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Pescando uma nova Maré

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Remando contra as águas poluídas da Baía de Guanabara, pescadores da Maré sobrevivem da pesca, lutando para a história das colônias não desaparecer. Assim encerramos o último capítulo da editoria Nas Águas da Maré.

Imagens e videos criados com o iPhone SE

 

O mar, que amedronta muitos por sua grandiosidade, é a melhor forma que a natureza encontrou para se aproximar dos moradores da Praia de Ramos, localizada na ‘ponta’ do Conjunto de Favelas da Maré, na Zona Norte do Rio.

Pescadores vivem no dia a dia, a recriação de uma lembrança nem tão distante assim, mas que se transforma. Seja nas margens da água, do mangue ou da praia: a pesca artesanal é um estilo de vida.

O trabalho do pescador viajante começa ainda de madrugada. Trouxinhas de roupas são separadas na bolsa, assim como os equipamentos: vara de pesca, carretel, iscas para o peixe, rede resistente e comida. Muitos deles circulam por toda a Baía em busca do melhores peixes e frutos do mar, para depois vender e consumir.

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Um  dos pescadores mais experientes do lugar é Giovan Carlos. Aprendeu a pescar aos 15 anos, com seu pai experiente em pegar camarões. O que era lazer, se tornou rapidamente uma forma de sustento da família. Tem 45 anos, mas faz mais de 30 anos que ele pesca nas águas da Maré. Ainda solteiro, relembra os tempos de palafitas, quando a prática da pesca era mais difícil de ser feita. Os barcos à remo eram pequenos, com pouca tecnologia e sem motor. Hoje, apesar da evolução dos equipamentos, o preço não chega na realidade dos pescadores.

A prática da pesca artesanal é o que Giovan admite fazer de melhor.

Seu primo, Rinaldo Valentim de Melo, aprendiz do trabalho há 4 meses, saiu de Caxias e para se juntar ao grupo. O crescimento da colônia, tem incentivo da família, na maioria das vezes. Assim como os outros, Rinaldo fica no mar durante uma semana, às vezes duas, com mais 12 pessoas em um só barco. Resiste pela necessidade. Pelo pela união e história do lugar. Sua maior surpresa até hoje foi quando um barco de grande porte trouxe cerca de 10 toneladas de peixe. Há diferentes tipos e são vendidos nas feiras durante a semana, nas favelas da Maré do entorno. Frescos. Limpos.

Não só os moradores próximos da Praia de Ramos/Piscinão de Ramos vivem esse estilo de vida, temos moradores da Baixa do Sapateiro, entre outros. As ruas e becos da Maré escondem histórias de pessoas que vivem da natureza e usam a criatividade para continuar trabalhando com o que gostam dentro de seu território.

As águas da Praia de Ramos e do Canal do Cunha se confundem com a da Baía de Guanabara, que sofre com poluição desde o aterramento da Ilha do Fundão nos anos 50, espaço que hoje mantém a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Maré, que já conviveu com a maior colônia de pesca do Rio de Janeiro nos anos 70, passou pela industrialização do território e a precariedade no saneamento básico, vive o aumento da poluição.

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A estimativa é que as águas da Baía recebem 10 mil toneladas de esgoto por segundo. Para amenizar a situação, 10 embarcações conhecidas como Eco barcos, recolhem 45 toneladas de resíduos por mês. O que não é suficiente, pois o conjunto de favelas tem um baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Antes da urbanização do território, o número de famílias sustentadas pela pesca na cidade chegava a 23 mil, como acontecia nos tempos de Palafitas. O transporte de objetos e pessoas eram os barcos. O trabalho, assim como a pesca, era manual. A vida, simples. Mas sempre superando obstáculos sociais. Hoje, poucos arriscam a viver e a conviver com o mar.

Giovan desafaba: os interesses privados, o petróleo e construções na cidade afetam diretamente sua realidade. Devido aos problemas, o futuro dessas águas é incerto. Mas pretende continuar vivendo dessa forma, reivindicando em reuniões com autoridades locais para buscar soluções e incentivando os jovens ao trabalho manual no mar. Assim como seu pai lhe ensinou.

A navegação nas águas da Maré continua. É a luta diária pela preservação da história e da memória do lugar.


thais-cavalcanteThaís Cavalcante da Silva é moradora e jornalista comunitária do Conjunto de Favelas da Maré desde 2012. Acredita no poder da escrita para mudar sua realidade. Já trabalhou como locutora em rádio comunitária, correspondente no portal Viva Favela e atualmente trabalha no jornal comunitário O Cidadão, é correspondente no jornal The Guardian e no portal RioOnWatch.
Nas Águas da Maré

 

 

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Confira a lista de filmes selecionados no Silicon Valley African Film Festival – Spotlight Brazil

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Dos 33 inscritos, 05 foram selecionados para participar do Spotlight Brazil em outubro na Califórnia. Saiba +

Fruto de uma colaboração que conecta a diáspora africana do Brasil, EUA e mais de 15 países africanos, o NoBrasil apresenta pela primeira vez uma parceria com o Festival de Cinema Africano do Vale do Silício (SVAFF – Silicon Valley African Film Festival), que acontece de 14 a 16 outubro, em Mountain View no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Chegando na sua sétima edição unindo comunidades, culturas e continentes, este ano o festival criado pelo nigeriano Chike C. Nwoffiah faz um chamado especial para xs cineastas brasileirxs cujas obras reflitam imagens, narrativas e histórias que tragam como inspiração os trânsitos da cultura afro-brasileira. Como resultado da parceria, criou-se no Festival o Spotlight Brazil, espaço destinado à produção de filmes brasileiros.

Dos 33 inscritos, 05 foram selecionados. Confira a lista e agradecemos a todxs por participar!

 

Das raízes às pontas

From the Roots to the Tips (Portuguese / English subtitles)
20 minutes / 2015
Documentary Short
Director: Flora Egécia
Country: Brazil
Despite the country’s image of accepting all types of people, racism is a daily occurrence in Brazil that affects black peoples.”From the Roots to the Tips,” speaks of the acceptance of curly hair as a statement of black identity in the country.

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Òrun Àiyé

12 minutes / 2015
Animation
Director: Jamile Coelho / Cintia Maria
Country: Brazil
Òrun Àiyé shows the trajectory of Oxalá in its mission to create the world.

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Kbela 

15 minutes / 2016

Documentary Short

Director: Yasmin Thayná

Country: Brazil

A sensitive look at the experience of racism suffered by black women in Brazil. Beautifully photographed and packed with symbolism, song and movement, Kbela invokes the ancestral powers and beauty of Mama Africa as expressed in the natural hair of the black woman. It invites us on a transformational journey of self discovery, self-representation and empowerment.

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Port of Little Africa 

77 minutes / 2014
Documentary Feature
Director: Claudia Mattos
Country: Brazil
The origins of Rio de Janeiro’s Port Area, nicknamed Little Africa. A place of strong African cultural heritage, where samba, football, many important social and workers rebellions, Rio’s bohemian lifestyle and the city’s first favela were born. Little Africa taught Rio how to be carioca.

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Snack Time

15 minutes / 2015
Narrative Short
Director: Claudia Mattos
Country: Brazil
If it wasn’t for the free lunch at the public school, the brothers Joalisson, Joedson and Jowilson would starve the entire day, because their single mother is unemployed and the family is in a big financial problem. But she doesn’t want the neighbors to know they have no food at home. Every afternoon she obliges the boys to stand at the front window pretending they’re having snack time. How long will this humbug go on?

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SE VOCÊ QUER JUREMA, EU DOU JUREMA À VOCÊ!*

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“A cabeça é do Orixá e os pés são da Jurema. Não há cabeça que ande sem os pés”.

Imagens, áudio e vídeo criados com o iPhone SE

É que há perguntas que não podem ser dirigidas às pessoas, mas à vida.

Porque a vida não acaba do lado dos vivos.

Vai para além, para o lado dos falecidos. Procura desse outro lado da vida, senhor”.

[Mia Couto, Fala do Feiticeiro Andorinho

*Letra de cantiga de Jurema

Rafael Avancini - Cidades Invisíveis

.

A Jurema é simples. A Jurema é complexa.  Jurema é exorcismo e atende principalmente às demandas cotidianas: doenças físicas, amores e à míngua de sorte. Cada casa, cada juremeiro tem um trato com o rito e com a jurema-bebida. Participamos da Jurema de chão, no Templo Espírita de Umbanda Acácio Valério em João Pessoa. A magia já começa com a nossa ponte: Indra Lumiar. Pelo nome composto, pode-se imaginar: Deus hindu da tempestade com “aquela que é cheia  de luz“. Indra Lumiar é ekedi*  de sua mãe Nanda Lima Ty YeYê Okê, que é Iyá Jibonan* e médium de entidades da Jurema. Ambas foram iniciadas no Candomblé e pertencem ao Ilê Asé Ofá Lorikin (Recife-Pe), dirigida por Doné Bruna Ty Logunedé. Dado que este Ilê não cultua a Jurema Sagrada, Indra e Nanda a cultuam no Templo Espírita de Umbanda Acácio Valério.

O que parece intrincado nesta relação que mistura jurema, orixás e casas diversas se torna direto e natural. Ao serem questionadas sobre tal sincretismo, Indra responde: “A cabeça é do Orixá e os pés são da Jurema. Não há cabeça que ande sem os pés”. Sob um outro ponto de vista, justifica Doné Bruna Ty Logunedé: não há pés que andem sem a cabeça”. Em seu desembaraço, a cosmologia da Jurema se configura na imagem do corpo. Ela é conciliadora e se fortalece sem excluir ou julgar as outras crenças.


*A ekedi, na maioria das casas, também é chamada de mãe e exerce a função de dama de honra do orixá regente da casa. É dela a função de zelar, acompanhar, dançar, cuidar das roupas e apetrechos do orixá da casa, além dos demais orixás, dos filhos e até mesmo dos visitantes.
*Iyá jibonan: Iyá = mãe. Jibonã  é (ji = dar, bí = nascer e onã = caminho) dá caminho ao nascimento”. Mãe que dá caminho ao nascimento, mão que cria. Ela é são responsável pela reclusão do iniciado no Candomblé.

 

 

Sobre o rito

[…] é pela subjetividade (levada a seu paroxismo) que se alcança a objetividade.”

[Michel Leiris, A África Fantasma]

 

Rafael Avancini - Cidades InvisíveisAntes de tudo, vamos descrever o Templo Espirita de Umbanda Acácio Valério. Na entrada da casa murada, ao lado direito da porta tem um pé de jurema branca. Esta árvore tem mais ou menos 50 anos. É frondosa e tem uns saquinhos com coisas dentro, presos nos galhos que só a Ialorixá Graça de Oyá Igbalé, dirigente da casa, pode explicar e cujos segredos não revela. Parecem patuás-souvenirs de Salvador, talvez bolsas de preces de nativos norte-americanos, ou mesmo os papéis coloridos com pedidos que os xintoístas japoneses prendem nos bambus durante o Tanabata Matsuri*. Os filhos da casa quando entram, reverenciam a Jurema-árvore encostando a testa em seu tronco. No hall, sobre a mesa lateral tem conjunto de cinco copos com água de tamanhos variados. São as cidades da jurema*. Ao lado das cidades, pousa um assentamento da Cigana Esmeralda: Um leque espanhol e bijuterias envolvidos por um lenço.

O excesso de símbolos nos intrigam. Deslocam o nosso olhar a todo momento. Uma tesoura de pontas abertas em cruz sobre uma tigela de água no canto, peles e ossos de animais sobre as vigas das portas protegem a sala principal. À primeira vista isto nos causa estranhamento, mas ao observarmos bem, tal inquietação não se refere ao que está sobre ou na porta, mas a porta em si. A porta nos remete à ideia de passagem, da iminência do acesso à um outro mundo.


*Festival das Estrelas festa tradicional japonesa que celebra uma história de amor.
*Cidades da Jurema são reinos habitados pelas entidades. 

Rafael Avancini - Cidades Invisíveis

Na   sala principal de aproximadamente 50m2, banquinhos estão colocados em volta de um vaso de porcelana com ervas. Ali sentam-se os filhos da casa após acenderem uma vela. A Ialorixá Graça é a última a sentar. Ela fala pouco, nāo demonstra alegria ou tristeza. Senta-se por último, pois sua preocupação é fazer a sopa para o final do rito. Um tanto quanto parecido com o Oráculo de Matrix que parecia se preocupar mais com os cookies no forno do que com o futuro de Neo, o herói do filme. Seu banquinho é ao lado da porta da sala de assentamento* das outras entidades da Jurema, de onde os filhos da casa entram e saem com frequência, a buscar objetos e bebidas das entidades.


*É o local onde são colocados elementos com poderes de proteção, irradiação e ajuda de forças que vivem no plano espiritual.

O culto da Jurema é reconhecido principalmente pelo presença dos Mestres. Mestres são alguns médiuns e os Mestres também são espíritos. Sobretudo, Mestres são os curandeiros. A  propósito, Mário de Andrade, em Música de Feitiçaria no Brasil faz menção ao uso da palavra mestre: no século XVII, os portugueses chamavam de mestres aos médicos sem licença para a tal prática.


Parênteses: conversando com as entidades

Durante o rito, o Mestre José de Santana vem conversar comigo. Ironiza o Iphone que eu carrego para gravar. Ele faz considerações ao fato de eu ser “escrevinhadora”. Me chama carinhosamente de “Nêga”. Dá uma baforada profunda em seu cachimbo, pede as minhas māos, as defuma e fecha. Defuma meu corpo inteiro. Divide a bebida-jurema comigo. A bebida é servida em uma cuia, tem um gosto de vinho com especiarias e aquece o corpo no momento em que desce garganta abaixo. É um calor morno, sutil que expande na altura do peito. Enquanto isto, seguem-se chegadas e idas de entidades. Uma dos objetivos da jurema de chão é doutrinar os espíritos e os médiuns. Durante as incorporações, algumas destas pessoas se tornam especialmente belas, outras nos mostram as nossas facetas mais abjetas: estão embriagados, são marginais e incontinentes como a Cigana Esmeralda que balança a sua saia e diz profeticamente que eu conhecerei meu “único e verdadeiro” amor. Resisto em perguntar quantas vezes mais isto aconteceria na minha vida.  E rio sozinha entre a desconfiança e o desejo de que aquilo se torne verdade.

[Suzy Okamoto]

Mestre José de Santana fala com Suzy Okamoto

Na cosmologia da Jurema, assim como nos versos do Ifá* há um desenrolar de estórias passionais, de conflitos e misericórdia. Qualquer semelhança com nossas vidas comuns não é mera coincidência. É notável como na Jurema de chão tudo faz  sentido. A música nos hipnotiza. A justaposição de ervas, troncos, velas, ladainhas, cigana, cachaças, boiadeiros, mestres, encantados e as multifacetas das culturas negra, ameríndia e européia se revelam resistentes e sobrevivem. Diante dos mistérios e na impossibilidade de uma compreensão racional, começamos a desconfiar que Ítalo Calvino estava certo em fabular. Talvez a nossa existência não passe de um castelo dos destinos cruzados.

Por fim, existe um lado doce em tudo isto. A amabilidade das pessoas do Templo Espírita Acácio Valério nos deixa à vontade. A sopa quentinha, servida ao fim do rito, tem o gosto forte de carne e cominho. Um ambiente familiar vem à tona. Em tempo, nāo é preciso pagar nada pra estar lá. É tudo caridade. Fazemos uma contribuiçāo, mas nada que pague a possibilidade de olhar para o mundo com lirismo e sair mais leve.


*Oráculo Iorubá, Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade tombado pela UNESCO.
*Imagens e áudio captados durante o rito Jurema de Chão no Templo Espírita de Umbanda Acácio Valério. 

 

 SUZSuzy_Okamoto_perfil_NoBrasilY OKAMOTO
Artista visual, Mestre em artes visuais em Estética e História da Arte pelo Instituto de Artes da Unesp. Professora do Núcleo de Design do Centro Universitário de Belas Artes, aonde leciona as disciplinas direcionadas para a pesquisa e criação. Entre suas principais exposições estão “Dor, forma e Beleza”, na Pinacoteca do Estado de SP, IX Salão de Arte da Bahia – Museu de Arte Moderna de Salvador, além de participação em diversos festivais internacionais de vídeo.

 

Rafael_Avancini_perfil_NoBrasil-1  RAFAEL AVANCINI
  Fotógrafo e cinematógrafo gaúcho. Trabalha principalmente com música, moda e arte. Tem sua pesquisa autoral em torno do nu, da performance e das poéticas do corpo, Como cinematógrafo participou do longa-metragem “Amor Líquido”, do diretor Vítor Steinberg e dos curtas, “Coquetel Motolove” junto à escola de cinema Inspiratorium e “Fantasma da Saudade no Vale da Morte” de Lufe Bollini, ganhador do Lisbon International Film Festival 2016 como Best Underground Film” .

 

Jurema Sagrada
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NoBrasil abre inscrições para o AfroTranscendence 2016: programa de imersão em processos criativos com foco na cultura afro-brasileira contemporânea.

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O PRAZO DE SELEÇÃO É ATÉ DIA 06.10 E AS ATIVIDADES GRATUITAS IRÃO OCORRER NO RED BULL STATION, CENTRO DE SÃO PAULO. SAIBA MAIS E INSCREVA-SE!

Em sua 2a edição, AfroTranscendence propõe o encontro e provoca a troca de conhecimento entre pessoas vindas das mais diferentes práticas, experiências e formas de expressões, incentivando-as a criar novas conexões, possibilidades e olhares em seus processos de criação tendo como inspiração a união entre saberes tradicionais e contemporâneos das culturas negras espalhadas pelo mundo.

A imersão

Para a imersão, que acontece de 26 a 29 de outubro, no Red Bull Station, em São Paulo, 20 selecionados participarão de um programa intensivo com especialistas, artistas e pesquisadores, como Makota Valdina Pinto e Grada Kilomba. As atividades são gratuitas e compostas por palestras, laboratórios, workshops e vivências artísticas que serão divididas em 3 eixos centrais: Descender para Transcender: descolonizando o conhecimento; A memória da Criação: panorama para práticas de inversão no contemporâneo; e Estéticas Negra: pesquisa e processos sincréticos.

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Cruzando esses painéis que servem como arquivo, base de pesquisa e referência, neste ano teremos o laboratório de criação AfroTrans, que propõe exercitar coletivamente a criação de um experiência expandida entre todas as linguagens artísticas tendo como suporte a memória, a palavra, o corpo, o som, a imagem e a tecnologia.

Podem se inscrever pessoas vindas das mais diferentes práticas artísticas ou manifestações tradicionais que estejam pesquisando a cultura afro-brasileira e seus trânsitos como forma de performar o conhecimento, gerar um pensamento crítico e experimentar novas possibilidades estéticas.

Todas as atividades são gratuitas. Em breve, divulgaremos a programação completa.

As inscrições vão até 06 de outubro. Acesse o edital aqui !

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ASSISTA AO 5° EPISÓDIO DA SÉRIE AFROTRANSCENDENCE COM GOLI GUERREIRO

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Nesse quinto episódio da nossa série, Goli Guerreiro fala sobre o papel fundamental da produção de conhecimento e da visibilização das culturas negras como forma de nos reconhecermos e criarmos um pensamento negro brasileiro sobretudo protagonizado por mulheres.

 

“A pesquisa é central para você conseguir encontrar um caminho de leitura do mundo, uma leitura original do mundo, que é essa leitura afro-brasileiro que a gente precisa tornar ampla….produzir um pensamento negro brasileiro! E para isso é preciso estudar, é preciso que a gente consiga esse tempo para o estudo (…) a Bell Hooks fala como o silêncio é necessário para a produção de conhecimento….porque tem poucas mulheres negras no mundo acadêmico, porque ser intelectual negra é tão dificil? A mulher negra precisa de isolamento, precisa de silêncio para estudar, para pesquisar e para descobrir um caminho.”

 

Nesse quinto episódio da nossa série, a antropóloga, escritora e pesquisadora Goli Guerreiro, fala sobre o papel fundamental da produção de conhecimento e da vizibilização das culturas negras como forma de nos reconhecermos e criarmos um pensamento negro brasileiro sobretudo protagonizado por mulheres. Pós-doutora em antropologia urbana e letras e autora do conceito terceira diáspora – deslocamento virtual de signos negros, Goli tem seis livros publicados, o mais recente o romance Alzira está morta, vencedor do Selo Literário João Ubaldo Ribeiro..

Nesse capítulo recebemos ainda mais um integrante da nossa equipe, o editor Victor Guerra.

img_4058Dirigida por Yasmin Thayná e escrita por Diane Lima, a série será lançada quinzenalmente e você pode acompanhar aqui, nos canais do NoBrasil e do AfroTranscendence.

Websérie AfroTranscendence:

Dirigido por Yasmin Thayná
Escrito por Diane Lima
Produção: Hanayrá Negreiros
Direção de fotografia: Raphael Medeiros
Som: Avelino Regicida
Montagem: Victor Guerra
Still: Alile Dara Onawale

 

Vá Fundo.

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Atos de criação, auto-ressignificação: performando o imaginário mulher

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É o tema da palestra que vamos ministrar hoje no ciclo de seminários Entre Fronteiras Artísticas que acontece na Oficina Cultural Oswald Andrade como parte das ações da peça Dramas de Princesa, que investiga a situação da mulher diante dos mitos dominadores criados pela sociedade do espetáculo.

A partir de 1º de setembro, a ciadasatrizes encena Dramas de Princesas, texto de Elfriede Jelinek, escritora austríaca vencedora do Prêmio Nobel, que investiga a situação da mulher diante dos mitos dominadores criados pela sociedade do espetáculo. As apresentações ocorrem na Oficina Cultural Oswald de Andrade, às quintas, sextas e sábados às 20h,  até 1º de outubro com entrada gratuita.

Dando vida a 05 narrativas através de 05 instalações com impecável cenografia, a peça protagoniza os estereótipos, o pensamento misógino, os fantasmas femininos célebres que ganham voz, discursando sobre sua contraditória posição entre fama e apagamento, poder e impotência, status e vitimização. Essas “princesas” entram em embate com a Morte (quase sempre representada por um homem) e com a própria dificuldade de simplesmente ser mulher na sociedade.

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Na primeira história, Branca de Neve se depara com o caçador, que representará um papel bastante diferente daquele do conto de fadas; na seguinte, Bela Adormecida acorda de seu profundo sono e precisa lidar com seu destino: o suposto príncipe que a beijou para quebrar o feitiço agora tem direito sobre ela.

Rosumanda é a protagonista da terceira cena, que narra a tentativa da personagem-título de retomar o trono de Chipre, seu por direito, mas usurpado pelo governador Fulvio, que tenta seduzi-la; em seguida, Jackie Kennedy compartilha com a plateia as agruras de não conseguir se livrar da lembrança de todos mortos da família. Por fim, no último ato, as poetas Sylvia Plath e Ingeborg Bachmann enfrentam uma parede invisível, mas impossível de ultrapassar.

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Como parte de um ciclo de conversas que debate as fronteiras artísticas, o pensamento crítico e os processos de criação, vamos participar hoje às 16h da palestra Atos de criação, auto-ressignificação: performando o imaginário-mulher.

Uma peça que apresenta toda a potência do teatro como lugar possível para se performar o conhecimento e ressignificar os valores sobre investidos nos corpos e na imagem da mulher.

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Jurema Sagrada – Prólogo

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Em Jurema Sagrada, especial do mês de setembro, Suzy Okamoto e Rafael Avancini contam a trajetória que percorreram entre juremeiros, babalorixás, yalorixás, ekedjis, Tabajaras e artistas à sombra das árvores e na vibração dos maracás em João Pessoa na Paraíba.

IMAGENS CRIADAS COM O IPHONE SE

Tupi, or not tupi that is the question.

[…]

Catiti Catiti

Imara Notiá

Notiá Imara

Ipeju

[Manifesto Antropófago – Oswald de Andrade]1

 

1 – Lua nova, ó Lua Nova! Assoprai em lembranças de mim; eis-me aqui, estou em vossa presença; fazei com que eu tão somente ocupe seu coração.

 

Jurema Sagrada – Maracá Jurema de Chão. Jurema de Chão no Templo Espírita de Umbanda Acácio Valério em João Pessoa, Paraíba. Excerto da pesquisa de Suzy Okamoto e Rafael Avancini sobre a Jurema Sagrada. Julho/2016

 

A Jurema Sagrada, também conhecida como Catimbó, é um culto mágico-religioso, mistura de pajelança com catolicismo, permeado pelo candomblé e feitiçaria europeia. Sua história que data do século XVI é cercada de clandestinidade e repressões. Imagem do mais alto grau de sincretismo cultural, o culto permanece vivo até hoje especialmente nos estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte

Rafael Avancini - Cidades Invisíveis

Lucas Souza – Templo Espírita de Jurema Mestra Jardecilha

Composta de segredos, parábolas, metáforas e símbolos, o Culto da Jurema, seus ritos – adjunto de jurema, jurema de chão, toque de jurema, toré de jurema –  e suas músicas desafiam uma pesquisa definitiva. Ainda que Mário de Andrade, em Música de feitiçaria no Brasil e Câmara Cascudo, em Meleagro, se apresentem aqui como fiéis escudeiros, os enganos e deduções precipitadas sobre o assunto nos espreitam.

Rafael Avancini - Cidades InvisíveisToque de Jurema – Ile Asé Odé Ibualama

 

Se podemos encontrar um fio da meada neste contexto erudito é o fato da jurema ser movediça e rizomática. Jurema é uma árvore-talismã, Jurema é uma cidade de seres encantados e espíritos curandeiros, Jurema é ciência, Jurema é um enteógeno,  Jurema é êxtase, Jurema é uma mulher, poderosa e cheia de sortilégios.

“Para nós, tal justaposição da magia fantástica com o agir objetivo referido a finalidade parece sintoma da cisão, mas para os índios nao ė algo esquizoide, ao contrario, é uma experiência libertadora e patente da ilimitada possibilidade de relação com o mundo ao redor””  (Aby Warburg)

Isto posto, o que vamos contar aqui NoBrasil é a trajetória que percorremos entre juremeiros, babalorixás, yalorixás, ekedjis, Tabajaras e artistas à sombra das árvores do Templo Espírita de Jurema Mestra Jardecilha (em Alhandra), sob a afável oca da Aldeia Barra do Gramame (em Conde), na vibração dos maracás no Templo Espirita de Umbanda Acácio Valério e ao toque do tambor no Ile Asé Odé Ibualama (ambos em João Pessoa).

Esta pesquisa-experiência foi realizada durante a residência artística na Arapuca ArteResidencia de Serge Huot, sob a curadoria de Carlos Mélo, em julho de 2016, na paradisíaca Área de Proteção Ambiental Estadual de Tambaba, município de Conde, Estado da Paraíba e teve o apoio da Fundação Espaço Cultural do Estado da Paraíba, sob o cuidadoso olhar de Edilson Parra.

Rafael Avancini - Cidades InvisíveisPraia de Arapuca – Paraíba

 

SUZSuzy_Okamoto_perfil_NoBrasilY OKAMOTO
Artista visual, Mestre em artes visuais em Estética e História da Arte pelo Instituto de Artes da Unesp. Professora do Núcleo de Design do Centro Universitário de Belas Artes, aonde leciona as disciplinas direcionadas para a pesquisa e criação. Entre suas principais exposições estão “Dor, forma e Beleza”, na Pinacoteca do Estado de SP, IX Salão de Arte da Bahia – Museu de Arte Moderna de Salvador, além de participação em diversos festivais internacionais de vídeo.

 

Rafael_Avancini_perfil_NoBrasil-1  RAFAEL AVANCINI
  Fotógrafo e cinematógrafo gaúcho. Trabalha principalmente com música, moda e arte. Tem sua pesquisa autoral em torno do nu, da performance e das poéticas do corpo, Como cinematógrafo participou do longa-metragem “Amor Líquido”, do diretor Vítor Steinberg e dos curtas, “Coquetel Motolove” junto à escola de cinema Inspiratorium e “Fantasma da Saudade no Vale da Morte” de Lufe Bollini, ganhador do Lisbon International Film Festival 2016 como Best Underground Film” .

 

 

Jurema Sagrada
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Morando em terra sem lei

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Pertencer a um espaço é dar significado e re-significado a ele.

 

IMAGENS FEITAS COM O IPAD PRO E O IPHONE SE

 

Foi o que fizeram os moradores removidos da comunidade conhecida como “kinder ovo” e também das margens do Rio Faria Timbó. O Governo Federal ofereceu uma alternativa: recomeçar no mais novo conjunto habitacional da Maré, conhecida como ‘Salsa e Merengue’, no ano 2000. O nome foi referência às casas, graças a uma novela da década de 90.  

Diferente das décadas passadas, o território para de se expandir na horizontal e passa a crescer na vertical. Dessa forma, não é difícil perceber o quão diferente cada favela da Maré é, apesar de ser do mesmo complexo. Os novos moradores do ‘Salsa’ se misturam com a história e o desenvolvimento do lugar, e fazem do comércio uma potência local.  

Desde que a favela é favela, a política de limpeza urbana na cidade acontece. Principalmente nos lugares onde vive preto, pobre e favelado. A segregação visível fazia juízo ao desejo do Estado de excluir. Discriminar. Estereotipar. Em remoções forçadas, não há comunicação com os residentes, e sim a especulação imobiliária e a retomada da apropriação de terra – sem lei. Com interesses – com lei. 

imagem-1Mapa do complexos de Favela da Maré

Ainda que as políticas públicas facilitem novas formas de proteção perante a lei, com a falta de direitos humanos, os interesses políticos e empresariais – ligados diretamente a a cidade que se tornou cidade sede dos jogos – a higienização aconteceu nos quatro cantos do Rio de janeiro.

Segundo o documento Dossiê Megaeventos e Violações dos direitos humanos no Rio de Janeiro, de 2009 até 2015, cerca de 77 mil pessoas foram removidas de suas casas. Com apoio de medidas provisórias, leis votadas ao largo do ordenamento jurídico e longe do olhar dos cidadãos, assim como um emaranhado de portarias e resoluções, constroem uma institucionalidade de exceção.  

Essa política chega à Maré novamente em 2014. Em torno de 80 famílias da Salsa e Merengue foram removidas de suas casas recém-construídas. Com uma decisão coletiva e uma alternativa, usar o espaço que não servia. A Prefeitura não fez nenhuma notificação formal para o aviso da remoção forçada das casas. A mídia não fez cobertura sobre o ocorrido. A Prefeitura da cidade e o Exército Brasileiro, que já ocupava o Conjunto de Favelas com jipes, tanques de guerra e armamento pesado trabalharam juntos. Muitos moradores seguravam o documento de posse da casa nas mãos. Era uma situação nova na história da Maré, já que as casas antigas não têm escritura. A resistência e insistência são pequenos significados que as vezes ganham espaço, às vezes não.

BastidoresThaís entrevistando moradores para o último capítulo do especial “Nas águas da Maré.” Fotos  e vídeos feitos com o Iphone SE.

Em 2016, o espaço das Casas está ocupado no Campus Educacional da Maré. Através das construções da Fábrica de Escolas do Amanhã – grupo de 8 escolas municipais que buscam diminuir a evasão escolar de crianças estudantes do primário e do ginásio. Os moradores removidos seguiram suas vidas realocados em casas já prontas. Uma forma de viver sem poder questionar novas medidas. Moradia. Escolas. Contraste. O que é necessidade só quem vive sabe.

imagem-2Thaís na Favela da Maré. Fotos tiradas com o Iphone SE. Imagens criadas com o IpadPro.

 

 


thais-cavalcanteThaís Cavalcante da Silva é moradora e jornalista comunitária do Conjunto de Favelas da Maré desde 2012. Acredita no poder da escrita para mudar sua realidade. Já trabalhou como locutora em rádio comunitária, correspondente no portal Viva Favela e atualmente trabalha no jornal comunitário O Cidadão, é correspondente no jornal The Guardian e no portal RioOnWatch.

 

 

Nas Águas da Maré
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No caminho de barro, uma casa de concreto

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Nessa segunda matéria do especial “Nas águas da Maré”, Thaís Cavalcante da Silva moradora da Maré, conta a história de Severina Lusia. Confira.

Por Thaís Cavalcante da Silva
Imagens feitas com o Ipad Pro e o Iphone SE

 

Os migrantes nordestinos tinham um destino traçado nos anos 80: morar na Maré em busca de melhores condições de vida. Uma dessas pessoas foi Severina Lusia, mulher humilde que decidiu sair do interior da Paraíba para viver na Maré em 1981. Em tempos de desenvolvimento urbano na cidade, a favela pareceu parar no tempo. Nada crescia se não fosse da vontade dos moradores. O espaço, notável nas matérias da tv, era invisível para as autoridades.

Lusia chegou ao Conjunto de Favelas da Maré sem conhecer nada do Rio de Janeiro, porque não tinha televisão no Nordeste. Não tinha nem luz. Só candelabro. E na Maré a história se repetiu por três anos, já que não tinha dinheiro.

Pura ansiedade antes de pisar na cidade maravilhosa. Mas não tinha casa. Sua esperança era encontrar um lugar bom para morar. Tinha lembranças difíceis do trabalho na roça. Na época, o ônibus que viajou 3 dias, foi da Paraíba até a favela Parque Maré. Era tudo estranho. Tinha medo de sair sozinha. A violência já se mostrava parte da nova realidade. A saudade do Nordeste batia:

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As casas eram construídas cada vez mais perto uma da outra. Sem espaço para varandas. Uma janela se unia a outra casa. E assim a formação rápida do território se tornou populosa, mas ainda com baixo índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Até hoje, o conjunto de favelas tem um número baixo.  Até hoje os moradores lutam por direitos. Saúde. Saneamento. Educação. O básico ainda não é o suficiente.

Morou de aluguel com Geraldo por mais de um ano em um barraco de madeira. A empresa que ele trabalhava faliu, e com tudo o que receberam compraram uma casinha e alguns móveis. Quatro cômodos. Na sala, tinha um fogão, um armário pequeno e a cama de casal – com colchão de capim. Na cozinha, tinha um poço, chamado de “cacimbão”. No banheiro não tinha água, nem chuveiro. Pegavam água da rua e enchiam seus baldes com 20 litros. Lusia ajudava a carregar, mesmo grávida. Resistência.

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Quatro irmãos de sua família decidiram morar na Maré também. Era mais fácil conseguir emprego, a cidade passava por um crescimento industrial. Puderam apoiar um ao outro, mesmo vivendo em favelas diferentes. As casas careciam de saneamento básico e as ruas sem asfalto. A lama, o mato e o barro faziam parte da rotina dos moradores dali.

O Governo Federal percebeu o crescimento desenfreado de várias favelas na Maré. Decidiu então fazer uma intervenção: aterrar as regiões que ainda estavam alagadas. Os moradores dali, foram transferidos para casas pré-fabricadas de alvenaria. A pressão social e higienização urbana do Rio de Janeiro removeu famílias da favela do esqueleto, para ir à Maré. O poder popular mostrava o quão forte era a união de pessoas que lutavam por direitos. Que lutavam por moradia. Que lutavam pela vida.

A mudança acontecia: a 30º Região Administrativa (RA) se instalou e trouxe ao território o reconhecimento de bairro popular. A iniciativa, aconteceu com o objetivo de mudar a visão externa quanto ao que acontecia nas favelas.

O título bairro, tem peso moral.
Favela não.

Às vezes, caía água do telhado e molhava tudo. Mas isso não desanimou Geraldo na construção da casa que passou de tábua à alvenaria. Os conhecimentos manuais que ele trouxe da Paraíba ajudaram nisso. Quando jovem, construiu casa de pau-a-pique com seu pai. Sabia bem o que estava fazendo. Após a mudança, a família visitou o Nordeste apenas 6 anos depois da chegada no Rio de Janeiro.

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Hoje Lusia tem casa própria, e duas filhas.

Vive com água encanada, luz, calçada e outras coisas que hoje trazem o nome bairro com mais força.

Mas o reconhecimento de pertencer ao lugar, fazer parte da sua história e do seu crescimento, tem uma palavra que representa perfeitamente: FAVELA.

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thais-cavalcanteThaís Cavalcante da Silva é moradora e jornalista comunitária do Conjunto de Favelas da Maré desde 2012. Acredita no poder da escrita para mudar sua realidade. Já trabalhou como locutora em rádio comunitária, correspondente no portal Viva Favela e atualmente trabalha no jornal comunitário O Cidadão, é correspondente no jornal The Guardian e no portal RioOnWatch.

 

 

 

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Explode Residency

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Dia 29 de agosto vamos fazer parte da programação da Residência Explode num bate-papo com os artistas Daniel Lima e o haitiano Pierre-Michel, Jean. Saiba +

 

Dia 29 de agosto faremos parte da programação da Explode Residency, uma residência internacional que buscará instaurar um espaço de experimentação e debate em torno de corpos que escutam, dançam, resistem, manifestam-se e tornam-se visíveis, a partir da experiência e exposição a diferentes tipos de sons e músicas, advindos, principalmente, das periferias.

explode_convites_29ago

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Numa imersão de onze dias (entre 23 de agosto e 02 de setembro de 2016) em uma casa na zona leste de São Paulo, localizada na Vila Nova York, a Explode reunirá uma comunidade de artistas, músicxs, dançarinxs, agentes culturais e pesquisadores, conduzidos por uma experiência de escuta pelos integrantes do grupo norte americano Ultra-red. Vamos bater um papo com os artistas Daniel Lima e com o haitiano Pierre-Michel, Jean.

Este evento é parte da plataforma Explode!, que pesquisa e experimenta noções de gênero, sonoridades, visualidades e cultura de periferia. EXPLODE! Residency é uma curadoria de Claudio Bueno e Joao Simoes, em colaboração com Queer City, um projeto de Lanchonete e Musagetes.

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