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A CURA

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O texto e a video-performance criada para a abertura dos Diálogos Ausentes no Itaú Cultural, fala sobre a curadoria como prática de invisibilização das práticas artísticos-culturais afro-brasileiras e como possibilidade de cura do nosso trauma colonial.

por Diane Lima 

A Cura é uma versão poética de um artigo em andamento parte da pesquisa que desenvolvo dentro do programa de mestrado de Comunicação e Semiótica na PUC-SP. O texto, que virou video-performance e foi produzido pela equipe de audio-visual do Itaú Cultural, transformou-se então em um convite à reflexão e uma ferramenta de mediação que vem para exercitar dispositivos outros que nos ajude na tarefa de criar-pensar-testar e potencializar, experiências de aprendizado coletivo. A princípio, uma tradução bruta, um se jogar no abismo, uma ponte tímida entre mundos que traz a epistemologia da palavra Cura em dois sentidos: cura, no sentido de curadoria e a curadoria como prática de invisibilização das práticas artísticos-culturais afro-brasileiras e curar como caminho de cura de um trauma colonial que surge no momento em que me autorizo curadora.

Dito isso, compartilho o texto e a video-performance que foi apresentada na abertura dos Diálogos Ausentes e que teve como primeira convidada a artista Rosana Paulino fazendo um panorama da presença negra nas artes visuais. A Cura em específico, está inserido dentro da gravação da palestra no minuto 12 mas vale a pena, muito a pena, assistir até o final.

 

A CURA

 

Como falar das ausências, se eu não podia falar?
Forças resistentes passeiam
Movimentam a boca
Boca, há muito controlada por ferro
Sou livre sem máscara
Vozes ecoam
Suspiro

 

Quem cura, cura o que?
Discurso.
Um genocídio da memória
Enuncio:
Onde está a cura para o meu trauma?
Quem, me invizibilza?
Sou parte de um projeto colonizador.
E por isso, parto de mim
Me desnudo.
Desenho a minha própria cor e forma.
Meu gesto, meu movimento
Reescrevo,
Me conto,
E curo o seu olhar sobre mim.

 

Nesses diálogos ausentes, sou presença
Fratura no que seu projeto criou
Desestabilizo e me experimento
Me lanço
Não espero mais pelo que não sou
Não sou mas o seus olhos em mim
Minha arte é da desconstrução
Afeto
Nesse espaço-tempo sou dispositivo
Crio uma contra-história
E falo a minha própria língua

 

É curando que eu me curo.

 

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