Category: Expressão

Literatura lésbica – aquelas que não podem falar dizendo o que não deve ser dito

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“Escrevo para registrar o que os outros apagam quando falo, para reescrever as histórias mal escritas sobre mim, sobre você.”
Neste especial, a escritora Diedra Roiz revela os caminhos da literatura lésbica no Brasil com sua poética de ressignificação e resistência.

Imagens criadas com o iPhone SE

Ao deparar-se com o termo Literatura Lésbica, muita gente se pergunta: o que é isso? Isso existe? Ou, até mesmo, para quê isso?

Infelizmente, quando se trata de dar voz e espaço às “minorias”, esse tipo de reação não é incomum. Uma negação mais cruel do que a do espaço em si, a do valor e da necessidade do mesmo.

Afinal… Segundo este tipo de pensamento, preconceito é separar e classificar. “Para quê cotas? Para quê literatura lésbica? Literatura é literatura, pouco importa se é escrita por mulheres, lésbicas, trans, negras. Somos todos seres humanos, as pessoas são todas iguais!”

Mesmo?

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Seria maravilhoso viver em um mundo onde todos fossem apenas gente e mais nada. Um mundo onde não existissem diferenças, privilégios, relações assimétricas de poder.

Mas esta não é a nossa realidade.

No mundo em que vivemos – onde as estruturas perversas do poder existem a serviço de manter a exclusão, a invisibilidade e o silenciamento de todos que não se enquadrem, e a desigualdade, de forma absolutamente cruel e tirana em seus critérios, elege aqueles que interessam, que detêm o espaço e o direito de falar, de se expressar, de se tornar visíveis -,  rótulos e classificações são necessários exatamente para que os excluídos possam garantir e ocupar direitos e espaços que lhes são interditos.

A Profª Drª Regina Dalcastagné, do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da Universidade de Brasília, em sua pesquisa cujo resultado pode ser encontrado no texto “Um mapa de ausências” do livro “Literatura brasileira contemporânea: um território contestado”, fez um mapeamento das publicações literárias de grandes editoras brasileiras e chegou à triste conclusão de que, em um país tão lindamente repleto de diversidades e pluralidades como o nosso, o perfil da grande maioria dos autores publicados é o seguinte: homem branco, heterossexual, cisgênero, com mais de 40 anos, membro da classe média, jornalista, morador do Rio de Janeiro ou de São Paulo.

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Se alguém ainda tinha alguma dúvida, acho que depois disso fica bem claro qual o discurso que interessa e a escrita escolhida para ser visível hoje em dia no Brasil.

Nomear de literatura lésbica narrativas de mulheres que vivem as suas afetividades e sexualidades centradas em outras mulheres é de extrema e profunda importância neste momento, pelo aspecto revolucionário, de luta e resistência que isto possui, pelo significado e pelo que representa: dar voz a sexualidades que ainda se produzem trancadas “dentro do armário”, de visibilizar e empoderar uma literatura em que a mulher surge não como simples e silencioso objeto do desejo, mas como sujeito desejante, portadora da voz e do discurso.

Mas por que literatura lésbica e não literatura LGBT?

Saber respeitar a diversidade talvez seja a tarefa mais difícil da sociedade contemporânea, pois é a própria sociedade que homogeneíza a partir da construção de modelos pré-estabelecidos. Dentro do universo LGBT, isto não é diferente: muitas vezes, para uma mulher lésbica cis é necessário lutar para ter seu espaço, suas demandas e sua voz respeitados; para mulheres lésbicas trans, é mais difícil ainda.

A literatura lésbica expressa realidades de mulheres lésbicas (trans ou cis), buscando deixar a invisibilidade num mundo que ainda classifica um casal de mulheres como sendo “duas mulheres sozinhas”, fato que não acontece com um casal de homens, pois o homem, independente de sua orientação sexual, é sempre visto como sujeito e protagonista. Mais do que isso, tais narrativas também servem para desmistificar a visão de que mulheres lésbicas ou são objetos de fetiche e de desejo para homens hetero, ou são mulheres que desejam ser homens. Estereótipos que precisam ser desconstruídos. Vozes que, mesmo dentro do universo LGBT, ainda lutam para serem respeitadas e ouvidas.

Mas o que seria considerado literatura lésbica? Levamos em consideração o tema, o conteúdo, as personagens ou quem escreve?

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Claro que considerar as personagens, o contexto e o “tema” abordado pelo texto é o mais adequado. No entanto, óbvio que um texto escrito por uma lésbica tem o ponto de vista de uma mulher que vive a sua afetividade e sexualidade centrada em outras mulheres visto de dentro, o que traz a voz desta realidade, aquela que possui essa vivência. Afinal, o lugar de onde se fala faz total diferença para o discurso, é impossível dissociar a vivência/essência de quem escreve de seu discurso.

Citando Gloria Anzaldúa:

 “Escrevo para registrar o que os outros apagam quando falo, para reescrever as histórias mal escritas sobre mim, sobre você.”

Frase que, para mim, pontua e define o conceito de literatura lésbica completamente.


DIEDRA ROIZEscritora, diretora teatral e atriz. Tem oito livros publicados: os romances O SUAVE TOM DO ABISMO – Reflexão (2016), O SUAVE TOM DO ABISMO – Absorção (2015), O LIVRO SECRETO DAS MENTIRAS e MEDOS (2009), LEGADO DE PAIXÃO (2014), AMOR ÀS AVESSAS (2015) e LUAS DE MARIAS (2016 – em parceria com Wind Rose), a coletânea de contos BOLEROS DE PAPEL (2011) e o livro de poesias AMA/DOR/A (2014). Carioca com tendências gaúchas morando em Florianópolis – Santa Catarina, casada (com a escritora gaúcha Wind Rose), praticante do budismo de Nichiren Daishonin. Todos os textos que publicou na internet estão reunidos no site: www.diedraroiz.com/
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TOQUE!

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“e se Exú é seu amigo, é meu também, e esta casa não faz mal a ninguém” [ponto de Exú]

Imagens e vídeos criados com o iPhone SE
Eu tenho Zumbi, Besouro o chefe dos Tupis
Sou Tupinambá. Tenho os erês, caboclo Boiadeiro
Mãos de cura, morubixabas, cocares, arco-íris
Zarabatanas, curare, flechas e altares
A velocidade da luz
O escuro da mata escura
O breu, o silêncio, a espera
Eu tenho Jesus, Maria e José,
Todos os pajés em minha companhia
[Maria Bethânia in Carta de Amor]

 

Crepúsculo. Bairro de Mangabeira, João Pessoa. Procuramos o Ile Asé Odé Ibualama de Mãe Novinha – Edvania Ferreira Martins Santos – Dofona de Oxóssi no Candomblé Ketu. Na passagem lateral à entrada da casa, diversas imagens dos Orixás nos recebem. Nos fundos do terreno, uma mesa com esculturas em gesso de pomba-giras, jarros de barro e flores formam o altar. Uma imagem em especial nos chama atenção: um homem careca, desfalecido e abraçado à uma garrafa de cachaça. Ele usa um terno azul celeste, camisa amarela mal cobrindo sua barriga proeminente e uma gravata vermelha desproporcionalmente curta que mantém, a despeito da situação, seu colarinho impecável. Sua cabeça é de um Buda com as bochechas coradas. Seu rosto possui feição ambígua entre a serenidade e o deboche. É Mestre Zé Bebinho, uma das entidades que Mãe Novinha recebe e a quem atribui a filiação e a proteção absoluta da casa.

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Imagem do Mestre Zé Bebinho

Mas a festa, o toque de jurema é para Mestra Ritinha Genézia. Esta mestra foi prostituta da zona portuária de Recife. Conta sua história que aos quinze anos foi assassinada pelo amante e seu espírito trabalha principalmente nos casos que envolvem romances, insídias e amparos emocionais. A mesa para ela está coberta por uma toalha vermelha com brocados dourados. Sobre a mesa pousa um bolo torre de três camadas, de pasta americana branca com fitas vermelhas e douradas; além de inúmeras garrafas de Martini rosé, sua bebida preferida. Ao lado da mesa, posicionam-se o microfone, o atabaque e outros instrumentos.

Rafael Avancini - Cidades Invisíveis

Mestra Ritinha Genézia em Mãe Novinha

O dirigente do toque de jurema é o Pai Léo de Ayrá que iniciou Mãe Novinha no Candomblé. Ao microfone, ele abre a gira com os pontos de Exú. A gira começa com os convidados formando a roda com os homens separados das mulheres. Os trajes dos homens são túnicas similares ao vestuário africano e a das mulheres são vestidos e saias rodadas coloridas. Ao toque do atabaque, as cores sucedem-se vertiginosamente em sentido anti-horário.  Seguem-se pontos da jurema até a chegada da Mestra Ritinha incorporada em Mãe Novinha, pelas mãos de Pai Léo. Ao som do refrão Ritinha fogosa, traga o meu amor, ela entra triunfante na roda, balançando o quadril, exibindo o decote dourado e fumando uma cigarrilha na piteira longa. Libidinosa, ela saúda o ogan e oferecendo martini aos seus convidados, faz descer as outras entidades. Como em um efeito dominó, eles vão chegando: Mestra Paulina, Zé do Cangaço, Cigana Esmeralda, e outros tantos boiadeiros e mestres que dividem o pequeno espaço com seus cachimbos, cervejas, leques e bailados. Entre eles, vão se cumprimentando, dançando e festejando. Aos poucos, vão distribuindo conselhos a nós, até então, meros espectadores.

Rafael Avancini - Cidades Invisíveis

Mestre Zé do Cangaço  e  Mestre Chapéu Amarelo

A experiência do êxtase

por Suzy Okamoto

Na roda, danço ao som do tambor com um copo de martini em minha mão. Chega Zé do Cangaço, me saúda e diz coisas que só eu sei (como saberia ele a respeitos das minhas questões?). Reflito sobre suas recomendações, agradeço seu axé e me divirto permanecendo em movimento. Chega Netinho, o filho da Mãe Novinha, que me oferece um copo de Jurema. Aceito, bebo um gole. Levo o copo ao Rafael que ocupado entre fotos e gravações, declina o brinde. Ao mesmo tempo, a Cigana Esmeralda se aproxima. Ela me reconhece da jurema de chão de outra data e da outra casa. Me cumprimenta, dá um abraço envolvendo-me em sua saia de renda. Quando a sua saia cobre a minha cabeça, perco o controle do meu corpo em movimentos frenéticos. Não sei se giro ou se balanço. Sinto Netinho tentando me conter. Ele diz coisas incompreensíveis bem perto do meu ouvido, da qual a única coisa que eu entendo é um imperativo “segura a matéria!“. O que faz meu corpo seguir um ritmo diferente. Os únicos dados de realidade que me lembro foi ter visto a Indra Lumiar – ekedji da Cigana Esmeralda – amarrar um turbante na minha cabeça. O colorido se apaga, tudo fica branco e eu, que não sou mais eu, flutuo na neblina. A percussão, embora reconhecível, adquire uma lentidão indescritível. Não sei quanto tempo isto dura. Em um determinado momento, me vejo próxima ao ogan, agachada sobre um dos meus joelhos, com as mãos de Pai Léo sobre a minha cabeça que dá um tranco para trás. Volto. Volto lúcida, mais lúcida do que na hora que cheguei em Mangabeira.

Como testemunhas, reconhecemos as entidades e a força do culto apenas pela racionalidade ou por uma análise superficial dos seus símbolos. No encalço da Jurema, seguimos os passos buscando associações com imagens, palavras que foram escritas por pesquisadores importantes como Câmara Cascudo e outros. Mas quando elas se apresentam à nós, ainda que sem nome e nem lógica, como a mais pura experiência, sabemos que existe algo mais do que o mistério: Sabemos que esta experiência marca definitivamente a nossa jornada de 30 dias na Arapuca Arte Residência. Aos poucos, as informações vão se engendrando: a realidade concreta e exuberante das falésias, mar e céu de Tambaba, os Tabajaras, as juremas-árvores, as entidades, os cantos, o sincretismo. Não é possível passar incólume por tudo isto que nos afeta. No entanto, não há promessas de identidade cultural ou mesmo poética. São fios (raízes) soltos e desencapados na imensidão histórica e imaginária da Paraíba e do Brasil. Por uma (in)felicidade, somos reconhecidos pelos nossos corpos mestiços, alegóricos do verão dos trópicos e do Carnaval. Herança de um equívoco colonial traduzido com primor só por Macunaíma de Mário de Andrade.  Todavia, existe um horizonte. Na impossibilidade de verter as experiências vividas em palavras próprias, seguimos com o antropólogo Viveiros de Castro somado ao poeta Arthur Rimbaud: O espírito só pode ser universal (natural) se for corpo, ainda que seja sagradamente desordenado.

Rafael Avancini - Cidades Invisíveis

Praia de Arapuca e Tambaba – Paraíba

 

 


Suzy_Okamoto_perfil_NoBrasilSUZY OKAMOTO
Artista visual, Mestre em artes visuais em Estética e História da Arte pelo Instituto de Artes da Unesp. Professora do Núcleo de Design do Centro Universitário de Belas Artes, aonde leciona as disciplinas direcionadas para a pesquisa e criação. Entre suas principais exposições estão “Dor, forma e Beleza”, na Pinacoteca do Estado de SP, IX Salão de Arte da Bahia – Museu de Arte Moderna de Salvador, além de participação em diversos festivais internacionais de vídeo.
Rafael_Avancini_perfil_NoBrasil-1RAFAEL AVANCINI
Fotógrafo e cinematógrafo gaúcho. Trabalha principalmente com música, moda e arte. Tem sua pesquisa autoral em torno do nu, da performance e das poéticas do corpo, Como cinematógrafo participou do longa-metragem “Amor Líquido”, do diretor Vítor Steinberg e dos curtas, “Coquetel Motolove” junto à escola de cinema Inspiratorium e “Fantasma da Saudade no Vale da Morte” de Lufe Bollini, ganhador do Lisbon International Film Festival 2016 como Best Underground Film” .
Jurema Sagrada
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Mídia independente: ferramenta do povo preto

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A convite do NoBrasil, o coletivo e plataforma de criação e comunicação AfroGuerrilha, fará a cobertura do AfroTranscendence 2016 e realizará debate sobre a importância histórica da comunicação independente como ferramenta de resistência. A atividade acontece no dia 29.10 no Red Bull Station, às 11h. Saiba +

Em tempos onde a comunicação se torna ferramenta fundamental na disputa do poder político, na construção de subjetividades, importante canal de difusão de conhecimento e produção cultural, como utilizar e criar estruturas através de uma mídia independente que consiga visibilizar nossas criações e discussões?

Pensando nessa questão que o NoBrasil convida o AfroGuerrilha, uma das maiores plataformas de criação online feita por jovens que produzem comunicação e criam canais de diálogos e conexões entre o povo preto, para ocupar o Red Bull Station durante o AfroTranscendence 2016. A ideia da colaboração, é experimentar uma outra forma de produzir e difundir o conteúdo do AfroT fazendo gerar uma rede de articulação e criação que não somente fala diretamente com o nosso público mas que também é pensada por ele. O AfroG irá montar um estúdio de trabalho, uma estação dentro de uma estação, transmitindo ao vivo entrevistas, palestras e criando intervenções em nossa programação,  completa a diretora criativa do NoBrasil, Diane Lima.

untitled-1AfroGuerrilha.

Para discutir a importância histórica da comunicação independente como instrumento de resistência e luta do povo negro, e como as novas tecnologias de comunicação podem servir de ferramenta para o fortalecimento da comunidade negra do século XXI, paralelo à programação do AfroTranscendence, acontece o debate “Mídia independente: ferramenta do povo preto”, com participação de Silvia Nascimento, jornalista e criadora do site Mundo Negro; e Pedro Borges, jornalista e co-fundador do portal de mídia negra Alma Preta, também integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (COJIRA) e pesquisador da Frente de Mídias Negras de São Paulo.

Nós potencializamos nossa força quando produzimos em rede, quando conectamos nossas diferentes capacidades. Em uma sociedade que impede o acesso das pessoas negras a diferentes tipos de tecnologias e recursos, construir parcerias assim fortalece a comunicação negra independente e permite que ela expresse nossa voz em espaços onde não estamos acostumados a ouvi-la. Para nós, essa colab representa potencializar tais conexões, diz Robin Batista (26), editor do Afroguerrilha, designer e colaborador do Afropunk, uma plataforma alternativa e experimental de música, arte, moda e política que conecta negros de todo o mundo e realizam anualmente um dos maiores festivais de música do mundo (Paris, Nova York e Londres).

12238484_1277618795587425_959322164071626615_oFoto de Vini Monteiro. AfroGuerrilha

 

O debate organizado pelo Afroguerrilha acontece no sábado (29), das 11h às 12h30, no Red Bull Station, e terá mediação do fotógrafo e videomaker, Vini Monteiro. Além de Vini e Robin, Vinicius Gomes (19), fotográfo e jornalista; e Roger de Lima (25), arte-educador; completam a equipe.

Participe do evento aqui http://migre.me/vkiWS e acompanhe a cobertura do AfroG no AfroT pelos canais do AfroGuerrilha e do NoBrasil.

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Seleção Imersão AfroTranscendence

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Confira a lista dxs selecionadxs da imersão 2016.

 

Foram quase 300 inscritos para o programa de imersão em processos criativos AfroTranscendence que acontece de 26 a 29 de outubro no Red Bull Station, em São Paulo. Os selecionados participarão de um programa intensivo com especialistas, artistas e pesquisadores e a seleção levou em consideração critérios como portfólio, localidade, gênero, pesquisa e expressão artística além do equilíbrio entre um participante e outro, na tentativa de criar um grupo que se complementasse no ato de aprendizagem: sem dúvida foi uma seleção difícil e complexa. Primeiro porque não tivemos apenas quantidade mas sobretudo qualidade. Depois porque o projeto não tenta travar uma lógica competitiva, não trata de ser um melhor que o outro, tivemos diversos casos de trabalhos de uma mesma linguagem onde 7 ou 8 eram muito bons, o que é muito positivo. Por isso, estamos felizes em dizer que precisaríamos de umas 5 edições de AfroTranscendence para dar conta de tanta gente boa que queríamos que estivesse com a gente trocando, ensinando e compartilhando conhecimento. E esse fato vem para desmistificar mais uma vez a ideia de que a produção afro-brasileira não tem qualidade e revelar que o que acontece é um racismo adormecido nas bases somado a falta de pesquisa. De todo modo estamos pensando alternativas para que possamos nos conectar com todo mundo que se inscreveu e fomentar novos encontros nesta edição ou nas próximas, completa a curadora do projeto Diane Lima.

O NoBrasil agradece a todxs que se inscreveram com a certeza que em breve estaremos juntxs em novas oportunidades e dá as boas-vindas aos que agora serão caminho para uma nova criação. 

Confira a lista e mais informações acesse: http://nobrasil.co/afrotranscendence/

 

 

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ASSISTA AO 8° EPISÓDIO DA SÉRIE AFROTRANSCENDENCE COM MAYRA FONSECA

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Nesse oitavo episódio da nossa série, a antropóloga e pesquisadora Mayra Fonseca, fala sobre a sua descendência indígena norte-mineira, questiona as categorias culturais e os valores de poder investidos no sistema da arte, fala sobre a produção de conhecimento dos saberes “ditos populares”, acervo e memória e afirma: “não há nada mais contemporâneo que a tradição”.

“Pensar Brasil, pensar afro-brasil, pensar brasil indígena, nessas categorias que nós fomos educados a usar, já é um modelo que precisamos nos libertar. Costumo dizer muito assim ó: quem resolveu, quem recebeu e acolheu o poder de chamar algo de uma manifestação cultural popular? E qual que é o impacto de a gente continuar replicando isso? De a gente continuar replicando que uma congada é uma festa popular? Ou a gente continuar replicando que algumas linguagens são periféricas ou naif’s? Que lugar é esse que a gente dá quando a gente separa o que a gente produz como povo, como afro-brasileiros, como brasileiros indígenas, afro-indígenas num território que a gente aprendeu a chamar de Brasil do considerado erudito? Porque a gente ainda replica e aceita esses lugares reducionistas e usados para diferenciar e levar a gente para um lugar de desvalorização?

img_5472Nesse oitavo episódio da nossa série, a antropóloga e pesquisadora Mayra Fonseca, fala sobre a sua descendência indígena, norte-mineira, questiona as categorias culturais e os valores de poder investidos no sistema da arte, fala sobre a produção de conhecimento dos saberes “ditos populares”, acervo e memória e afirma: “não há nada mais contemporâneo que a tradição”.

 

Assista em HD.

Sobre Mayra Fonseca:

Norte-mineira, de raíz indígena Mayra é mestre em Antropologia, Iniciadora e Editora-Chefe do Brasis, uma central de Conteúdos e Rede de Pesquisas e Projetos para estimular o autoconhecimento do Brasil de forma propositiva. Especialista em diversidade cultural e linguagens, é formada em Comunicação Social pela PUC Minas e é mestre em Antropologia e Etnografia pela Universidade de Barcelona, Espanha. Há mais de doze anos, trabalha com pesquisas culturais e comportamentais em diversos locais do Brasil e da América Latina. Em 2012, co-fundou o www.obrasilcoms.com.br.

mayra-fonsecaWebsérie AfroTranscendence:

Dirigido por Yasmin Thayná
Escrito por Diane Lima
Produção: Hanayrá Negreiros
Direção de fotografia: Raphael Medeiros
Som: Avelino Regicida
Montagem: Victor Guerra
Still: Alile Dara Onawale

Vá Fundo.

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PAI-NOSSO COM DEUS TUPÃ

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Desarmar as armadilhas do senso comum, a principal delas: a visão idílica e romantizada dos indígenas, foi o nosso maior desafio.

Fotos e vídeos criados com o iPhone SE

“Afirmar que os índios estão ‘próximos à natureza’ é uma forma de contra-senso […]

para estar próximo a natureza é preciso que a natureza exista…” (Philippe Descola)

O encontro com os índios tabajaras foi um ponto de inflexão na trajetória da pesquisa. A primeira interlocução na Aldeia Barra do Gramame foi com a D. Maria José, mãe de Cacique Carlos Tabajara. Sob a oca, ela pegava os remédios de “brancos” junto aos médicos da Funai. Um verdadeiro balde de água fria em nossa busca pelo gérmen do culto religioso que envolve medicina vernacular. Desarmar as armadilhas do senso comum, a principal delas: a visão idílica e romantizada dos indígenas, foi o nosso maior desafio.

A despeito de D. Maria José fazer uso dos medicamentos da medicina convencional, ela conhece bem as plantas e o uso delas. Apontando para as ervas da aldeia diz: Tudo é remédio. Hortelã da folha grande… Fazemos lambedor* do cajueiro roxo, lambedor de cupim … Tudo a gente faz remédio. Folha da mangueira… cana da índia para dor nos rins… chá de raiz de vassourinha…”.  D. Maria José atribui à Deus os seus conhecimentos. Em um claro argumento cristão, ela diz: “Eu não acredito que ninguém venha ao mundo que não seja ao Pai e o Filho. Mas complementa: E aqui, entre os índios da gente tem o Deus Tupã… quando estamos entre os antepassados, na hora do toré*, a reza é Pai Nosso com o Deus Tupã“.


  • xarope
  • culto, festa, dança de roda

Rafael Avancini - Cidades Invisíveis

D. Maria José Tabajara

Ao indagá-la sobre a Jurema, D. Maria José simplesmente nos responde: “aqui não tem jurema, não… jurema tem em Alhandra. Mas tem muitas músicas…”. E canta: “Tabajara é guerreiro, Tabajara no seu Juremá…”. O conteúdo desta cantiga nos traz o fio da meada que conduz à Jurema Sagrada. Na tradição do Catimbó, Juremá é reino dos cultos primitivos às forças da natureza. Suas forças não acossam (não são incorporadas),  elas são invocadas. Este Reino é governado por Tupã, a mesma divindade suprema da mitologia dos indígenas de língua tupi. Todavia, para os Tabajaras – senhores do rosto da terra*  a Mãe-Terra é a figura mítica dominante e a pajelança é em torno e dentro dela.

Relato Cacique Carlinhos Tabajara

Olhe, a gente trabalha de maneira sutil e tem hora pra isso.  Nós vamos pra dentro de uma mata de acordo com a natureza, a nossa Mãe Terra. Nós vamos para dentro do cabelo dela porque ali chegam diversos antepassados nossos para observar e nós chegamos para conversar com eles. Então, ali fazemos os nossos pedidos. Ali, chegam no pensamento da gente, o que a gente quer enxergar. Uma dúvida que a gente tem. Chega uma música que a gente não sabia. Nós fazemos os pedidos de segurança para o nosso povo e para nossas lideranças. Para tudo temos hora. É dessa forma que a gente respeita nossa mãe natureza: Amando os cabelos dela. A gente acha protegido dentro do cabelo da Mãe Terra porque ali é nossa casa. Nós não queremos isto: esta devastação mexendo nos cabelos, principalmente onde o cabelo está mais bonito. […] Olhe, a nossa Mãe-terra é a nossa mãe.  E mãe se zela, não é pra negócio. Não é pra se vender não é pra se trocar. Quem quer dar fim à sua mãe? […] Nós somos contra a venda das terras dentro das sesmarias do nosso território. […] Nós fazemos nossos rituais nós agradecemos por tudo que a natureza nos dá. Nós agradecemos o peixe que a gente pesca no Rio Gramame, no Rio Graú, que é em Tambaba, no Rio Abaí, no Rio Bucatú. […] Tudo nós agradecemos pelo que Deus dá a gente. Todas as nossas músicas são pedidos: nossas músicas da Jurema, nossas músicas das matas, nossas músicas dos nossos antepassados… São momentos de alegria no toré e também são pedidos. Como a gente tem a cautela e a sutileza de fazer estes trabalhos temos a coerência de tirar o remédio ou tirar um pau da mata pra fazer uma escora ou uma oca. Nós temos que pedir licença a nossa mãe-terra e ao nosso pai Tupã. [..] Nós éramos um povo que acreditávamos no fogo, na lua e no sol. O fogo é fogo o sol é Guaraci e a lua é Jaci. Mas era um povo que tinha fé. […] Hoje nós somos um povo indígena aculturado. Aculturado quer dizer o que? Quer dizer que nós temos outras culturas de outros povos mas nós não esquecemos da nossa. Nós temos a própria cultura-mãe.


  • Segundo o Vocabulário de Bluteau, de 1721, etimologicamente, tabajaras vem do tupi tobayara que significa senhores do rosto da terra. Considerados extintos, em 2006 iniciaram um processo de reconhecimento étnico, oficializado em 2010 pela FUNAI e Ministério Publico Federal. A população atual é de aproximadamente 1000 habitantes que residem nas cidades de Conde, Alhandra e arredores de João Pessoa.

 

_n6a8740-2Cacique Carlos Tabajara

 

O traço messiânico é presente nesta fala. No entanto, a solicitude revelada no timbre grave da voz nos desconcerta. Nos desconcerta porque o que pensávamos ser a “origem” da Jurema Sagrada não é. Jurema é só um dos fios desta madeixa. Para além do foco da nossa pesquisa, Cacique Carlos nos apresenta o próprio emaranhado dos cabelos da Mãe-Terra: a secular questão territorial permeada pela violência, o desaparecimento dos tabajaras, o reconhecimento étnico recente, as questões ambientais que atravessam e são atravessadas pela evangelização e pela pajelança “aculturada” à qual ele se refere como sendo a sua base de estudos  e na qual os tabajaras são capazes de modificar seu (nosso) destino.

Nós temos nossas pajelanças. […] Nós temos muitas simpatias. […] Nós temos simpatia de proteção. Temos a simpatia de fazer fogo. Temos nosso toré da chuva. […] Nós temos essas inteligências. […] Nós sabemos como é que a gente espanta uma pessoa sem dizer nada e ele. […] As simpatias mais fortes e as palavras de nossa reza para afugentar a dor, a gente não pode ensinar. É um segredo.  Sabe quem tiver experiência e quem nasceu pra aquilo.

Rafael Avancini - Cidades InvisíveisCacique Carlos Tabajara

 

Cacique Carlos nos conta sobre a presença dos espíritos dos antepassados nos torés. Diz ser possível escutá-los e até vê-los. Simone Tabajara, sua esposa, tem um relato semelhante – “quando estamos reunidos dançando… a energia… a música… quando a gente canta, os espíritos do antepassados chegam na hora. Igual a eu fazer um cocar: tem um espírito ajudando, me dando força. Tudo que eu aprendi a fazer, eu vi em um sonho – nos lembrando da afirmação do líder yanomami Davi Kopenawa –  “quem não é olhado pelos xapiripë (espíritos) não sonha, só dorme como um machado no chão*.” anunciando a triste sina de nos tornarmos uma ferramenta potente, mas inerte e sem vida.

Para os tabajaras, dançar, fazer pedidos, afastar maus-espíritos, cantar, Deus, Tupã estão no mesmo plano de imanência: trabalhar pode ser um modo de ser tocado pelo espírito, sonhar é um modo de aprender. Mas tudo isto depende da integridade da Mãe-Terra. Não se trata exclusivamente da questão territorial. É o que o antropólogo Kaj Århem chama de ecosofia: um sistema integral de idéias, valores e prática […] um conhecimento ecológico convertido em crença. Para os índios, se não houver mata não há espíritos ou inteligência. A exuberância das matas é diretamente proporcional a possibilidade da existência em plenitude.

As cidades encantadas da Jurema Sagrada são elementos desta mata a serem preservados. Angico, Manacá, Junça, Catucá, Aroeira, Jurema e Tambaba não são meras metáforas ou símbolos. Existe uma realidade biológica neste sistema a ser estudada. Se cada cidade possui seu reinado, suas entidades, seus encantados, quantos mais espíritos errantes (e vidas concretas) poderiam encontrar refúgio nesta natureza se assim ela permanecesse?


  • KOPENAWA, D.; ALBERT, B. A queda do céu. São Paulo: Ed. Cia das Letras, 2014.

 


Suzy_Okamoto_perfil_NoBrasilSUZY OKAMOTO
Artista visual, Mestre em artes visuais em Estética e História da Arte pelo Instituto de Artes da Unesp. Professora do Núcleo de Design do Centro Universitário de Belas Artes, aonde leciona as disciplinas direcionadas para a pesquisa e criação. Entre suas principais exposições estão “Dor, forma e Beleza”, na Pinacoteca do Estado de SP, IX Salão de Arte da Bahia – Museu de Arte Moderna de Salvador, além de participação em diversos festivais internacionais de vídeo.
Rafael_Avancini_perfil_NoBrasil-1RAFAEL AVANCINI
Fotógrafo e cinematógrafo gaúcho. Trabalha principalmente com música, moda e arte. Tem sua pesquisa autoral em torno do nu, da performance e das poéticas do corpo, Como cinematógrafo participou do longa-metragem “Amor Líquido”, do diretor Vítor Steinberg e dos curtas, “Coquetel Motolove” junto à escola de cinema Inspiratorium e “Fantasma da Saudade no Vale da Morte” de Lufe Bollini, ganhador do Lisbon International Film Festival 2016 como Best Underground Film” .
Jurema Sagrada
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Naná Vasconcelos: instrumento de reinventar som

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Afrotranscendence recebe reedição em formato vinil da obra “Africadeus – O repercutir da música” em lançamento no Brasil pela Harmonipan Studio e convida para abrir um diálogo com a obra do produtor musical Mahal Pita.

por Neomísia Silvestre
Foto capa: Itamar Crispim.

 

Berimbau. O instrumento redescobriu o homem. Naná. O homem transformou barulho-música, ruído-música, silêncio-música. Juntos, criaram uma nova percepção de pensar a sonoridade negra e romperam fronteiras definidas duma capoeira que não lhes cabia. Foram do toque angola ao jazz experimental de Pat Metheny. Afinal, corpo-instrumento que não carrega limitação, ganha o mundo. E assim o fez Naná Vasconcelos (1944-2016), músico pernambucano, aclamado mundialmente como um dos melhores percussionistas e mestre na arte do berimbau, dono de uma intuição única.

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Em entrevista dada à artista e produtora cultural Juci Reis, ele diz que o instrumento lhe deu uma concepção musical e espiritual capaz de mudar sua vida. Seu álbum de estreia, “Africadeus”, lançado na França em 1972, inaugura e nos presenteia um jeito experimental de fazer e pensar a música negra no mundo:

“Africadeus me fez espiritualmente tomar consciência de mim mesmo, me disciplinar, me organizar, ser um solista de percussão. Africadeus representa a espinha dorsal da nossa cultura, que é a África”.


Juci é responsável pela pesquisa, produção e formatação do livro-CD “Africadeus – O repercutir da música”, relançado pela Harmonipan Studio, em 2014. “Africadeus se constitui como uma espécie de registro de relevância cultural para a música afro-brasileira, latino-americana e africana. Uma obra à frente de seu tempo que, desde 1972, combina a força da música negra com o free jazz – conceitos ligados à experimentação – e descoberta de outros instrumentos sonoros, porém, que na ausência de interesse e registro de transmissão, viveu no culto, na obscuridade comercial e na segregação polarizada, especialmente no Brasil”, diz.

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No início de sua careira, Naná era baterista. Quando migrou para o berimbau e passou a explorar suas possibilidades sonoras, relata que tinha certo medo de tocar no Brasil, por experimentar certos ritmos que não eram da capoeira e, assim, provocar e transcender o tradicional. “Tocar berimbau foi um grande desafio, pois quando você faz uma coisa que só você faz não é fácil. Eu procurei fazer um grupo com brasileiros, mas não deu muito certo porque todo mundo estava querendo a Bossa Nova. Esse negócio de solo, fazer show com apresentação de berimbau me levou a descobrir o corpo. (…) Eu sou um Brasil que o Brasil não conhece”. 

Dos primeiros exemplos de artistas que se destacam internacionalmente e depois regressam com certo prestígio ao país de origem, Naná não atraía refletores, como os vanguardistas da Tropicália ou da Bossa Nova. Como explica Juci, o artista experimentou a segregação e o mascaramento da indústria fonográfica brasileira, uma realidade assinalada por certo esvaziamento ou esquecimento notável quando se trata de músicos afro-brasileiros. A exemplo, Africadeus nunca pôde ser lançado no Brasil ou distribuído oficialmente; e se caracteriza por excelência experimental e resistência, por ter passado mais de 40 anos para ser reconhecido em território nacional.

 

 

Africadeus em vinil

Lançado em 2016 em equipamentos culturais da América do Norte, como MoMA, Museu de Arte Moderna de Nova York, Africadeus chega ao Brasil pelo Harmonipan Studio, que traz a reedição da obra de Naná Vasconcelos em formato vinil e faz um dos seus lançamentos durante o Afrotranscendence, no dia 29 de outubro, no Red Bull Station, às 18h30, em São Paulo. O processo de pesquisa e elaboração do vinil foi desenvolvido ao longo de quatro anos, junto a parceiros nacionais e internacionais, a fim de assegurar os lançamentos e distribuições no Brasil em 2016, sem nenhum apoio institucional brasileiro.

Composto por três peças de longa duração, em torno de 40 minutos, onde a experimentação com o berimbau é sublinhada pelo imaginário de Naná, a obra é considerada fundamental para a inauguração da música experimental brasileira, ao mesmo tempo em que pede atenção às possibilidades e não fronteiras da musicalidade afro-brasileira; além de potencializar a difusão da história da nossa música por meio da obra de Naná.

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Durante o processo de pesquisa e produção do vinil, Juci nos conta que o projeto de cunho experimental possibilitou a construção de uma pesquisa sobre música negra no Brasil com foco no reconhecimento e na valorização das obras de importância histórica para a cultura afro-brasileira. Também, de maneira substancial, que permitesse o lançamento de uma obra que fortalecesse tanto a cultura nacional como a identidade dos grupos afro-brasileiros.

“Foram catalogados mais de 200 obras sonoras desenvolvidas entre 1960 e 1980 por artistas afro-brasileiros e/ou que experimentavam sonoridades por meio de elementos de matriz africana (…). Destaquei nessa pesquisa a necessidade da reedição de Africadeus por sua potência enquanto registro sonoro de grande relevância à música brasileira, que reúne elementos da musicalidade de matriz africana, da oralidade e da cultura regional. Segundo o próprio Naná Vasconcelos afirma, ‘precisamos de movimentos como esses para não deixar que morram manifestações de nossa cultura que, por falta de registro, estão desaparecendo’”.

Pesquisa e processos: Mahal Pita e Africadeus

 

A partir de conversas entre Juci e Diane Lima, curadora do AfroT, surgiu a ideia de explorar a pesquisa sonora de Naná, ativando-a, dando vida e homenageando o músico que faleceu em março deste ano, a partir da produção de Mahal Pita, que teve acesso ao material de pesquisa e irá experimentar as possibilidades e reverberações de Africadeus no laboratório AfroTrans e numa apresentação no dia 29.

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Mahal Pita + Africadeus

 

Mahal que é baiano, produtor musical, diretor criativo e integrante do Baiana System, é um dos mentores desta edição do Afrotranscendence e, com os imersos, soma a ressignificação da música negra na obra de Naná com sua linha de pesquisa e produção sobre a transfiguração das culturas urbanas da Bahia, conectando-as com possibilidades tecnológicas e estímulos contemporâneos da diáspora global. Sua pesquisa passa por experimentações entre som e imagem, desenvolvendo projetos que transitam pelo multiverso do popular urbano baiano na fronteira entre o sagrado e o profano.

Um diálogo imperdível que ressignifica, atualiza e cria na frequência dos tempos.

Uma experiência que se referência na obra edificada por um grande músico que deixou como legado um jeito negro de fazer música.

A valorização do trabalho de quem registra, documenta e pesquisa como forma de produzir conhecimento deixando para quem vem depois formas de mergulhar no patrimônio afro-brasileiro.

Uma performance, que abre ao som da língua e do corpo, a nossa comunicação transcendental.

 


Serviço:

AfroTranscendence 2016

Red Bull Station – Centro de SP

Praça da Bandeira, 137 – Centro, São Paulo
www.redbullstation.com.br

18h – Uma performance contada, um palestra cantada
Mahal Pita + Lançamento vinil AfricaDeus de Naná Vasconcelos – entrada gratuita

Evento do facebook aqui

 

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ASSISTA AO 7° EPISÓDIO DA SÉRIE AFROTRANSCENDENCE COM SALLOMA SALOMÃO

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Nesse sétimo episódio da nossa série, o historiador e pesquisador Salloma Salomão, traça uma perspectiva histórica de como se construiu o racismo na sociedade brasileira, fala sobre identidade nacional, mestiçagem e as estratégias discriminatórias criadas no ocidente para justificar a escravidão.

“O que são os negros na sociedade brasileira? Como eles são socialmente vistos? Existe um negro jeito de ser ou a condição dos negros é determinada sobretudo pelo seu lugar social de subalternidade e de falta de acessos aos bens públicos? Os negros são mortos pela polícia e a justiça não toma atitude? Porque a justiça não toma atitude quando são jovens negros que estão sendo mortos? Porque que a mídia reage diferente quando é morte de população negra, periférica e pobre da morte de alguém da classe média branca? Sabe porque? Porque a mídia nessa sociedade é um instrumento fundamental do poder e ela nos emite mensagens que incidem sobre a nossa autoimagem individual e coletiva.”

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Nesse sétimo episódio da nossa série, o historiador e pesquisador Salloma Salomão, traça uma perspectiva histórica de como se construiu o racismo na sociedade brasileira, fala sobre identidade nacional, mestiçagem e as estratégias discriminatórias criadas no ocidente para justificar a escravidão.

 

Sobre Salloma Salomão:

Músico, Performer, Historiador e Pesquisador. Doutor em História pela PUC São Paulo. Pesquisador associado do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa é atualmente professor de História da África e Diáspora Negra no Centro Universitário Fundação Santo André. Consultor da Secretaria de Educação do Município de São Paulo tem como especialidades temas como cultura musical, lutas pela liberdade, práticas culturais negras no século XIX e XX, identidades étnicas e movimentos negros urbanos, sociabilidades negras em São Paulo e musicalidades africanas.

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Websérie AfroTranscendence:

Dirigido por Yasmin Thayná
Escrito por Diane Lima
Produção: Hanayrá Negreiros
Direção de fotografia: Raphael Medeiros
Som: Avelino Regicida
Montagem: Victor Guerra
Still: Alile Dara Onawale

 

Vá Fundo.

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JUREMA: Axis mundi*

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Em resumo, o aprendizado do dia: apropriar-se das ervas em dissonância com a natureza pode ter consequências indesejáveis ou mobilizar energias desconhecidas.

IMAGENS, ÁUDIO E VÍDEO CRIADOS COM O IPHONE SE

Fui na mata buscar Jurema

Fui, fui, fui, fui,

Fui na mata buscar ela

Para me fazer feliz!

[canção tabajara para a Jurema]

“Est autem fides sperandarum substantia rerum, argumentum non apparentium”. [Hebreus, XI]**

Jurema é, antes de tudo, o nome popular da árvore do gênero acácia. Só como árvore já daria uma exaustiva compilação simbólica. Universalmente, a árvore é o símbolo da morte e da regeneração, símbolo das relações entre o céu (galhos) e a terra (raízes); representa um eixo no qual percorrem todos os que passam do visível para o invisível. Do carvalho para os celtas, oliveiras para o Islã, à Árvore das Almas do filme Avatar de James Cameron muitas são as “árvores do mundo”. A Acácia-jurema não poderia ser diferente: ela aparece na Bíblia como a madeira do santuário de Javé (Exôdo, 35-40), na lenda africana bambara como a lasca de madeira que deu origem ao zunidor e também no hinduísmo como matéria-prima da concha sacrificial de Brahma. É também a matéria da coroa de Cristo cujos espinhos evocam os raios do sol e o triunfo.


  * 1 Eixo do mundo
** Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêm.
Rafael Avancini - Cidades Invisíveis

T

Todos os aspectos simbólicos nos dão pistas para nos aproximarmos da devoção que está em torno desta árvore. A transversalidade destas informações amparam o teor sincrético do próprio culto. Dados concretos como as propriedades físicas da madeira ou químicas da Jurema endossam e também trazem equívocos à sua importância. As raízes e as cascas da  jurema preta (mimosa hostillis),  do qual é feito o vinho da Jurema, apresenta o alcalóide N,N dimetiltriptamina – DMT, uma substância alucinógena cujos efeitos são comparados ao LSD nas visões lisérgicas e mudanças das percepções. No entanto, nada garante que ao ingerir o vinho de jurema, fora do contexto mágico-religioso, possamos ser arrebatados pelos espíritos dos mestres ou encantados. Mesmo porque o vinho da jurema é um sacramento destinado somente aos juremeiros, especialmente no momento de seu “tombo”, quando ele oferece alimento às suas correntes espirituais e cujos conhecimentos eles guardam em segredo. O mesmo ocorre em relação aos cultos – torés – dos índios Tabajaras aonde eles compartilham a bebida entre si com o objetivo de entrar em contato com os seus antepassados e com as forças da natureza.

Bate asa e canta galo* – Templo Espírita de Jurema Mestra Jardecilha

Uma coisa é apreender a Jurema-árvore por um processo intelecto-simbólico e a outra é vivenciar a magia e a fé que a circunda. Ao chegar no Templo Espírita de Jurema Mestra Jardecilha**, em Alhandra, a relação entre a natureza e o culto da Jurema Sagrada se desvela. O terreiro é rodeado por onze juremas pretas, uma jurema branca, um manacá e três aroeiras. Em dias claros, reina uma sombra e uma brisa suave faz as árvores farfalharem entre o canto do galo e o barulho da cidade. O lugar tem dimensões mágicas de uma floresta encantada. Um efeito sinéstesico se faz presente quando o sons, as cores e aromas das ervas plantadas se misturam aos relatos de Lucas Souza, neto da Mestra Jardecilha (1934-1988) e herdeiro espiritual da casa.


* Cantiga de abertura de mesa do Catimbó.
** Detalhes da história da Mestra Jardecilha podem ser encontrados no artigo “Cidade da Mestra Jardecilha”: memória e identidade de um território simbólico em Alhandra de Francisco Sales de Lima Segundo http://www.29rba.abant.org.br/resources/anais/1/1401160851_ARQUIVO_cidade-mestra-jardecilha-rba-natal.pdf

Rafael Avancini - Cidades Invisíveis

E

Entre uma cachimbada e outra, Lucas, 21 anos, estudante de Ciências da Religião da Universidade Federal da Paraíba, conta com eloquência a história do terreiro e de sua trajetória espiritual. Assim como a sua avó, muito cedo, aos 7 anos, Lucas apresentou sinais de mediunidade; aos 15 anos tombou – foi para o mundo espiritual em sonho – na jurema, e aos 17 raspou a cabeça para Omulú no Candomblé, em suas palavras, em agrado e respeito à sua ancestralidade. Desde então,  assumiu a responsabilidade da casa, cuidando de quem o procura, assim como cuidando da tradição da Jurema. Seu mentor espiritual é Mestre Canito, um cangaceiro austero e de fala objetiva. Em muitos momentos, durante a conversa, Lucas parece tomar a forma oculta de alguém mais velho. Uma presença paira no ar. Um olhar absorto, pausas longas entre um assunto e outro, como se estivesse a escutar algo que os outros ao redor não podem ouvir. Fala sobre o universo da jurema: as cidades, o cruzeiro de 7 pontas, o maracá, o cachimbo e a bebida-jurema. 

[…] 7 anos eu passei foi em terra

outros 7 eu passei foi no mar
Ó jurema preta senhora rainha
abra a cidade mas a chave é minha.

[cantiga do Catimbó]

Rafael Avancini - Cidades Invisíveis

S

Sete são as pontas do cruzeiro da Jurema, sete são as cidades sagradas e suas ciências: Angico, Manacá, Junça, Catucá, Aroeira, Jurema – Plantas, árvores ou áreas de florestas – e Tambaba, esta última, uma cidade encantada por onde passam todos os espíritos antes que cheguem para trabalhar no Catimbó. Segundo Lucas, estas cidades invisíveis  e seus espíritos habitantes detêm conhecimento dessas energias, magia e medicina. Por intermédio de seus médiuns, os espíritos cultuam, emanam e abalam essas forças para assim triunfarem em seus trabalhos. O maracá com o seu som faz o discípulo entrar em transe, exorciza os seres indesejados e chama a ancestralidade. A fumaça do cachimbo é o meio de comunicação com o universo herdada da tradição indígena.

Na prática de Alhandra, a jurema de salão, como é chamada a bebida servida às entidades nos cultos, é feita de vinho de jurema, cachaça com mel de engenho e ervas. O vinho da jurema é preparado poucas vezes. No Templo da Mestra Jardecilha, o último preparo aconteceu há nove anos atrás e foi e é usado em rituais fechados. Neste legado, o vinho da jurema auxilia o discípulo a compreender os caminhos da cura de problemas de saúde, especialmente os mentais e emocionais nas escutas astrais e interações com campos cósmicos presentes em uma erva ou na natureza. Lucas deixa bem claro sobre a importância dos segredos e das restrições que cercam o uso do vinho, bem como demonstra uma preocupação com o uso recreativo de psicoativos como o DMT e o canabinóides.

Uma cena presenciada durante a nosso encontro nos colocam também neste lugar de atenção. Ao assistirmos a discreta D. Nina – mãe de Lucas e filha da Mestra Jardecilha – cuidando das plantas, observamos que a cada retirada de uma minúscula folha, ela fecha os olhos, pede licença e faz um prece, demonstrando profundo respeito à natureza. Sua relação com as ervas é visceral: as ervas são sua extensão. D. Nina não incorpora entidades mas tem um papel fundamental na casa. Ela é a cabeça de mesa do Templo. Ela auxilia as entidades, traduzindo a sua fala aos consulentes, faz rezas e benzeduras com ervas. Cinco minutos com ela é o suficiente para conhecer ervas e encantamentos das quais nunca ouvimos falar. Em resumo, o aprendizado do dia: apropriar-se das ervas em dissonância com a natureza pode ter consequências indesejáveis ou mobilizar energias desconhecidas.

Esta mesma dimensão extraordinária é relatada pelos índios Tabajaras que habitam o litoral da Paraíba. Nos antecedentes indígena da Jurema, (que veremos no próximo post) conhecimentos botânicos, conhecimentos espirituais, soluções de problemas de saúde, de sortilégios, bem como festas e danças não são categorias estanques. Constantemente, estas esferas tem suas fronteiras borradas ou sobrepostas, o que nos leva a confirmar o ponto de Oxóssi que canta: tempo disse, tempo dirá, que é funda a raiz da Jurema.

Suzy_Okamoto_perfil_NoBrasilSUZY OKAMOTO
Artista visual, Mestre em artes visuais em Estética e História da Arte pelo Instituto de Artes da Unesp. Professora do Núcleo de Design do Centro Universitário de Belas Artes, aonde leciona as disciplinas direcionadas para a pesquisa e criação. Entre suas principais exposições estão “Dor, forma e Beleza”, na Pinacoteca do Estado de SP, IX Salão de Arte da Bahia – Museu de Arte Moderna de Salvador, além de participação em diversos festivais internacionais de vídeo.
Rafael_Avancini_perfil_NoBrasil-1RAFAEL AVANCINI
Fotógrafo e cinematógrafo gaúcho. Trabalha principalmente com música, moda e arte. Tem sua pesquisa autoral em torno do nu, da performance e das poéticas do corpo, Como cinematógrafo participou do longa-metragem “Amor Líquido”, do diretor Vítor Steinberg e dos curtas, “Coquetel Motolove” junto à escola de cinema Inspiratorium e “Fantasma da Saudade no Vale da Morte” de Lufe Bollini, ganhador do Lisbon International Film Festival 2016 como Best Underground Film” .
Jurema Sagrada
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AfroTranscendence recebe mostra de filmes do Festival de Cinema Africano do Vale do Silício

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Em parceria com o SVAFF, Afrotranscendence terá exibição de curtas, seguido de conversa com os cineastas Chike C. Nwoffiah (Nigéria) e Yasmin Thayná (Rio de Janeiro). A entrada é gratuita.

 

Resultado do intercâmbio entre o NoBrasil e o Festival de Cinema Africano do Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, o programa de imersão Afrotranscendence recebe cinco produções cinematográficas da África do Sul, Egito, Quênia, Camarões e Etiópia durante a programação aberta ao público, no Red Bull Station, centro de São Paulo. Com entrada gratuita, a mostra acontece no sábado (29), às 16h, seguida de conversa com os cineastas Chike C. Nwoffiah, idealizador do SVAFF – Silicon Valley African Film Festival, e Yasmin Thayná, diretora de Kbela e idealizadora do Afroflix.

A proposta surgiu durante a participação da diretora criativa do NoBrasil Diane Lima no African Diaspora Investment Symposium, evento que reuniu líderes da diáspora africana no Vale do Silício, em fevereiro. Segundo ela, que é também integrante do conselho curatorial do Festival e selecionou os cinco filmes que serão exibidos no AfroT, um dos objetivos principais do SVAFV – Conexão Brasil é fomentar a criação, a produção e novas possibilidades de difusão e articulação em rede, sobretudo, pensando o protagonismo das mulheres negras no mercado audiovisual. Estes filmes, retratam uma África não estereotipada e contribuem para a construção de novas narrativas sobre o imaginário africano, tocando em temas como arte, inovação e tecnologia, como a ficção científica “Pumzi” (2009), da África do Sul, dirigida por Wanuri Kahiu, e “Alma” (2015), Camarões, direção de Christa Eka Assam, que adentra questões de relacionamento abusivo e violência doméstica.

Chike, cineasta e diretor nigeriano, premiado pelo California Arts Council Director’s Award e listado como um dos 10 afro-americanos mais influentes na San Francisco Bay Area, pela CityFlight Magazine, vem ao AfroTranscendence para falar sobre a perspectiva da produção cinematográfica na diáspora africana por meio da exibição desses cinco curtas e de sua experiência como idealizador do SVAFV. Com ele, a cineasta carioca Yasmin Thayná irá mediar a conversa, traçando um diálogo entre continentes e discutindo estéticas, linguagens e estratégias de visibilidade e produção do cinema nacional.

 

Do lado de lá



De 14 a 16 de outubro acontece a 7ª edição do Festival de Cinema Africano do Vale do Silício, a fim de conectar e fortalecer o intercâmbio das diásporas africana do Brasil, EUA e mais de 15 países africanos. Por aqui, cinco filmes brasileiros foram selecionados e serão exibidos no Spotlight Brazil (Holofote Brasil), no estado da Califórnia, Estados Unidos.

Foram 33 inscritos e uma seleção feita por júri formado por membros de mais de sete países, que tiveram como requisito obras que refletissem imagens, narrativas e histórias que trouxessem como inspiração os trânsitos da cultura afro-brasileira. São elas: “Das Raízes às Pontas” (Flora Egécia); “Hora do Lanche” (Cláudia Mattos); “Kbela” (Yasmin Thayná); “Òrun Àiyé” (Jamile Coelho e Cintia Maria); e “Porto da Pequena África” (Cláudia Mattos).

“A colaboração com o SVAFF é uma tentativa de criar um espaço que permita dar visibilidade e fôlego internacional para que as demandas estruturais que nos colocam à margem dos processos produtivos e criativos possam ressoar trazendo a maior participação de mulheres negras  e, por conseguinte, na criação de novas narrativas e linguagens que rompam com estereótipos e nos atualize para que não mais sejamos uma projeção do que o sistema colonial predeterminou. Por isso o intercâmbio e a necessidade de abrir uma janela da produção brasileira na Califórnia e uma janela com filmes africanos, aqui”, diz Diane Lima, que também integrou o júri.

Saiba mais sobre os filmes e programe-se!

Programação SVAFV no Afrotranscendence

Pumzi (2009)
África do Sul/Quênia / 21 min
Diretor: Wanuri Kahiu

Uma ficção científica que apresenta um planeta Terra sem água, vida vegetal e animal. Asha, uma jovem da Comunidade Maitu, recebe uma misteriosa caixa com uma amostra de solo e decide plantar uma semente, que germina. Então sai em busca de qualquer evidência de vida para salvar o crescimento da planta e talvez do planeta.

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The Shoe Maker Pages (2016)
Etiópia / 09 min
Diretor: Girum Ermyas Gebereselassie

Mr. Gulilat é um senhor solitário que conserta sapatos há 47 anos. Por meio dos sapatos que recebe para reparo, escuta os problemas de seus clientes, moradores da comunidade onde vive. Mas os seus conflitos internos, quem está interessado em ouvir?

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Alma (2015)
Camarões / 22 minutes
Diretor: Christa Eka Assam
Presa em um relacionamento abusivo, acompanhamos a história de Alma se desdobrar e ver os efeitos da violência doméstica sobre ela e sua filha pequena, Linda.

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Uthando – Love (2014)
África do Sul / 24 min
Diretor: Tulanana Bohela

Uma tragédia em torno de um triângulo amoroso entre duas irmãs e um amante, que desencadeia numa luta com a autoestima, o ciúme e a lealdade; além de ameaçar a forte ligação das irmãs. O arrependimento tem seu custo.

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3 Candles (2013)
Egito / 16 min
Diretor: Ahmed Fouad
Em uma aldeia pobre e isolada, três jovens irmãos são confrontados com o desafio de manter a luz acesa para que possam estudar. Em uma demonstração de amor altruísta e de sacrifício, o mais velho deles prova criativamente que a necessidade gera invenção.

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