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CINEMA NOVO e CINEMA NEGRO: DA ESTÉTICA DA FOME À ESTÉTICA DO FAMINTO

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No Brasil, será o Cinema Negro, a “estética do faminto”, capaz de materializar o Zumbi reencarnado anunciado em terras africanas, por Glauber Rocha em “O leão de sete cabeças” ?

“Essa lança partirá a terra em duas. De um lado
ficarão os carrascos; do outro, toda a África…livre.
Contra o ódio, o ódio. Contra o fogo, o fogo.”
(Trecho do diálogo do Zumbi no filme “O Leão de Sete Cabeças”
de Glauber Rocha.)

 

tumblr_oa82kvBpo31twrbr9o1_540No anseio de tentar compreender e definir o Cinema Negro tem-se buscado na aproximação desse gênero ao Cinema Novo para nominar este, daquele, ou vice e versa. A realidade é que as expressões e movimentos culturais tem suas convergências e suas divergências.

Particularmente, me guio pelo ensinamento ancestral de que “cada caso é um caso”, logo, “cada movimento cinematográfico é um movimento cinematográfico”. As tensões são geradas pelas divergências, que por sua vez em muitas ocasiões são geradas pela incompreensão. Diante da tensão apresentada, há sempre a opção de encará-la e se dispor à compreensão com o fim de contribuir com a transformação, essa que enriquece a existência.

Brindemos as tensões. Quando se trata de “Cinema Novo” e “Cinema Negro” elas nos ajudam a transformar nossas existências na compreensão desses dois movimentos cinematográficos.

O ensinamento ancestral, atenua que “tudo com tempo tem tempo”, “cada coisa no seu tempo”, ou ainda que “a fruta só dá no tempo certo”. Destacar as frutas, me faz recordar a fome, e recordar a fome nos permite rememorar uma reflexão de Glauber Rocha, em seu manifesto “Eztetika da Fome”, ao se referir-se ao Cinema Novo como o movimento que:

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O Cinema Novo é movimento que surge na década de 50 como alternativa de um conglomerado de jovens cineastas que objetivam radicalizar e mudar a estética cinematográfica brasileira, vivendo seu período áureo no inicio da década de 60, quando teve seu curso interrompido pela ditadura militar.

No entanto, não dá para refletir movimentos cinematográficos sem pensar quem são os agentes que o compõe, sobretudo quando este propõe-se como um cinema político. Nesse caso, ninguém melhor para destrinchar um movimento do que alguém que o vivenciou ou vivencia. E nesse ponto a cineasta Adélia Sampaio nos permite fazer uma viagem no nascedouro do Cinema Novo, nesta entrevista :

Em sete minutos de um papo que durou pouco mais de uma hora, a narrativa de Adélia nos permite tirar o raio-x do Cinema Novo, feito por alguém que o vivenciou por dentro, nos fazendo transitar da felicidade e orgulho de uma mulher preta que “pulou o muro” e não abriu mão do sonho de realizar cinematograficamente, a dura realidade de que a branquitude e a masculinidade imperaram no Cinema Novo.

tumblr_o8kqmpvsu91twrbr9o1_r1_540Os choques estéticos protagonizados pelos cinema novistas são inquestionáveis, dentre eles destaca-se o fato de ter sido o movimento que garantiu o marco de corpos negros e expressões culturais negras sendo levados às telas do cinema como representantes legítimos da cultura popular nacional. Dando respaldo a compreensão de que o Cinema Novo aglutina muitas obras com “conteúdo negro”, ou seja, conteúdos extraídos da cultura afro-brasileira. O que não nos permite confundir o cinema de conteúdo negro, com o movimento cinematográfico intitulado de “Cinema Negro”. Dirimindo assim, a principal tensão ou compreensão equivocada de que o “Cinema Novo” tenha sido “Cinema Negro”.

Os “bem nascidos” do Cinema Novo, na imersão artística exploratória da “fome”, tiveram a sua disposição os “famintos” para serem porta-voz dos seus discursos e anseios, permitindo que na década de 70 ícones como: Zózimo Bulbul, Antônio Pitanga e Waldir Onofre, que atuaram em muitos filmes cinema novistas, subvertessem a ordem e arriscassem a linguagem cinematográfica como uma possibilidade de expressão de suas existências raciais. Com restos de películas de um dos filmes do Cinema Novo, Zózimo Bulbul roda o curta “Alma no Olho”(1973); em contato com os que detinham os meios de produção no Cinema Novo, Waldir Onofre filmou “As Aventuras Amorosas de um Padeiro”(1975) e Antônio Pitanga filmou o longa “Na Boca do Mundo”(1976).

Glauber Rocha, como legitimo representante do cinema novo, em conexão com os italianos e os franceses, numa coprodução ítalo-francesa, rodou no Congo o filme “O leão de sete cabeças”(1970) reiterando sua escolha estética de chocar por meio do prenuncia da violência como solução para conflitos políticos e sociais; Bulbul, titular da legítima paternidade do “movimento cinema negro brasileiro”, em conexão com Ousmane Sembene e outros cineastas africanos durante exílio em Paris, compreendeu a importância de um “cinema indentitário”, um cinema realizado pelos “famintos”, eternizando “Alma no Olho” como marco de nascimento do movimento político cinematográfico Cinema. No Brasil, será o Cinema Negro, a “estética do faminto”, capaz de materializar o Zumbi reencarnado anunciado em terras africanas, por Glauber Rocha, em “O leão de sete cabeças” ?

Há coerência no “faminto” que entrega a vida para se distanciar da “fome”. Tanto, quanto há na compreensão de que cada movimento político cinematográfico é titular da própria estética.

 

Bibliografia:
1- História e Cinema – Maria Helena Capelato, Eduardo Morettin, Marcos Napolitano, Elias Thomé Saliba. 2 ed. São Paulo: Alameda, 2011.
2- Cinema e História: teoria e representações sociais no cinema – Jorge Nóvoa, José D’Assunção Barros. 2ed. Rio de Janeiro: Apicuri, 2008.
3- A Utopia no Cinema Brasileiro: matriz, nostalgia, distopia – Lúcia Nagib. São Paulo:Cosac Naify, 2006.
4- http://www.tempoglauber.com.br/t_estetica.html

 


vivianeViviane Ferreira é cineasta e advogada com atuação voltada para direitos autorais, direito cultural e direito público. Com um olhar cinematográfico referenciado no cinema de Zózimo Bulbul, assina a direção dos documentários: Dê sua ideia, debata; Festa da Mãe Negra; Marcha Noturna e Peregrinação. Na ficção inicia com o curta experimental “Mumbi 7 Cenas pós Burkina” estrelado por Maria Gal. E chega ao Festival de Cannes -2014 com o curta-metragem “O dia de Jerusa” estrelado por Léa Garcia e Débora Marçal. Preside a Associação Mulheres de Odun e é Sócia-fundadora da empresa Odun Formação & Produção.

 

 

O que é Cinema Negro?
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Manguezal: Era uma vez, as palafitas

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Conheça a história de Pedro Fernandes que chegou na comunidade da Maré na década de 1970 e acompanhou de perto a transformação local.

Por Thaís Cavalcante da Silva

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sf Planta das caatingas baianas.

 

O Conjunto de Favelas da Maré era um território antes mesmo de ser. Os manguezais próximos da Baía de Guanabara passam por uma mudança histórica jamais imaginada: o povoamento da maré, nos anos 40. O Morro do Timbau, o primeiro morro da Maré, tinha terra suficiente para migrantes do Nordeste ocuparem o espaço.

Um desses nordestinos é Pedro Fernandes da Silva. Chegou na Baixa do Sapateiro aos 18 anos, cheio de sonhos e vontade de trabalhar em 1975. Com o crescimento industrial da cidade do Rio de Janeiro, tinham muitas vagas para construção civil – dava até para escolher. Começou como Servente de obras, depois como lojista.

A Av. Brasil era estruturada, mas próximo à Maré a água dominava. Pedro circulava de barco à remo pela sua favela. E sua moradia era parecida com todas as outras dali: feita de palafitas. O jeito era bater a perna de três, com 2m de altura e forçar para encontrar no fundo do manguezal uma terra firme para construir seu barraco. Sobre a água. Conseguiu.

Os caminhos de tábuas ligavam uma casa a outra. Pontes improvisadas, ligavam a vizinhança: e para segurar, só os muros de madeira. Ainda sim algumas pessoas caíam na travessia. Era engraçado, até lembrar que a água era suja. O saneamento básico não existia ali, mas ainda assim o jeitinho de resolver as coisas inspirava os nordestinos-mareenses para ação. A nomeação dos becos e ruas, se davam quando o morador do local falecia. A história e a memória do lugar se constrói em uma terra de contraste: felicidade em viver ali, sem nenhuma violência, mas com poucos direitos.

Antes de Pedro chegar na Baixa do Sapateiro, dois irmãos já estavam na Maré. E a comunicação que tinham um com o outro era através de cartas. A entrega levava de 8 à 15 dias para ir do Rio de janeiro a Paraíba. De mês em mês, conversavam e convidavam para morar próximo, também. No final, dos 14 irmãos, seis decidiram se juntar na favela.

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Um morador conhecido como João da luz, fazia toda a instalação de luz da região. Cobrava de porta em porta. E assim funcionou por muito tempo.

Para buscar água potável – para cozinhar, lavar etc, Pedro usava um barco a remo. Colocava seis latões vazios. Remava até a Ilha do Governador e trazia sua água, que durava cerca de três dias. As viagens se repetiram por alguns anos.

O cotidiano não era sempre o mesmo. De noite, a Maré subia. Às vezes, invadia as casas e molhava a cama. Pela manhã, a água abaixava, mas o fedor aumentava. Pedro tinha dificuldade de dormir pela quantidade de mosquitos. Mas sentiu de perto como tudo mudou muito rápido.

Muitas favelas da Maré nos anos 70 ainda não existiam: Vila do Pinheiro e Vila do João, por exemplo. Era difícil construir uma casa. Mas todos queriam. Quem tinha barraco com madeira nova, era como se tivesse um apartamento. Todo mundo comentava e elogiava.

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Os próprios moradores passaram a aterrar suas ruas. Compravam entulho e o caminhão trazia. Aos poucos, todas as famílias transformaram juntas o seu território. A busca era por uma vida melhor. Quando o Governo de Carlos Lacerda percebeu a mudança na Maré, finalizou o serviço. Aterrou o restante do espaço e entregou casas de alvenaria para alguns moradores, das novas favelas.

Já Pedro Fernandes, comprou sua casa por 400 cruzeiros. Foi difícil, o dinheiro não rendia. Mas as lojas de material de construção do entorno, facilitavam as compras – deixavam dividir em até 20 vezes.

Para fazer o acabamento da casa, a laje, moradores faziam mutirão nos domingos. Cada semana em uma casa diferente. Os moradores se ajudavam muito. Seu sonho realizado: uma casa de alvenaria. Pedro só quis casar depois de ter sua casa própria. E deu certo. Chamou Maria José, que já conhecia no Nordeste, para vir à Maré. Se casaram e tiveram um casal de filhos.

Dali em diante, a história de mais uma família Silva começava.

 

 


thais-cavalcanteThaís Cavalcante da Silva é moradora e jornalista comunitária do Conjunto de Favelas da Maré desde 2012. Acredita no poder da escrita para mudar sua realidade. Já trabalhou como locutora em rádio comunitária, correspondente no portal Viva Favela e atualmente trabalha no jornal comunitário O Cidadão, é correspondente no jornal The Guardian e no portal RioOnWatch.

 

 

 

Nas Águas da Maré
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Meia Lua e Uma Rasteira : a peleja entre poder institucional e o cinema negro

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Afinal, na peleja de golpe para lá e golpe para cá, a SEPPIR já não possui status de ministério, o MINC vive a instabilidade do “existia-deixa de existir-passou a existir novamente” e a Agência Nacional do Cinema precisa se posicionar na ginga, quando se trata de cinema negro: a ANCINE baila como o movimento de “meia-lua” ou golpeia o cinema negro com uma “rasteira”?

Por Viviane Ferreira
Imagens criadas com o Ipad Pro

Ao povo de um Estado que enfrenta o contexto de golpe jurídico, como é o caso do Estado Brasileiro, jamais se nega a memória. Ela é a única capaz de contribuir com o processo de reconstrução e enfrentamentos políticos por ampliação de direitos e extinção de privilégios.

Esquadrianhar o que venha a ser o cinema negro no contexto contemporâneo brasileiro é “sankofear” nossa memória recente sobre as tentativas de estabelecimento de políticas públicas no setor audiovisual, com recorte racial, fundamentadas pelos princípios e objetivos das Ações Afirmativas.

Para tanto, resgatamos a peleja institucional enfrentada para que fosse possível concretizar-se o “Edital Curta Afirmativo”, que se apresentava como uma possibilidade de baile com trocas de “meia-lua” entre o cinema negro e o campo das políticas públicas para o audiovisual, com força para dar direcionamento às politicas de ações afirmativas no setor.

No dia 19 de novembro de 2012 foram lançados os editais: “Prêmio Funarte de Arte Negra”, “Apoio à coedição de livros de autores negros”, “Apoio à pesquisadores negros” e o edital “Curta Afirmativo” esse último em parceria com a Secretaria do Audiovisual. Os editais receberam um conglomerado de mais de 4.000 inscrições, de acordo com publicações do Ministério da Cultura, sendo considerado um grande sucesso e revelador de um universo significativo de produtores culturais negros que encontram dificuldades para acessar os meios de produção cultural, permitidos na legislação brasileira.

Entretanto, no dia 21 de maio de 2013, veio a “rasteira” do capital financeiro defendido pelos privilegiados da aristocracia brasileira contra jovens realizadores do cinema negro, os inscritos nos editais foram surpreendidos com o comunicado da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, que dizia:

“A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR-PR) comunica a decisão do Juiz Federal José Carlos do Vale Madeira, do Tribunal Regional Federal – 1ª Região/TRF, publicada em 21 de maio de 2013, que “determina a imediata sustação de todo e qualquer ato de execução dos Concursos que estejam relacionados aos Editais impugnados pela presente ação popular (= Edital n. 03, de 19 de novembro de 2012, do Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual; Edital Prêmio FUNARTE de Arte Negra; Edital de Apoio à Coedição de Livros de Autores Negros; e Edital de Apoio à Pesquisadores Negros)”.

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ENTENDA O CASO:

Os Editais do Minc, realizados em parceria com a SEPPIR, foram impugnados por uma ação popular apresentada por Pedro Leonel Pinto de Carvalho, procurador aposentado do estado do Maranhão. Para a ministra Luiza Bairros (Igualdade Racial), “a decisão judicial demonstra que a vitória jurídica obtida no STF (Superior Tribunal Federal) deverá ser seguida por uma outra batalha, a ideológica, até que as ações afirmativas sejam entendidas como necessárias em todos os campos da vida social, e não apenas na educação.

“A SEPPIR fará todo o esforço, juntamente com a Advocacia Geral da União-AGU e o MinC, para que esta decisão seja revertida; para fazer valer o direito de artistas negros a recursos públicos que assegurem a expressão da nossa diversidade cultural.”

A vitória jurídica obtida no Superior Tribunal Federal a qual o comunicado se refere foi o reconhecimento da constitucionalidade da Política de Ações Afirmativas e implementação da Política de Cotas nos vestibulares das Universidades Públicas brasileiras, como instrumento capaz de permitir que o Estado assegure o acesso à educação superior para a população negra.

Diante da utilização de princípios jurídicos, com interpretações enviesadas, para impedir a garantia da igualdade formal e material à população negra, mesmo diante do fato de que a comunidade negra representa uma parcela de mais de 50% da população brasileira. A hermenêutica indispensável a função de legislar impõe ao jurista a árdua batalha de não distanciar-se de uma visão ampla capaz de dosar sua interpretação diante de um caso concreto, uma vez que, por meio de sua interpretação contribui com o firmamento dos princípios que rascunham, escrevem e reescrevem a história de um povo, elemento integrante, do Estado Democrático de Direito, considerando que interpretar é:

“Construir a partir de algo, por isso significa reconstruir: a uma, porque utiliza como ponto de partida os textos normativos, que oferecem limites à construção de sentidos; a duas, porque manipula a linguagem, à qual são incorporados núcleos de sentidos, que são, por assim dizer, constituídos pelo uso, e preexistem ao processo interpretativo individual” (Humberto Ávila, p.24)

Humberto Ávila dialoga com a nossa compreensão de que mesmo nas ciências jurídicas é importante observarmos o todo, identificarmos o sentido de determinadas construções, e percebermos como elas na realidade serão reconstruções. Nesse sentido, o princípio de igualdade assegurado e defendido no caput do art. 5º da Carta Magna de 1988, traz em si a ideia de completude orientada pelos seus dois principais componentes: o princípio da isonomia, e o conceito de equidade. Ao inferir que todos são iguais perante a Lei, a Constituição, impõe que todos sejam visto de forma isonômica, já que:

“A lei não deve ser fonte de privilégios ou perseguições, mas instrumento regulador da vida social que necessita tratar equitativamente todos os cidadãos. Este é o conteúdo político-ideológico absorvido pelo princípio da isonomia e juridicizado pelos textos constitucionais em geral.” (Celso Antônio Bandeira de Mello, Conteúdo Jurídico do Principio da Igualdade, p. 10)

Dessa forma, a noção isonômica traz para perto da hermenêutica constitucional o conceito de equidade, muito bem elucidado pela afirmação de Aristóteles, ao defender que igualdade consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais.

Identificar os componentes do princípio de igualdade não é suficiente para compreender sua amplitude e complexidade, entretanto, o estudioso Celso Antônio Bandeira de Mello, lega à “Isonomia” e a “Equidade” a responsabilidade de figurarem como componentes indissociáveis ao princípio de igualdade. A isonomia justifica-se pela compreensão da justiça mediante igualdade. Aplicação da lei para todos de forma igual. E a equidade pelo reconhecimento das particularidades e aplicação da Lei na proporção das especificidades.

De posse da compreensão dos dois componentes que integram o princípio de igualdade, nos fica nítida a percepção de que, o que conhecemos, como igualdade, nascida no seio da Revolução Francesa, em 1789, e disseminada pelos Estados Democráticos de Direito, é a classificada pela doutrina jurídica como igualdade formal, uma vez que se apoia na premissa e fundamento de que todos são iguais perante a lei, sem diferença de peso ou de medida. Alicerçando-se única e exclusivamente pelo princípio da Isonomia.

Entretanto, de posse da compreensão trazida primeiramente por Aristóteles aprofundada por Boaventura de Souza Santos, ao defender que:

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Passamos a compreender que para garantia da eficácia do princípio de igualdade, é indispensável, uma hermenêutica jurídica, que leve em conta, todos os pesos e todas as medidas, envolvendo o caso concreto. Atraindo para o núcleo do princípio da igualdade o princípio da equidade como baliza do princípio da isonomia. Dessa forma nos pomos diante daquilo que a doutrina classifica como igualdade material, que de acordo com Joaquim Barbosa, está:

“Longe de se apegar ao formalismo e à abstração da concepção igualitária do pensamento liberal oitocentista, recomenda, inversamente, uma noção “dinâmica”, “militante” de igualdade, na qual necessariamente são devidamente pesadas e avaliadas as desigualdades concretas existentes na sociedade, de sorte que as situações desiguais sejam tratadas de maneira dessemelhante, evitando-se assim o aprofundamento e a perpetuação de desigualdades engendradas pela própria sociedade”.

O DIREITO | A CULTURA | A ESQUERDA

A cultura, na qualidade de direito, pode ser entendida como ferramenta de transmissão e reprodução de ideias e valores, de grupos sociais dominantes, ou compreendida como ferramenta capaz de exprimir a crítica das ideias e práticas existentes. A polarização dos objetivos de utilização cultura como ferramenta, apreendida da obra de Marilena Chauí, nos permite interiorizar luta utópica, em busca da compreensão que cultura é:

“A capacidade de decifrar as formas da produção social e dos valores, da produção das obras de pensamento e das obras de arte e, sobretudo, é a esperança racional de que dessas experiências e ideias, desses valores e obras surjam um sentido libertário, com força para orientar novas práticas sociais e políticas das quais possa nascer outra sociedade. ”

Nesse sentido, a autora, ao descrever partidos políticos, de esquerda, como integrante de grupos sociais que vislumbram na cultura o objetivo de exprimir a crítica das ideias e práticas existentes, nos aponta que em via de regra, esses a concebem sob três prismas.

O primeiro trata-se a compreensão da cultura como ferramenta própria dos especialistas, uns fazem, produzem e possuem ao passo que outros recebem passivamente. A lógica da soberania da competência impera e divide a sociedade em dois grupos, segundo Chauí:

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O segundo prisma atém-se às belas artes: teatro, artes plásticas, literatura, cinema, música, dança. Ferramentas artísticas típicas dos talentosos, ou formados especificamente para dominá-las. A cultura aqui é despida da obrigatoriedade dos seus modos de inserção na sociedade e na história de forma dialética. Traduzindo-a como objeto espetaculoso devorado pelo lazer e o entretenimento. Garantindo uma recepção mergulhada na passividade.

Já no terceiro prisma, Chauí, nos aponta que a cultura é instrumento de agitação política, aglutinando em torno de si os dois prismas anteriores, com intuito de compreender a cultura como um “fazer arte” produzindo e reproduzindo “mensagens” para atrair e convencer a consciência de massa. Chauí atenua, aqui:

“Concebe-se a “cultura” como algo a serviço de algo “não cultural”, isto é a política.”

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Do ponto de vista político e cultural a nação brasileira passou por alguns ciclos de “busca” ou “construção” de uma identidade nacional, assim como, em tantas outras nações ao redor do mundo, as identidades culturais, sempre foram vistas como foco definidor de uma identidade nacional. A cultura se põe como foco definidor de identidades nacionais, a partir do século XVIII, quando passa a ser definida, de acordo com Marilena Chaui, como:

“os resultados daquela formação ou educação dos seres humanos, de seu trabalho e de sua sociabilidade, resultados expressos em obras, feitos, ações e instituições: as artes, as ciências, a filosofia, os ofícios, a religião e o Estado. Na medida em que o pensamento da ilustração conserva a ideia antiga de que a cultura é advento do estado social e da vida política, isto é, da vita civile, cultura torna-se sinônimo de civilização, como expressão dos costumes e das instituições enquanto efeitos da formação e da educação dos indivíduos, do trabalho e da sociabilidade”

Admitir a cultura como sinônimo de civilização ou resultado da formação ou educação dos seres humanos, contribuiu para que a cultura figurasse como direito no cerne das buscas e indagações humanas acerca dos direitos fundamentais, ou direitos humanos, desde o período axial, entre os séculos VIII a II a.C, culminando no reconhecimento efetivo, da cultura como direito, entre os direitos fundamentais, declarados de segunda geração, na Declaração Universal dos Direito Humanos, pela ONU, em 1948.

A Indústria Audiovisual, por lançar mão de todas as dimensões – ferramentas de especialista; belas artes; instrumento de agitação politica – de interação com a cultura, é um espaço que oferece possibilidades de democratização das expressões culturais. Pensar em democratizar racialmente o audiovisual brasileiro é tão importante quanto buscar a criação e a implementação de políticas públicas e de ação afirmativa em um país como o Brasil, aonde o debate sobre relações raciais vem sendo intensificado com a finalidade de suprir lacunas deixadas como herança de uma sociedade escravocrata.

Ao realizarmos o recorte racial, no contexto da Indústria Audiovisual como espaço possível para o exercício da liberdade de expressão cultural de forma igualitária e fruição do direito à cultura, sem respostas, nos questionamos: quais os pontos de alinho e desalinho, à luz da diversidade ético-racial, entre a igualdade formal garantida nos dispositivos que regulam as ações da ANCINE e a igualdade material constatada no resultado das ações, dos últimos dez anos, incentivadas pela ANCINE?

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O CINEMA ENQUANTO MÍDIA

O Audiovisual é um campo de comunicação que ao longo da sua história foi utilizado para disseminar convicções políticas e ideológicas. Sua indústria alicerça-se numa estrutura hierárquica com intento de permitir que de acordo com a função ocupada, o indivíduo cinematográfico consiga defender ou por vezes até impor suas próprias convicções. Nessa hierarquia temos, por exemplo, o diretor subordinado ao produtor, o diretor de fotografia subordinado ao diretor e o operador de câmera subordinado ao diretor de fotografia.

Nessa estrutura hierárquica, que possibilidade – o cinema enquanto mídia-, oferece para o exercício da expressão cultural por parte da população negra? Em outras palavras, que possibilidade os/as negros/as têm de utilizá-lo como meio de expressão para disseminar suas convicções?

cb82b678f6ebb5b29c53063e3f84c0bcA Indústria Audiovisual, além de circular e disseminar valores ideológicos, também circula altos valores econômicos. Enquanto a ideologia é disseminada para o grande mercado consumidor, os valores econômicos permanecem concentrados nas mãos dos poucos que possuem capital para investir, ‘capital’ aqui está sendo compreendido em seu sentido amplo, englobando o capital financeiro, o capital social e histórico que podem ser concentrados pelo indivíduo.

Ao criar um edital, especifico, para atender o público de jovens negros, em parceria com a Secretaria de Políticas de Ações Afirmativas, o Ministério da Cultura reconhece o potencial da indústria cinematográfica como ferramenta de construção e disseminação de convicções e discursos culturais, e a realidade de parcela significativa da juventude brasileira, ou seja os jovens negros, de inacessibilidade de recursos que permita-lhe a fruição de seu direito cultural por meio do audiovisual. Apoiando-se nas Ações Afirmativas para tentar garantir o acesso dessa parcela da juventude aos recursos públicos garantidores da produção cultural.

A experiência, bem sucedida do Edital Curta Afirmativo, nos exige questionar a aplicabilidade dos dispositivos legais que regulam as ações da ANCINE no processo de aquecimento do mercado audiovisual. À luz da diversidade étnico racial, é preciso nos dedicarmos ao trabalho investigativo de identificar a participação dos profissionais negros, nos dividendos do setor da indústria audiovisual.

Garantir que a Ancine siga passos dados pela SAV-Secretaria do Audiovisual e adeque seus instrumentos jurídico à compreensão de Boaventura de Souza Santos, no âmbito do audiovisual, garantindo o direito dos profissionais negros do setor serem iguais quando a diferença os inferioriza e diferentes quando a universalidade os descaracterizam, é de muita relevância no contexto racial brasileiro, através de um enfoque que priorize a relação entre a diversidade étnico-racial e o desenvolvimento econômico e social.

Neste contexto, concluímos que, a adoção – urgente e indispensável – de ações afirmativa em todos os setores do mercado audiovisual é uma das ferramentas basilares à disposição do Estado, para elaboração de políticas públicas, no intuito de alcançar a democratização e garantir igualdade – formal e material – na fruição do direito à cultura por todos os grupos raciais que compõem a sociedade brasileira e nutrem relação com o setor.

Se a presente escrita, ou escrita-presente, é capaz de ancorar-se em argumentos concebidos em uma base epistemológica que não é afro-centrada e ainda assim não deixar brecha para compreensão da importância de ações afirmativas para o setor, espera-se que ela seja embrião de um fio condutor do dialogo entre o cinema negro brasileiro e a ANCINE no sentindo de esquadrinharmos PRODAVs e PRODECINES AFIRMATIVOS.

Afinal, na peleja de golpe para lá e golpe para cá, a SEPPIR já não possui status de ministério, o MINC vive a instabilidade do “existia-deixa de existir-passou a existir novamente”e a Agência Nacional do Cinema precisa se posicionar na ginga, quando se trata de cinema negro: a ANCINE baila como o movimento de “meia-lua” ou golpeia o cinema negro com uma “rasteira”?

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Referências Bibliográficas

BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 14ª edição. Malheiros editora. São Paulo/SP, 2004.
GRAU, Eros Roberto. Ensaio e o discurso sobre a interpretação do Direito. 2ª edição. Editora Malheiros, São Paulo/SP, 2003.
CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Editora Almeida, 2000.
BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. O conteúdo jurídico do princípio da igualdade. 3ª edição. 22ª tiragem. Malheiros Editores. São Paulo/SP. 2013.
BARROSO, Luís Roberto. Fundamentos teóricos e filosóficos do novo Direito Constitucional Brasileiro (Pós-modernidade, teoria crítica e pós-positivismo). Revista Direito e Democracia. Universidade Luterana do Brasil. Ciências Jurídicas. Canoas. Ed ULBRA, 2000.
SANTOS, Boaventura de Souza. A construção multicultural da igualdade e da diferença. Oficinas CFS nº 135, de 1999.
CHAUI, Marilena. Cidadania cultural, o direito à cultura. 1ª edição. Fundação Perseu Abramo. São Paulo/SP,2006.
BAHIA, Lia. Discurso, políticas e ações: processos de industrialização do campo cinematográfico brasileiro. Organização da coleção Lia Calabr. – São Paulo: Itaú Cultural: Iluminuras, 2012.
GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa & princípio constitucional da igualdade: o Direito como instrumento de transformação social. A experiência dos EUA. Rio de Janeiro/RJ. Renovar, 2001.
_______. O debate constitucional sobre as ações afirmativas.
_______. A recepção do instituto da ação afirmativa pelo direito constitucional brasileiro.
_______. e Fernanda Duarte Lopes Lucas da Silva. As Ações Afirmativas e os Processos de Promoção da Igualdade Efetiva.

 


vivianeViviane Ferreira é cineasta e advogada com atuação voltada para direitos autorais, direito cultural e direito público. Com um olhar cinematográfico referenciado no cinema de Zózimo Bulbul, assina a direção dos documentários: Dê sua ideia, debata; Festa da Mãe Negra; Marcha Noturna e Peregrinação. Na ficção inicia com o curta experimental “Mumbi 7 Cenas pós Burkina” estrelado por Maria Gal. E chega ao Festival de Cannes -2014 com o curta-metragem “O dia de Jerusa” estrelado por Léa Garcia e Débora Marçal. Preside a Associação Mulheres de Odun e é Sócia-fundadora da empresa Odun Formação & Produção.

 

 

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Entrevista ao Repórter SP na TV Brasil

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Confiram!

 

Agradecemos ao convite para participar ao vivo do Repórter SP, programa da TV Brasil. Na entrevista nossa diretora criativa Diane Lima, fala sobre o NoBrasil, o AfroT e sobre a Conexão Brasil com o 7th Festival de Cinema Africano do Vale do Silício (SVAFF) que tem inscrições abertas até dia 01 de agosto! Inscrevam-se!

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A gente transbordando…

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Juntas NoBrasil que pulsa!

Fotos: Mandyh Castro

A gente vai caminhando, fruindo conexões, expandindo nosso corpo-político pulsando conectar as experiências de quem está transformando criativamente a cultura do país. Em nossas andanças e processos de 2015 a gente se conectou com a comTurbante Ale Gama, uma das imersas na primeira edição do AfroT. Agora ela está com a gente, ocupando a Co-Editoria e a Mentoria de Projetos da casa.

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Nossa Diretora Criativa Diane Lima + Ale Gama, na Roda Leituras in|Visíveis do IBAÔ

Ale é Mestre em Educação (UFSCar), especialista em Inventário de Patrimônio Cultural pela Universidade de Lisboa. Com uma atuação transdisciplinar, ela busca intersecções entre expressividades artísticas (+) criação estética e seus fluxos identitários (=) como modos de produção criativa, via descolonização cultural. Dia 7/7 recebeu o Diploma de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Campinas (SP), sua cidade natal, onde foi uma das co-fundadoras e coordenadora de projetos do Ponto de Cultura e Memória IBAÔ.

13592659_787566694678890_4400379578086952832_nAle Gama recebe o diploma de Mérito Cultural do Vereador Gustavo Petta na Câmara Municipal de Campinas

Celebramos a nossa primeira co-criação  na campanha ‪#‎nãosomoscriaçãodeumhomem |‬ ‪#‎nãoviemosdacosteladeadão‬ e de lá pra cá, seguimos juntas!

Nossa casa vai transbordando com super mulheres! E nós? Seguimos super juntxs, indo à fundo no Brasil!

 

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Cinema Negro: totem sempre vem de longe

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A força do processo de ressignificação do imaginário coletivo sobre a população negra, bem como do desvelamento da experiência de ser negra(o) no universo, está fincada no fato de que a “memória coletiva” é o principal troféu totémico da existência do ser negro.

por Viviane Ferreira
Imagem destaque: Alma no Olho – Zózimo Bulbul

 

A compreensão do “totem” como um símbolo que mantém a memória e justifica especificidades da existência  de uma coletividade, nos parece apropriada para relacionar o poder simbólico do cinema e a sua influência na coletividade que ele é destinado. A disputa totêmica, ou simbólica, é tão antiga quanto o primeiro movimento de translação terrestre: a cada 24h de rotação termina-se uma  e inicia-se outra batalha cotidiana para definir-se os símbolos que fincarão referências totêmicas ao planeta que ostenta a consciência como principal especificidade da espécie que o habita.

Toda construção imagética está à serviço da guerra simbólica que promete totens referenciais como troféu, a cada batalha travada, para definir qual será a coletividade que ocupará o posto de estrela central no imaginário social. É da observação da cadência “bélica”, da construção imagética conduzida por Hollywood, que nos idos 1910 surge, nos Estados Unidos, o movimento “Race Picture” – liderado por profissionais negros da indústria audiovisual estadunidense – com o fim de realizar filmes concebidos, financiados e produzidos por/para comunidade negra dos EUA, por meio de ações colaborativas. Constituindo o “Race Picture” como marco histórico que simboliza o surgimento do “cinema negro”.

imagePublicidade do The Homesteader (1919) enfatizando o elenco negro.

Assim como o movimento de rotação transforma o planeta terra a cada 24h, o cinema negro é transformado e transforma a cada contexto em que está inserido. Nos anos 1950, países africanos, à exemplo de Burkina Faso, enxergam no cinema negro uma ferramenta capaz de contribuir com a construção e disseminação de discursos pró lutas pela independência, dando origem ao FESPACO – Festival Panafricano de Cinema e TV de Ouagadougou reconhecido, atualmente, como o principal palco mundial do cinema negro. Já no Brasil, o filme Alma no Olho (1973), do cineasta Zózimo Bulbul, marca o inicio dos ciclos produtivos categorizados como cinema negro. Inspirado na experiência do FESPACO, Zózimo Bulbul, avança em 2007 e funda o “Encontro de Cinema Negro Brasil, África, América Latina e Caribe ”, reduto nacional dos cineastas negros em solo brasileiro.

zozimo_adeliaZózimo Bulbul e Adélia Sampaio

De acordo com ZENUM (2014), é do imperativo de implantar uma produção cultural capaz de “revelar o que nem sempre é visível e dar origem a novas representações” (DIAKHATÉ, 2011:85), que surge o cinema negro. Nesta concepção encontramos guarida para a compreensão do “movimento de translação” que, a cada ano, nos revela novas facetas da produção cinematográfica negra seja por meio da realização dos filmes: Cinzas (2015) de Larissa Fulana de Tal, Kbela (2015) de Yasmin Thainá, O Dia que Ele Decidiu Sair (2015) de Thamires Vieira, O Dia de Jerusa (2014) de Viviane Ferreira, Caixa D’agua Qui-Lombo é Esse? (2012)  de Everlane  Morais,  Aquém das Nuvens de Renata Martins (2012), Cores e Botas de Juliana Vicente (2008); ou por meio da atribuição de luz à produção cinematográfica de Adélia Sampaio – primeira mulher brasileira negra a dirigir um longa metragem – buscando a subjetividade de seu pertencimento racial em obras como Amor Maldito (1984).

A força do processo de ressignificação do imaginário coletivo sobre a população negra, bem como do desvelamento da experiência de ser negra(o)  no universo, está fincada no fato de que a “memória coletiva” é o principal troféu totémico da existência do ser negro. Em virtude disso, para o cinema negro o totem sempre vem de longe, sua estrela central é repleta de luz, vai de Luiza à Luiza, de Mahin à Bairros a ancestralidade é imperativa, e ativa um modo de fazer cinematográfico que parte de Zózimo e Adélia  alterando o ângulo do eixo de rotação da construção imagética  da subjetividade negra no audiovisual.


vivianeViviane Ferreira é cineasta e advogada com atuação voltada para direitos autorais, direito cultural e direito público. Com um olhar cinematográfico referenciado no cinema de Zózimo Bulbul, assina a direção dos documentários: Dê sua ideia, debata; Festa da Mãe Negra; Marcha Noturna e Peregrinação. Na ficção inicia com o curta experimental “Mumbi 7 Cenas pós Burkina” estrelado por Maria Gal. E chega ao Festival de Cannes -2014 com o curta-metragem “O dia de Jerusa” estrelado por Léa Garcia e Débora Marçal. Preside a Associação Mulheres de Odun e é Sócia-fundadora da empresa Odun Formação & Produção.

 

 

 

O que é Cinema Negro?
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Leituras inVisíveis (II)

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Criamos contra-narrativas e tessituras de afeto como respostas de cura aos traumas coloniais

Fotos de Mandyh Castro

Como pressentíamos, uma noite de presenças intensas. Mais um encontro de potências, co-inspiração e (re)construção da nossa reexistência – sem que – para existir, peçamos licença.

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“Eu não sou o seu antônimo.” Diane Lima

 

“Sou escritora. Minha estética e ética são politicamente posicionadas, assim como eu. Eu poderia ter nascido nos Estados Unidos, na Colômbia ou no Caribe. Eu me considero uma africana que nasceu no Brasil. Não me afirmo mulher negra, não preciso! A sociedade faz isso por mim.”

Cidinha Da Silva

 

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_ágora Fab Livre – Repensar o fazer na cultura contemporânea

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Vamos participar da mesa Feminismo Negro e Cultural Digital que vai contar com a presença da nossa diretora criativa Diane Lima, da cineasta Vivi Ferreira e da filósofa Djamila Ribeiro. Saiba + e participe!

 

Estamos bem felizes de participar do _ágora Fab Livre numa mesa que vai discutir Feminismo Negro X Cultural Digital e conta com a participação de nossa diretora criativa Diane Lima, da cineasta Vivi Ferreira e da filósofa Djamila Ribeiro. A mediação será Iza A Barbara e mais informações vocês encontram abaixo. Nos vemos lá!

 

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Captura de Tela 2016-07-12 às 13.42.24

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Leituras inVisíveis

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Roda de diálogo sobre as (in)visibilidades das práticas artísticas e culturais negras

Via IBAÔ

Temos provocado e intensificado os debates sobre a (in)visibilização da presença negra em diversos setores da sociedade, dessa forma, ressoado muitas vozes, presenças e narrativas, que a estrutura hegemônica escondeu durante todos os séculos da nossa existência.

As artes, a literatura e outras práticas negras que produzem cultura serão nossos temas de diálogo. Uma roda de presenças intensas, como forma de reflexão e provocação de contra-narrativas e contra-histórias, em resposta às urgências sociais, estéticas e políticas do nosso tempo.

Para nossa roda, é com imensa felicidade que teremos as falas inspiradoras de Diane Lima e Cidinha Da Silva.

Diane Lima é Curadora e Diretoria Criativa do NoBrasil, uma plataforma com foco na cultura brasileira, que se preocupa em discutir, desenvolver e difundir a diversidade brasileira de forma ética, estética e estratégica conectando pessoas e marcas, co-criando ações e experiências colaborativas. É também mediadora da mesa “Diálogos Ausentes”, encontros mensais sobre a produção e a presença de artistas negros em diferentes áreas de expressão, realizados pelo Itaú Cultural (SP).

Cidinha da Silva é escritora e historiadora, autora dos livros “Racismo no Brasil e afetos correlatos”, “Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil”, “Cada Tridente em seu lugar”, “Os Nove Pentes D’África”, entre outros, além de blogueira e colunista dos portais Diário do Centro do Mundo, Fórum, Geledés, e do seu blog pessoal. Recentemente lançou seu nono livro “Sobre-Viventes!”, que tivemos a honra de receber em nossa casa.

Convidamos artistas, realizadorxs, formadorxs, semeadorxs culturais e todas as pessoas interessadas neste tema a estar conosco nesta roda pra lá de poderosa!

Rua Ema, 170 – Nóbrega – Campinas, SP | 19h30

A convite do Ponto de Cultura e Memória IBAÔ estaremos na roda Leituras inVisíveis, confira!

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Editoria Compartilhada | Resultado

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Confira o resultado dxs seis editorxs selecionadxs!

Por Ale Gama

Dois sentimentos traduzem a experiência que tivemos neste final de semana, nesse momento tão importante de selecionar as editorias que irão ocupar a nossa plataforma: prazer e celebração. Foi muito prazerosa a experiência de ler pessoas e iniciativas que, indo a fundo em nossa diversidade, tem produzido formas criativas para causar as micro-revoluções tão necessárias ao nosso tempo.

Celebramos nosso corpo expansivo olhando para os vários dispositivos semeados Brasil adentro. Processos disparadores de potência. Com os ensinamentos das filosofias ancestrais africanas, aprendemos que as razões instintivas, sintéticas e analíticas, coexistem. As ervas maceradas geram sumos e insumos para as curas do ser. Os povos da terra, os ribeirinhos e quilombolas nos ensinam que a ciência é composta por diversos modos de saberes e o urbanismo pode ser tático, orgânico e sinestésico, enquanto a física quântica nos atravessa 24 horas por dia.

O tempo das urgências sociais nos desafia para a formação dessa rede, das conexões com a natureza, com as comunidades e os territórios que habitamos. A tecnologia sendo útil na criação, registro e descentralização das informações, compartilhando desejos e anseios,  fazendo ressoar aos quatro cantos do país, outras vozes, outras narrativas. A expressividade que forma vocabulários e linguagens, nos impulsiona à criação de novas metáforas e experimentos diferentes das formas hegemônicas, assim, propomos a inventividade como enfrentamento das violências simbólicas.

A densidade inscrita nas 60 propostas que recebemos (e celebramos!) para ocupar a nossa casa, nos rendeu o duro exercício seletivo, mas com isso, transbordamos de felicidade por caminhos tão inovadores e sensíveis à nossa diversidade, pulsando transformações e novos olhares de mundo. A massiva presença das mulheres (uhuu!) se torna um espelho de quem e o quê veremos nas próximas edições e nos próximos seis meses: vamos transitar pelo Ceará, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Paraíba e São Paulo.

Nossos critérios para essa seleção atravessaram gênero, regionalidades e a ideia de descentralização do eixo Rio-São Paulo. Também, idade, temática, as narrativas e seus lugares de produção. Nossas escolhas envolveram temas ligados aos saberes tradicionais, cartografia + intervenção urbana, literatura, cinema e favela, com suas formas múltiplas de criação, circulação, enraizamento e ruptura.

Ramificar nossa plataforma para a editoria compartilhada é vibrar a formação de uma rede que tanto esperávamos e notadamente já nasce existindo, só nos faltava a conexão, o ato de criar fluxos convergentes Por uma Política da Diversidade!

Viviane Ferreira, BA

Thaís Silva, RJ

Marilia B. Soares, SP

Diedra Roiz, SC

Clébson Oscar, CE

Suzy Okamoto, SP

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