Category: Celebração

Seleção Imersão AfroTranscendence

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Confira a lista dxs selecionadxs da imersão 2016.

 

Foram quase 300 inscritos para o programa de imersão em processos criativos AfroTranscendence que acontece de 26 a 29 de outubro no Red Bull Station, em São Paulo. Os selecionados participarão de um programa intensivo com especialistas, artistas e pesquisadores e a seleção levou em consideração critérios como portfólio, localidade, gênero, pesquisa e expressão artística além do equilíbrio entre um participante e outro, na tentativa de criar um grupo que se complementasse no ato de aprendizagem: sem dúvida foi uma seleção difícil e complexa. Primeiro porque não tivemos apenas quantidade mas sobretudo qualidade. Depois porque o projeto não tenta travar uma lógica competitiva, não trata de ser um melhor que o outro, tivemos diversos casos de trabalhos de uma mesma linguagem onde 7 ou 8 eram muito bons, o que é muito positivo. Por isso, estamos felizes em dizer que precisaríamos de umas 5 edições de AfroTranscendence para dar conta de tanta gente boa que queríamos que estivesse com a gente trocando, ensinando e compartilhando conhecimento. E esse fato vem para desmistificar mais uma vez a ideia de que a produção afro-brasileira não tem qualidade e revelar que o que acontece é um racismo adormecido nas bases somado a falta de pesquisa. De todo modo estamos pensando alternativas para que possamos nos conectar com todo mundo que se inscreveu e fomentar novos encontros nesta edição ou nas próximas, completa a curadora do projeto Diane Lima.

O NoBrasil agradece a todxs que se inscreveram com a certeza que em breve estaremos juntxs em novas oportunidades e dá as boas-vindas aos que agora serão caminho para uma nova criação. 

Confira a lista e mais informações acesse: http://nobrasil.co/afrotranscendence/

 

 

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PAI-NOSSO COM DEUS TUPÃ

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Desarmar as armadilhas do senso comum, a principal delas: a visão idílica e romantizada dos indígenas, foi o nosso maior desafio.

Fotos e vídeos criados com o iPhone SE

“Afirmar que os índios estão ‘próximos à natureza’ é uma forma de contra-senso […]

para estar próximo a natureza é preciso que a natureza exista…” (Philippe Descola)

O encontro com os índios tabajaras foi um ponto de inflexão na trajetória da pesquisa. A primeira interlocução na Aldeia Barra do Gramame foi com a D. Maria José, mãe de Cacique Carlos Tabajara. Sob a oca, ela pegava os remédios de “brancos” junto aos médicos da Funai. Um verdadeiro balde de água fria em nossa busca pelo gérmen do culto religioso que envolve medicina vernacular. Desarmar as armadilhas do senso comum, a principal delas: a visão idílica e romantizada dos indígenas, foi o nosso maior desafio.

A despeito de D. Maria José fazer uso dos medicamentos da medicina convencional, ela conhece bem as plantas e o uso delas. Apontando para as ervas da aldeia diz: Tudo é remédio. Hortelã da folha grande… Fazemos lambedor* do cajueiro roxo, lambedor de cupim … Tudo a gente faz remédio. Folha da mangueira… cana da índia para dor nos rins… chá de raiz de vassourinha…”.  D. Maria José atribui à Deus os seus conhecimentos. Em um claro argumento cristão, ela diz: “Eu não acredito que ninguém venha ao mundo que não seja ao Pai e o Filho. Mas complementa: E aqui, entre os índios da gente tem o Deus Tupã… quando estamos entre os antepassados, na hora do toré*, a reza é Pai Nosso com o Deus Tupã“.


  • xarope
  • culto, festa, dança de roda

Rafael Avancini - Cidades Invisíveis

D. Maria José Tabajara

Ao indagá-la sobre a Jurema, D. Maria José simplesmente nos responde: “aqui não tem jurema, não… jurema tem em Alhandra. Mas tem muitas músicas…”. E canta: “Tabajara é guerreiro, Tabajara no seu Juremá…”. O conteúdo desta cantiga nos traz o fio da meada que conduz à Jurema Sagrada. Na tradição do Catimbó, Juremá é reino dos cultos primitivos às forças da natureza. Suas forças não acossam (não são incorporadas),  elas são invocadas. Este Reino é governado por Tupã, a mesma divindade suprema da mitologia dos indígenas de língua tupi. Todavia, para os Tabajaras – senhores do rosto da terra*  a Mãe-Terra é a figura mítica dominante e a pajelança é em torno e dentro dela.

Relato Cacique Carlinhos Tabajara

Olhe, a gente trabalha de maneira sutil e tem hora pra isso.  Nós vamos pra dentro de uma mata de acordo com a natureza, a nossa Mãe Terra. Nós vamos para dentro do cabelo dela porque ali chegam diversos antepassados nossos para observar e nós chegamos para conversar com eles. Então, ali fazemos os nossos pedidos. Ali, chegam no pensamento da gente, o que a gente quer enxergar. Uma dúvida que a gente tem. Chega uma música que a gente não sabia. Nós fazemos os pedidos de segurança para o nosso povo e para nossas lideranças. Para tudo temos hora. É dessa forma que a gente respeita nossa mãe natureza: Amando os cabelos dela. A gente acha protegido dentro do cabelo da Mãe Terra porque ali é nossa casa. Nós não queremos isto: esta devastação mexendo nos cabelos, principalmente onde o cabelo está mais bonito. […] Olhe, a nossa Mãe-terra é a nossa mãe.  E mãe se zela, não é pra negócio. Não é pra se vender não é pra se trocar. Quem quer dar fim à sua mãe? […] Nós somos contra a venda das terras dentro das sesmarias do nosso território. […] Nós fazemos nossos rituais nós agradecemos por tudo que a natureza nos dá. Nós agradecemos o peixe que a gente pesca no Rio Gramame, no Rio Graú, que é em Tambaba, no Rio Abaí, no Rio Bucatú. […] Tudo nós agradecemos pelo que Deus dá a gente. Todas as nossas músicas são pedidos: nossas músicas da Jurema, nossas músicas das matas, nossas músicas dos nossos antepassados… São momentos de alegria no toré e também são pedidos. Como a gente tem a cautela e a sutileza de fazer estes trabalhos temos a coerência de tirar o remédio ou tirar um pau da mata pra fazer uma escora ou uma oca. Nós temos que pedir licença a nossa mãe-terra e ao nosso pai Tupã. [..] Nós éramos um povo que acreditávamos no fogo, na lua e no sol. O fogo é fogo o sol é Guaraci e a lua é Jaci. Mas era um povo que tinha fé. […] Hoje nós somos um povo indígena aculturado. Aculturado quer dizer o que? Quer dizer que nós temos outras culturas de outros povos mas nós não esquecemos da nossa. Nós temos a própria cultura-mãe.


  • Segundo o Vocabulário de Bluteau, de 1721, etimologicamente, tabajaras vem do tupi tobayara que significa senhores do rosto da terra. Considerados extintos, em 2006 iniciaram um processo de reconhecimento étnico, oficializado em 2010 pela FUNAI e Ministério Publico Federal. A população atual é de aproximadamente 1000 habitantes que residem nas cidades de Conde, Alhandra e arredores de João Pessoa.

 

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O traço messiânico é presente nesta fala. No entanto, a solicitude revelada no timbre grave da voz nos desconcerta. Nos desconcerta porque o que pensávamos ser a “origem” da Jurema Sagrada não é. Jurema é só um dos fios desta madeixa. Para além do foco da nossa pesquisa, Cacique Carlos nos apresenta o próprio emaranhado dos cabelos da Mãe-Terra: a secular questão territorial permeada pela violência, o desaparecimento dos tabajaras, o reconhecimento étnico recente, as questões ambientais que atravessam e são atravessadas pela evangelização e pela pajelança “aculturada” à qual ele se refere como sendo a sua base de estudos  e na qual os tabajaras são capazes de modificar seu (nosso) destino.

Nós temos nossas pajelanças. […] Nós temos muitas simpatias. […] Nós temos simpatia de proteção. Temos a simpatia de fazer fogo. Temos nosso toré da chuva. […] Nós temos essas inteligências. […] Nós sabemos como é que a gente espanta uma pessoa sem dizer nada e ele. […] As simpatias mais fortes e as palavras de nossa reza para afugentar a dor, a gente não pode ensinar. É um segredo.  Sabe quem tiver experiência e quem nasceu pra aquilo.

Rafael Avancini - Cidades InvisíveisCacique Carlos Tabajara

 

Cacique Carlos nos conta sobre a presença dos espíritos dos antepassados nos torés. Diz ser possível escutá-los e até vê-los. Simone Tabajara, sua esposa, tem um relato semelhante – “quando estamos reunidos dançando… a energia… a música… quando a gente canta, os espíritos do antepassados chegam na hora. Igual a eu fazer um cocar: tem um espírito ajudando, me dando força. Tudo que eu aprendi a fazer, eu vi em um sonho – nos lembrando da afirmação do líder yanomami Davi Kopenawa –  “quem não é olhado pelos xapiripë (espíritos) não sonha, só dorme como um machado no chão*.” anunciando a triste sina de nos tornarmos uma ferramenta potente, mas inerte e sem vida.

Para os tabajaras, dançar, fazer pedidos, afastar maus-espíritos, cantar, Deus, Tupã estão no mesmo plano de imanência: trabalhar pode ser um modo de ser tocado pelo espírito, sonhar é um modo de aprender. Mas tudo isto depende da integridade da Mãe-Terra. Não se trata exclusivamente da questão territorial. É o que o antropólogo Kaj Århem chama de ecosofia: um sistema integral de idéias, valores e prática […] um conhecimento ecológico convertido em crença. Para os índios, se não houver mata não há espíritos ou inteligência. A exuberância das matas é diretamente proporcional a possibilidade da existência em plenitude.

As cidades encantadas da Jurema Sagrada são elementos desta mata a serem preservados. Angico, Manacá, Junça, Catucá, Aroeira, Jurema e Tambaba não são meras metáforas ou símbolos. Existe uma realidade biológica neste sistema a ser estudada. Se cada cidade possui seu reinado, suas entidades, seus encantados, quantos mais espíritos errantes (e vidas concretas) poderiam encontrar refúgio nesta natureza se assim ela permanecesse?


  • KOPENAWA, D.; ALBERT, B. A queda do céu. São Paulo: Ed. Cia das Letras, 2014.

 


Suzy_Okamoto_perfil_NoBrasilSUZY OKAMOTO
Artista visual, Mestre em artes visuais em Estética e História da Arte pelo Instituto de Artes da Unesp. Professora do Núcleo de Design do Centro Universitário de Belas Artes, aonde leciona as disciplinas direcionadas para a pesquisa e criação. Entre suas principais exposições estão “Dor, forma e Beleza”, na Pinacoteca do Estado de SP, IX Salão de Arte da Bahia – Museu de Arte Moderna de Salvador, além de participação em diversos festivais internacionais de vídeo.
Rafael_Avancini_perfil_NoBrasil-1RAFAEL AVANCINI
Fotógrafo e cinematógrafo gaúcho. Trabalha principalmente com música, moda e arte. Tem sua pesquisa autoral em torno do nu, da performance e das poéticas do corpo, Como cinematógrafo participou do longa-metragem “Amor Líquido”, do diretor Vítor Steinberg e dos curtas, “Coquetel Motolove” junto à escola de cinema Inspiratorium e “Fantasma da Saudade no Vale da Morte” de Lufe Bollini, ganhador do Lisbon International Film Festival 2016 como Best Underground Film” .
Jurema Sagrada
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Naná Vasconcelos: instrumento de reinventar som

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Afrotranscendence recebe reedição em formato vinil da obra “Africadeus – O repercutir da música” em lançamento no Brasil pela Harmonipan Studio e convida para abrir um diálogo com a obra do produtor musical Mahal Pita.

por Neomísia Silvestre
Foto capa: Itamar Crispim.

 

Berimbau. O instrumento redescobriu o homem. Naná. O homem transformou barulho-música, ruído-música, silêncio-música. Juntos, criaram uma nova percepção de pensar a sonoridade negra e romperam fronteiras definidas duma capoeira que não lhes cabia. Foram do toque angola ao jazz experimental de Pat Metheny. Afinal, corpo-instrumento que não carrega limitação, ganha o mundo. E assim o fez Naná Vasconcelos (1944-2016), músico pernambucano, aclamado mundialmente como um dos melhores percussionistas e mestre na arte do berimbau, dono de uma intuição única.

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Em entrevista dada à artista e produtora cultural Juci Reis, ele diz que o instrumento lhe deu uma concepção musical e espiritual capaz de mudar sua vida. Seu álbum de estreia, “Africadeus”, lançado na França em 1972, inaugura e nos presenteia um jeito experimental de fazer e pensar a música negra no mundo:

“Africadeus me fez espiritualmente tomar consciência de mim mesmo, me disciplinar, me organizar, ser um solista de percussão. Africadeus representa a espinha dorsal da nossa cultura, que é a África”.


Juci é responsável pela pesquisa, produção e formatação do livro-CD “Africadeus – O repercutir da música”, relançado pela Harmonipan Studio, em 2014. “Africadeus se constitui como uma espécie de registro de relevância cultural para a música afro-brasileira, latino-americana e africana. Uma obra à frente de seu tempo que, desde 1972, combina a força da música negra com o free jazz – conceitos ligados à experimentação – e descoberta de outros instrumentos sonoros, porém, que na ausência de interesse e registro de transmissão, viveu no culto, na obscuridade comercial e na segregação polarizada, especialmente no Brasil”, diz.

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No início de sua careira, Naná era baterista. Quando migrou para o berimbau e passou a explorar suas possibilidades sonoras, relata que tinha certo medo de tocar no Brasil, por experimentar certos ritmos que não eram da capoeira e, assim, provocar e transcender o tradicional. “Tocar berimbau foi um grande desafio, pois quando você faz uma coisa que só você faz não é fácil. Eu procurei fazer um grupo com brasileiros, mas não deu muito certo porque todo mundo estava querendo a Bossa Nova. Esse negócio de solo, fazer show com apresentação de berimbau me levou a descobrir o corpo. (…) Eu sou um Brasil que o Brasil não conhece”. 

Dos primeiros exemplos de artistas que se destacam internacionalmente e depois regressam com certo prestígio ao país de origem, Naná não atraía refletores, como os vanguardistas da Tropicália ou da Bossa Nova. Como explica Juci, o artista experimentou a segregação e o mascaramento da indústria fonográfica brasileira, uma realidade assinalada por certo esvaziamento ou esquecimento notável quando se trata de músicos afro-brasileiros. A exemplo, Africadeus nunca pôde ser lançado no Brasil ou distribuído oficialmente; e se caracteriza por excelência experimental e resistência, por ter passado mais de 40 anos para ser reconhecido em território nacional.

 

 

Africadeus em vinil

Lançado em 2016 em equipamentos culturais da América do Norte, como MoMA, Museu de Arte Moderna de Nova York, Africadeus chega ao Brasil pelo Harmonipan Studio, que traz a reedição da obra de Naná Vasconcelos em formato vinil e faz um dos seus lançamentos durante o Afrotranscendence, no dia 29 de outubro, no Red Bull Station, às 18h30, em São Paulo. O processo de pesquisa e elaboração do vinil foi desenvolvido ao longo de quatro anos, junto a parceiros nacionais e internacionais, a fim de assegurar os lançamentos e distribuições no Brasil em 2016, sem nenhum apoio institucional brasileiro.

Composto por três peças de longa duração, em torno de 40 minutos, onde a experimentação com o berimbau é sublinhada pelo imaginário de Naná, a obra é considerada fundamental para a inauguração da música experimental brasileira, ao mesmo tempo em que pede atenção às possibilidades e não fronteiras da musicalidade afro-brasileira; além de potencializar a difusão da história da nossa música por meio da obra de Naná.

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Durante o processo de pesquisa e produção do vinil, Juci nos conta que o projeto de cunho experimental possibilitou a construção de uma pesquisa sobre música negra no Brasil com foco no reconhecimento e na valorização das obras de importância histórica para a cultura afro-brasileira. Também, de maneira substancial, que permitesse o lançamento de uma obra que fortalecesse tanto a cultura nacional como a identidade dos grupos afro-brasileiros.

“Foram catalogados mais de 200 obras sonoras desenvolvidas entre 1960 e 1980 por artistas afro-brasileiros e/ou que experimentavam sonoridades por meio de elementos de matriz africana (…). Destaquei nessa pesquisa a necessidade da reedição de Africadeus por sua potência enquanto registro sonoro de grande relevância à música brasileira, que reúne elementos da musicalidade de matriz africana, da oralidade e da cultura regional. Segundo o próprio Naná Vasconcelos afirma, ‘precisamos de movimentos como esses para não deixar que morram manifestações de nossa cultura que, por falta de registro, estão desaparecendo’”.

Pesquisa e processos: Mahal Pita e Africadeus

 

A partir de conversas entre Juci e Diane Lima, curadora do AfroT, surgiu a ideia de explorar a pesquisa sonora de Naná, ativando-a, dando vida e homenageando o músico que faleceu em março deste ano, a partir da produção de Mahal Pita, que teve acesso ao material de pesquisa e irá experimentar as possibilidades e reverberações de Africadeus no laboratório AfroTrans e numa apresentação no dia 29.

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Mahal Pita + Africadeus

 

Mahal que é baiano, produtor musical, diretor criativo e integrante do Baiana System, é um dos mentores desta edição do Afrotranscendence e, com os imersos, soma a ressignificação da música negra na obra de Naná com sua linha de pesquisa e produção sobre a transfiguração das culturas urbanas da Bahia, conectando-as com possibilidades tecnológicas e estímulos contemporâneos da diáspora global. Sua pesquisa passa por experimentações entre som e imagem, desenvolvendo projetos que transitam pelo multiverso do popular urbano baiano na fronteira entre o sagrado e o profano.

Um diálogo imperdível que ressignifica, atualiza e cria na frequência dos tempos.

Uma experiência que se referência na obra edificada por um grande músico que deixou como legado um jeito negro de fazer música.

A valorização do trabalho de quem registra, documenta e pesquisa como forma de produzir conhecimento deixando para quem vem depois formas de mergulhar no patrimônio afro-brasileiro.

Uma performance, que abre ao som da língua e do corpo, a nossa comunicação transcendental.

 


Serviço:

AfroTranscendence 2016

Red Bull Station – Centro de SP

Praça da Bandeira, 137 – Centro, São Paulo
www.redbullstation.com.br

18h – Uma performance contada, um palestra cantada
Mahal Pita + Lançamento vinil AfricaDeus de Naná Vasconcelos – entrada gratuita

Evento do facebook aqui

 

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AfroTranscendence recebe mostra de filmes do Festival de Cinema Africano do Vale do Silício

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Em parceria com o SVAFF, Afrotranscendence terá exibição de curtas, seguido de conversa com os cineastas Chike C. Nwoffiah (Nigéria) e Yasmin Thayná (Rio de Janeiro). A entrada é gratuita.

 

Resultado do intercâmbio entre o NoBrasil e o Festival de Cinema Africano do Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, o programa de imersão Afrotranscendence recebe cinco produções cinematográficas da África do Sul, Egito, Quênia, Camarões e Etiópia durante a programação aberta ao público, no Red Bull Station, centro de São Paulo. Com entrada gratuita, a mostra acontece no sábado (29), às 16h, seguida de conversa com os cineastas Chike C. Nwoffiah, idealizador do SVAFF – Silicon Valley African Film Festival, e Yasmin Thayná, diretora de Kbela e idealizadora do Afroflix.

A proposta surgiu durante a participação da diretora criativa do NoBrasil Diane Lima no African Diaspora Investment Symposium, evento que reuniu líderes da diáspora africana no Vale do Silício, em fevereiro. Segundo ela, que é também integrante do conselho curatorial do Festival e selecionou os cinco filmes que serão exibidos no AfroT, um dos objetivos principais do SVAFV – Conexão Brasil é fomentar a criação, a produção e novas possibilidades de difusão e articulação em rede, sobretudo, pensando o protagonismo das mulheres negras no mercado audiovisual. Estes filmes, retratam uma África não estereotipada e contribuem para a construção de novas narrativas sobre o imaginário africano, tocando em temas como arte, inovação e tecnologia, como a ficção científica “Pumzi” (2009), da África do Sul, dirigida por Wanuri Kahiu, e “Alma” (2015), Camarões, direção de Christa Eka Assam, que adentra questões de relacionamento abusivo e violência doméstica.

Chike, cineasta e diretor nigeriano, premiado pelo California Arts Council Director’s Award e listado como um dos 10 afro-americanos mais influentes na San Francisco Bay Area, pela CityFlight Magazine, vem ao AfroTranscendence para falar sobre a perspectiva da produção cinematográfica na diáspora africana por meio da exibição desses cinco curtas e de sua experiência como idealizador do SVAFV. Com ele, a cineasta carioca Yasmin Thayná irá mediar a conversa, traçando um diálogo entre continentes e discutindo estéticas, linguagens e estratégias de visibilidade e produção do cinema nacional.

 

Do lado de lá



De 14 a 16 de outubro acontece a 7ª edição do Festival de Cinema Africano do Vale do Silício, a fim de conectar e fortalecer o intercâmbio das diásporas africana do Brasil, EUA e mais de 15 países africanos. Por aqui, cinco filmes brasileiros foram selecionados e serão exibidos no Spotlight Brazil (Holofote Brasil), no estado da Califórnia, Estados Unidos.

Foram 33 inscritos e uma seleção feita por júri formado por membros de mais de sete países, que tiveram como requisito obras que refletissem imagens, narrativas e histórias que trouxessem como inspiração os trânsitos da cultura afro-brasileira. São elas: “Das Raízes às Pontas” (Flora Egécia); “Hora do Lanche” (Cláudia Mattos); “Kbela” (Yasmin Thayná); “Òrun Àiyé” (Jamile Coelho e Cintia Maria); e “Porto da Pequena África” (Cláudia Mattos).

“A colaboração com o SVAFF é uma tentativa de criar um espaço que permita dar visibilidade e fôlego internacional para que as demandas estruturais que nos colocam à margem dos processos produtivos e criativos possam ressoar trazendo a maior participação de mulheres negras  e, por conseguinte, na criação de novas narrativas e linguagens que rompam com estereótipos e nos atualize para que não mais sejamos uma projeção do que o sistema colonial predeterminou. Por isso o intercâmbio e a necessidade de abrir uma janela da produção brasileira na Califórnia e uma janela com filmes africanos, aqui”, diz Diane Lima, que também integrou o júri.

Saiba mais sobre os filmes e programe-se!

Programação SVAFV no Afrotranscendence

Pumzi (2009)
África do Sul/Quênia / 21 min
Diretor: Wanuri Kahiu

Uma ficção científica que apresenta um planeta Terra sem água, vida vegetal e animal. Asha, uma jovem da Comunidade Maitu, recebe uma misteriosa caixa com uma amostra de solo e decide plantar uma semente, que germina. Então sai em busca de qualquer evidência de vida para salvar o crescimento da planta e talvez do planeta.

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The Shoe Maker Pages (2016)
Etiópia / 09 min
Diretor: Girum Ermyas Gebereselassie

Mr. Gulilat é um senhor solitário que conserta sapatos há 47 anos. Por meio dos sapatos que recebe para reparo, escuta os problemas de seus clientes, moradores da comunidade onde vive. Mas os seus conflitos internos, quem está interessado em ouvir?

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Alma (2015)
Camarões / 22 minutes
Diretor: Christa Eka Assam
Presa em um relacionamento abusivo, acompanhamos a história de Alma se desdobrar e ver os efeitos da violência doméstica sobre ela e sua filha pequena, Linda.

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Uthando – Love (2014)
África do Sul / 24 min
Diretor: Tulanana Bohela

Uma tragédia em torno de um triângulo amoroso entre duas irmãs e um amante, que desencadeia numa luta com a autoestima, o ciúme e a lealdade; além de ameaçar a forte ligação das irmãs. O arrependimento tem seu custo.

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3 Candles (2013)
Egito / 16 min
Diretor: Ahmed Fouad
Em uma aldeia pobre e isolada, três jovens irmãos são confrontados com o desafio de manter a luz acesa para que possam estudar. Em uma demonstração de amor altruísta e de sacrifício, o mais velho deles prova criativamente que a necessidade gera invenção.

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NoBrasil abre inscrições para o AfroTranscendence 2016: programa de imersão em processos criativos com foco na cultura afro-brasileira contemporânea.

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O PRAZO DE SELEÇÃO É ATÉ DIA 06.10 E AS ATIVIDADES GRATUITAS IRÃO OCORRER NO RED BULL STATION, CENTRO DE SÃO PAULO. SAIBA MAIS E INSCREVA-SE!

Em sua 2a edição, AfroTranscendence propõe o encontro e provoca a troca de conhecimento entre pessoas vindas das mais diferentes práticas, experiências e formas de expressões, incentivando-as a criar novas conexões, possibilidades e olhares em seus processos de criação tendo como inspiração a união entre saberes tradicionais e contemporâneos das culturas negras espalhadas pelo mundo.

A imersão

Para a imersão, que acontece de 26 a 29 de outubro, no Red Bull Station, em São Paulo, 20 selecionados participarão de um programa intensivo com especialistas, artistas e pesquisadores, como Makota Valdina Pinto e Grada Kilomba. As atividades são gratuitas e compostas por palestras, laboratórios, workshops e vivências artísticas que serão divididas em 3 eixos centrais: Descender para Transcender: descolonizando o conhecimento; A memória da Criação: panorama para práticas de inversão no contemporâneo; e Estéticas Negra: pesquisa e processos sincréticos.

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Cruzando esses painéis que servem como arquivo, base de pesquisa e referência, neste ano teremos o laboratório de criação AfroTrans, que propõe exercitar coletivamente a criação de um experiência expandida entre todas as linguagens artísticas tendo como suporte a memória, a palavra, o corpo, o som, a imagem e a tecnologia.

Podem se inscrever pessoas vindas das mais diferentes práticas artísticas ou manifestações tradicionais que estejam pesquisando a cultura afro-brasileira e seus trânsitos como forma de performar o conhecimento, gerar um pensamento crítico e experimentar novas possibilidades estéticas.

Todas as atividades são gratuitas. Em breve, divulgaremos a programação completa.

As inscrições vão até 06 de outubro. Acesse o edital aqui !

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Editoria Compartilhada | Resultado

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Confira o resultado dxs seis editorxs selecionadxs!

Por Ale Gama

Dois sentimentos traduzem a experiência que tivemos neste final de semana, nesse momento tão importante de selecionar as editorias que irão ocupar a nossa plataforma: prazer e celebração. Foi muito prazerosa a experiência de ler pessoas e iniciativas que, indo a fundo em nossa diversidade, tem produzido formas criativas para causar as micro-revoluções tão necessárias ao nosso tempo.

Celebramos nosso corpo expansivo olhando para os vários dispositivos semeados Brasil adentro. Processos disparadores de potência. Com os ensinamentos das filosofias ancestrais africanas, aprendemos que as razões instintivas, sintéticas e analíticas, coexistem. As ervas maceradas geram sumos e insumos para as curas do ser. Os povos da terra, os ribeirinhos e quilombolas nos ensinam que a ciência é composta por diversos modos de saberes e o urbanismo pode ser tático, orgânico e sinestésico, enquanto a física quântica nos atravessa 24 horas por dia.

O tempo das urgências sociais nos desafia para a formação dessa rede, das conexões com a natureza, com as comunidades e os territórios que habitamos. A tecnologia sendo útil na criação, registro e descentralização das informações, compartilhando desejos e anseios,  fazendo ressoar aos quatro cantos do país, outras vozes, outras narrativas. A expressividade que forma vocabulários e linguagens, nos impulsiona à criação de novas metáforas e experimentos diferentes das formas hegemônicas, assim, propomos a inventividade como enfrentamento das violências simbólicas.

A densidade inscrita nas 60 propostas que recebemos (e celebramos!) para ocupar a nossa casa, nos rendeu o duro exercício seletivo, mas com isso, transbordamos de felicidade por caminhos tão inovadores e sensíveis à nossa diversidade, pulsando transformações e novos olhares de mundo. A massiva presença das mulheres (uhuu!) se torna um espelho de quem e o quê veremos nas próximas edições e nos próximos seis meses: vamos transitar pelo Ceará, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Paraíba e São Paulo.

Nossos critérios para essa seleção atravessaram gênero, regionalidades e a ideia de descentralização do eixo Rio-São Paulo. Também, idade, temática, as narrativas e seus lugares de produção. Nossas escolhas envolveram temas ligados aos saberes tradicionais, cartografia + intervenção urbana, literatura, cinema e favela, com suas formas múltiplas de criação, circulação, enraizamento e ruptura.

Ramificar nossa plataforma para a editoria compartilhada é vibrar a formação de uma rede que tanto esperávamos e notadamente já nasce existindo, só nos faltava a conexão, o ato de criar fluxos convergentes Por uma Política da Diversidade!

Viviane Ferreira, BA

Thaís Silva, RJ

Marilia B. Soares, SP

Diedra Roiz, SC

Clébson Oscar, CE

Suzy Okamoto, SP

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Festival de Cinema Africano do Vale do Silício tem edição especial Brasil e abre inscrições para cineastas brasileirxs

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O NoBrasil é o parceiro oficial do festival que acontece em outubro na Califórnia e chega para fortalecer o debate sobre a presença de mulheres negras no audiovisual.

Fruto de uma colaboração que conecta a diáspora africana do Brasil, EUA e mais de 15 países africanos, o NoBrasil apresenta pela primeira vez uma parceria com o Festival de Cinema Africano do Vale do Silício (SVAFF – Silicon Valley African Film Festival), que acontece de 14 a 16 outubro, em Mountain View no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Chegando na sua sétima edição unindo comunidades, culturas e continentes, este ano o festival criado pelo nigeriano Chike C. Nwoffiah faz um chamado especial para xs cineastas brasileirxs cujas obras reflitam imagens, narrativas e histórias que tragam como inspiração os trânsitos da cultura afro-brasileira.

A cooperação surgiu durante a participação em fevereiro da diretora criativa do NoBrasil Diane Lima no African Diaspora Investment Symposium, evento que reuniu líderes da diáspora africana no Vale do Silício. Segundo ela, um dos objetivos principais do SVAFV – Conexão Brasil é promover o intercâmbio e a troca de experiências entre países, fomentando a criação, a produção e novas possibilidades de difusão e articulação em rede, sobretudo pensando o protagonismo das mulheres negras: “mais do que um festival, ser uma plataforma que compartilha informações, amplia os horizontes e possibilita novas alternativas. Nós mulheres negras estamos assumindo um papel central nas mais diferentes áreas da produção artístico-cultural ao pautar a discussão racial  no intuito de abrir diálogos em busca de direitos e melhorias seja no âmbito privado ou das políticas públicas. A colaboração com o SVAFF é uma tentativa de criar um espaço que permita dar visibilidade e fôlego internacional para que as demandas estruturais que nos colocam à margem dos processos produtivos e criativos possam ressoar trazendo a maior participação de mulheres negras no mercado audiovisual e por conseguinte, na criação de novas narrativas e linguagens que rompa os estereótipos e nos atualize para que não mais sejamos uma projeção do que o sistema colonial predeterminou”.

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Como se inscrever

As inscrições acontecem até dia 01 de agosto e para participar basta acessar a página do SVAFF, ler o regulamento e completar o formulário de inscrição que pode ser preenchido e enviado com um DVD por correio ou ainda uma opção mais simples, que é o envio por email do formulário junto com um link para que o filme seja assistido. Cada realizadora ou realizador pode inscrever mais de um filme, com qualquer duração e formato e a premiação se dá nas categorias narrativa, documentário e animação para curtas e longas além de uma premiação para cineastas emergentes. Ao todo são 35 filmes selecionados, o júri é formado por membros de mais de 07 países e não há taxa de inscrição.

Acesse aqui o edital e inscreva-se!

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O projeto Festival de Cinema Africano do Vale do Silício – Conexão Brasil busca ainda conectar criadorxs e realizadorxs numa rede que chega para celebrar os cruzamentos entre a arte, a inovação e a tecnologia. Além dessa primeira chamada, o projeto segue até novembro de 2016 em diferentes etapas que promete novidades e serão lançadas em breve, como a parceria com a AFROFLIX, uma plataforma online colaborativa criada pela cineasta Yasmin Thayná que disponibiliza e produz conteúdos protagonizados por criadores negros.

Acompanhe as nossas redes sociais para ficar por dentro de mais informações  e boa sorte!

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Assista ao 4° episódio da série AfroTranscendence com Mãe Beth de Oxum

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Nesse quarto episódio da nossa série, a ativista, comunicadora e embaixadora das matrizes africanas Mãe Beth de Oxum, fala sobre comunicação, tecnologia e o papel da criação de novas mídias como ferramenta para ressignificar e dar visibilidade as culturas dos povos negros e indígenas.

 

“A gente não separa festa de militância, hoje a gente tem uma comunicação que pauta o estado e que não é pautada em lugar nenhum. Eu acho que a comunicação hoje é um gargalo no país e os povos tradicionais precisam da sua comunicação! A gente precisa rackear, criar as nossas rádios, criar nossas tv’s. Se a comunicação do país está vendida para meia dúzia de famílias, o povo tem que virar esse jogo! Temos que criar uma comunicação para mostrar o povo preto, o povo indígena e mostrar inclusive os arranjos produtivos locais que tem sido feito nas periferias, mostrar que o nosso jovem tem um potencial grandioso! A gente tem que ter mídia pra trazer axé, não esse sentido comercial, capitalista, nocivo que está aí, mas um sentido que nos dê condição da gente andar nessa terra valorizando ela, porque sem terra, sem comunicação e sem água, não tem sentido a nossa vida.”

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Iyalorixá do Ilê Axé Oxum Karê, musicista, cantora, compositora, com vasta experiência no segmento de cultura popular, Mãe Beth de Oxum é um símbolo da cultura pernambucana e difusora do Coco de Umbigada, uma manifestação cultural que veio do século passado com os seus avós. Como líder, vem defendendo a importância da tecnologia à serviço da cultura de matriz africana, o que levou-a a criar à frente do ponto de cultura Coco da Umbigada, uma rádio, programas para a TV, web além do jogo Contos de Ifá, desenvolvido em uma licença livre com o objetivo de contar a história dos Orixás.

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“O Brasil é um país que assassina muitas mulheres, assassina muitos jovens, aí tá o extermínio da juventude negra! 50 mil jovens mortos e a sociedade não se indigna com isso. A gente vive num país que fala de guerra o tempo todo, na Síria, no Egito e tal, e a guerra aqui contra o jovem negro que é morto todo dia pelo simples fato de ser pobre e preto? Então a gente precisa de políticas públicas,  a gente precisa de comunicação, de rádio, de tv pra desmascarar essa realidade. Porque não é interessante mostrar a força e a cultura que esses territórios negros tem? “

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Dirigida por Yasmin Thayná e escrita por Diane Lima, a série será lançada quinzenalmente e você pode acompanhar aqui, nos canais do NoBrasil. Para ver todos os episódio, é só clicar nas miniaturas abaixo e ir fundo.

Websérie AfroTranscendence

Dirigido por Yasmin Thayná
Escrito por Diane Lima
Produção: Hanayrá Negreiros
Direção de fotografia: Raphael Medeiros
Som: Avelino Regicida
Montagem: Renato Vallone
Still: Alile Dara Onawale

Vá Fundo.

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NoBrasil lança Editoria Compartilhada e convoca novxs editorxs para a plataforma.

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A chamada fica aberta até dia 30 de junho e xs candidatxs precisam propor conteúdos especiais que pensem práticas criativas como ferramenta de construção social e política trazendo um olhar sobre a diversidade.

A Editoria Compartilhada é a nova forma de produção de conteúdo do NoBrasil. A ideia é que mensalmente, uma nova editora ou editor de qualquer canto do Brasil, ocupe a nossa editoria trazendo outros pontos de vista e uma nova discussão que reflita temas e assuntos que costumamos discutir, celebrar ou intervir aqui na plataforma. Nessa primeira edição, a inspiração reflete o que é o NoBrasil e tem como eixo principal Por Uma Política da Diversidade.  A partir dessa provocação, os editores e editoras estão sendo convidados a pensar especiais que tragam a ideia de práticas criativas como dispositivos de criação social e política, que estejam promovendo transformações e promovendo micro-revoluções no seu fazer.

Para a diretora criativa do NoBrasil Diane Lima, a vontade de pensar um novo formato surgiu desde o ano passado quando veio o questionamento sobre qual seria o futuro da produção de conteúdo na internet: “o NoBrasil começou no online contando as histórias de pessoas que estavam transformando o país através da criatividade com um olhar sobre a diversidade. Com a nossa vontade de ir para o offline a fim de promover encontros e abrir novos canais de discussão, começamos a questionar também a velocidade da produção de conteúdo na rede e qual era a nossa função em meio a tudo isso. E daí que chegamos em uma reflexão-solução: não mais a plataforma criando um olhar sobre o outro, mas o outro assumindo um lugar de fala, trazendo suas questões, suas pesquisas e criando novos pontos de vista através de especiais mensais que abordem temas que acreditamos ser necessário discutir. Como recebemos muita solicitação de pessoas do Brasil inteiro querendo colaborar, resolvemos abrir o espaço e descentralizar para que o outro seja o editor-curador e construa ele ou ela mesmx, a sua própria narrativa.”

NoBrasil + Tecnologia

Como a tecnologia pode ser útil na criação, registro e descentralização das informações? Quais são os assuntos que merecem a atenção de todxs nós e o nosso compartilhamento? Quais são essas outras vozes, outras narrativas e o que elas gostariam de compartilhar? A Editoria Compartilhada – Por Uma Política de Diversidade é uma iniciativa do NoBrasil em colaboração com a Apple. Cada editora ou editor irá ganhar um Iphone para ser usado como ferramenta de criação no momento de tirar fotos, fazer vídeos, registrar ideias e usar as redes sociais. A iniciativa foi feita com a participação da Juliana Luna, parceira em diferentes projetos do NoBrasil.

Para saber mais consulte o Regulamento e os Termos e Condições disponíveis em nossa Ficha de Inscrição.

Como funciona

Na Editoria compartilhada você é a editora ou editor. Inscreva-se!

Para participar é muito simples. Basta se inscrever aqui nesse link até o dia 30 de junho e enviar as informações que vão selecionar até seis novxs editorxs que irão ocupar a plataforma de julho a dezembro de 2016. Cada editor ou editora irá criar 4 matérias, 1 por semana trazendo um tema central que seja um cruzamento entre a ideia de pensar práticas criativas que atuem como ferramenta social e política trazendo um olhar sobre a diversidade. Na ficha de inscrição, cada candidatx irá propor um conteúdo especial, dizendo o porque da importância da discussão, apresentando uma breve descrição do que irá ser tratado em cada matéria semanal além de um breve resumo pessoal-profissional. Podem se inscrever pessoas de todo o Brasil e não há nenhuma exigência ou limitação para participar. A única coisa que desejamos é que a pessoa tenha uma boa ideia, traga o seu ponto de vista, tenha uma boa escrita e conhecimento da causa para que seja ela a protagonista da fala.

Compartilhe, indique um amigo ou uma amiga e inscreva-se!

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NoBrasil lança websérie AfroTranscendence

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Dirigida por Yasmin Thayná e escrita por Diane Lima, a série de 12 capítulos discute racismo, memória, práticas artísticas e a necessidade de produzirmos conhecimento como ato político.

 

” Porque eu escrevo?
Porque eu tenho que.
Porque minha voz, em todos os seus dialetos, tem estado em silêncio por muito tempo.”
Plantation Memories – Grada Kilomba.

 

Produzir e disseminar conhecimento. É com esse pensamento que a plataforma de pesquisa e curadoria NoBrasil, lança a websérie AfroTranscendence, material audio-visual que vem para compartilhar a experiência de educação e aprendizado coletivo do programa de imersão em processos criativos AfroTranscendence, que aconteceu em outubro de 2015 no Red Bull Station, em São Paulo.

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O projeto que reuniu durante três dias, 20 pessoas das mais diversas áreas de atuação de todos os cantos do Brasil para junto com 20 especialistas, dentre eles intelectuais, ativistas, agentes culturais e artistas, vivenciar uma experiência coletiva de aprendizado que incentivasse a ativação da nossa memória e permitisse a criação de novas narrativas e linguagens, agora lança a websérie feita com a participação de uma equipe que trabalhou toda ela de forma colaborativa.  Diane Lima, que escreveu a série e é também a idealizadora e curadora do projeto, diz que o conteúdo chega em um momento importante, quando a articulação em rede tem permitido trocas que criam novas estratégias de realização, criação e produção de conhecimento: “AfroTranscendence surge como uma resposta à supressão dos nossos valores e principalmente, como forma de nos reconectarmos para que em conjunto, possamos criar novas narrativas, escrever e ser sujeitos da nossa própria história. Esse passo só foi possível, graças a participação dessa equipe tão competente e apaixonada, que tem direção de Yasmin Thayná, produção de Hanayrá Negreiros, direção de fotografia de Raphael Medeiros, montagem de Renato Vallone, som do Avelino Regicida e still de Alile Dara Onawale. É ainda importante dizer que a feitura desse material me fez pensar como para nós ainda é difícil produzir conteúdo ainda que estejamos empenhados e interessados em fazer parte de projetos que falem sobre nós.  Vejo que escrever, dirigir e produzir foi então para nós um ato político: imagem em movimento que cria e ocupa espaços e nos traz outras possibilidades de aprendizado em resistência ao epistemicídio institucionalizado no seio da produção intelectual e educacional brasileira. Que ele seja compartilhado e chegue o mais longe possível, servindo como material de pesquisa em todo o Brasil”.

Assista em HD!

 

Yasmin Thayná, que dirigiu os 12 episódios logo após o sucesso do filme Kbela, curta que inaugurou em 2015 uma importante discussão sobre a produção do cinema feito por mulheres negras lotando salas e com isso, possibilitando um novo olhar sobre a ideia de distribuição do cinema nacional, diz que dirigir a série foi para ela e para todos, um grande aprendizado: “Ali eu me dei conta de como um encontro é capaz de gerar tanto conhecimento. Foi ótimo aprender o que Mãe Beth de Oxum traz de demanda para a mudança e democratização da comunicação e o Mestre TC, que nos ensina a importância de estarmos ligados a terra, nós, negros: nossa dança tem uma ligação direta com a terra, o jongo, o funk, a capoeira, o samba. Aprendi com Diane que precisamos ser donos das nossas narrativas e da nossa imaginação. Com Hanayrá que precisamos de outros modelos de produção cada vez menos embranquecidos, com o Raphael, as mil e uma possibilidades que temos de pensar a imagem, o que reafirma meu pensamento sobre as referências que podem ser trazidas ao mundo a partir da criação de novas imagens. Com o Regicida, o som como um suporte potente e parte da narrativa que traduz a sensorialidade que imagem nenhuma pode produzir; com Alile Dara aprendo sempre como olhar através da fotografia aquilo que nem sempre a gente consegue ver e com o Renato o respiro do tempo. Eu só aprendi.”

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Entre os entrevistados estão os mentores da primeira edição do AfroTranscendence entre eles, Mestre TC, Mãe Beth de Oxum, Paulo Nazareth e o artista Daniel Lima, um dos mais atuantes artistas brasileiros e que anuncia o primeiro capítulo da série: “durante o AfroT lançamos a pergunta Criar ou Ocupar espaços? que hoje é o tema da minha pesquisa de mestrado na PUC-SP e é com essa pergunta que inauguramos esse video onde o Daniel fala sobre a importância de ocuparmos espaços ampliando os limites institucionais em que o racismo fatalmente se faz presença mas, dizendo também que em certos momentos é preciso de fato criar novos espaços, no sentido de criar novos valores fazendo desse corpo negro um enunciador da sua própria história”, completa Diane.

A série será lançada quinzenalmente e você pode acompanhar aqui, nos canais do NoBrasil e do AfroTranscendence.

Crie e Compartilhe você também conhecimento. #crieasuanarrativa #compartilheasuahistória

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Sobre Daniel Lima:

Ao nosso olhar, Daniel Lima é um dos mais atuantes e representativos artistas brasileiros da atualidade. Desde 2001 cria intervenções e interferências no espaço urbano, integrando coletivos como a Frente 03 de fevereiro que tem como trabalho lendário a ação Bandeiras que discutiu o racismo no futebol brasileiro. Em Bandeiras o campo de ação foi o estádio de futebol onde o grupo, tendo o apoio das torcidas organizadas, hastearam bandeiras gigantes que devido a grande projeção midiática da partida, gerou grande repercussão e impacto. Elas diziam: “Brasil Negro Salve, Onde estão os negros? e Zumbi Somos Nós.” Bacharel em Artes Plásticas pela Escola de Comunicação e Artes da USP e Mestre pelo Núcleo de Estudos da Subjetividade da PUC/SP, desenvolve pesquisas relacionadas a mídia, questões raciais e processos educacionais. Dirige a produtora e editora Invisíveis Produções.

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