Category: Memória

Brincando com a diversidade

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Com bonecas de todas as etnias e com necessidades especiais, elas derrubaram a ditadura do “tudo o que você quer ser”.

Foi de um sonho de criança que nasceu a ideia de criar bonecas da diversidade. Estimuladas na infância pela avó Maria Francisca, as irmãs Venâncio que não se conformavam em não ter bonecas negras para brincar, cresceram e colocaram em prática o desejo de milhares de outros pequeninos.

Não sei quantas de vocês entre Barbie’s, Patinadoras e Susi’s, tiveram a experiência de quando pequenas não se enxergarem nas bonecas das prateleiras nem com todas as outras que sempre apareciam mas, lembro como hoje que quando vi pela primeira vez uma boneca negra e logo depois uma Pocahontas (quem lembra???), foi como descobrir um novo mundo: era possível interagir com aquele objeto de adoração e que representava “tudo o que você quer ser” em imagem e semelhança ou ao menos, sem uma diferença tão discrepante.

E são essas descobertas na promoção de valores como respeito as diferenças, combate ao preconceito e auto-estima que estão por trás desses 10 anos da militância lúdica de Joyce, Lucia e Cristina.  Com a loja Preta Pretinha situada na Vila Madalena, as irmãs vem alavancando uma grande discussão sobre a importância dos brinquedos educativos durante o crescimento da criança na fase da assimilação e identificação, o que tornou a sede ponto de encontro não somente de turistas e compradores mas também de educadores, psicólogos, fonoaudiólogos e juízes da vara da família que utilizam do brinquedo como recurso para socialização. Daí surgiu o Instituto Preta Pretinha onde dão palestras, aulas e realizam uma série de iniciativas sócio-educativas.

A coleção que começou com bonecos negros e orientais hoje abraça todas as etnias além de portadores de necessidades especiais. Bonecas que brincam com a diversidade promovendo com seriedade inclusão social.  As irmãs Venâncio são sem dúvida, exemplo de vida, empreendedorismo e do papel da mulher na busca por modelos de negócios que geram renda ao passo que impactam positivamente a sociedade . Deixamos aqui NoBrasil nesse 25 de Julho, a nossa homenagem.

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Se você tivesse a oportunidade de enviar uma mensagem inspiradora para uma mulher em todo o mundo, qual ela seria?

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Esta é a pergunta que faz o Project Tribe (Projeto Tribo) a todas as mulheres conectadas ao redor do mundo.

Esta é a pergunta que faz o Project Tribe (Projeto Tribo) a todas as mulheres conectadas ao redor do mundo e interessadas em participar de um movimento que tem como principal objetivo, expressar singularidades, incentivar o senso de comunidade e cuidar uma das outras. Totalmente inserido no universo da internet e das redes sociais, a participação é simples e rápida: enviando seus dados através de um email e recebendo um adesivo com o recado “Sua Coroa Inspira”, mulheres que assumem posturas de rainhas, guerreiras e heroínas mandam de volta fotos usando coroas (turbantes) juntamente com mensagens de luz, positividade e histórias inspiradoras numa mobilização que vem ganhando adeptas no mundo todo.

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Criado pela carioca Luna e a americana Vanessa que se conheceram pelo Instagram,  a ideia surgiu através de um processo de auto-conhecimento das duas em direção a construção de uma tríade onde espiritualidade, estética e política caminham juntas. NoBrasil conversou por dois dias com Luna que depois de 05 anos em Nova York está de volta ao Rio de Janeiro onde além de buscar fortalecer o projeto localmente, trabalha como coordenadora de relações internacionais do Eixo Rio, um instituto de arte e cultura:  “o Project Tribe propõe ações afirmativas para empoderamento da mulher, pregando o espírito de liberdade e expressão. O turbante é mais que um acessório, é um elemento que nos conecta com o que há de mais profundo e poderoso da energia existente em cada uma de nós, resgatando a nossa realeza e a nossa essência”.

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E uma das primeiras coisas que percebemos quando passamos a ir fundo no @projecttribe é que se trata de uma ideia que tenta alavancar globalmente um sentimento de irmandade entre mulheres que já vêm cultivando individualmente em seus países, cidades e grupos, um retorno à ancestralidade e o interesse em celebrar a diáspora da cultura negra contemporânea. Por mais que o projeto traga uma perspectiva inclusiva ao redor de todas as etnias, a imagem expressa pelas líderes que evocam estampas, partidos, tecidos e cores de suas origens afro-americanas, transformaram-se em referência de beleza e de auto-afirmação espontânea da estética negra, independente da origem racial e geográfica de cada seguidora. Aqui NoBrasil cidades como Salvador já lideram há décadas um processo semelhante. Com a militância de pais e das gerações anteriores que desbravaram as adversidades sobretudo no quesito social, uma nova geração com maior acesso a educação e a tecnologia vem conseguindo ganhar espaço no mercado criativo e expressar suas individualidades a exemplo o projeto Turbante-se da designer e pesquisadora Thais Muniz que nos próximos dias, conheceremos por aqui. 

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Luna que se considera cidadã do mundo, diz também ter desenvolvido desde muito cedo sua consciência racial ao ter tido a oportunidade de viver diferentes experiências culturais: “aprendi a fazer turbantes quando morei com uma família de nigerianos e na Bolívia ainda na escola, todos os outros me beliscavam porque era tão raro ver um negro por perto que beliscar um de nós era considerado sorte.” O projeto que em pouco tempo já reúne mais de 7000 seguidoras no Instagram, agora pretende ganhar mais fôlego no Brasil. Dentre os objetivos das duas está a construção de uma rede global para conectar parcerias e alavancar possíveis oportunidades de negócios entre empreendimentos criativos, além de promover conexões Brasil X Mundo. Para isso, muito em breve todas as páginas das redes sociais do projeto estarão disponíveis também em português.

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Durante a conversa com Luna, uma coisa ficou muito clara: estávamos alí colocando em prática exatamente a filosofia do Project Tribe, desculpa para conectar, fortalecer, compartilhar e empoderar “gente como a gente”. Mulheres que vem tentando enfrentar o nosso grande desafio nesses novos tempos: equilibrar beleza, espiritualidade e trabalho. Vida longa a nossa tribo.

 http://www.projecttribe.org

@projecttribe 

 

 

 

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Gente como a gente

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Através de retratos de páginas policiais, Éder Oliveira devolve em forma de arte o que fomos treinados a temer.

Se tem uma frase que resume de forma brilhante como pensamos aqui NoBrasil é a expressão gente como a gente.  Na verdade tem três coisas que já sabemos sobre nós: a primeira é que estamos muito pouco interessados em saber o que somos, afinal, quem ousaria definir uma nação onde tudo é exceção? A segunda é que não é nosso objetivo falar sobre o Brasil mas, simplesmente, vivê-lo. E a terceira e última, é que nascemos para contar as experiências dessas pessoas que chamamos “gente como a gente” ou ouvir aquelas que tenham alguma coisa muito boa para falar sobre outras: sem estereótipos, sem rótulos e sem julgamentos. Histórias de um outro Brasil, aquele que só acontece e se reinventa nas ruas, feito por pessoas reais, despido, nu, cru e profundo. Por isso sempre dizemos a você: Vá Fundo.

E foi nesse caminho em busca das mentes criativas mais inquietantes e prestes a explodir, que tivemos a felicidade de topar com o trabalho de Éder Oliveira. E se você quer saber, na nossa humilde opinião, uma das melhores coisas que vimos nos últimos tempos. Se imagem não basta, explicamos o encanto. A primeira resposta que tivemos dele quando perguntamos como havia surgido o seu trabalho foi tão simples, quanto o objetivo da sua arte: da necessidade de falar de pessoas comuns.

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Do Pará, de um vilarejo chamado Timboteua, Éder é um desses que vem olhando para  esse Brasil que ninguém olha e que muitos, fazem questão de esquecer.  As faces que espalha em suas intervenções muro a fora, nada mais são que fotos estampadas em páginas policiais de jornais de Belém, minuciosamente ressignificadas em retratos pictóricos. O contraponto entre a técnica, símbolo de status social e a imagem reconhecidamente entranhada enquanto marginal, é o que ele chama de uma espécie de devolução, onde entrega de volta a sociedade em forma de arte, aquilo que originalmente fomos treinados a temer. E é herança de um daltonismo a sua cartela de cores. Sim, Éder é daltônico e  passou a vida errando os tons e não vendo manchas até alinhar técnica e sua reduzida paleta, à imagem de um grupo étnico que tem sua sentença social declarada nas páginas criminais. Deles saltam variações de marrom encarnadas na realidade amazônica do mestiço à uma evolução para uma vibrante cartela monocromática, de azuis, verdes e vermelhos. Em tempos de tamanho conceitualismo e subjetividade na arte contemporânea, a força das expressões dos personagens com seus perfis redimensionados, junto ao tradicionalismo da pintura e a objetividade da proposta reafirmam a beleza que existe no originalmente simples. Seus muros que espantam e devoram pelo realismo e verdade dos olhos que pinta, nos fazem refletir ainda sobre como as diferenças sociais desse país estão totalmente entrelaçados a cor da pele. Se sua única pretensão  era provar que as deficiências não são dos tons marrons e sim de quem os vê, missão cumprida. Muitos devem estar espantados com a diversidade dos tons vibrantes que conseguiu.

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Conheça + Éder Oliveira no https://www.facebook.com/eder.artes ou na 31* Bienal de Arte de São Paulo.

 

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Ocupando para não desocupar

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Com a presença da sua pessoa e com boas imagens, NoBrasil convida a todos para ir ocupando para não desocupar. Não pisque os olhos com Fábio Abu-Chacra.

 

“Tudo parecia tenso, as pessoas talvez abatidas mas ninguém parou de trabalhar”.

NoBrasil esteve nos Arcos da Montanha e convidou o fotógrafo Fábio Abu-Chacra,  para registrar as primeiras impressões passadas quase às 72 horas em direção ao prazo final dado pela Sucom para desocupação das oficinas de ferreiros de santo, serralheiros e marmoristas do local. Se para muitos a imagem daqueles homens soam apenas como paisagens de um universo distante, para algumas famílias, é muitas vezes a principal fonte de renda, motivo pelo qual com ou sem mandado, a produção não pôde parar.  Abu, que é um dos nomes mais representativos da sua geração, é daqueles que se rala, se joga e se bate por uma boa foto. Talvez o jeito que encontrou para representar a essência das coisas característica presente no premiado Dança de Bola, ensaio que certamente mostraremos aqui mais pra frente. Indicado a salões e com experiência na publicidade entre Salvador e Rio de Janeiro, é um daqueles visivelmente alheios a títulos e sem nenhuma vocação para o inflamar dos egos. Para a gente, a receita perfeita para quem está em busca desse não Brasil. E foi com essa simplicidade, que ele conseguiu registrar as últimas horas oficiais de alguns dessas pessoas por lá. Últimas não para Carlos Alberto de Oliveira, militante que engajado em causas sociais está organizando uma manifestação através de um evento no Facebook na frente do prédio do IPHAN, dia 21 de julho, às 14 horas no bairro da Barroquinha. Com a presença da sua pessoa e com boas imagens, NoBrasil convida a todos para ir ocupando para não desocupar.

Não pisque os olhos, NoBrasil.co 

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Aqui é tudo na base da porrada

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Em momentos de ruptura, de quebras e porradas, toda a poesia documentada é bem-vinda.

“Aqui não tem moleza não, aqui é tudo na base da porrada” foi o “dizer” que o ferreiro Zé Diabo disparou para o holandês Mattijs Van de Port  em uma das suas idas a oficina nos Arcos da Montanha em Salvador. Foi também a frase que para ele, virou lema sobre o que é viver na cidade e pra gente aqui NoBrasil, as palavras que melhor resumem nossos questionamentos sobre a denúncia de despejo dos ferreiros dos arcos feita pelo antropólogo, e a consequente falta de resposta por parte de todos os órgãos envolvidos. Mattijs que conheceu Zé Diabo há mais de 10 anos atrás quando carregou consigo para Amsterdam uma Padilha feita pelo mestre, acabou adiantando o lançamento de um material ainda não finalizado,  para reforçar que “na Ladeira da Conceição  já existem sim artistas em residência e que por isso lá devem ficar”. O vídeo, um registro sensível de como se compõe o universo, o tempo e a áurea desse ambiente centenário,  mostra a confecção de uma ferramenta de Exú, aquele que é ” o mensageiro do Orixá e o que abre os caminhos”. Em momentos de ruptura, de quebras e porradas, toda a poesia documentada é bem-vinda. 

Ze Adario - Foto Adenor Gondim

Foto: Adenor Gondim

http://www.mattijsvandeport.eu

 

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Os Ferreiros de Santo serão despejados em 72h dos Arcos da Montanha em Salvador. O que você vai fazer?

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A mensagem na carta entregue ontem a artesãos como José Adário dava um prazo de 72 horas para desocupar as oficinas. Que a prática-afetiva entre deuses, homens e coisas, não se separem.

Ontem começamos a produzir e organizar pesquisas, entrevistas e fotos para as nossas próximas histórias: falar sobre a criatividade que pulsa na cultura afro-brasileira. Desde sempre,  dar luz a todas as manifestações, trânsitos e expressões da cultura negra foi uma das principais motivações que fizeram com que o NoBrasil hoje tomasse corpo, alma e existisse. No entanto, tivemos que começar de um outro jeito. De ontem para hoje mudamos a ordem de tudo para tratarmos de uma denúncia que nos deparamos nas redes sociais. Trata-se de uma carta de ação de despejo para Ferreiros de Santo que há anos, tem suas oficinas situadas nos Arcos da Montanha, na ladeira histórica que liga a cidade alta  a cidade baixa em Salvador, importante marco na capital baiana.

13Foto: Lucas Marques

A denúncia veio através de um grupo de artistas, pesquisadores e moradores da região, um deles o holandês Mattijs Van de Port que nos últimos meses, vem  gravando um documentário que fala sobre a Arte da Ferramentaria de Santo na Bahia.  As ferramentas são os objetos usados nas cerimônias do culto ao Candomblé e quem em Salvador tem um dos seus mais ilustres representantes o José Adário dos Santos ou Zé Diabo. Zé é um dos que há mais de décadas se encontra nos Arcos da Montanha, contribuindo para que ao longo dos tempos, a região ficasse conhecida por produzir os objetos metálicos capazes de promover as relações entre o humano e o sagrado.  Tendo cada entidade o artefato que o acompanha e manifesta, a ferramenta é o objeto que possibilita que a energia do Axé aconteça como explica o estudo Forjando Orixás do pesquisador Lucas Marques: “é como se cada orixá pedisse um certo tipo de relação específica, materializando-se, através do sonho, do jogo ou da relação estabelecida com o adepto, primeiro no desenho e, depois, no ferro. Na maior parte das vezes, essa materialização é intermediada em todas as etapas pelo próprio ferreiro. Quando chega alguém na oficina e diz que precisa de uma ferramenta, Zé rapidamente pega um pedaço de papel e uma caneta e, a partir de perguntas sobre o orixá e a qualidade da pessoa, começa a colocar no papel o modo como este orixá se materializará no ferro, pensando a partir das categorias que são colocadas pelo próprio orixá. ”  Segundo Adenor Gondim na legenda de um ensaio que realizou com Zé do Diabo “todas as pessoas iniciadas no Candomblé, a depender do Orixá, necessita do ferro para assentamento. A maioria dos iniciados na Bahia alguns do Rio, São Paulo e outros estados procuram o Zé Adário para fazer o Ferro do Orixá.  Zé é uma Lenda dos Ferros de Orixá da Bahia”.

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Fotos acima do pesquisador Lucas Marques

A mensagem na carta entregue a artesãos como José Adário dava um prazo de 72 horas para desocupar as oficinas e é parte do programa PAC Cidades Históricas que segundo informações do blog Iphan Bahia, trata-se de “Projeto Executivo de Arquitetura, Restauração e Adaptação dos imóveis localizados nos Arcos da Ladeira da Montanha, visando a implantação de residência artística” . De acordo ainda com  informações que colhemos de outras pessoas já mobilizadas nas redes sociais, a carta não continha nenhuma indicação de realojamento provisório, indenização ou sequer um telefone. Ainda segundo o pesquisador Lucas Marques que vem dedicando seus estudos a ferramentaria de orixá na Bahia e é também o autor das fotos que estamos mostrando aqui, os filhos do Zé Adário confirmaram por telefone que o comunicado havia sido uma surpresa. Tentamos entrar em contato com o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional através do email destinado a Assessoria de Imprensa mas, até o momento em que esse texto foi publicado, não tivemos uma posição e um retorno sobre a situação no local.

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Fotos acima de Lucas Marques em sua pesquisa Forjando Orixás – Técnicas e Objetos na Ferramentaria de Santo da Bahia

Enquanto as respostas não chegam, deixamos aqui registrado os nossos primeiros questionamentos: para além da agravante problemática acerca do patrimônio material e das mudanças que essa desocupação vai gerar no planejamento financeiro dessas  pessoas, qual será o impacto imaterial que a ruptura de uma tradição, feita a esses moldes, irá acarretar?  Qual tipo de amparo, como se deu o diálogo e qual o suporte planejado entre SUCOM (Superintendência de Controle e Ordenamento do Solo), IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ) e SECULT (Secretaria de Cultura do Estado da Bahia) na gestão desse conflito? Para onde vão Zé Diabo e todos os outros e qual a preocupação real do município e estado com uma atividade imprescindível para a manutenção dos cultos aos Orixás e Inquices das religiões de matrizes africanas na Bahia?

 A ação põe ainda em risco a possibilidade de fragilização e até mesmo de extinção de um técnica e processo criativo centenária, que através da oralidade vem ensinando quem somos e para onde vamos.  Embates que cada dia mais invadem nossas timelines nos fazendo conhecer e temer termos como gentrificação, aculturação e especulação.  São essas as primeiras perguntas que fazemos e aguardamos respostas nessas 24 horas de um total de 72 que iremos cobrar e acompanhar. Que a prática-afetiva entre deuses, homens e coisas, não se separem. 

Agradecemos a Lucas Marques, Lisa Earl Castilho e Mattijs Van de Port pelo engajamento e colaboração.

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Estilo 100 Querer

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Skate, samba e futebol. Registramos o estilo de quem passou pelo jogo 100 Querer X Nove de Jullho. Saca só.

Skate, samba e futebol. Perguntamos ao Zangão o que tinha a ver uma coisa com a outra e a resposta foi Comunidade. Ex-skatista profissional, cenógrafo e mente-borbulhante-faz-de-tudo é também conhecido como o filho da Dn. Zelda, a que ia escondida dos pais aos 17 anos para ver o 100 Querer jogar. Nesse encontro de estilos e gerações é difícil saber quem nasceu primeiro: o Zangão ou a participação do xequerê do Seu Pedrão nas rodas de samba que acontece a cada início e fim de partida. De um jeito ou de outro, registramos o estilo de quem passou por lá. Saca só.

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São Paulo, anos 90, dureza

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Nas fotos antigas, muitos já se foram, outros tantos, circulam com a liberdade reconquistada depois de anos.

São Paulo, anos 90, dureza, outros tempos. Nas fotos antigas, muitos já se foram, outros tantos, circulam com a liberdade reconquistada depois de alguns bons anos. Por isso, no último jogo, momento histórico: passados exatos 17 anos, muita gente se encontrando em campo para celebrar na partida 100 Querer X Nove de Julho, os 60 anos de total respeito ao time da Casa Verde. Nessa disputa debaixo de chuva e frio, o 100 Querer levou a melhor terminando o jogo com o placar de 2 X 1.
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E foi na ida até a Cruz da Esperança que conhecemos a história da Dn. Maria do Socorro e do seu neto, Vinícius. Ela mãe do Oberdan, um dos mais promissores jogadores brasileiros e ele, filho, que perdeu o pai quando tinha apenas 11 anos de idade. De volta da Áustria em 2006 por onde jogou, morreu logo após uma partida em que defendia a camisa do 100 Querer: “foi numa padaria, começou um tiroteio, um pessoal entrou procurando um outro rapaz e a única coisa errada que meu filho fez foi correr para o lado errado” relatou já com lágrimas nos olhos Dn. Maria do Socorro. O que nos surpreendeu nessa história é que apesar de ter perdido um filho com três  tiros nessas circunstâncias, Dn. Maria do Socorro não deixou de amar o futebol. É uma das principais incentivadoras do Vinícius e também do Wesley, seu outro neto e também jogador: “quero que eles consigam e nos dê essa alegria. Vivo ligando para um e outro para que olhe para os meus netos.”  Vinícius hoje com 19 anos é meio-campo e estava alojado na Portuguesa: “jogar futebol no profissional é meu sonho mas enquanto não aparece nenhuma oportunidade, tenho que trabalhar para ajudar a família né, não dá pra ficar parado esperando“.
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Vinícius sem dúvida é um fiel representante de centenas de meninos, que como ele, sonham com a carreira de jogador profissional. Também, é um dos exemplos vivos de como é difícil  equilibrar as dificuldades financeiras da família com os primeiros passos na carreira em direção a realização de um sonho. Para além de toda a instituição criado ao redor do esporte, revela como é genuíno o amor pela bola, pelo drible e pelo campo e quantos talentos perdemos em sábados de pelada nas várzeas e campinhos de todo o Brasil: “Torço para que o 100 Querer dispute a Copa Kaiser, que é um campeonato grande e tem muitos olheiros. O Elias mesmo, volante do Corinthians, foi descoberto lá”.   
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Em meio a  conversa com a Dn. Maria do Socorro, percebi que era a hora de parar. Na beira do campo, Sem Querer disputando, as lembranças feriam, machucavam: “todo mundo diz que se meu filho tivesse vivo, não tinha pra ninguém. Se o 100 Querer tem histórias tristes, a minha é uma delas”. Abraçando-a, conformei suas lágrimas apesar de saber que nada naquele momento era capaz de mudar o rumo da história: “Se sem querer levaram a vida do seu filho, que seja também 100 Querer o motivo de suas próximas alegrias”. E que assim seja.
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Humildade, Dignidade e Amizade

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Nessa primeira partida a nossa primeira lição: sem respeito você não pode fazer parte da nossa comunidade.

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Dizem que as melhores paixões começam assim, 100 Querer. Por isso elegemos uma história de 40 anos de muita Humildade, Dignidade e Amizade para começar o NoBrasil também.  Jogando sem campo, da Vila Ida, para todas as quebradas de São Paulo, conversamos com gente que faz da camisa preta e branca do 100 Querer sua segunda pele carregando nela uma trajetória de altos e baixos repleta de muito samba e felicidade mas, também, de muitas tretas. O ponto de partida? Padaria Milagrosa, esquina abençoada e parada obrigatória que recebe em clima de família antes de cada jogo torcedores, fanáticos e  a velha e nova guarda do samba.  Tudo na maior tranquilidade. E foi nesse primeiro encontro também que nos deparamos o quanto orgânico se organiza e se conecta as mais diversas expressões da cultura de rua de São Paulo. Esporte, música, arte, personalidades e estilo. Manifestações não televisionadas de uma verdade criativa em sua forma mais pura e autêntica. Sem julgamentos, sem arranjos ou preconceitos.

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Em meio a molecada correndo,  uma roda de samba animava a varanda dividindo atenção entre seus filhos mais ilustres: o que criou a primeira camisa, a que fugia de casa para ver uma partida, o que carrega um xequerê há 40 an0s, a que perdeu seu filho…..  Dona Maria do Socorro, Seu Pedrão,  Dona Zélia e todos os outros, são parte de uma história em que tudo na vida parece ser um grande 100 Querer ou uma comunidade, uma família.

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Chegada a hora do jogo, fomos tomados de assalto com arrancadas de motores e barulhos de buzina. Carros saiam em comboio deixando aparentemente para trás os desavisados. Os que foram, foram mas os que ficaram, pararam tudo, desligaram os carros e esbravejando indignação só seguiram viagem depois que ficou tudo como era antes: “vai deixar os irmão pra trás? Tem senhora, tem criança, dá meia volta aí mano”. Aperta aqui, aperta lá e embarcamos em 7 e uma câmera num Fiat Uno 2000.

100 Querer é igual a coração de mãe: se tem respeito, sempre cabe mais um.

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