Category: Expressão

Assista ao 4° episódio da série AfroTranscendence com Mãe Beth de Oxum

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Nesse quarto episódio da nossa série, a ativista, comunicadora e embaixadora das matrizes africanas Mãe Beth de Oxum, fala sobre comunicação, tecnologia e o papel da criação de novas mídias como ferramenta para ressignificar e dar visibilidade as culturas dos povos negros e indígenas.

 

“A gente não separa festa de militância, hoje a gente tem uma comunicação que pauta o estado e que não é pautada em lugar nenhum. Eu acho que a comunicação hoje é um gargalo no país e os povos tradicionais precisam da sua comunicação! A gente precisa rackear, criar as nossas rádios, criar nossas tv’s. Se a comunicação do país está vendida para meia dúzia de famílias, o povo tem que virar esse jogo! Temos que criar uma comunicação para mostrar o povo preto, o povo indígena e mostrar inclusive os arranjos produtivos locais que tem sido feito nas periferias, mostrar que o nosso jovem tem um potencial grandioso! A gente tem que ter mídia pra trazer axé, não esse sentido comercial, capitalista, nocivo que está aí, mas um sentido que nos dê condição da gente andar nessa terra valorizando ela, porque sem terra, sem comunicação e sem água, não tem sentido a nossa vida.”

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Iyalorixá do Ilê Axé Oxum Karê, musicista, cantora, compositora, com vasta experiência no segmento de cultura popular, Mãe Beth de Oxum é um símbolo da cultura pernambucana e difusora do Coco de Umbigada, uma manifestação cultural que veio do século passado com os seus avós. Como líder, vem defendendo a importância da tecnologia à serviço da cultura de matriz africana, o que levou-a a criar à frente do ponto de cultura Coco da Umbigada, uma rádio, programas para a TV, web além do jogo Contos de Ifá, desenvolvido em uma licença livre com o objetivo de contar a história dos Orixás.

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“O Brasil é um país que assassina muitas mulheres, assassina muitos jovens, aí tá o extermínio da juventude negra! 50 mil jovens mortos e a sociedade não se indigna com isso. A gente vive num país que fala de guerra o tempo todo, na Síria, no Egito e tal, e a guerra aqui contra o jovem negro que é morto todo dia pelo simples fato de ser pobre e preto? Então a gente precisa de políticas públicas,  a gente precisa de comunicação, de rádio, de tv pra desmascarar essa realidade. Porque não é interessante mostrar a força e a cultura que esses territórios negros tem? “

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Dirigida por Yasmin Thayná e escrita por Diane Lima, a série será lançada quinzenalmente e você pode acompanhar aqui, nos canais do NoBrasil. Para ver todos os episódio, é só clicar nas miniaturas abaixo e ir fundo.

Websérie AfroTranscendence

Dirigido por Yasmin Thayná
Escrito por Diane Lima
Produção: Hanayrá Negreiros
Direção de fotografia: Raphael Medeiros
Som: Avelino Regicida
Montagem: Renato Vallone
Still: Alile Dara Onawale

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NoBrasil lança Editoria Compartilhada e convoca novxs editorxs para a plataforma.

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A chamada fica aberta até dia 30 de junho e xs candidatxs precisam propor conteúdos especiais que pensem práticas criativas como ferramenta de construção social e política trazendo um olhar sobre a diversidade.

A Editoria Compartilhada é a nova forma de produção de conteúdo do NoBrasil. A ideia é que mensalmente, uma nova editora ou editor de qualquer canto do Brasil, ocupe a nossa editoria trazendo outros pontos de vista e uma nova discussão que reflita temas e assuntos que costumamos discutir, celebrar ou intervir aqui na plataforma. Nessa primeira edição, a inspiração reflete o que é o NoBrasil e tem como eixo principal Por Uma Política da Diversidade.  A partir dessa provocação, os editores e editoras estão sendo convidados a pensar especiais que tragam a ideia de práticas criativas como dispositivos de criação social e política, que estejam promovendo transformações e promovendo micro-revoluções no seu fazer.

Para a diretora criativa do NoBrasil Diane Lima, a vontade de pensar um novo formato surgiu desde o ano passado quando veio o questionamento sobre qual seria o futuro da produção de conteúdo na internet: “o NoBrasil começou no online contando as histórias de pessoas que estavam transformando o país através da criatividade com um olhar sobre a diversidade. Com a nossa vontade de ir para o offline a fim de promover encontros e abrir novos canais de discussão, começamos a questionar também a velocidade da produção de conteúdo na rede e qual era a nossa função em meio a tudo isso. E daí que chegamos em uma reflexão-solução: não mais a plataforma criando um olhar sobre o outro, mas o outro assumindo um lugar de fala, trazendo suas questões, suas pesquisas e criando novos pontos de vista através de especiais mensais que abordem temas que acreditamos ser necessário discutir. Como recebemos muita solicitação de pessoas do Brasil inteiro querendo colaborar, resolvemos abrir o espaço e descentralizar para que o outro seja o editor-curador e construa ele ou ela mesmx, a sua própria narrativa.”

NoBrasil + Tecnologia

Como a tecnologia pode ser útil na criação, registro e descentralização das informações? Quais são os assuntos que merecem a atenção de todxs nós e o nosso compartilhamento? Quais são essas outras vozes, outras narrativas e o que elas gostariam de compartilhar? A Editoria Compartilhada – Por Uma Política de Diversidade é uma iniciativa do NoBrasil em colaboração com a Apple. Cada editora ou editor irá ganhar um Iphone para ser usado como ferramenta de criação no momento de tirar fotos, fazer vídeos, registrar ideias e usar as redes sociais. A iniciativa foi feita com a participação da Juliana Luna, parceira em diferentes projetos do NoBrasil.

Para saber mais consulte o Regulamento e os Termos e Condições disponíveis em nossa Ficha de Inscrição.

Como funciona

Na Editoria compartilhada você é a editora ou editor. Inscreva-se!

Para participar é muito simples. Basta se inscrever aqui nesse link até o dia 30 de junho e enviar as informações que vão selecionar até seis novxs editorxs que irão ocupar a plataforma de julho a dezembro de 2016. Cada editor ou editora irá criar 4 matérias, 1 por semana trazendo um tema central que seja um cruzamento entre a ideia de pensar práticas criativas que atuem como ferramenta social e política trazendo um olhar sobre a diversidade. Na ficha de inscrição, cada candidatx irá propor um conteúdo especial, dizendo o porque da importância da discussão, apresentando uma breve descrição do que irá ser tratado em cada matéria semanal além de um breve resumo pessoal-profissional. Podem se inscrever pessoas de todo o Brasil e não há nenhuma exigência ou limitação para participar. A única coisa que desejamos é que a pessoa tenha uma boa ideia, traga o seu ponto de vista, tenha uma boa escrita e conhecimento da causa para que seja ela a protagonista da fala.

Compartilhe, indique um amigo ou uma amiga e inscreva-se!

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Paulo Nazareth no 3° episódio da série AfroTranscendence

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Nesse terceiro episódio da nossa série, o artista Paulo Nazareth fala sobre deslocamentos, geopolítica, movimentos migratórios e revela o porque a sua identidade caminha junto ao seu corpo.

Mineiro, Paulo Nazareth é um dos principais artistas brasileiros contemporâneos. Fazendo do seu comportamento uma arte de conduta e do seu caminho perfomance, coloca a presença do seu corpo no mundo como um dispositivo intensivo para discutir os limites entre centro e periferia, estratificação social e relações raciais. Questionando ainda os valores do mercado da arte através do discurso racial e dos resíduos que as suas movimentações migratórias geram, desestabiliza e detona as estruturas e o olhar do outro deixando sempre um rastro de provocação. Nesse momento no continente africano participando da exposição Travessias na Bienal de Dakar no Senegal junto com outros nomes que passaram e passarão pela nossa série como os artistas Daniel Lima e Moisés Patrício, Paulo é o terceiro convidado da série AfroTranscendence, material audio-visual que vem para compartilhar a experiência de aprendizado coletivo do programa de imersão em processos criativos AfroTranscendence, que aconteceu em outubro de 2015 no Red Bull Station, em São Paulo.

“O poder caminhar, o poder andar é muito forte. É um poder. Porque quando eu encontro com os Kaiowas, com os Guaranis, para eles não existiam fronteiras entre Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, não existia onde marcava, todos podiam transitar. Depois da criação dos estados, isso dificulta o deslocamento, cria ou se deseja criar uma identidade que não pertence a eles. Essas fronteiras são todas novas e são todas artificiais, na real não existem, elas são todas impostas. Onde está a fronteira realmente?”
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Dirigida por Yasmin Thayná e escrita por Diane Lima, a série será lançada quinzenalmente e você pode acompanhar aqui, nos canais do NoBrasil. Para ver todos os episódio, é só clicar nas miniaturas abaixo e ir fundo.

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Websérie AfroTranscendence:

Dirigida por Yasmin Thayná
Escrita por Diane Lima
Produção: Hanayrá Negreiros
Direção de fotografia: Raphael Medeiros
Som: Avelino Regicida
Montagem: Renato Vallone
Still: Alile Dara Onawale

 

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Escravos de Jó + Receita para dar o troco + Quem ama a ama preta? no Ateliê397

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A artista Aline Mota convida Aryani Marciano, Janaína Barros e Wagner Leite Viana no encerramento da residência artística do Ateliê397 neste sábado na Vila Madalena.

Foto de capa de Aryani Marciano

Neste sábado 07 de maio acontece no Ateliê397  o encerramento da primeira edição do projeto Estamos (muito) abertos, uma imersão de dois meses na qual artistas selecionados numa chamada pública, estiveram envolvidos em seus processos mediados por acompanhamentos críticos, apresentação de portfólio e visitações públicas ocupando o galpão na Vila Madalena numa experiência híbrida de ateliê compartilhado e residência artística. Dentre os 86 inscritos (56 pré-selecionados) chegou-se aos 4 artistas residentes entre eles a artista Aline Mota,  que também foi uma das 20 participantes no AfroTranscendence 2015 e que vem desenvolvendo sua pesquisa em torno de temas como memória, identidade e novas formas de aprendizado coletivo. Para o encerramento do Estamos (muito) abertos, Aline apresenta Escravos de Jó,  um objeto de mediação em formato de publicação que abre diálogos construindo e desconstruindo novas narrativas a partir da cantiga Escravos de Jó: “uma experiência reveladora da potência existente no trabalho de um artista que se quer agente e que através do seu trabalho, nos possibilita uma conversa com um objeto que nos coloca a pensar jeitos outros de performar o conhecimento e descolonizar até aquilo que se molda de forma mais inocente e cristalizado nos arquivos da memória”, completa Diane Lima, curadora do AfroTranscendence que esteve presente em uma das sessões abertas  promovidas pela artista, na qual recebeu outros artistas e pensadores de diferentes linguagens para abrir um espaço de diálogo e colaboração com a obra.

Ampliando e criando outros agenciamentos, Escravos de Jó ganha ressonância com mais duas performances: Receita para dar o troco  dos artistas-pesquisadores Janaína Barros e Wagner Leite Viana e Quem ama a ama preta? de Aryani Marciano, também umas das participantes do AfroTranscendence 2015.  Em Receita para dar o troco, Janaina e Wagner também traçam um paralelo levantando a questão sobre a possibilidade de descolonizar o pensamento sobretudo através da palavra como local onde se instituem relações de poder: “Acrescentar sobre as fabulações em torno dos corpos e dos afetos. Para duvidar se os lugares das assimetrias ou das subalternidades estão dados previamente. Será servida uma fatia de bolo, interrogando o público para perceber como as trocas efetivam e instauram lugares de reinvenção.”

Já Aryani Marciano irá apresentar em Quem ama a ama preta? o que ela define como “um canto de Aryani Marciano e de mulheres pretas além dela, anteriores e contemporâneas”. Uma dose de blues, rap e maracatu sobre raça, gênero e seus reflexos nos relacionamentos amorosos em que a artista citando Grada Kilomba nos coloca a pensar sobre a boca, reflexão que nos conecta com o texto A Cura também inspirado na obra Plantation Memories da mesma autora e que pode ser visto-lido aqui:

“A boca é um órgão muito especial, ela simboliza a fala e anunciação. No âmbito do racismo ela se torna o órgão da opressão por excelência, pois é o órgão que denuncia as verdades desagradáveis e precisa, portanto, ser severamente confinada, controlada e colonizada”.

Três apresentações imperdíveis de quatro artistas que nos convidam a entrar com o corpo todo no corpo da obra abrindo uma janela sobre formas outras de criar memória e ver o mundo.

Nos vemos lá.

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A CURA

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O texto e a video-performance criada para a abertura dos Diálogos Ausentes no Itaú Cultural, fala sobre a curadoria como prática de invisibilização das práticas artísticos-culturais afro-brasileiras e como possibilidade de cura do nosso trauma colonial.

por Diane Lima 

A Cura é uma versão poética de um artigo em andamento parte da pesquisa que desenvolvo dentro do programa de mestrado de Comunicação e Semiótica na PUC-SP. O texto, que virou video-performance e foi produzido pela equipe de audio-visual do Itaú Cultural, transformou-se então em um convite à reflexão e uma ferramenta de mediação que vem para exercitar dispositivos outros que nos ajude na tarefa de criar-pensar-testar e potencializar, experiências de aprendizado coletivo. A princípio, uma tradução bruta, um se jogar no abismo, uma ponte tímida entre mundos que traz a epistemologia da palavra Cura em dois sentidos: cura, no sentido de curadoria e a curadoria como prática de invisibilização das práticas artísticos-culturais afro-brasileiras e curar como caminho de cura de um trauma colonial que surge no momento em que me autorizo curadora.

Dito isso, compartilho o texto e a video-performance que foi apresentada na abertura dos Diálogos Ausentes e que teve como primeira convidada a artista Rosana Paulino fazendo um panorama da presença negra nas artes visuais. A Cura em específico, está inserido dentro da gravação da palestra no minuto 12 mas vale a pena, muito a pena, assistir até o final.

 

A CURA

 

Como falar das ausências, se eu não podia falar?
Forças resistentes passeiam
Movimentam a boca
Boca, há muito controlada por ferro
Sou livre sem máscara
Vozes ecoam
Suspiro

 

Quem cura, cura o que?
Discurso.
Um genocídio da memória
Enuncio:
Onde está a cura para o meu trauma?
Quem, me invizibilza?
Sou parte de um projeto colonizador.
E por isso, parto de mim
Me desnudo.
Desenho a minha própria cor e forma.
Meu gesto, meu movimento
Reescrevo,
Me conto,
E curo o seu olhar sobre mim.

 

Nesses diálogos ausentes, sou presença
Fratura no que seu projeto criou
Desestabilizo e me experimento
Me lanço
Não espero mais pelo que não sou
Não sou mas o seus olhos em mim
Minha arte é da desconstrução
Afeto
Nesse espaço-tempo sou dispositivo
Crio uma contra-história
E falo a minha própria língua

 

É curando que eu me curo.

 

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Diálogos Ausentes no Itaú Cultural

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Nossa diretora criativa Diane Lima é a mediadora da série de encontros mensais sobre a obra e a presença de artistas negros em diferentes áreas de expressão. As inscrições para artistas visuais que querem apresentar seus trabalhos estão abertas. Participe!

 

Semana passada o Itaú Cultural lançou o Diálogos Ausentes, uma série de encontros que irão acontecer mensalmente e discute a obra e a presença de artistas negros em diferentes áreas de expressão. Começando pelas artes visuais, nossa diretora criativa Diane Lima que é a mediadora dos encontros, recebeu como primeira convidada a artista Rosana Paulino. Os debates seguem em maio e junho com mais dois artistas convidados e mais três selecionadxs pela convocatória que está com inscrições abertas e podem ser feitas até 24 de abril por artistas negros que trabalhem com temáticas ligadas à negritude. Serão seis sorteadxs (três se apresentarão em maio e três em junho), e cada um terá dez minutos para falar com a plateia do evento.

O evento segue para outra áreas, abordando  julho e setembro as artes cênicas e outubro e dezembro, o audiovisual.

Saiba + e inscreva-se clicando aqui.

 

c118215f8cRosana Paulino, As filhas de Eva, 2014.

 

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NoBrasil lança websérie AfroTranscendence

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Dirigida por Yasmin Thayná e escrita por Diane Lima, a série de 12 capítulos discute racismo, memória, práticas artísticas e a necessidade de produzirmos conhecimento como ato político.

 

” Porque eu escrevo?
Porque eu tenho que.
Porque minha voz, em todos os seus dialetos, tem estado em silêncio por muito tempo.”
Plantation Memories – Grada Kilomba.

 

Produzir e disseminar conhecimento. É com esse pensamento que a plataforma de pesquisa e curadoria NoBrasil, lança a websérie AfroTranscendence, material audio-visual que vem para compartilhar a experiência de educação e aprendizado coletivo do programa de imersão em processos criativos AfroTranscendence, que aconteceu em outubro de 2015 no Red Bull Station, em São Paulo.

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O projeto que reuniu durante três dias, 20 pessoas das mais diversas áreas de atuação de todos os cantos do Brasil para junto com 20 especialistas, dentre eles intelectuais, ativistas, agentes culturais e artistas, vivenciar uma experiência coletiva de aprendizado que incentivasse a ativação da nossa memória e permitisse a criação de novas narrativas e linguagens, agora lança a websérie feita com a participação de uma equipe que trabalhou toda ela de forma colaborativa.  Diane Lima, que escreveu a série e é também a idealizadora e curadora do projeto, diz que o conteúdo chega em um momento importante, quando a articulação em rede tem permitido trocas que criam novas estratégias de realização, criação e produção de conhecimento: “AfroTranscendence surge como uma resposta à supressão dos nossos valores e principalmente, como forma de nos reconectarmos para que em conjunto, possamos criar novas narrativas, escrever e ser sujeitos da nossa própria história. Esse passo só foi possível, graças a participação dessa equipe tão competente e apaixonada, que tem direção de Yasmin Thayná, produção de Hanayrá Negreiros, direção de fotografia de Raphael Medeiros, montagem de Renato Vallone, som do Avelino Regicida e still de Alile Dara Onawale. É ainda importante dizer que a feitura desse material me fez pensar como para nós ainda é difícil produzir conteúdo ainda que estejamos empenhados e interessados em fazer parte de projetos que falem sobre nós.  Vejo que escrever, dirigir e produzir foi então para nós um ato político: imagem em movimento que cria e ocupa espaços e nos traz outras possibilidades de aprendizado em resistência ao epistemicídio institucionalizado no seio da produção intelectual e educacional brasileira. Que ele seja compartilhado e chegue o mais longe possível, servindo como material de pesquisa em todo o Brasil”.

Assista em HD!

 

Yasmin Thayná, que dirigiu os 12 episódios logo após o sucesso do filme Kbela, curta que inaugurou em 2015 uma importante discussão sobre a produção do cinema feito por mulheres negras lotando salas e com isso, possibilitando um novo olhar sobre a ideia de distribuição do cinema nacional, diz que dirigir a série foi para ela e para todos, um grande aprendizado: “Ali eu me dei conta de como um encontro é capaz de gerar tanto conhecimento. Foi ótimo aprender o que Mãe Beth de Oxum traz de demanda para a mudança e democratização da comunicação e o Mestre TC, que nos ensina a importância de estarmos ligados a terra, nós, negros: nossa dança tem uma ligação direta com a terra, o jongo, o funk, a capoeira, o samba. Aprendi com Diane que precisamos ser donos das nossas narrativas e da nossa imaginação. Com Hanayrá que precisamos de outros modelos de produção cada vez menos embranquecidos, com o Raphael, as mil e uma possibilidades que temos de pensar a imagem, o que reafirma meu pensamento sobre as referências que podem ser trazidas ao mundo a partir da criação de novas imagens. Com o Regicida, o som como um suporte potente e parte da narrativa que traduz a sensorialidade que imagem nenhuma pode produzir; com Alile Dara aprendo sempre como olhar através da fotografia aquilo que nem sempre a gente consegue ver e com o Renato o respiro do tempo. Eu só aprendi.”

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Entre os entrevistados estão os mentores da primeira edição do AfroTranscendence entre eles, Mestre TC, Mãe Beth de Oxum, Paulo Nazareth e o artista Daniel Lima, um dos mais atuantes artistas brasileiros e que anuncia o primeiro capítulo da série: “durante o AfroT lançamos a pergunta Criar ou Ocupar espaços? que hoje é o tema da minha pesquisa de mestrado na PUC-SP e é com essa pergunta que inauguramos esse video onde o Daniel fala sobre a importância de ocuparmos espaços ampliando os limites institucionais em que o racismo fatalmente se faz presença mas, dizendo também que em certos momentos é preciso de fato criar novos espaços, no sentido de criar novos valores fazendo desse corpo negro um enunciador da sua própria história”, completa Diane.

A série será lançada quinzenalmente e você pode acompanhar aqui, nos canais do NoBrasil e do AfroTranscendence.

Crie e Compartilhe você também conhecimento. #crieasuanarrativa #compartilheasuahistória

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Sobre Daniel Lima:

Ao nosso olhar, Daniel Lima é um dos mais atuantes e representativos artistas brasileiros da atualidade. Desde 2001 cria intervenções e interferências no espaço urbano, integrando coletivos como a Frente 03 de fevereiro que tem como trabalho lendário a ação Bandeiras que discutiu o racismo no futebol brasileiro. Em Bandeiras o campo de ação foi o estádio de futebol onde o grupo, tendo o apoio das torcidas organizadas, hastearam bandeiras gigantes que devido a grande projeção midiática da partida, gerou grande repercussão e impacto. Elas diziam: “Brasil Negro Salve, Onde estão os negros? e Zumbi Somos Nós.” Bacharel em Artes Plásticas pela Escola de Comunicação e Artes da USP e Mestre pelo Núcleo de Estudos da Subjetividade da PUC/SP, desenvolve pesquisas relacionadas a mídia, questões raciais e processos educacionais. Dirige a produtora e editora Invisíveis Produções.

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AfroTranscendence – Precisamos Falar de Nós

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Assista e saiba mais sobre a experiência da imersão AfroT. English subtitles.

 

Foram mais de 24 horas de registros em video que se transformaram agora em 1 minuto e meio para dar conta de uma missão impossível: resumir o tanto de emoção, aprendizado e afeto que vivemos durante os 3 dias de AfroTranscendence 2015. O lançamento desse vídeo chega ainda em um momento muito especial. Ver o ‪#‎AfroT‬ sendo considerado uma iniciativa “inovadora” no campo da educação o que está nos levando a caminho do Vale do Silício para participar de um encontro de inovação e investimentos com líderes da diáspora africana de todo o mundo. Queremos agradecer demais a você que se inscreveu, vibrou, compartilhou; ao Red Bull Station por ter aberto as portas, aos 21 imersos, aos mais de 15 mentores, à nossa produtora Hanayrá Negreiros, à diretora Yasmin Thayná e a equipe de feras que fez possível esse video acontecer.

Para a sua direção, pensamos que não haveria outra forma de criá-lo se não partindo da ideia do ritmo: “era preciso criar a atmosfera e o tempo que vivemos ali naquela ancestralidade do futuro. Então, o desafio foi conseguir traduzir a frequência entre a imanência e a transcendência e isso só foi possível com música. Convidamos o produtor musical e também diretor criativo Mahal Pita, para criar uma trilha que desse conta de falar para aqueles olhos que não viram, o sentimento e a energia do que é a experiência AfroTranscedence”, explica a diretora criativa do NoBrasil, Diane Lima.

A edição e a montagem foi feita por Nando Cordeiro, nosso super designer que suou para encontrar também, o tempo das imagens em uma semana de trabalho intenso. As imagens são de Alile Dara Onawale, Bianca Baderna e Raphael Medeiros.

Que venha 2016!

‪#‎AfroT2016‬ ‪#‎precisamosfalardenós‬

Direção: Diane Lima
Trilha: Mahal Pita
Edição: Nando Cordeiro
Imagens: Alile Dara Onawale, Bianca Baderna e Raphael Medeiros

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NoBrasil abre inscrições para AfroTranscendence: programa de imersão em processos criativos com foco na cultura afro-brasileira

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O prazo de seleção é até dia 21.09 e as atividades gratuitas irão ocorrer no Red Bull Station, centro de São Paulo. Saiba mais e inscreva-se!

Foram quase 05 meses de preparação, pesquisa e muita ansiedade para que agora pudéssemos compartilhar com vocês AfroTranscendence, um programa de imersão em processos criativos para promover a cultura afro-brasileira contemporânea. Ele vai acontecer nos dias 08, 09 e 10 de outubro no Red Bull Station, centro de São Paulo.

Entendendo o processo criativo como um espaço potente para se fazer micro-políticas, AfroTranscendence nasce com o objetivo de estimular a troca de conhecimento entre pessoas vindas das mais diferentes práticas e formas de expressões incentivando-as a criar novas conexões, possibilidades e olhares em seus processos de criação tendo como inspiração a união entre saberes tradicionais e contemporâneos das culturas negras espalhadas pelo mundo.

Existem duas formas de participar: inscrevendo-se para a imersão com prazo de seleção até dia 21.09 ou inscrevendo-se nas atividades abertas como as palestras, painéis, video-conferências e exibição de filmes.

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A imersão

Para a imersão serão selecionadas 20 pessoas que durante 3 dias, irão participar de um programa intensivo e gratuito de atividades compostas por palestras, laboratórios, workshops e vivências artísticas que serão divididas em 3 eixos centrais: Saberes, Práticas e Experiências. Tendo a construção de um espaço-tempo de transformação como recorte curatorial, o programa põe em relação as tecnologias e saberes da cultura afro-brasileira com questões fundamentais ligadas as práticas do fazer contemporâneo: memória e ancestralidade, interdisciplinaridade e articulação em rede, local X global, diáspora wi-fi, além de discussões ligadas ao uso de mídias digitais, do espaço urbano e de formas colaborativas do fazer.

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Curadoria

Com curadoria da Diretora Criativa do NoBrasil Diane Lima, AfroT traz um time de mentores composto por diversos especialistas, agentes e pesquisadores em cultura afro-brasileira e estudos pan-africanos que utilizarão de conhecimentos e metodologias experimentais e propositivas para inspirar e exercitar nos 20 selecionados novas formas de olhar e criar:  “Vivemos sem dúvida um momento especial e talvez nunca antes visto para nós povos afrodescendentes e AfroT tem como fonte de inspiração todo esse movimento que conectado e empregando energia criativa em busca de transformação, vem partilhando sentimentos em rede, hackeando o olhar de quem nos olha e fazendo desse nosso corpo político um dispositivo descolonizador do pensamento. E como seria exercitar a potência criativa tendo como inspiração a cultura afro-brasileira e seus trânsitos com as culturas negras espalhadas pelo mundo? Como criar exercícios em direção a liberdade que através da nossa ancestralidade e em diálogo com tecnologias, criarão novas memórias que narrarão hoje quem seremos no futuro do amanhã? Acreditamos que o processo criativo é um espaço de decisão, escolha e poder e AfroTranscendence é fruto dessas inquietações. Um momento onde não estaremos preocupados com resultado mas apenas em exercitar e aprender. Imersos durante 3 dias no Red Bull Station, poderemos nos encontrar, questionar, sacudir, experienciar, recombinar, superar, Transcender”, diz Diane.

Para ter mais detalhes, basta acessar a página http://nobrasil.co/afrotranscendence, tirar as dúvidas sobre o programa, baixar o edital de seleção e se inscrever.

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Empoderadas: histórias negras femininas contadas em primeira pessoa

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Conversamos com Renata Martins e Joyce Prado, criadoras do Empoderadas, uma web série feita por e sobre mulheres negras. Confira!

por Hanayrá Negreiros

A gente aqui no NoBrasil fala tanto de representatividade e de como criatividade é espaço de poder, que quando damos de cara com um projeto desse, que junta essas duas coisas, só nos resta alegria.

O Empoderadas é uma web série feita por e sobre mulheres negras. Renata Martins e Joyce Prado lideram as câmeras e por de trás delas nos mostram histórias de mulheres que estão em constante movimento e articulando suas vidas de acordo com a realidade negra feminina. Mulheres criativas, que nos contam seus pensamentos e pontos de vista e de como lidam com racismo e machismo diários.

11059458_1661107107458849_7307366603609763707_oEmpoderadas especial Marcha do Orgulho Crespo 

Semanalmente as cineastas disponibilizam em sua página no Facebook, entrevistas com essas mulheres, que estão com suas ações em diversos campos de atuação, empoderando e mudando o Brasil. A série vem para quebrar os velhos estereótipos que são reservados para as mulheres negras brasileiras e conta um pouco da história de vida delas, mostrando mulheres em liderança de empresas, historiadoras, bailarinas e outros tantos perfis. Até agora um dos episódios mais comentados foi contando a história da Mc Soffia, uma rapper de 11 anos que conta como lida com o racismo na infância e da importância do seu cabelo crespo.

Conversamos com a Renata, uma das idealizadoras do programa e ela contou pra gente como o projeto surgiu e qual a sua importância nesses tempos do agora: “Joyce e eu, fomos apresentadas por uma conhecida em comum: a psicóloga Clélia Prestes. Há dois anos eu gravei uma palestra da Clélia e conversamos um pouco sobre minha profissão. Meses depois ela conheceu a Joyce em uma aula de dança e, descobriu que ela também trabalhava com cinema e nos colocou em contato via internet. A partir de então, iniciamos um papo sobre nossos projetos pessoais, eu enviei o link do meu curta, Aquém das Nuvens , e ela me enviou o roteiro de um curta que iria dirigir, A Fábula de Vó Itá. Após esse papo online, combinamos um encontro presencial e almoçamos juntas, eu tinha um projeto de curta e a convidei para auxiliar na construção do roteiro. A conversa que era a princípio profissional, se tornou pessoal, conversamos sobre sermos cineastas negras, sobre afeto, e a ausência dele e sobre assuntos gerais que passam por nossa subjetividade.”

Renata conta que a identificação entre as duas foi imediata, pois, ainda que elas partissem de experiências sociais diferentes, o fato de serem mulheres negras as aproximava, as histórias eram muito próximas. E desde então elas se tornaram amigas e aos poucos foram se conhecendo melhor, mas ainda assim não tinham conseguido trabalhar de fato juntas. Isso só aconteceu durante o desenvolvimento do projeto da série de TV Rua Nove, quando uma roteirista e uma escritora não puderam continuar no projeto. Renato Candido e ela coordenavam o desenvolvimento da série e pensaram em alguém que tivesse alguma intimidade com roteiro, foi aí que surgiu o nome da Joyce.

11112834_1661488784087348_6316705699473934024_oEmpoderadas com a consulesa da França no Brasil Alexandra Baldeh Loras. Assita!

Vários questionamentos surgiram sobre a presença/ausência de mulheres negras na construção do discurso audiovisual, seja no roteiro ou na direção. Renata ainda fala que atualmente, essa realidade sofre transformações positivas: “Ainda somos poucas, mas já existimos para o mercado audiovisual como realizadoras, e melhor, somos várias! Eu, Lilian Solá Santiago, Viviane Ferreira, Jéssica Queiroz, Thais Scábio, Larissa Fulana de Tal, Joyce Prado, Yasmin Thayná, Keyla Serruya, Juliana Vicente, Carol Rodrigues, Ana Julia Travia, Michelle Andrews entre tantas outras.”

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Renata diz que a série nasce dessa necessidade de produção, e de experimentação de linguagem. Um nascimento coletivo, do encontro entre duas mulheres negras que colocam seus conhecimentos técnicos, estéticos e narrativos a serviço de outras mulheres negras, que poderão através de suas ações empoderar outras mulheres negras e assim por diante, como se fosse uma corrente, uma corrente de empoderamento. “Ele nasce de uma necessidade de espelhamento, de uma busca verdadeira e de várias perguntas que possibilitam um movimento e sem dúvida, da sensibilidade de quem emprestou, e da pró-atividade de quem embarcou, no início; Joyce Prado, Revista Viração e André Hirae. Minha gratidão a eles.”

É um convite para que todas as pessoas questionem as imagens que consumiram até hoje em silêncio, as histórias que pagaram, pagam e que provavelmente irão pagar de um Brasil que não enxerga os seus com uma mesma lente, é um convite para desaprender hábitos e construções antigas acerca da imagem da mulher.

Renata termina nos contando que a importância de ter um programa como o Empoderadas é a tentativa de, alguma forma fortalecer essas mulheres negras e dizer a elas que não, não estamos sozinhas. São as nossas histórias sendo contadas em primeira pessoa.

11731965_1654903974745829_5588253056704918122_o Em um dos capítulos do Empoderadas, Cris Mendonça e Ana Paula Xongani falar sobre a experiência e os desafios de construir uma marca.
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