecer sobretudo por ser essa talvez a curva exata do tempo em que estejamos mais interessados em discutir em nossos projetos no offline, como podemos entender a nossa diversidade para desenhar, criar e traduzir isso tudo nas mais diferentes linguagens: como podemos transformar toda a nossa história em processo.

Nascida em Manaus, Keila não somente faz isso como vai além: a formação da sua história de vida pode ser ela mesma usada como metáfora e porque não metodologia, para explicar a própria recombinação de formas de expressão que utiliza nos seus trabalhos. Algo como muitas caras, muitas expressões em que a diversidade da memória do corpo pode ser traduzida em essência na própria forma de criar, ver e conceber o mundo. Um resultado que vem entranhado pela relação com a cidade e pelas diferentes formas de existir.

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Posicionando o seu lugar de fala como uma mulher negra, ela nos contou como sua trajetória desemboca completamente no que faz: “eu realmente acho que eu vim para provocar o centro da minha família, questionando todos esses lugares de onde a gente vem. Desde pequena, ouço a minha avó materna dizer que a mãe dela havia ganho “um papel que podia ir embora”. E essa minha avó não tem registro nenhum, é só Maria Lourdes dos Santos, Santos como nome típico dado aos escravos alforriados. Ela disse que quem tinha dado esse papelzinho para a mãe dela ir embora era uma senhora dona dela e que gostava muito dela. Algo que eu só vim entender muito tempo depois. Essa minha avó mudou de Boa Vista, com todos meus tios, tias e minha mãe e vinheram parar aqui em Manaus. Já o meu sobrenome Serruya é judeu, dos Judeus Sefarditas que são aqueles que ficam andando pra lá e pra cá. A família do meu pai diz que ele são Judeus da Espanha, mas na verdade eles passaram uns 150 anos no Marrocos…. uma família de homens brancos onde só o meu pai nasceu negro. Somos uma grande confusão.”

Começando a cantar rap com 16 anos e depois trabalhando com video-dança cresceu na Vila Martins, “um grande cortiço que se roubassem no centro iam bater lá” e um lugar que ela diz ter sido de fundamental importância na sua formação como pessoa: ” tinha gente de todos os tipos: evangélicos fervorosos, gays assumidos, babytrans, pessoas que cultuavam religiões de matrizes africanas, pessoas de todas as cores e com as mais diversas histórias.”

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a rua dança5a rua dança4a rua dançaA rua na dança – O corpo urbano, projeto que aconteceu em janeiro de 2015, nas cidades amazonenses de Presidente Figueiredo, Manacapuru e Manaus. As fotos são do João Paulo Machado.

Nesse caminhar, passou a questionar “as caixas” e entender que o trabalho era e podia ser muito mais híbrido.  Performance, áudio-visual e artes visuais se misturavam a um tipo de linguagem cinematográfica que não tem como prioridade estar nas grandes telas, mas nas ruas e/ou em instalações em espaços fechados desde que dialogando com outras formas de expressão. E é essa mistura encontrada nas produções da Picolé da Massa, coletivo-produtora que criou e tem como objetivo produzir, difundir, idealizar, escoar e incentivar projetos culturais ligados as artes cênicas, música e audiovisual e tem como um dos últimos trabalhos um projeto que nos chamou muito atenção: o Assim, curta-metragem que desdobrou-se em uma video-instalação na I Mostra Manaus de Artes Visuais transformando-se ainda em uma outra intervenção urbana com video-instalação. A tríade Assim, Assim Aqui e Aqui conta as histórias de vida de Patrícia Fonttine, Nayla Bianca, Paty LaBelle e Layna Fonttine, travestis, transexuais e transformistas:

“pretendo circular com esse projeto por entender que ele cumpre o seu papel de incomodar sobretudo numa cidade em que o Coronel de Barranco ainda se faz presente, mesmo hoje em que a época da borracha nos parece estar tão distante”.

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capaVídeo instalação urbana Projeto Aqui. A obra fez parte da I Mostra Manaus de Artes Visuais.

Nessa relação de tensão e amor com a cidade é visível no discurso da Keila, assim como presente também na produção e postura de muitos artistas que se encontram vivendo no dilema  centro X periferia, a vontade de ir mas a permanência por entender a necessidade de continuar, momento que a produção passa a ser símbolo de resistência. Gente que produz apesar de todas as adversidades fazendo da expressão seja lá o quão múltipla ela for, dispositivo para disseminar novas formas de entender o mundo, ferramenta de educação e multiplicação: “o nosso interior é um interior diferente dos outros interiores do Brasil. Em outros lugares, em 1 hora, 40 minutos você está em outra cidade. Aqui não. Eu consigo contar nos dedos dos 62 municípios, àqueles que eu consigo chegar de carro. Manacapuru, Presidente Figueiredo, Itaquatiara….. o resto é tudo barco! É tudo muito distante e isso faz com que as coisas fiquem extremamente excluídas. Por isso que desde de 2013 eu venho tentando dialogar com o interior porque o que adianta eu conhecer os outros lugares sem conhecer as pessoas que estão no interior do meu próprio estado?”

Assim aqui 3Assim aqui 4Assim aqui 2Assim aquiAssim Aqui: Intervenção urbana em video-instalação.

Mormaço Sonoro é a resposta que a Keila encontrou e logo mais em breve estará a bordo navegando pelos rio do norte do país: “a nossa música é o gambá assim como o carimbó é de Belém. Hoje você sabe disso porque há 30 anos atrás existiu no Pará um processo de resgate para que isso chegasse a mais pessoas. Aqui temos o MPA, mas onde já se viu isso? Música Popular Amazonense, uma marmota! Tem os Senhores de Tambores em Maués mas é uma música que não chega para todo mundo, porque realmente a colonização surgiu como uma bola de ferro na cabeça das pessoas antes mesmo dessa música chegar até aqui. Então a gente precisa de diversos processos para restabelecer esses contatos. Por isso que acabo no meu trabalho me apegando tanto a cidade. E essa é uma coisa que quero fazer com o Mormaço Sonoro: convidar grupos de música e transformar isso num registro áudio-visual que pode virar qualquer coisa”.

Colocando todo o seu tempo na criação, seja da sua filha de 04 anos ou de seus projetos multi-linguagem como o incrível A Rua Dança – que você pode assistir agora, Keila vem buscando o equilíbrio de quem abraça a pluralidade de um estado formado por um Brasil inteiro.

Uma honra tê-la por aqui semeando esperança através de um olhar contemporâneo, para nós aquele que reconhece a sua história, recombina e transforma.

Nosso máximo agradecimento a Yasmin Thayná pela conexão.

Documentário sobre o projeto “A rua na dança – O corpo urbano”
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“Os professores deveriam ser os profissionais mais bem remuneradas desse país.” O que aprendemos com o #deixaocabelodameninanomundo nas escolas?

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É com muita felicidade que compartilhamos um resumo de tudo o que aconteceu e as nossas principais experiências!

por Diane Lima

 

Foi simplesmente uma experiência para levar para a vida!

Desse nosso primeiro contato com a sala de aula achamos que nem iríamos conseguir fazer uma reflexão sobre tudo o que aconteceu de forma tão rápida tamanha foi a nossa perplexidade sobre o real potencial que existe nesse ambiente que apesar de discreto, pode ser considerado um dos poucos espaços de transformação que alguém pode conhecer. Mas antes de começar a dizer qualquer coisa, nós queríamos falar o seguinte: parabéns a todos os professores e educadores desse país! De todas as coisas que já fizemos, talvez não tenha existido atividade mais complexa e que exigiu tanta entrega do que assumir a postura de levar conhecimento para jovens e crianças. Sem dúvida alguma, é urgente que nossos professores sejam bem remunerados, luta que a gente acompanha e preocupação que veio ainda mais latente, quando terminamos as atividades e tivemos a sensação que um caminhão havia passado por cima de nós! Um cansaço que não era somente físico mas emocional. Uma demanda que te faz ficar em contato com a realidade da casa da família brasileira para além do comercial de margarina. Um retrato do que poderá vir a ser o amanhã, para o bem e para o não tão bom assim.

Por isso, com esses pequenos passos que demos com o #deixaocabelodameninanomundo nas escolas, que compartilhamos agora com muita felicidade os nossos primeiros aprendizados. Que a gente possa crescer cada vez e cada dia mais juntos! Acompanhe!

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1 – A profissão de professor deveria ser uma das mais bem remuneradas nesse país

Já explicamos o porque aí em cima mas quem achar que não, convidamos para viver com a gente um dia em sala de aula, assim você terá certeza de quão injusta é a situação dos professores! Atividade que deveria ter todo o suporte e infra-estrutura por ser a base de uma nação.

2- O que podemos aprender com a nossa história? Ativando a memória do corpo utilizando da empatia

Chegamos em Mundo Novo, interior da Bahia, onde a primeira atividade do #deixaocabelodameninanomundo aconteceu, no dia 04 de julho e claro, que nem tudo ocorreu as mil maravilhas. Muita coisa pra fazer, pouco tempo, carro que quebra, mudança de planos. Somamos o quanto foi difícil fazer aquilo tudo acontecer e mais minha história de vida, para mostrar para uma turma de mais de 70 jovens na faixa etária de 12 a 14 anos, que tudo era possível. Se víamos do mesmo lugar, falávamos do mesmo lugar! E isso motivava e possibilitava fazer com que eles alimentassem uma coisa principal: a capacidade de sonhar. Precisamos lembrar que para muitas crianças e jovens que vivem por exemplo na zona rural, como era o caso de muitos, sair para fora do país, falar outra língua, ter algum tipo de reconhecimento profissional sobretudo pela mídia, significa muito! O que é considerado sucesso é quase como uma utopia, e ali concluímos também que era o momento de desconstruir esse próprio modelo de felicidade: padeiro, artesão, mecânico, médico, designer, artista, nada sobre títulos importaria. Apenas que pudesse haver a possibilidade da escolha e que o exercício da profissão viesse carregada de amor. Empreender na sala de aula, passou a ser uma opção !

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3 – A capacidade de criar novos mundos está completamente ligada a nossa capacidade de sonhar

A nossa presença tinha como missão principal exercitar a capacidade de sonhar, de vislumbrar e imaginar novos mundos. A ideia era que conseguíssemos fazer com que a informação fosse recombinada por eles mesmos e sendo a recombinação a base da criatividade, novas possibilidades de existência para o futuro surgissem. Queríamos ajudá-los a ampliar as suas percepeções: quem sou eu no mundo e o que a minha história fala sobre nós? Apesar do pouco tempo, aos poucos cativamos e as poucos conseguimos deixar plantado algumas sementinhas que foram traduzidas através de uma atividade que pediu que cada um escrevesse uma carta contando seus sonhos e sua história de vida. Muitos a princípio hesitaram dizendo não ter sonhos, mas com um tanto de conversa acabaram topando e se abrindo para ao menos imaginar.

Te conto um caso que aconteceu:

1 – um aluno insistiu que não tinha sonhos e em seguida disparou o seguinte: “já sei! O meu sonho é que vocês voltem na escola de novo! Pronto é isso! Já sei!” Dalí em diante foi difícil aguentar a emoção. <3

2 – um outro aluno, bem quietinho lá no fundo da sala, não se movia. Sereno, pouca falava e disse pra gente que também não tinha sonhos. A única coisa que conseguimos com muito diálogo, foi descobrir que ele gostava de tecnologia. E daí, dessas poucas palavras, veio o nosso próximo aprendizado:

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4- A escola para além da escola

Com esse garoto, ficamos pensando como é urgente a necessidade de articulação com projetos sócio-culturais para além dos muros da escola. Naquele momento, a nossa vontade era acionar 3, 4 pessoas que a gente conhece da tecnologia, para que pudessem ao menos iniciar uma conversa, motivo pelo qual na próxima vez co-criaremos atividades com profissionais de áreas diversas para que de alguma maneira, possamos levar essas outras experiências junto com a gente.

5- Cabelos que dão força para que se enxergue com olhos críticos

O cabelo como a porta de entrada. Assim pensamos desde o início como seria o desenrolar da nossa abordagem.  Depois de trazer um momento motivacional ativando a memória do corpo de cada um, o que a minha história teria a ver com o meu cabelo, com os meus sonhos e com o meu futuro? O cabelo no mundo era uma metáfora para discutir “certos assuntos” difíceis pela aproximação que existe com a vida pessoal e que é mais difícil ainda externalizar ou entender. Falar de racismo, bullying, discriminação sexual, preconceito, racismo institucional, intolerância religiosa, machismo, violência contra a mulher, assédio sexual foi possível para nós através desse elemento cabelo que vem carregando de identidade: a aparência e a estética como marco norteador da nossa presença e das nossa mediações com o mundo! Ao fim, falar de todas essas problemáticas, nos levou ainda a seguinte constatação:

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6 – Precisamos aprender a ouvir

No momento que tocamos nas dores que todas essas palavras significavam, houve um reconhecimento quase instantâneo. Os alunos não somente verbalizaram, como tiveram coragem de ir a frente, pegar o microfone, para contar suas experiências, inclusive denunciando outras pessoas que haviam cometido qualquer tipo de “brincadeira que eu não gosto.” Percebemos como era latente a necessidade de falar e de externalizar o mundo que “ninguém entende.” Fiquei pensando: como podemos dar mais atenção, com atendimentos quase customizados, se o próprio modelo educacional nos prende pela quantidade? São vidas e destinos, cada um com as suas singularidades, como abraçar todos apenas com dois braços só?

7 – Afetividade

A partir desse momento então nós já éramos puro afeto mas pensamos: como lhe dar com tantos problemas? Como trazer a família para a realidade e envolvê-la com “as coisas” que só o professor ouvi e ver? Em um dia tivemos muitas revelações: crianças que se sentiam excluídas, crianças que disseram não ter sonhos e crianças que tinham olhos brilhantes. Nosso papel foi nos colocarmos como mediadores entre esses anseios e o mundo, levando conforto, auto-estima e  dizendo para eles que naquele minuto através da #deixaocabelodameninanomundo havia muita gente interessada, em ouvir.

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8 -Porque inovar não é o mais importante

Como levar o aprendizado para a vida real, dando autonomia e segurança para que a turma pudesse através das suas experiências de vida, criar as soluções para seus próprios problemas? Uma das atividades que realizamos falava justamente sobre isso. Reunimos em papéis diversas habilidades e pedimos para que eles escolhessem duas ou três. Feito isso e se reunindo em grupo, o segundo passo era listar todos os problemas que eles enxergavam na sua casa, rua, povoado ou cidade e tentassem através das habilidades em conjunto de cada um do grupo, apresentar uma solução.  Uma forma de exercitar a cidadania, a criatividade, o trabalho colaborativo e dizer para eles que a mudança acontece através das nossas próprias mãos!

Te conto um caso que aconteceu:

1 – perguntamos para a turma se eles tinham ideia do que significava a palavra INOVAÇÃO e um deles lá do fundo respondeu:

“se não é fácil de encontrar e não tem produto para cabelo crespo, inovar seria fazer produto para cabelo crespo, ora!”

Um recado para o povo da Innovation que mais copia do que inova, que explica porque insistimos em dizer que inovar não é o mais importante e que se traduz na fala da Yasmin Thayná quando ela diz que o mais importante mesmo é ouvir.

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9 – Precisamos criar as nossas próprias referências, experiências e materiais

Uma dificuldade sem dúvida foi encontrar brinquedos, livros e filmes que trouxessem um olhar crítico ou criativo que desse conta da nossa diversidade. Na turma do turno da tarde com as criança de 05 anos, contamos com a leitura do livro Tóim, gentilmente cedido pela Tamires Lima, além de realizarmos atividade de colorir usando as próprias ilustrações enviadas pelos artistas para a nossa campanha. Apresentamos a animação A Menina e o Tambor e o video Cabelo Duro – Carolina Afirma que Não!. Esse segundo vídeo que viralizou na internet depois do depoimento da menina Carolina, ainda serviu como um material de discussão importante com os alunos maiores uma vez que trazia um argumento fundamental: a possibilidade do uso da internet para expressar as individualidades, questionar padrões, se conectar com pessoas que pensam parecido e fazer as coisas acontecerem.

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10 – Precisamos pôr a mão na massa!

Traduzimos Yellow Fever

O nosso próximo passo agora é organizar uma central dentro do NoBrasil para que toda a metodologia possa ser usada por outras pessoas. Além disso, trabalhar no próprio desenvolvimento ou na co-criação de materiais didáticos, brinquedos e experiências, coisa que temos a felicidade de dizer que já começamos a fazer! Como tivemos dificuldade de encontrar vídeos que trouxessem um olhar crítico e fossem ao mesmo tempo curtos e atrativos, pedimos a colaboração das maravilhosas Juliana Luna e a Yasmin Thayná, para nos ajudar com a tradução da premiada animação da diretora Ng’endo Mukii, Yellow Fever, filme que foi apresentado recentemente no Brasil no Festival Afreaka. Estamos muito felizes de ter conseguido fazer isso acontecer pois é um filme que traz com um olhar cheio de poesia, uma aula sobre racismo, além de nos dar a possibilidade de trabalhar a capacidade de interpretação através do elementos simbólicos e estéticos ali reunidos.

Deixamos semeada a criação de um coletivo de meninas crespas!

Exatamente! Elas decidiram se unir para apoiar umas as outras e enfrentar juntas seus medos, o preconceito e deixar seus cabelos livres! O Coletivo que ainda não tem nome mas que iremos acompanhar a formação de perto nessa semana, conta com meninas como a Vanessa, que com apenas poucas semanas de “black” pegou o microfone e disparou: “fiz escondido da minha mãe, mas decidi cortar pois não me sentia eu mesma”. Temos um vídeo inteiro do discurso dela que veio para nos encher os olhos de lágrimas e logo mais iremos compartilhar por aqui e por nossas redes sociais com vocês. Não deixe de acompanhar pelo Facebook e Instagram !

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Para finalizar, só nos resta agradecer! Foram muitas as pessoas que nos ajudaram a fazer isso acontecer! E aqui queremos listar todas, principalmente a Nando Cordeiro, a Darlúcia Souza, Edson Souza, Danúsia Maria, Juliana Luna, Yasmin Thayná, Mahal Pita, Tamires Lima e  Taygoara Aguiar! As professoras e coordenadoras Darcilene Assis, Di, Luciana Clementino, Neuma Gomes e Cida! Sem vocês não seria possível!

A vocês dedicamos o nossos aprendizados e a nossa sede de querer fazer muito mais!

#deixaocabelodameninanomundo – Educação e Criatividade Transformam

Até a próxima!

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Campanha #deixaocabelodameninanomundo chega em escolas da Bahia promovendo atividades educativas através do papel transformador da criatividade

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A atividade retorna ao seu local de origem, na cidade de Mundo Novo e para comemorar reunimos algumas das ilustrações e fotos de quem compartilhou e inspirou uma mãe e uma criança. Confira!

Foi na cidade de Mundo Novo, a 350km da capital Baiana, que há mais de 20 anos atrás  Danúsia Maria, mãe da nossa diretora criativa Diane Lima, disparou a seguinte frase: “se a menina quer deixar o cabelo solto, deixa o cabelo da menina no mundo”! A ideia que logo de cara gerou identificação pela forma espontânea e o jeito simples de dizer, viralizou pela internet através da hashtag #deixaocabelodameninanomundo após a Diane contar sua história de vida no TedxSãoPaulo. Surpresa com o movimento, Diane convidou artistas e designers a criarem desenhos, colagens e ilustrações e compartilhar nas redes surgindo assim a campanha #deixaocabelodameninanomundo – Crie, Compartilhe e Inspire uma Mãe e uma Criança: “a gente não imaginava que exatamente essa frase fosse repercutir tanto, uma prova de como estamos todos sensíveis e abertos a discussão, um momento que vimos ser propício para fortalecer ações que unissem educação e criatividade já que por trás do cabelo, da imagem e da estética existe um exercício de construção de uma personalidade que leva a criança a ter autonomia e liberdade.”, pontua Diane.

Diane-TedxDiane Lima, Diretora Criativa do NoBrasil no TEDxSãoPaulo
1Algumas das mais de 400 participações que recebemos através da #deixaocabelodameninanomundo! Veja todas aqui ou acessando @nobrasil em nosso Instagram.

Em menos de um mês do lançamento da campanha a ser comemorado depois de amanhã, o resultado não poderia ser mais animador. O NoBrasil recebeu mais de 400 colaborações de artistas e criativos dos quatro cantos do país que toparam participar e enviaram as suas contribuições fazendo-nos refletir o quanto é ainda escasso imagens que dialoguem de forma lúdica com as crianças negras ou que estimule a auto-estima entre os jovens e adolescentes, resposta que pode ser vista nos números e no alcance da campanha na rede, que ganhou o apoio de órgãos federais, instituições, páginas que tratam sobre auto-estima e educação afro-brasileira e gente da TV, como foi o caso da atrizes Camila Pitanga e Sabrina Nonata.

Mas apesar de iniciar sua mobilização pela internet, a ideia sempre foi romper suas barreiras e co-criar junto com professoras e mães ações educativas nas escolas que, utilizando de métodos criativos, pudessem implementar espaços de compartilhamento, colaboração e sobretudo escuta: “a nossa intenção é fazer um trabalho de muitas mãos, reunindo especialistas, pedagogos e profissionais que tenham projetos criativos-educativos para ir formatando as atividades junto com a gente utilizando a afetividade como princípio básico ao trazer a memória do corpo e a história de cada criança e jovem para o centro do debate, razão pela qual ficamos muito felizes quando acompanhamos a mobilização da professora Juliane Ribeiro, a primeira a realizar de forma espontânea em sua turma em São Paulo, uma atividade do #deixaocabelodameninanomundo. Uma emoção só!”.
Juliane-RibeiroAtividade realizada pela professora Juliana Ribeiro em São Paulo.
2Veja todas as pessoas que participaram acessando @nobrasil no Instagram!
Agora, uma nova etapa se inicia. O #deixaocabelodameninanomundo retorna para Mundo Novo, sua cidade natal entre os dias 06 e 07 de julho onde Diane viveu até os 08 anos, para com o grupo de educadoras, entre elas sua madrinha e mulheres que também foram suas professoras, realizar encontros em escolas da rede municipal com crianças dos 05-07 anos e 08-12 anos: “Iremos testar algumas metodologias com os dois grupos para sentir como elas se desenrolam pois acreditamos que só o exercício e a prática nos darão essas respostas, inclusive de pensar um processo não linear bem como sua continuidade já que a discussão encontra seus principais obstáculos no seio da família, entre as mães e principalmente os pais”. Nesse primeiro momento o grupo vai contar ainda com a participação de Tamires Lima, designer que gentilmente vem colaborando na formatação das atividades a partir da experiência dos seus dois livros infantis, o Tóim e o Fabrincando.
Acho que acima de tudo o #deixaocabelodameninanomundo é uma ação que exalta a possibilidade de se pensar um ativismo estético e visual que traz a criatividade como ferramenta de transformação para que possamos de forma coletiva co-criar juntos para promover micro-revoluções. Um movimento que é feito por quem sente na pele e carrega na memória do corpo uma história de opressão mas que entendeu o que significa ter uma única criança empoderada dentro de casa. Uma campanha que exalta a capacidade de imaginar, sonhar e criar novos mundos.”
3Veja todas as pessoas que participaram acessando @nobrasil no Instagram!
Para saber mais sobre toda a ação, basta acompanhar as nossas redes sociais através da nossa página do facebook e instagram pois faremos uma cobertura completa! E quem se interessar em participar da campanha, ainda dá tempo de contribuir. Basta criar, compartilhar e inspirar uma mãe e uma criança! Quem quiser colaborar com as atividades educativas, nos envia um email para contato@nobrasil.co ! Será um prazer criar esse caminho em conjunto!
Até mais !
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Ocupação Garagem FabLab discute a cultura do faça você mesmo e a democratização da tecnologia como ferramenta de empoderamento

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NoBrasil abre a semana de atividades no espaço LILO junto com João Cassino, Coordenador de Conectividade e Convergência Digital da Prefeitura de São Paulo e responsável pela futura rede municipal de laboratórios de fabricação digital. Saiba +

“Por hackear entendo aquele indivíduo que enxerga apenas o céu como limite, uma pessoa que é um desbravador dos limites possíveis, que vai além de qualquer catraca e que, sobretudo, abre caminhos”.

Yasmin Thayná sobre hackeios no Rio de Janeiro.

O que o contexto brasileiro pode nos ensinar e como ampliar, adaptar ou se espelhar nas práticas de um Brasil cotidiano e real para fortalecer uma cultura do fazer que apesar do leve sotaque americanizado, fala muito sobre nós, sobre o dar um jeito, o se virar, o arranjar solução e improvisar ainda que a base de gambiarra?  E como utilizar esses mesmos nomes e ferramentas da fabricação digital, da distribuição aberta dos métodos e formas de fazer (open source), dos espaços colaborativos (fab labs), da criação de formas alternativas de produzir máquinas que lhe dará acesso a imaginar e projetar quase qualquer coisa, para hackear o sistema e empoderar pessoas? Como objetivamente aproximar desse universo, jovens, estudantes, asfalto, centro e periferia para fomentar autonomia e com ela, um tipo de libertação que permita ao indivíduo através da sua capacidade crítica e criativa, criar novas formas de fazer e agir sendo pleno das suas habilidades em resposta aos  anseios e necessidades que só ele saberá responder?

É um pouco através de toda essa discussão que o NoBrasil terá a honra de abrir a Ocupação Garagem FabLab 2.0, uma semana de atividades que vai acontecer aqui em São Paulo no espaço Lilo para ampliar o debate sobre a democratização da fabricação digital como caminho de baratear e facilitar o acesso aos meios de produção, e da importância dos Fab Labs para disseminar novas tecnologias.

O convite que veio através do Eduardo Lopes, um dos caras a frente do projeto Garagem FabLab e que vem colaborando de forma decisiva para disseminar essas ideias e pensamentos, trará ainda como convidado dividindo a fala com a diretora criativa Diane Lima, o Coordenador de Conectividade e Convergência Digital da Prefeitura de São Paulo e responsável pela futura rede municipal de laboratórios de fabricação digital, João Cassino.

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Para quem não se recorda, no início do ano a prefeitura de São Paulo anunciou que a capital paulista terá 12 laboratórios de fabricação digital (Fab labs) públicos e gratuitos, tornando-se a cidade com a maior rede de Fab Labs do mundo. Além disso, o próprio Garagem Fab Lab como entidade sem fins lucrativos, vem reunindo esforços para dar mais um passo na ampliação da sua estrutura, o que fez com que lançassem uma campanha no Catarse que ainda encontra-se aberta e a espera da sua ajuda, para reformar um novo galpão situado na Barra Funda. Lá a ideia é receber mais pessoas, desenvolver mais projetos, fazer mais cursos, ter mais dias abertos ao público,  crescer e  reproduzir! Para entender um pouco mais sobre o projeto e quem sabe colaborar dá uma olhada no vídeo abaixo!

Por fim, a gente fica de fato bem feliz de poder colaborar com iniciativas como essas e por isso também não deixem de participar e deixar a sua contribuição nessa discussão. Dá uma olhada na programação, visita a página do Garagem Fab Lab no FB e nos vemos lá! A entrada é gratuita.

fablab2

 

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NoBrasil e Brasis apresentam ADENTRO

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Um exercício de olhar para o Brasil que a gente não vê. Um convite para imaginar o Brasil que a gente pode ser. Inscreva-se!

 

 

No dia 14 de junho de 2015, na Casa Viva em São Paulo, acontece a primeira oficina ADENTRO, um encontro para exercitarmos o Olhar e o Criar para o Brasil. Durante a manhã, vamos compartilhar métodos e referências. O horário de almoço será para exercício individual de observação e a tarde será dedicada a exercício coletivo de criação.

1. O que você quer ver ou criar sobre cultura brasileira? Prepare uma pergunta, um projeto, um problema, uma curiosidade ou mesmo uma pequena inquietação para, juntos, começarmos um exercício em direção ao que te move.

2. Vá com um sapato para caminhar, com uma bolsa grande e guarda-chuva.

3. Leve câmera de fotos e gravador (ou um telefone com as duas funções).

4. Teremos quitutes durante a manhã e a tarde, mas o almoço não está incluído.

 

Data: 14/06/2015
Horário: 10 às 19 h
Local: Casa Viva. Rua Pedro Taques, 129, São Paulo – SP
Inscrição: As vagas são limitadas, para se inscrever envie um e-mail para brasis@brasis.vc com o título Adentro e aguarde confirmação
Investimento: R$ 360,00
Para mais informações e sugestões: brasis@brasis.vc

Saiba + 

Adentro é uma plataforma de exercícios do NoBrasil + Brasis para quem quer viver conosco essa experiência de Olhar e Criar para o Brasil. Mayra Fonseca é Iniciadora do Brasis, Diane Lima faz o NoBrasil. Mayra é do Sertão de Guimarães Rosa e Diane nasceu na Chapada Diamantina. Uma tem raiz indígena, a outra veio de matriz africana. Mayra é mestre em Antropologia, apaixonada por regionalismo, e faz projetos de pesquisa comportamental e cultural há mais de doze anos. Diane é especialista em Arte e Contemporaneidades e desenha ideias, serviços, processos, produtos e experiências.

Pela trajetória de vida e pelas escolhas profissionais, elas se encontraram no mesmo caminho: em um Brasil que quer se conhecer, se valorizar e se fortalecer a partir do que somos; em um exercício que começa olhando para dentro.

Vamos caminhar juntos?

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Processo Criativo é espaço de poder: NoBrasil cria interlocução com instalação dos artistas Adler Murad e Paulo Scharlach na 2ª edição da LA DOB

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Com curadoria de Camilla D’Anunziata projeto da Red Studios que reúne expressões de um Brasil contemporâneo trará ainda a participação dos artistas Moisés Patrício, Karlla Girotto e Tarcisio Almeida, além de performances, palestras e vivências artísticas.

 

“Não há imagens como representações visuais que não tenham surgido na mente daqueles que as produziram, do mesmo modo que não há imagens mentais que não tenham alguma origem no mundo concreto dos objetos visuais”. Lucia Santaella.

 

Representatividade, o labor, a pesquisa, a capacidade de sonhar e projetar. As redes, os atravessamentos, a memória do corpo, a construção de novas narrativas e o desenhar da liberdade que usa de um olhar sobre a diversidade como tecnologias de empoderamento. O material e o imaterial, a produção de significados simbólicos e a responsabilidade dos agentes criativos no trânsito de in-formar o mundo são algumas das questões por trás da discussão  Processo Criativo é Espaço de Poder- Vamos Ocupá-lo, movimento que o NoBrasil lança para discutir e tencionar em diferentes ações e atividades, a importância do processo de criação como um lugar de decisão e escolha e por assim dizer,  a necessidade de uma tomada de consciência em ocupá-lo.

E como parte dessa primeira discussão, convidamos vocês para se juntar conosco na Red Studios, no próximo sábado dia 23 de maio na 2ª edição da LA DOB, em que faremos uma interlocução com a instalação Juventude de Ouro dos artistas Adler Murad e Paulo Scharlach.   Na ação que traz ainda a colaboração do artista-pesquisador Tarcisio Almeida, eles propõem uma reflexão tendo como objeto um álbum de figurinhas chamado Almanaque da Juventude de Ouro publicado em 1958 e encontrado numa caçamba de lixo em 2012, momento que desde então passaram a criar uma série de desdobramentos críticos através de ações, encontros, instalações site-specific e intervenções que buscam, ampliar os espaços de inquietação que o material promove acerca da perspectiva civilizatória e determinista da formação dos grupos sociais e da miscigenação das comunidades. Através desses experimentos, tensionam relações que extrapolam as perspectivas políticas e sócio-históricas para voltar-se a formação de espaços onde a multiplicidade e a formação de singularidades ganha força de contaminação e ressonância.

Além do nosso encontro que será ministrado pela diretora criativa do NoBrasil Diane Lima e vai contar ainda a participação da antropóloga carioca Carolina Delgado, um programação completa preenche os dois de atividade com curadoria de Camilla D’Anunziata. Para quem não se lembra, A LA DOB é a plataforma da RED Studios criada para ajudar a descobrir, reunir e construir um cenário de expressões artísticas brasileiras de forma multidisciplinar. Trazendo como tema desta edição o mote ME CONTA SUA HISTÓRIA? terá expressões como dança, música, performance, palestras e intervenções em artes visuais e design, em um ambiente vivo e inspirador que trará nomes como Moisés Patrício, Andrea Bandoni, Karlla Girotto, Rodrigo Kenan dentre mais um monte de gente legal entre elas a esperada performance de Wagner Leite Vianna e Janaina Barros “Eu que sou exótica recortaria um pedaço do céu para fazer um vestido”, ação que se dá a partir da citação da escritora negra brasileira Carolina Maria de Jesus em sua narrativa autobiográfica Quarto de despejo publicada em 1960.

Programação imperdível para o final de semana em um dos melhores espaços de São Paulo.

Dá uma olhada, vê o que te interessa e nos vemos lá. É gratuito.

Mais infos aqui

LA DOB – Explorações Brasileiras
Sábado e Domingo
Data: 23 e 24 de maio de 2015
Horário: 10h30 as 21h

Coquetel de abertura para convidados:
22 de maio de 2015
18h as 22h

Endereço: Rua Professor Nova Gomes, 228 – Vila Madalena
Apoio: Busca Vida e Âgua de coco Amazônia

Contato: redstudios@diald.com.br

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